Image Image Image Image Image Image Image Image Image Image

vgBR | 20 de abril de 2019

Ir para o topo

Topo

Sem Comentários

Jogos que não deveriam existir: Too Human

Átila Graef

Too Human é um jogo curioso. Seu desenvolvimento passou por 3 gerações de consoles em três plataformas completamente diferentes e de empresas rivais. Começou no PlayStation, seguiu pelo GameCube e foi ver a luz do dia no Xbox 360. Tanta inconsistência no título refletem a falta de foco e objetivo da desenvolvedora e a indústria já nos mostrou que nesses casos, salvo raras exceções, isso resulta em fracasso. Contrário a isso, a premissa do hype nos ilude, pois quanto mais nebuloso e postergado se torna um título anunciado precocemente, mais expectativa ele acaba gerando. Sempre vai existir uma espera por algo a altura das promessas e atrasos de um título que chegou a ser conhecido como um Duke Nukem Forever dos RPGs. No entanto o que foi entregue é algo capado, sem começo, com meio e sem fim. Um título que leva do nada a lugar algum e pouco acrescenta a biblioteca de RPGs do Xbox 360.



A história é baseada numa versão diferenciada da mitologia Nórdica, com elementos futuristas e humanos lutando ao lado dos deuses de Asgard. Algo como “Odin with Lasers”. Essa história começa fraca, continua morna, e quando vai esquentar esfria de vez.
Em Too Human você é um deus e conforme o protocolo de divindades manda, você não morre nunca. Quando derrotado, seu personagem, Baldur, é levado pelas Valkyries, (espécies de anjos) em uma sequência animada que não empolga na primeira vez e nas demais dá a impressão de durar uma eternidade, para em seguida voltar a batalha, sendo penalizado apenas com danos aos seus equipamentos que podem ser recuperados mais tarde em Aesir, única cidade do jogo.

O sistema de batalha que no começo é preso, engrena com o ganho de alguns níveis e começa a gerar algumas boas brigas. O sistema de equipamentos tem muita variedade e possibilidades de customização. As poucas missões tem chefes interessantes, porém os elogios ao título acabam ai.

De resto o que se segue são somente falhas e decisões ruins, com uma história curta; somente 4 missões que possibilitam finalizar o jogo em menos de 10 horas. Enredo capado, que quando começa a ficar bom simplesmente acaba. Jogo bugado ao extremo inclusive ocasionando travamentos. Gráficos fracos (apesar de algumas texturas boas) aliados a uma movimentação nível RPGs da geração 32 bits (será que mantiveram o motion capture da época?). Inteligência artificial de seus parceiros em combate, praticamente nula o que resulta em uma dificuldade totalmente desequilibrada com algumas hordas de inimigos comuns sendo extremamente difíceis, porém alguns chefes sendo extremamente fáceis. Cenários gigantescos com um personagem extremamente lento e pouquíssima coisa pra se fazer e menos ainda pra explorar.

Com relação ao enredo posso dizer que o final desse jogo é um dos maiores FAILS da história dos videogames, porque quando o jogo começaria a engrenar ele simplesmente acaba. E pelo histórico da produtora e do título sabemos que um Too Human 2 só daqui outras 3 gerações de consoles, no PlayStation 6 talvez?

Joguei e finalizei Too Human porque eu realmente quis ver o resultado de um jogo com tantos problemas no seu desenvolvimento, com um histórico de atrasos e promessas. Não sou de exagerar em análises e sou um jogador otimista sempre tentando ver os pontos positivos sobre os negativos quando esses não prejudicam a experiência. No caso de jogos como Duke Nukem Forever isso deu certo e eu acabei conseguindo deixar os problemas de lado e aproveitar o jogo. Infelizmente esse não foi o caso de Too Human.

Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.