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vgBR | 24 de fevereiro de 2019

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Um Comentário

Grandes jogos da geração: Dead Space

Átila Graef

Dead Space é o tipo de jogo incomum nessa geração. Incomum porque está se tornando cada vez mais raro ver franquias novas arriscarem em gêneros não garantidos de sucesso e ainda assim esses jogos tendem a apostar em apenas uma fórmula e usá-la a exaustão. Dead Space não aposta em nenhum grande elemento novo, apenas reinventa algumas fórmulas consagradas, combinando-as com maestria.


Uma estação mineradora espacial, a USG Ishimura enviou um sinal de reparo e um grupo de manutenção foi mandado para resolver os problemas da nave, porém ao chegar no local não encontram qualquer atividade e por um defeito no sistema gravitacional de pouso da Ishimura, acabam colidindo e sendo obrigados a embarcar na estação para reparar ambas as naves.

Na pele do Dr. Isaac Clarke, você logo descobre que o problema na estação é muito maior do que uma equipe de manutenção poderia resolver. Trata-se de uma infestação alienigena, que infecta e reanima os corpos dos tripulantes da nave através de mutações bizarras: os necromorphs como são chamados.

Este é apenas o começo da trama que se desenvolve de maneira a causar inveja as últimas tentativas Sci Fi de Hollywood. Porém, como jogo, Dead Space consegue lhe colocar dentro da história de uma maneira que nenhum filme conseguiria. Pra começar, este é um dos poucos títulos que tem êxito em um sistema completamente sem HUD. Tudo, desde a energia, até inventário, é mostrado através da armadura de Isaac e em tempo real. Ou seja… curar os ferimentos durante os combates é muito mais complicado que em jogos que “pausam” durante o acesso ao inventário. Além de influenciar diretamente na dificuldade do jogo, essa decisão contribui de forma positiva para a imersão, tornando Dead Space uma das experiências em Survival Horror mais assustadoras já vistas.

Mas não é somente uma “tela limpa” que faz um jogo assustador. É preciso ambientação e isso Dead Space faz ainda melhor. Como uma espécie de “Aliens encontra Metroid”, a USG Ishimura é uma estação abandonada perfeitamente recriada nos mínimos detalhes. Tudo o que se espera da imensa espaçonave está lá, desde os túneis de ventilação (frequentemente usados pelos inimigos pra lhe surpreender com ataques surpresa) até banheiros, masculino e feminino, são cuidadosamente trabalhados e recriados com perfeição. E os gráficos ajudam para isso. Modelos com ótima animação, aliados aos melhores efeitos de luz, pedaços de corpos e diversos elementos ao mesmo tempo na tela, tudo muito realista e com um toque artístico, fazem esse um dos jogos mais bonitos até então.

No quesito jogabilidade, Dead Space surpreende, trazendo um controle praticamente perfeito para um gênero onde a maior parte dos seus grandes representantes peca neste aspecto. Pense em “Marcus Fenix como um cientista” e você têm a movimentação de Isaac Clarke. Um cientista seria obviamente mais lento do que o brutamontes de Gears of War, porém continuaria mantendo a habilidade de andar e atirar ao mesmo tempo (a redenção de Leon Scott Kennedy vem em Resident Evil 6). Obviamente o jogo não tem cover, mas os inimigos não atiram de volta. A sua disposição, um arsenal de armas e itens adaptados para tal finalidade e até mesmo um clone da gravity gun de Gordon Freeman, adaptado ao braço esquerdo de Isaac. Em uma das novidades: ataque os inimigos nas pernas para decepá-las e derrubá-los no chão. Ataque-os nos braços para que eles percam suas principais armas. Ou decapite-os para que eles deixem de ver onde você está. O sistema de desmembramento é impressionante e funciona muito bem, ainda que em alguns casos seja um pouco exagerado.

Os elementos de gravidade zero são das melhores partes do jogo. Neles a liberdade espacial é tremenda e quando no vácuo a tensão é ainda maior. No espaço ninguém pode te ouvir gritar e é exatamente isso que ocorre. Em uma sacada genial, a única coisa que você escuta em situações no vácuo, é a respiração ofegante de Isaac aliada as pancadas da armadura, sofridas pelos ataques dos inimigos.

Outro grande ponto positivo no jogo: os chefes são simplesmente épicos. As batalhas se colocam de forma não artificial ao desenvolvimento do enredo e são realmente impressionantes. E como a forma de derrotá-los nem sempre é o combate, algumas vezes você vai se pegar praguejando porque nosso amigo cientista preferiu desenvolver cérebro e não músculos, mas é justamente isso que dá brilho ao jogo.

Finalizando a análise pra não me estender mais, pode-se dizer que desde Resident Evil 1 Remake e seus zumbis “turbo” no Gamecube eu não ficava com tanto receio de abrir uma nova porta ou esperar ansiosamente que a porta anterior se fechasse para prosseguir sem surpresas desagradáveis. Durante as 12 horas médias que dura a aventura tudo no jogo inspira receio em dar o próximo passo visto a fragilidade de Isaac. Uma das melhores surpresas dos últimos anos e um dos melhores jogos da geração. Obrigatório para fãs de Aliens.

Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.