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vgBR.com | 24 de setembro de 2018

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Análise – The Evil Within

Análise – The Evil Within
Átila Graef

Review

GRÁFICOS
8
8

O retorno de Mikami

Apesar de não ser tão assustador quanto prometia, The Evil Within é diversão garantida para fãs do gênero e principalmente aqueles que gostaram de Resident Evil 4 e sentiam saudades do trabalho de Shinji Mikami.

Shinji Mikami é considerado por muitos o pai do Survival Horror. Obviamente existiram jogos de terror lançados antes de Resident Evil, mas se Mikami não criou o gênero, ele com certeza o revolucionou com a consagrada série da CAPCOM.

The Evil Within é uma nova aposta no Survival Horror tradicional, prometendo assustar o jogador com a combinação consagrada de munição limitada e grande quantidade de inimigos. Com um novo estúdio, Tango Gameworks, Mikami promete entregar algo que retorna às suas origens nos games de terror.

HISTÓRIA

Na pele do detetive Sebastian Castellanos, The Evil Within coloca o jogador numa investigação sobre o que parece ser um homicídio múltiplo no Hospício Beacon, na cidade de Krimson. A história começa com potencial de investigação e mistério, mas rapidamente as coisas perdem o rumo, e Sebastian está lutando por sua vida, lutando contra monstros que parecem saídos de filmes de terror B.

Subitamente a motivação de Sebastian deixa de ser a investigação e passa a ser sua sobrevivência e para um jogo do gênero isso não deveria ser problema. Porém a forma como as coisas se desenrolam, fazem com que toda a história inicial deixe de ter importância.

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A ambientação é perdida com sequências de exageros e mudanças que não parecem ter qualquer lógica. Isso serve para trazer variação aos cenários que você vai explorar. Ao longo dos 15 capítulos você vai passar por um hospital, uma floresta, um esgoto, um vilarejo, um calabouço, uma fábrica, e vários outros locais. Porém não existe explicação lógica para a situação em que seu personagem se encontra, a não ser a de que ele está enlouquecendo, como o mesmo sugere diversas vezes durante a história.

The Evil Within  é exagerado em todos os aspectos, e na história esse é seu maior defeito. O jogo não segue uma linha coesa e em alguns momentos você vai simplesmente trocar de lugar ou ambiente, porque os criadores acharam conveniente, sem dar qualquer desculpa plausível. Não que desculpas sejam necessárias, mas da maneira como é feito fica difícil se importar com o objetivo atual, porque você realmente não sabe se o desfecho daquela situação vai trazer algum sucesso ou se ela está realmente acontecendo, já que o jogo pode simplesmente te teletransportar pra outro lugar com a desculpa de que Sebastian está tendo uma alucinação, como acontece diversas vezes ao longo da campanha.

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JOGABILIDADE

Se a história não é o ponto forte, a jogabilidade por outro lado é sólida e remete muito ao trabalho de Mikami em Resident Evil 4, sua última atuação na série da CAPCOM, parecendo uma evolução natural da mesma.

O jogo continua colocando empecilhos ao jogador em seus controles de maneira proposital, para que você nunca se sinta confortável ou extremamente seguro, dadas as limitações “humanas” de seu personagem. Sebastian conta com uma barra de Stamina para correr, algo que é muito bem vindo para fugir das hordas de inimigos.

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Existe um sistema de evolução do seu personagem e dos equipamentos que é bastante bizarro. Durante a campanha você vai coletar cérebros em potes de conserva, que serão uma espécie de “moeda” do jogo. Ao voltar ao hospital você senta-se numa cadeira e veste um capacete de lobotomia, que vai “pregando” as novas habilidades em seu cérebro. Não faz lá muito sentido, mas as novas habilidades serão muito bem vindas para lidar com os desafios do game.

The Evil Within trás uma dificuldade equilibrada, e coloca o jogador em situações desafiadoras em momentos contra 5 ou mais oponentes com pouca munição, onde você terá que escolher o momento certo de parar de atacar e começar a correr. Você vai procurar guardar o maior número de fósforos o possível, pois assim como em Resident Evil Rebirth do Gamecube, se você não queimar os oponentes caídos no chão, eles podem eventualmente voltar a vida. O jogo também conta com chefes interessantes, que em alguns casos dependem mais do que apenas força bruta pra derrotá-los.

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SOM

Um dos melhores aspectos do jogo, os efeitos sonoros dos monstros, barulhos do ambiente e a trilha sonora deixam o jogador tenso e mantém o clima. Os efeitos sonoros das mortes e os barulhos de gore são algo meio perturbador até, mas isso só faz somar à experiência do jogo.

GRÁFICOS

Resident Evil encontra Silent Hill. Em uma frase, essa é a experiência gráfica de The Evil Within. Os personagens seguem o mesmo estilo visual de Resident Evil 4, enquanto os inimigos seguem muito a linha bizarra da série Silent Hill da Konami.

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Jogamos a versão de Xbox One e os gráficos são competentes, rodando a 30 FPS sem slowdowns e com ótimos efeitos de partículas, apesar da baixa contagem poligonal e algumas texturas entregarem que trata-se de um título cross-gen. Os modelos de personagens tem seus altos e baixos, com alguns personagens e modelos sendo muito bem trabalhados, e outros parecendo resquícios do início do desenvolvimento, com uma qualidade que não condiz com o produto no geral.

No entanto, o maior problema do jogo no departamento gráfico é a inclusão de duas barras horizontais pretas que acompanham a experiência do começo ao fim. Alguns jogadores nem notarão as barras, mas elas tiram cerca de 30% do campo de visão, algo bastante considerável. É algo que num primeiro momento passa a impressão de que seria mantido apenas para as cutscenes mas que infelizmente se arrasta pelo jogo inteiro e prejudica o campo de visão atrapalhando até mesmo na imersão da experiência.

[tube]https://www.youtube.com/watch?v=Eq2Okz0oF3I[/tube]

O clima do jogo é bacana, e os inimigos e gráficos são muitas vezes perturbadores. Mas por colocar o jogador na terceira pessoa, ele não consegue sustentar tanto a tensão como um título como P.T. (o Playable Teaser do próximo Silent Hill) por exemplo.

Os inimigos são variados e vão dos básicos “zumbis” até mesmo o maníaco da moto-serra de Resident Evil 4 (a “inspiração” é clara e Mikami nem tenta disfarçar) e outros com visuais mais perturbadores ainda. O antagonista do jogo é um personagem meio sem propósito e pouco inspirado perto das atrocidades e bizarrices que você verá ao longo da campanha.

No geral, The Evil Within é um título muito violento e não poupa detalhes gráficos nesse aspecto. A primeira morte que sofremos no jogo foi com uma decapitação muito agressiva, e se existe algo que vai incomodar no jogo são as agonizantes cenas de mortes do protagonista.

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CONCLUSÃO

Com uma campanha de 15 capítulos e cerca de 15 a 20 horas de gameplay, The Evil Within é um jogo survival horror com elementos de ação, um daqueles jogos raros que conseguem misturar gêneros sem perder a identidade. Apesar de não ser tão assustador quanto prometia, é diversão garantida para fãs do gênero e principalmente aqueles que gostaram de Resident Evil 4 e sentiam saudades do trabalho de Shinji Mikami.

Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.