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vgBR.com | 11 de dezembro de 2018

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4 Comentários

[Xbox Live Arcade] Deadlight

Bruno Carbone

Quando “The Walking Dead” encontra “Out of this World”.

Sempre fui fã de jogos 2D. Inclusive me espanta a falta de títulos de expressão, confeccionados com qualidade e que utilizem o poder do Xbox360 para entregar aos jogadores uma experiência inovadora e ao mesmo tempo saudosista.

Quando a Epic Games, produtora do blockbuster “Gears of War” anunciou seu novo game para a XBLA, “Shadow Complex”, confesso que recebi a notícia com certo receio. Apesar das fotos promissoras, e de eu ser um amante de jogos de ação em plataformas, fiquei com um medo latente de que o título se tratasse exatamente apenas disso: um game bonitinho de ação em plataformas. Ou um “Contra 3 – Xing Ling version”.

Preferências e comparações à parte, me encantei com a qualidade do jogo em todos os aspectos. Tanto que me recordei do jogo que para mim, é uma lenda no gênero: Super Metroid, do SNES. O jogo conseguia reunir todos os elementos que transformaram o título, pelo menos em minha opinião, no melhor jogo de ação em plataformas que já existiu.

Sim, esse jogo era duca.

Estou dizendo que Shadow Complex é tão bom quanto Super Metroid?

Não. Nem de longe. Mas ele entrega uma experiência sincera, bem feita e honestamente? Super divertida. Para jogadores carentes de jogos do estilo, a Epic conseguiu realizar um excelente trabalho. Tudo bem, vocês podem perguntar: “mas o assunto do post não é Deadlight?”

E eu respondo: calma que eu chego lá.

Pois bem. Depois de Shadow Complex (tá bom, tem o horrendo Bionic Commando, mas eu não acho que esteja no mesmo nível para comparação) nenhum outro jogo foi lançado com a mesma preocupação na produção. Em nenhum aspecto. Talvez Trine 2, um dos mais belos game designs da XBLA, mas sua proposta é completamente  diferente.

Lindo, mas não tem nada a ver.

Outro aspecto positivo que Deadlight possui é o que podemos chamar de fotografia. Assim como nos filmes, os cortes, os enquadramentos, a abordagem visual do jogo me recordou outro título que em sua época me encantou (prometo que é a última comparação): Out of this World.

Existia ousadia naquele jogo. Era um side scrolling, cuja rolagem de tela não era contínua como em Super Mario, por exemplo. Super Metroid tinha isso, mas o fato da transição ocorrer devido a portas deixava a coisa natural. Out of this World entregava uma dose de suspense pelo simples fato de você não saber o que se encontrava depois dos limites da sua tela. E ainda por cima possuía uma proposta completamente diferente de tudo que existia no gênero. Gráficos, jogabilidade, som, tudo. Foi o primeiro jogo de SNES (posso estar enganado) que apresentou uma cutscene in game, animada.

Olá, muito prazer. Eu sou uma cutscene.

O jogo tinha um “quê” de filme. E isso já era novidade suficiente. Somado o fator gráfico, a dificuldade e o enredo, tínhamos em mãos o precursor do que seria conhecido como adventures ou thinking-action. Muita gente torceu o nariz na época, mas hoje podemos entender a ousadia desse lançamento.

Tá certo, por que todas essas comparações?

Pergunta justa.

Porque se em algum momento, seja um mero segundo, você gostou de qualquer coisa citada até agora, você é um sério candidato a demais de Deadlight e colocá-lo em lugar de destaque no seu ranking de games da XBLA e com um pouco de ousadia (um aspecto em voga nesse post), no top 10 games do gênero.

Sim, além de divertido sou bonito pra cara***.

Em linha gerais, Deadlight conta a história de Randall Wayne, um pai de família que tenta encontrar sua esposa e filha desaparecidas e de quebra, sobreviver ao apocalipse urbano ocorrido em 1986 após um vírus dizimar toda a sociedade e transformá-la em criaturas conhecidas como zumbis Shadows. Ah, e existem também alguns militaristas sanguinários.

Nada novo, certo?

Mas como já disse um sábio: o segredo é resgatar o passado do lixo, limpá-lo, pintar as partes feias e vendê-lo por mais do que ele vale. Nostalgia pura. Mas nesse caso, o preço é bem justo. 1200 MSP. Acredite, vale cada centavo do tio Bill.

Eu vejo a curiosidade crescendo jovem padawan…

O jogo traz uma preocupação gráfica perceptível no primeiro instante. Os cenários, a luminosidade, tudo é feito com primor. Como em Shadow Complex, o personagem está preso a um plano 2D mas os NPC´s e outros elementos do jogo conseguem interagir de forma tridimensional. E isso torna a jogabilidade interessante, pois cria um elemento surpresa. Falando nisso, a jogabilidade é simples, apesar de utilizar todos os botões do controle. Uma mistura de Prince of Persia com Blackthorne (tá bom, eu menti quanto as comparações anteriores serem as últimas).

Correr, pular, se pendurar, atirar-se de muros, arrebentar portas e paredes e é claro, tudo recheado com balas calibre 12 e machados de eficácia duvidosa.  A ação tem doses equilibradas de estratégia (bem no brainer, confesso) e ação desenfreada. Não basta apenas atirar e decepar zumbis shadows. Muitas vezes é preciso fugir. A barra de energia limitada e a baixa eficácia de algumas armas somada a alta periculosidade dos inimigos faz com que muitas vezes você tenha de engolir seu orgulho e correr feito uma menininha.  Ir para o hospital não é uma opção.

Serviço de saúde pior do que o SUS, acredite.

O jogo também tem um enredo bacana, complementado pelo diário de Randall. Você precisa encontrar algumas páginas faltantes assim como em Alan Wake (eu disse que teríamos mais comparações), e elas dão um panorama do que está acontecendo de verdade.  Outro aspecto interessante é o fato de que não apenas os zumbis shadows serem seus inimigos. Um grupo militar está se aproveitando da situação e arrebentando com tudo, fazendo prisioneiros, matando inocentes, tocando o terror, não necessariamente nessa ordem.

Se você gosta de séries como The Walking Dead, encontrará diversas referências visuais no game. Agora, se você for do tipo fã do Romero, aquela coisa mais trash, pode se decepcionar um pouco. Os zumbis shadows são, como descrito no game, curiosos, violentos e quaisquer sons despertam sua fome canibal. Uma vez alvo desses seres, eles não desistem até pegá-lo. E isso cria várias situações que podem trabalhar ao seu favor.

 

É isso aí colega, eles querem fazer contigo…

Deadlight nasceu um clássico. Tanto pela temática, como pela qualidade do título, e também pela história. Um jogo que assim como Shadow Complex, eu torço para que encoraje as produtoras a desenvolverem mais games nesse estilo.  Hoje em dia, é possível criar games 3D com câmeras 2D (nada mais como desenhar sprite por sprite como antigamente), o que faz com que a justificativa do trabalho excessivo não seja mais válida. E não digo isso por conta de remakes. Tem muita idéia que pode ser explorada por aí que, literalmente, só precisa de um novo ponto de vista. Que o diga a Tequila Works.

Imagem bônus pra você que leu essa joça até o fim…

Tá bom, mais uma vai.

Bruno Carbone

Bruno Carbone (aka Overload) é viciado em piada ruim e trocadilhos de gosto duvidoso. Três vezes campeão mundial por W.O. de Pirocóptero Online. Odeia quando perguntam "por que você joga se xinga tanto o videogame?" quando está jogando Dark Souls. Tem pessoas que simplesmente não entendem...