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vgBR.com | 23 de junho de 2018

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Um Comentário

Gwent: Jogamos o novo cardgame na E3 2016

Gwent: Jogamos o novo cardgame na E3 2016
Bruno Carbone

The Witcher 3 é sem sombra de dúvidas o melhor jogo de 2015. Os números de indicações/prêmios mostram isso com clareza. Ponto.

Essa capacidade de executar cada aspecto do jogo com maestria (gráficos, jogabilidade, enredo, sonorização) se estendeu inclusive a uma parte geralmente renegada em jogos desse porte: mini games. A sensação que temos ao experimentar Gwent pela primeira vez é: Alguém realmente se esforçou para que isso ficasse bom.

E ficou.

Gwent é um jogo de cartas colecionáveis (CCG) onde o jogador baixa cartas de 3 diferentes categorias: melee, ranged e siege. Cada categoria possui uma linha horizontal especifica na mesa de jogo onde devem ser colocadas as cartas correspondentes. Cavaleiros, arqueiros e catapultas representam respectivamente cada uma dessas categorias/linhas.

Cada deck representa o exército de cada uma das facções encontradas no game:
Northern Realms: É o deck o qual Geralt inicia o jogo. Balanceado, possui um equilíbrio entre cartas de espiões, cartas de cerco, médicos e cartas que possuem link, uma habilidade que permite duplicar os status quando duas delas são colocadas em jogo. Esse aspecto é importante para balancear este deck que não possui cartas tão poderosas de alto nível. O perk dessa facção permite que o jogador receba uma carta adicional de seu deck se vencer o round.

Nilfgaardian – Deck especializado em força bruta. Possui cartas que são poderosas individualmente, com mais espiões que Northern e cartas de cerco mais poderosas (por si só, apesar de Northern possuir habilidades de buff absurdas nesse quesito). O perk dessa facção faz com que o jogador vença o round em caso de empate.

Scoia’tael – Comparado aos demais, é o mais “fraco” de todos os decks. A forma de jogar com Scoia’tael difere dos demais, por se tratar de uma postura mais defensiva. Utiliza de cartas de condições meteorológicas para causar debuff nos outros jogadores. Isso pode ser um problema já que suas cartas individuais não são tão poderosas quanto Northern ou Nilfgaardian e a praticamente ausência de cartas de cerco dificulta ainda mais a construção de ataques poderosos. Um ponto positivo, porém, é a habilidade das cartas poderem ser utilizadas em diferentes linhas (meele ou ranged), o que faz suas unidades serem mais versáteis que a dos outros decks. O perk dessa facção faz com que o oponente sempre jogue primeiro, o que no caso de um deck defensivo faz com que o jogador de Scoia’tael possa utilizar as cartas de forma mais sábia.

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Monster – Aqui falamos de um verdadeiro enxame de cartas na mesa. Monsters é um deck que possuí inúmeras cartas com muster, uma habilidade que faz com que assim que uma carta for baixada, busca-se no deck por outras com as mesmas características/nome, e caso encontre uma ou mais delas presentes, todas vão automaticamente para a mesa. Isso permite que em media, de 2 a 3 cartas a mais por jogada sejam utilizadas, infestando as linhas do jogo. São extremamente vulneráveis a efeitos de nevasca, mas se o jogador se equipar com algumas cartas para limpar o tempo, esse deck se transforma em uma verdadeira arma de destruição em massa. O perk dessa facção faz com que uma carta aleatória na mesa permaneça para o próximo round.

Skellige – Adicionado através da expansão Blood & Wine, esse deck (baseados nos personagens e monstros das Ilhas Skillege) traz o caos à mesa de Gwent. É uma versão aprimorada do deck Monsters e exige uma dose adicional de estratégia. As cartas são mais poderosas e alguns combos perigosos, aumentando consideravelmente o dano produzido se utilizado de forma correta. Um dos pontos altos dessa nova facção é seu perk: duas cartas aleatórias retornam do graveyard para a mesa no terceiro round. Como o terceiro round é um desempate, e geralmente a maioria das cartas já foram utilizadas, ter duas cartas adicionais pode ser uma bela vantagem. Dessa maneira, Skellige pode se tornar o deck preferido dos jogadores em pouco tempo.

Agora que você teve uma idéia do que se trata o “mini game” de Witcher 3, e provavelmente deve estar com vontade de jogá-lo se já não o fez, será mais fácil entender a declaração dada pela CD Projekt Red durante a apresentação à portas fechadas durante a E3 2016, onde afirmaram terem recebido milhares de pedidos por e-mail para a produção de um jogo solo de Gwent.

E obviamente o pedido foi atendido.

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O mesmo time que criou o mini game cuidou de sua reformulação para a carreira solo, na forma de um jogo free to play . O novo Gwent traz modificações e melhorias sem alterar a forma de jogar ou a experiência em si:

– Decks foram equilibrados: um ano de intensa jogatina ao redor do globo gerou uma porção de feedbacks à CD Projekt Red que afirmou ter dado atenção a cada um deles, levando-os a equilibrar/corrigir falhas encontradas pelos jogadores, além de um reequilíbrio necessário para um game agora focado em PvP. Cartas de espiões foram modificadas (agora tendo quase o dobro de ataque), permitindo a escolha de duas cartas (assim como no original, porém uma das cartas é apresentada com a face para baixo), mas podendo ficar apenas com uma delas.

Update gráfico

O Gwent original não era nem de longe um jogo feio, apenas simples no quesito gráfico. Porém, sua arte sempre foi primorosa, mesmo que limitada por conta do tamanho do próprio jogo em si. Dessa vez, desde a mesa de jogo até todas as cartas dos decks e suas animações sofreram um notável upgrade, deixando-o com aspecto de um game mais refinado.
– Adição de dezenas de novas cartas: para enriquecer a experiência, dezenas de novas cartas foram adicionadas para que os jogadores possam de fato ter opções na hora de montar seu deck. Além disso, novos modificadores foram incluídos, como o Fearless, que transforma a carta em Hero: esse recurso faz com que não sejam afetados por ataques especiais além de aumentar seu status, mas não permitindo que a carta seja afetada por buffs adicionais. Várias cartas de personagens notórios também foram adicionadas, como Roach, a fiel montaria de Geralt entre outros vários personagens.

– Promessa de novas facções num futuro próximo: os produtores afirmaram que novas facções serão adicionadas ao jogo (provavelmente duas serão inseridas até seu lançamento) aumentando assim as opções táticas e o efeito de replay.

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Modo campanha

Obter cartas de Gwent agora exigirá mais trabalho por parte dos jogadores, e o novo Gwent apresentou uma espécie de RPG isométrico que será utilizado para que o jogador explore o mundo de Witcher de uma forma diferente. Explorando cenários e batalhando com outros NPC’s através de uma partida de Gwent (é óbvio), as histórias deste modo são baseadas no mundo de Geralt e nos pareceram bem ricas em detalhes e relevância. Não será apenas uma distração vazia para ocupar o espaço entre uma partida e outra. A campanha pretende possuir mais de 10 horas de duração de acordo com os produtores.

Gratuito sem pagar pra vencer

Diferentemente de seus concorrentes, os produtores afirmaram que Gwent não será um game “pay-to-win” (pague para vencer), onde jogadores podem utilizar dinheiro para comprar vantagens no jogo. A monetização, portanto, ficará a cargo de itens estéticos, como as cartas premium. Essa categoria de cartas possui um trabalho gráfico primoroso: Ao invés de fotos estáticas, cada carta no formato premium possui uma mini cena em 3D animado, onde o jogador pode mover a câmera e visualizá-la de diversos ângulos. As cartas trariam um status ao deck, mas não afetaria sua capacidade de vitória, por exemplo. O trabalho apresentado nas cartas que vimos na E3 é magnífico e vai fazer muita gente gastar dinheiro comprando versões 3D pro seu deck favorito.

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Outra diferença é que o Gwent original foi feito para ser jogado contra uma AI, enquanto o novo jogo, além de possuir um modo solo, será focado no multiplayer. Durante a apresentação fomos capazes de jogar entre os jornalistas presentes, e a experiência é fantástica. A mecânica fluída está lá, e juntamente com o upgrade gráfico, faz com que o jogo pareça novo e não apenas recauchutado. A imprevisibilidade de um jogador de verdade e não uma AI do outro lado da mesa é um refresco para aqueles jogadores mais experientes, que dificilmente encontravam desafios à altura no jogo original. Seria seguro dizer que o que já era um ótimo jogo de cartas, mesmo que um mini game, se transformou em um excelente jogo, feito com o carinho e a qualidade encontradas em The Witcher 3.

Em um mercado onde Magic the Gathering e Hearthstone dominam com unhas e dentes cada espaço disponível, parece quase bruxaria que Gwent tenha conseguido tamanho destaque entre card players ao redor do mundo, e não me surpreenderia caso o jogo favorito de Geralt conquistasse o trono desse tão disputado reino.

Fancy a game of Gwent?” Não vemos a hora CD Projekt Red.

Bruno Carbone

Bruno Carbone (aka Overload) é viciado em piada ruim e trocadilhos de gosto duvidoso. Três vezes campeão mundial por W.O. de Pirocóptero Online. Odeia quando perguntam "por que você joga se xinga tanto o videogame?" quando está jogando Dark Souls. Tem pessoas que simplesmente não entendem...