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vgBR | 23 de abril de 2019

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Um Comentário

Final Fantasy XV – Análise

Final Fantasy XV – Análise

Review

O Final Fantasy mais bonito da série

10 anos de desenvolvimento não fazem de Final Fantasy XV um jogo perfeito, mas os fãs de JRPGs podem comprá-lo de olhos fechados. É um produto de alta qualidade que leva a série a novos patamares.

Em 2006 a Square-Enix anunciou um spin-off de Final Fantasy XIII chamado de Final Fantasy Versus XIII. Apesar do foco das atenções estarem voltadas para o jogo principal, Versus causou muito rebuliço no meio dos jogadores por conta de sua proposta mais soturna e pelo fato do jogo ser um Action RPG nos moldes de Kingdom Hearts.

Em sua primeira aparição já dava para saber quem estava por trás da trilha sonora do jogo: Yoko Shimomura encantou o mundo com a faixa “Somnus”(sono em Latim), uma belíssima música em piano com vocais que evocam um pouco da premissa de Final Fantasy Versus XIII.

Mas afinal, sobre o que é Versus XIII? Primeiramente vamos entender um pouco da trajetória até o dia presente.

10 anos atrás era impensável um Final Fantasy abandonar os tradicionais sistemas de turnos para uma abordagem mais livre. Por mais que Final Fantasy XII (lançado em 2006) tivesse explorado um ambiente diferente com batalhas ocorrendo no campo; sem transições, ainda era essencialmente um RPG de turno com ataques respeitando sua vez.

Em 2009 quando Final Fantasy XIII foi finalmente lançado sua recepção não foi das melhores. O jogo era muito linear e para muitos manchou o nome da franquia, aumentando ainda mais a expectativa em cima da Square-Enix para o tal Versus XIII que estava por baixo dos panos por muito tempo.

Os jogadores clamavam por informações e até Final Fantasy XIV foi lançado em 2010 e nada do famigerado spin-off anunciado a tanto tempo.

Em 2011 Square-Enix anuncia uma sequência de Final Fantasy XIII assim como ela fez com o X-2 em 2003.

Lightning Returns, outra sequência de Final Fantasy XIII, foi anunciada mas nada de Versus. Rumores acerca de um cancelamento apareceram na internet com força total mas foram desmentidos. Os fãs se recusam a acreditar nisso até que na E3 2013, Final Fantasy Versus XIII aparece em um novo trailer com uma arte completamente diferente e claramente rodando num hardware bem superior. O vídeo acaba com o logo do jogo se quebrando e mudando para Final Fantasy XV. O jogo que todos achavam que tinha sido cancelado surge com uma nova direção e agora um novo episódio na série.

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Data de lançamento? Nada. Depois do trailer da E3 pouco vimos sobre o jogo até Final Fantasy Type-0 HD em 2015 veio uma demo de Final Fantasy XV chamada de Episode Duscae. Essa demo permitia explorar a região de Duscae com Noctis e seus amigos.

Em Março de 2016 acontece um evento chamado Final Fantasy XV Uncovered onde mostraram mais informações sobre o título, um longa-metragem chamado Kingsglaive que ocorre durante os acontecimentos do jogo, uma série animada com o nome de Brotherhood mostrando um pouco do passado dos amigos de Noctis e não menos importante, a data de lançamento.

30/09/2016, essa foi a data anunciada com muita pompa e circunstância deixando todo mundo mais confiante de que 2016 seria o ano onde todo mundo poderia colocar as mãos em mais um jogo da série.

Eis que o jogo é adiado 2 meses; mais precisamente dia 29/11/2016, onde ele foi finalmente lançado. Foram mais de 10 anos na estrada, uma década de expectativa, uma década de sonhos, uma década de muitos jogos que mudaram a indústria dos jogos para sempre.

Uma década foi o que a Squaresoft levou para lançar o Final Fantasy original até a sua sétima versão, o que nos dá a dimensão de que 10 anos é muito mais tempo do que aparenta. Final Fantasy XV foi desenvolvido num espaço de tempo bem menor do que esses 10 anos mas na cabeça dos fãs, foram 10 anos sonhando com um jogo perfeito e de uma expectativa que nunca seria atingida. Estávamos cientes disso desde o começo. Cientes porém não vacinados e a queda poderia ser muito dolorosa caso todo o prometido não fosse cumprido.

Todos nós mudamos nesses 10 anos e o projeto Final Fantasy Versus XIII também. Hora de embarcar no Regalia e mergulhar nesse mundo fantástico criado pelos artistas da Square-Enix!

História

Nosso protagonista se chama Noctis Lucis Caelum, o príncipe herdeiro e protetor do reino de Lucis, que é o último reino no mundo de Eos que ainda tem controle sobre os cristais.

Niflheim e Lucis estão em guerra. Iedolas Aldercapt, o imperador de Niflheim está visitando Insomnia (capital de Lucis) para assinar uma trégua nos próximos dias. Os termos da trégua são basicamente que Lucis deverá render todas as áreas depois da parede que envolve a capital; Leide, Duscae, Cleigne e Galahd.

Porém não somente isso, o príncipe de Lucis e a princesa de Tenebrae (Lunafreya Nox Fleuret) precisarão se casar como um símbolo de paz, o casamento ocorrerá em Altissia (capital de Accordo). As pessoas não estão muito felizes com isso mas também não parecem muito incomodadas e isso é compreensível já que as regiões fora de Insomnia sofreram muito com a guerra.

As noites estão ficando cada vez mais longas e os Daemons (entidades malignas no mundo de Eos) percorrem as terras durante a noite. Esse acontecimento é conhecido como Plague of the Stars e ele vai ter um papel enorme no mundo de Eos. A vida selvagem está sendo afetada por isso, até durante o dia.

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Noctis e Lunafreya se conhecem desde que eram crianças mas faz mais de 12 anos que eles se viram pela última vez, mas continuam escrevendo cartas, mantendo o contato. Mesmo que o casamento seja conveniente, nenhum dos dois parece infeliz com a situação porém o nervosismo toma conta.

Vale lembrar que Luna é também o atual Oráculo, aquele que se comunica com os Astrals que são os deuses do mundo, adormecidos para juntar forças para enfrentar o Starscourge (mencionado no Lore na parte do tutorial).

Por fim o cristal de Lucis tem vontade própria e só dá poder para aquele com linhagem para assumir o trono, através do Ring of the Lucii.

Se a história parece confusa, é porque ela é. Apesar de não possuir uma quantidade muito grande de cutscenes como seus antecessores, Final Fantasy XV consegue contar sua história de forma mais concisa mas é altamente recomendado que o jogador que deseja realmente investir nessa jornada, invista na busca por mais informações, parando nas localidades, escutando os rádios, conversas de NPCs e faça as mais variadas quests, pois muita coisa acontece por “debaixo dos panos”.

Lembrando que é altamente recomendado assistir Kingsglaive e Brotherhood antes de iniciar Final Fantasy XV.

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Gráfico

Na minha humilde opinião, Final Fantasy XV é um dos jogos mais bonitos disponíveis para consoles caseiros até hoje. O jogo tem uma escala grandiosa onde você consegue enxergar muito longe.

Existe pop-in sim (problema do cenário se construir visivalmente no horizonte) mas é bem pouco e normalmente tem relação com folhagens. É raro encontrar pop-in de objetos mais complexos como construções ou placas. O trabalho da equipe em deixar a coisa realista foi levado a sério. Falando em realismo o aspecto mais impressionante da Luminous Engine são os efeitos de iluminação. Eles que trazem o brilho para o mundo do jogo.

A transição entre dia e noite é incrível. Esse é um ponto notável pois a noite em Final Fantasy XV é realmente escura, fazendo com que o jogador pense 2x antes de querer encarar os Daemons terríveis que assombram as terras de Eos. Quando amanhece parece que abrimos a janela de casa pois a luz é tão perfeita que parece real e a imersão é impressionante.

Não dá para falar dos gráficos desse game sem mencionar a qualidade e quantidade das animações. Os personagens se movem de maneira muito natural e existem diversas rotinas de animação para coisas semelhantes, como o simples fato de correr ou dar um salto. Durante as lutas temos a impressão que estamos vendo uma batalha coreografada de tão bem feita que elas ficaram. Não lembro de um momento onde vi personagens atravessando o outro ou mesmo os monstros.

Os efeitos especiais de luz como magias e as Summons são de tirar o fôlego. A Square-Enix nunca fez feio nesse aspecto e não seria em Final Fantasy XV que isso iria acontecer. Experimente só tacar um Fire no chão; além do cenário ficar queimado (você também fica, portanto saia de perto!), a luz que envolve os objetos possuem um realismo ímpar e olhe que nem estou falando das magias mais avançadas.

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No departamento gráfico é um jogo impressionante. As sombras são quase perfeitas (poucos serrilhados), a modelagem das personagens e dos NPCs são de um nível altíssimo e a performance é muito estável. Quedas de frame são quase imperceptíveis e eu joguei Final Fantasy XV na versão PS4 normal. Quem tiver o PS4 PRO com certeza será beneficiado com recursos mais avançados deixando a experiência ainda melhor nesse aspecto.

Som

Fiquei muito feliz quando soube que Yoko Shimomura ficaria responsável pela trilha de Final Fantasy XV.

Sempre achei que ela combinaria muito com a série, ainda mais num jogo com tom mais sério como esse. Ficava imaginando como ficaria um Final Fantasy com músicas no estilo Parasite Eve (da mesma compositora) e por sorte não preciso mais imaginar pois ela entregou isso e muito mais.

Tivemos um gostinho da qualidade quando Somnus tocou no primeiro trailer, algum tempo depois na E3 de 2013. O trailer só teve aquele impacto por causa da faixa NOX AETERNA, gerando ainda mais expectativa. No ano seguinte nos trailers onde Noctis e os amigos percorrem Duscae tivemos a maravilhosa Valse di Fantastica, que não sai da minha cabeça desde então.

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Com uma trilha de 4 discos, as músicas que só viemos a conhecer na versão final são de uma qualidade excepcional. Espere até ouvir Wanderlust ao andar por Duscae ou mesmo sentir a energia de Veiled in Black ao enfrentar os inimigos. As composições são de alto nível e a qualidade sonora acompanha.

Qualidade do som é um fator determinante para apreciar uma trilha durante um jogo longo como esse. O investimento foi bem alto e não existe uma faixa sequer com qualidade inferior como era algo perceptível em RPGs com trilhas sonoras extensas. Esse problema acontecia isso bastante em Kingdom Hearts por exemplo. É inegável que Shimomura não é tão versátil quanto o compositor original da série, Nobuo Uematsu que fez milagres ao longo de sua trajetória. Mas o esforço que ela teve para fugir um pouco de seus próprios padrões é louvável.

É com certeza a melhor trilha sonora do ano de 2016 e se ainda sim você não gostar, poderá escolher entre músicas de todos os jogos da série Final Fantasy no Regalia ou mesmo no Music Player. Não tem todas as faixas, lógico mas a seleção é enorme. Deu vontade de andar por Leide ouvindo Blue Fields (Final Fantasy VIII) ou matar garudas ao som de J-E-N-O-V-A (Final Fantasy VII)? Fique à vontade. Realmente um presentão para os fãs.

A dublagem em inglês é muito boa. Não diria que é uma das melhores, mas os atores fizeram um trabalho digno. Dá para dar muita risada com essa galerinha, em especial Prompto que solta umas piadas péssimas mas o ator faz com uma naturalidade que chega a ser engraçado. Todos são ótimos num geral.

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Gameplay

Um dos jogos mais divertidos que já joguei. Para aqueles que reclamaram da linearidade de Final Fantasy XIII saiba que em menos de 20 minutos após o New Game você já estará em controle de Noctis e sua trupe podendo fazer o que quiser.

O controle é muito preciso; Noctis pode pular, correr e se jogar para frente usando o Warp. São movimentos simples e que o jogador não terá problema nenhum em pegar o jeito. O fato de controlarmos somente Noctis deixou muitos jogadores chateados, mas a Square-Enix anunciou que o jogo terá DLCs futuras com histórias dos demais personagens. Não temos maiores detalhes, mas é possível que iremos controlá-los diretamente.

Além de andar a pé, iremos andar muito com o carro da família real, o Regalia. Quando vemos um carro num jogo de mundo aberto dá para pensar que podemos sair fora da pista e curtir loucamente mas na prática não é bem isso que acontece. Regalia só pode andar nas estradas e tem um controle meio restrito. Existe também uma mecânica de gasolina onde os jogadores precisarão ficar atentos para não ter que pedir um guincho. Os designers desse jogo levaram o aspecto de realismo ao pé da letra em alguns sentidos.

Mas se eu quiser sair pelo mundo precisarei fazer tudo a pé? Nadinha, poderá contar com os Chocobos como em todo Final Fantasy. Dessa vez eles possuem um nível de customização tão complexo que lembra o sistema de breeding de Final Fantasy VII. Além disso eles podem batalhar ao seu lado também, como em Final Fantasy XIV: A Realm Reborn.

Falando em batalhar, os combates agora são em tempo-real (inédito na série) e é um dos melhores sistemas que já tive o prazer de experimentar nos JRPGs. O dinamismo do sistema cria uma imprevisibilidade onde nenhuma batalha é igual a outra.

Noctis pode usar diversos tipos de armas com move sets completamente distintos. Existem tipos de armas que são mais eficientes e por isso contamos com slots para colocar as armas selecionadas, acessando-as de forma mais fácil com o uso do d-pad. Nesses slots podemos colocar as magias também.

As magias dessa vez são condensadas em formato de uma bola onde o jogador poderá fazer combinações diversas. Os elementos estão espalhados de forma abundante pelo mundo. O tutorial do começo do jogo explica muito bem o funcionamento dessas mecânicas tais como a magia e o warp, coisas que serão usadas em praticamente todas as batalhas ao longo da jornada.

Existem muitos monstros diferentes em Eos, muitas dungeons secretas, localidades misteriosas e uma abundância de atividades opcionais como mini-games. A habilidade de Noctis é justamente um mini-game bem complexo de pescaria, afinal todo JRPG que se preze tem que ter um mini-game de pescaria.

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Final Fantasy XV é muito divertido e prende o jogador de uma forma que poucos jogos conseguem fazer. Se for para apontar um defeito na parte de gameplay seria quanto a dificuldade que é relativamente baixa e o fato de Noctis cansar de correr. Sabemos que o jogo tem uma proposta realista mas é algo que não tinha necessidade de ser implementado, já que atrasa o ritmo de jogo.

Veredito

A pergunta que você deve estar se fazendo é: o jogo correspondeu ao hype de 10 anos? A resposta é simples: Não, de forma alguma.

A outra pergunta é se algum jogo teria feito conseguido esse feito? Nunca! 10 anos é muito tempo e mesmo se tratando de um excelente game, a Square-Enix deveria ter um controle melhor da produção. Foi um projeto que passou por um inferno de desenvolvimento do qual talvez nunca mais se recuperem. Faltou humildade onde prometeram o mundo e entregaram uma cidade.

Mesmo assim, os fãs de RPG e principalmente de Final Fantasy podem comprar o jogo de olhos fechados. É um produto de alta qualidade que dará o que falar por muitos e muitos anos. Todo o conceito de “Road Trip” é feito de forma magnífica. O sentimento de estar com os amigos percorrendo um país em 4 rodas é algo nunca visto antes nos jogos.

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É um jogo bem original, com ideias dignas de grandes gênios. Claro que a execução de tudo não foi perfeita mas quem esperava isso deve procurar outro hobby, já que videogames nunca vão agradar a todos por melhor que seja.

Que venha Final Fantasy XVI.

Prós

  • Graficamente impecável, o melhor Final Fantasy nesse aspecto até hoje
  • Parte sonora fenomenal
  • Combate beirando a perfeição e exploração na medida certa

Contras

  • O jogo poderia ser mais longo
  • Conversas aleatórias sendo interrompidas por uma batalha ou evento é bem chato
  • O carro Regalia não tem a mobilidade esperada
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.