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vgBR.com | 13 de dezembro de 2018

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Análise – Tokyo Mirage Sessions #FE

Análise – Tokyo Mirage Sessions #FE
Danilo Morim

Review

Crossover inusitado

Tokyo Mirage Sessions usa toda a estrutura de um Persona com um toque espiritual de Fire Emblem, para criar um dos melhores sistemas de combate por turnos já criados.

Tokyo Mirage Sessions #FE surgiu a partir do mashup entre duas grandes séries de RPGs japoneses: Shin Megami Tensei e Fire Emblem. Desenvolvido pela Atlus, é um game da série Persona com vários elementos da série da Nintendo. Estão prontos para se tornarem grande estrelas do J-POP?

Visual

Raramente esse é o primeiro assunto que abordo no review de um game, mas ele é impactante demais e completamente diferente do que estou acostumado.

Embora o design dos personagens incorporados pelos Mirages (Personas) serem dignos de 10 no carnaval carioca, toda a parte visual deste game é algo absolutamente espetacular. Os cenários reais são sóbrios e bem apresentados, seguindo um linha muito próxima dos últimos games da série Persona.

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Já as dungeons mudam completamente esse cenário mais realista e trazem uma ambientação bizarra e desconexa. Completamente deturpadas, cada uma delas tem um tema visual e tipos de puzzles diferentes.

Agora o que mais me chamou a atenção foram as cenas em anime, (que seriam como as CGIs) muito comuns em jogos da era 32bits ou produções da Blizzard. Elas estão muito bonitas e bem feitas e algumas delas são clipes musicais que trazem uma experiência bela e diferente ao jogador.

Os gráficos in-game são bem bonitos principalmente porque a direção de arte é magnifica. Gostei muito das animações e efeitos apresentados no combate e nesse ponto o game entrega uma excelente experiência, principalmente para quem aprecia a arte japonesa.

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Áudio

chrom-mirageOutro ponto que normalmente trato em conjunto com o gráfico e normalmente não está no inicio de minhas avaliações é a parte sonora de um game. O tema J-Pop/J-Rock que faz parte do core do game e compõe o tema principal não são particularmente algo que façam parte do meu gosto musical.

Eu não posso mentir e dizer que não gostei da maioria das composições cantadas desse jogo. Esse game foi claramente foi feito 100% para japoneses e os amantes dessa cultura, mas qualidade da trilha é bem alta e eu gostava bastante cada vez que rolava um “clipe” novo.

O sons ambientes e a OST do jogo também está muito boa, seja nas dungeons, na cidade ou nos combates. O game entrega uma experiência sonora bastante agradável para quem é fã da cultura popular japonesa, e uma OK pra quem não é tão fã assim.

Enredo e personagens

Um quesito muito importante nos JRPGs não pode ficar de fora dessa análise e embora a história seja bem água com açúcar e não atinja seu potencial, o game segue uma linha bem coerente e parecida com a dos Personas, só que sendo bem menos dark, tratando coisas como possessão demoníaca de forma menos coercivas. Talvez isso seja um dos males da localização de conteúdo, mas de toda forma o game não me desagradou nesse ponto e me manteve imerso no mundo criado.

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Os personagens foram com certeza o que me fizeram ir até o fim do game sem me cansar, e isso é algo que eu já esperava da Atlus. Nem a menininha clichê que tinha tudo para ser irritante me decepcionou. Todos personagens são bem construídos para não se parecerem crianças sedentas pelo poder da amizade e por salvar o mundo. Todos os diálogos são sempre coerentes, sem interrupções forçadas que quebram a imersão.

Tokyo Mirage Sessions tem roteiro e narrativa simples, seguindo um formula bastante linear da velha guarda dos JRPGs. Ele te dá um pouco de liberdade mas passa longe se ser uma experiência open. O game com certeza cumpre bem o papel na hora de engajar o jogador através do enredo, mas principalmente através dos personagens e isso é mais que suficiente para quem gosta do gênero e tem um Wii U, dar uma chance para ele.

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Gameplay

É aqui que o game brilha, mas também é onde ele tem falhas, infelizmente. O sistema de evolução, o combate e as dungeons são praticamente perfeitos. Os chefes, o HUB World e os encontros semi aleatórios podem estragar sua experiência. Mas vamos começar falando de coisas boas:

Dungeons: As dungeons permanecem bizarras, distorcidas, temáticas e além de oferecerem puzzles, o sistema de progressão é bem parecido com a famosa série da gloriosa Atlus.

O level design e a progressão de dificuldade foram feitas por mestres japoneses. O jogador vai se perder dentro delas e ficar louco com suas camadas (ou andares) e em cada um delas vai ser desafiado por puzzles, sub chefes e os gloriosos chefões clássicos do gênero.

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Combate e progressão: O combate mistura Fire Emblem e Persona, e a progressão do personagem também. Tanto o personagem quanto o Mirage (Persona) tem níveis. O personagem tem dois tipos de level up, um onde ganha os atributos (força, mágica, etc) e o outro onde ele evolui sua Performa, que seria sua sua habilidade como artista, e ao evoluir sua Performa você poderá ganhar um Skill especiais para cada personagem.

Seu Mirage também evolui e nos combates ele é a sua arma. Quando você vence inimigos vai receber a essência da Performa deles e com elas você pode transformar sua arma. Todas “armas” tem Skills especificas e que ao serem masterizadas pausam o game de Skills no game. Para continuar evoluindo você vai ter que criar novas armas e evoluir elas até se esgotarem e assim por diante. Os personagens tem um numero máximo de Skills que podem aprender, então você tem que pensar bem no que vai manter e o que vai mudar.

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Além de fraquezas/resistências elementais temos também fraquezas/resistências aos tipos de armas. As armas são baseadas em Fire Emblem (Espada, Lança, Machado e Arco) e as magias em Persona (Gelo, Fogo, Eletricidade, Ar, Luz e Escuridão). As batalhas são 100% em turnos e exigem estratégia do jogador que terá que analisar bem os inimigos para não levar game-overs constantes.

O game usa um esquema de combos bem parecido com Fire Emblem. Aqui eles são chamados de Sessions que são Skills de ataque que seguem um dano dentro da fraqueza de um inimigo. Por exemplo, eu usei uma magia de fogo de um personagem em um inimigo. No meu time esse ataque de fogo tem afinidade com ataques de outros dois personagens que vão usar seus Skills em sequência, realizando um Session Combo.

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O game oferece um sistema de skills bem peculiar e complexo, que é dividido em várias categorias:

Command: Magias Elementais, Golpes Especiais, Magias de Suporte, etc.

Sessions: Golpes que combinam com os de outros personagens.

Passive: Aumentam HP, EP, atributos, resistencias, taxas de acerto, etc

Special Performances: Todos personagens tem um golpe special que podem ser utilizados quando uma barra especial tiver cheia. Essa barra aumenta conforme você executa ataques com combos de Session.

Tem muito mais coisas mas não vou me alongar demais nas minucias, senão vou escrever um livro sobre os sistemas de combate e de evolução dos personagens. Basta você saber que o que o game oferece é bastante complexo e desafiador, mesmo com o game na dificuldade normal. Para quem realmente gosta de desafios de alto nível, o jogo oferece um modo hard que aumenta o HP e o dano dos inimigos e também um modo Easy que diminui essa dificuldade e exigência de estratégia do jogador.

Eu passei quase 60 horas para completar o game e todas as side-quests, que não são 100% obrigatórias (algumas raras são), mas são missões mais curtas e gostosas de resolver e lembram um pouco os Social Links da série Persona.

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Infelizmente a versão americana do jogo foi censurada em muitos pontos

Problemas: Eles são poucos mas podem incomodar os jogadores menos pacientes então vou listar as falhas que considero mais graves:

  1. O jogo não oferece nenhum tipo de retry ou save automático. Em outras palavras, se você morrer e não salvou vai perder bastante progresso. Isso é um recurso essencial no game design atual e é uma falha considerável que pode criar problemas para alguns jogadores.
  1. O game tem encontros semi-aleatórios que normalmente pode ser evitados graças a mecânica de poder bater nos “inimigos” antes de eles te encostarem e iniciar as batalhas. O problema é que existem inimigos que são imunes a esse ataque pré-luta e para piorar eles são praticamente invencíveis, com grandes chances de te matar. Isso pode atrapalhar muito a vida do jogador menos hardcore.
  1. Os bosses do jogo nem sempre são lutas divertidas. As vezes será necessário um grind de level e até sorte para vencê-los. Acho que em comparação a qualidade das dungeons, puzzles e todo os sistema de evolução e combate eles ficaram abaixo do que eu esperava, mas de maneira alguma podem ser considerados ruins.
  1. A localização do game poderia ser melhor, já o jogo só oferece vozes em japonês e nem todas as falas foram localizadas, principalmente as inseridas dentro dos combates. Além disso houve conteúdo censurado no jogo e pode ser um fator bem desagradável para os jogadores mais puristas.

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Sintetizando

Tokyo Mirage Sessions é o primeiro grande J-RPG clássico dessa geração. O game usa toda a estrutura de um Persona com um toque espiritual de Fire Emblem, para criar um dos melhores sistemas de combate por turnos já criados.

O jogo é bem complexo, desafiador e extenso com diversas horas de jogo. Além de oferecer trilha sonora de qualidade e gráficos impecáveis. Com certeza vai agradar a qualquer fã do gênero.

E embora o tema seja meio “estranho”, o jogo trabalha ele de forma muito interessante e os personagens vão te cativar. Se você tem um WiiU e está se preparando para Persona 5, pode ir na fé que terá um bela experiência de jogo.

Danilo Morim

Danilo Morim

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