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vgBR.com | 20 de outubro de 2018

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Análise – Far Cry Primal

Análise – Far Cry Primal
Daniel Galvani

Review

Diferente mas repetitivo

Far Cry Primal tem gráficos bonitos e ambientação competente mas peca em gameplay, variedade e falta de multiplayer.

Você e seus companheiros vagueiam pela Europa, estão famintos; não há um Pub, um restaurante ou um croissant pela região; Vocês avistam uma boa fonte de alimento, um animal enorme, peludo e com enormes presas, armados apenas de lanças e flechas seus amigos cercam o animal, caça-lo será uma questão de vida ou morte.

Bem vindo à Europa, 10.000 AC, aqui se passa o novo capitulo de Far Cry, franquia FPS de mundo aberto  da Ubisoft.

Jogo novo?

Em retrospecto,  Far Cry 2, você estava no meio de uma guerra na Africa por diamantes, em  Far Cry 3 você era um cara rico aventureiro que se dava mal caindo em uma ilha inóspita e em Far Cry 4, você era um refugiado, voltando para o enterro de sua mãe.

Chegamos em Far Cry Primal, onde você assume o papel de Takkar, um tipico homo-sapiens pré-civilização, vivendo seu dia a dia da caça e coleta e torcendo para não ser comido por um tigre dente-de-sabre ou ser pisoteado por um mamute.

O objetivo de Takkar em Far Cry Primal, é o de libertar a região de OROS, onde o povo Wenja costumava viver em sociedade tribal mas foram atacados pelo povo UDAM e acabaram se espalharam pelo continente. E isso é o que você precisa saber sobre a história do jogo.

Far Cry Primal traz a mesma fórmula utilizada desde Far Cry 2, porém refinada entre o que deu certo e o que deu errado nos capítulos anteriores, exceto no quesito “vilão carismático”, já que conseguir superar Vaaz (de FC3) ainda é uma missão complicada (como visto em FC4) e aparentemente a Ubisoft resolveu nem tentar dessa vez.

O jogo utiliza a mesma mecânica dos anteriores,  como a “Visão de Caça”, Liberação de postos para destravar viagens rápidas, caçar animais para confeccionar novos itens, missões aleatórias no mapa, mecânicas de stealth e combate também se mantém o mesmo, com algum refino na parte de cobertura mas nada digno de maiores aprofundamentos. Outro ponto importante a se destacar é que Primal não conta com um modo de jogo online, algo que deu muito certo em Far Cry 4 e isso pode fazer falta para muitas pessoas.

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Basicamente temos o mesmo jogo que os anteriores, com uma nova roupagem (que alguns chamariam de MOD) mas que traz alguns benefícios na imersão do jogo. Por exemplo, em FC3 você fazia o papel de um garoto rico, um tanto mimado que ia pra um paraíso tropical farrear e pular de paraquedas; o quão verossímil é um personagem assim, começar rapidamente a caçar gambás para fazer carteiras? Com Takkar caçar para conseguir comida e fazer equipamentos rústicos é muito mais natural e faz mais sentido.

Nos jogos anteriores, havia um certo empurrão para que você fosse ao objetivo. Em Primal a coisa não é bem assim, e o jogo “exige” muito menos que você siga a missão principal incentivando-o a caçar para melhorar sua tribo. E faz todo sentido no mundo do jogo.

Mas com tanta coisa igual, quer dizer que não há novidades? Sim, existem! Uma das mais legais é a possibilidade de domesticar animais selvagens para ajudá-lo em sua missão; Lobos, tigres, leões, mamutes, praticamente todo animal que possa ser perigoso, pode ser domesticado (nada de cabras então).

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Outro ponto interessante é o papel do FOGO no jogo. Você pode acender flechas a qualquer momento (para queimar casas e “totens” dos inimigos ou usar seu tacape como tocha, que assusta predadores a noite). Os itens que estão queimando são consumidos com o tempo obrigando Takkar a fabricar mais.

Uma questão da jogabilidade que me desagradou um pouco são as armas. Existem 3 tipos básicos – O tacape, que serve para lutas corpo-a-corpo, arco e flecha para ataques a longa distancia e lanças que servem como um meio termo. O Arco e flecha, creio que grande parte dos jogadores estejam acostumados já, mire e solte, se acerta a cabeça é morte instantânea. Mas a lança em ataques de longa distancia, funciona igual ao arco e flecha, apenas tendo menos alcance. Isso causa uma sensação de estranheza, já que uma lança andar apenas de forma RETA e DIRETA e não ter a possibilidade de fazer um lançamento balístico da mesma. Esse é um ponto que a Ubi pecou. As armas agindo de forma mais realistas teria sido uma adição interessante a Far Cry Primal.

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Gráficos

Embora a Ubisoft tenha sido um tanto conservadora no mundo de Far Cry Primal, parecendo ter saído diretamente dos livros de história, o mundo não é nem um pouco morto. Animais estão por toda parte, lobos caçam em verdadeiras matilhas e dão preferencia a outros animais, ao invés do macaco pelado que você controla. É possível ver grupos enormes de veados, contando com até 15 animais, correndo pelos campos abertos, coisas que parecem saídas de um documentário da National Geographic. Os hábitos dos animais e de pessoas também são bem distintos e mudam durante os ciclos de dia e noite.

Esse tipo de mundo pode agradar jogadores que curtem andar por ai, explorando e pode desagradar os jogadores que querem um pouco mais de… ação, pois florestas, campos e montanhas são apenas isso. Não existe muita variedade no cenário, por mais belo que seja e alguns jogadores podem achar tudo isso, simplesmente chato.

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Mas a Ubi tomou também algumas pequenas liberdades, como dar cidades fortificadas aos UDAM, a própria domesticação de animais, que basta um pedaço de filé ou mesmo a utilização de uma coruja como “Drone” no melhor estilo Flintstones.

Far Cry Primal se dá muito bem na parte técnica. O jogo é muito bonito mesmo, com gráficos (incluindo os personagens humanos) bem trabalhados, e praticamente não observei nenhum momento de queda de frame rate, mesmo com um grande grupo de mamutes próximos, cheio de pelos para engine cuidar (jogamos a versão Xbox One). Com isso a movimentação ficou muito suave e agrádavel.

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Audio

Na parte musical, não existe nenhum destaque em FC Primal. A velha musica de fundo, mudando pra algo mais pesado quando estiver em combate e alguns sons de flauta indígena.

No quesito aúdio, o game se destaca mesmo nos sons da floresta, de animais, rugidos a todo instante causando uma certa apreensão no jogador. Escutar aquele som de urso sem saber exatamente de onde veio, quando você está com pouco equipamento, vai deixar você bem tenso.

Conclusão

farcry primal (1)Far Cry Primal nos faz pensar aonde a Ubisoft quer levar a franquia. Ver a série chegar a algo tão diferente é animador e abre as portas para um próximo Far Cry em qualquer lugar, seja com dinossauros ou em com uma civilização estilo John Carter em Marte.

O maior problema do jogo, não é a mecânica repetida mas sim que a Ubisoft precisa aprender a se soltar um pouco e arriscar mais. O jogo poderia ter algumas coisas diferentes, como talvez uma civilização antiga bem desenvolvida, (aproveitando até mesmo para um cross com a história de Assassins Creed porque não?), talvez alguns animais inventados, uma idade da pedra não no passado, mas no futuro como o romance de H.G. Wells. Um pouco de magia, um pouco de loucura.

Mesmo com gráficos muito bonitos e ambientação competente, o jogo peca em gameplay, variedade e falta de multiplayer. Quem gosta da fórmula de Far Cry, Primal é uma boa compra. Já quem não curte muito, deve ficar longe.

Far Cry Primal leva uma nota 6,5 e deixa um gostinho de boa idéia desperdiçada;  Um jogo tecnicamente perfeito arruinado pela falta de imaginação.

E fica um recado a Ubisoft. Tirem um pouco de Tom Clancy e coloquem um pouco de Tetsuya Takahashi.

Daniel Galvani

Daniel Galvani

Daniel Galvani é apaixonado por games desde a mais tenra idade. Começou neste hobby em 1983 com um Atari 2600 Polyvox e segue firme até hoje. PC Gamer, amante de jogos de tiro, estratégia e action RPG, retrogamer, estuda a história dos jogos eletrônicos com afinco.