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vgBR.com – Videogames Brasil | 24 de maio de 2017

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NieR: Automata – Análise

NieR: Automata – Análise
David Signorelli

Review Overview

RPG de ação de qualidade

Ótimo enredo, trilha sonora espetacular e jogabilidade precisa fazem de NieR Automata um daqueles games especiais. Se você gosta de RPG ou jogos de ação, como Bayonetta ou Devil May Cry, Automata é imperdível.

Quando uma suposta sequência de NieR foi anunciada eu pensei que estava tendo um sonho, pois jamais imaginei que isso fosse acontecer. O NieR original era um jogo de nicho e uma sequência nunca foi muito garantida.

Felizmente a realidade é outra e NieR Automata é real. Um RPG de ação para PS4 e PC além de ser um dos melhores jogos já feito pela Platinum Games e a obra prima de Yoko Taro, o criador desse insanidade que é a série.

SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA

Você conhece Yoko Taro? O criador da série NieR é uma figura carismática que, como Hideo Kojima, tem muito gosto por desenvolver coisas que fogem muito (mas muito) do que estamos habituados a ver num jogo. É uma mente insana que já colocou jogadores em maus lençóis ao lidar com temas pesados ou mesmo simplesmente mudar todo o estilo de jogo durante a luta final (Drakengard 3, alguém?). Portanto, espere por momentos que vão mudar todo o seu conceito quanto à história num RPG.

Sem entrar muito nos spoilers, a premissa é relativamente simples: houve uma invasão de aliens que obrigou os humanos a fugirem para a lua e após lutarem com eles por séculos, desenvolveram androides para recuperar a Terra desses malditos.

Sim, parece algo bem genérico, mas o enredo explora diversos temas contados num futuro distópico. Como nossos protagonistas são todos robôs, muito do que é visto no jogo é sobre o entendimento da humanidade sob a perspectiva deles. Como em NieR, neste jogo há várias jogadas para compreender o jogo inteiro, ou seja, acabar a rota A não significa o fim. Não vou contar quantas rotas existem, mas adianto que há mais de 20 finais falsos, um mais louco que o outro.

A história é excelente, o script é fantástico e o ritmo de jogo te deixa louco pra saber o que vai acontecer. Junto da trilha sonora, a melhor parte de Automata é sua história, que não vai sair da sua cabeça tão cedo.

A BELA ARTE DE NIER

nier automataUm dos pontos mais criticados da versão original eram os gráficos simples que o estúdio CAVIA (terceirizado) desenvolveu para NieR. Muita gente chegou a comparar com o que era mostrado nos consoles da geração antiga, mas sempre considerei isso um grande exagero. Não era o melhor do mercado (lembrando que Final Fantasy XIII saiu praticamente no mesmo mês), porém, a bela (e um tanto macabra) arte se destacava, dando uma identidade forte para o título.

Sendo desenvolvido por um estúdio de maior calibre, Automata mostra gráficos muito bonitos, tanto tecnicamente quanto artisticamente. No PS4 normal o jogo roda a 1080p e a 60 quadros por segundo, mas nesse último ponto tenho uma ressalva: essa performance não é estável e oscila bastante. Um exemplo disso é quando enfrentamos muitos inimigos numa área mais detalhada, como a City Ruins, onde há vegetação. Nesses momentos o jogo passa a trabalhar numa resolução dinâmica com quedas bruscas de resolução, deixando a imagem bem feia, mas ainda com performance aceitável, afinal Automata é um jogo rápido e nas dificuldades maiores o jogador precisa ter controle total. Vamos torcer para que a equipe aplique um patch com foco maior nos usuários do modelo original do console. O motor gráfico de Automata é competente, porém, roda aquém do que vimos em outros jogos desenvolvidos pelo mesmo estúdio, como Bayonetta 2.

Mesmo que tecnicamente o jogo ficasse devendo, com certeza a sua bela arte iria compensar. Aqui vemos talvez a melhor experiência visual do que seria viajar em um mundo pós-apocalíptico. A protagonista 2B terá que explorar cidades abandonadas com vegetação nativa tomando conta, desertos com horizontes a perder de vista, fábricas em plena atividade e até um parque de diversões que só vendo para crer. Os artistas realmente capricharam, e isso não se limita apenas aos cenários, já que as personagens têm um visual estiloso e ousado, todos os equipamentos possuem modelos únicos e os inimigos, em especial os chefes, são de uma criatividade ímpar.

UMA VIAGEM PELO SOM

Pense em algo especial, muito especial. A trilha sonora de NieR Automata foi composta por Keiichi Okabe e o estúdio MONACA, o mesmo time que produziu para o título anterior, cuja trilha sonora foi aclamada como a melhor por diversas publicações. Não era somente um RPG com belas faixas, era uma experiência que fazia o jogador se sentir naquele mundo – e de certa forma fazer parte dele.

Eu mesmo duvidei que Okabe conseguisse superar o original. Digo, talvez chegar perto… Mas felizmente me enganei, a música de Automata é com certeza a melhor da geração e dos últimos anos. Não somente a trilha é maravilhosa por si só, mas ela é toda dinâmica tendo uma versão menos complexa e em certos momentos quando o jogo exige, ela se transforma, adicionando instrumentos e vozes. É a música que dá o tom para os acontecimentos – realmente só jogando pra entender.

Uma recomendação é ir nas opções e ajustar os níveis de volume para conseguir ouvir melhor as músicas, pois por padrão, os excelentes efeitos sonoros ficam muito altos e o sound mix ainda deixa a desejar.

Eu poderia ficar horas escrevendo sobre a trilha sonora, mas é realmente algo que o jogador tem que sentir, porém, adianto que alguns easter eggs vão aparecer.

Já no departamento de dublagem o nível é bem alto assim como em NieR, mas infelizmente por sua natureza, 2B e companhia não possuem o carisma de Grimoire Weiss e Kainé, portanto ficam numa situação em que é mais complicado avaliar o potencial dos atores por limitações na interpretação e no script.

Os efeitos sonoros são competentes como em todos os jogos da Platinum. Como disse anteriormente, o problema está mais na mixagem – produtores de hoje esquecem que ainda tem gente que joga em TVs normais sem equipamento especial de áudio, ficando evidente que nesses casos, muito é perdido se o jogador passa batido pelas configuracões.

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AÇÃO E PITADAS DE RPG

Automata é um belo jogo e com uma trilha sonora de arrepiar os cabelos. Mas e o gameplay propriamente dito? É aqui que o envolvimento com Platinum faz o título brilhar. Você tem dois botões para combate corpo a corpo e um botão somente para atirar com seu Pod (robô que fica voando ao seu lado). O Pod pode equipar habilidades especiais e chips que melhoram o desempenho de 2B – essa é parte RPG do título. E existem alguns chips que podem deixar o jogo realmente fácil, porém para os jogadores mais malucos existe sempre um modo Very Hard, em que você pode morrer em 1 golpe. Desafio para todos os gostos.

Além dos ataques normais, o jogo também utiliza a já conhecida esquiva à la Bayonetta que quando feita com perfeição, seus personagens executam um ataque especial que funciona como um contra-ataque, possibilitando combos praticamente infinitos.

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Alterações de perspectivas voltaram com tudo em Automata. Há segmentos em que a câmera trava num plano 2D, fazendo com que o jogo mais pareça um Valkyrie Profile, ou mesmo os antigos jogos da Capcom/Konami dos anos 1990. Isso, somado ao mecanismo de tiro do Pod, faz Automata parecer mais com Contra/Strider do que um Action-RPG, mas no bom sentido, visto que variedade na jogabilidade sempre é algo positivo. Pessoalmente não me importaria que o jogo fosse inteiro nessa perspectiva. Quem sabe na próxima?

Nem tudo é pancadaria em Automata. Quando não estamos desferindo combos e percorremos um mundo aberto com bastante verticalidade e itens para coletar, o mundo é meio vazio. Isso fica evidente por causa da temática, porém sempre tem alguma coisa acontecendo. Existem side-quests com recompensas bem bacanas e sua maioria é bem feita. Quem seguir a história principal ignorando as secundárias vai perder bastante conteúdo legal.

Vale lembrar que diferentemente dos títulos mais recentes, o jogo não tem um auto-save e ele avisa isso algumas vezes em tutoriais para que os jogadores não reclamem de morrer e ter que voltar para o começo. Sempre que aparecer no canto superior direito os dizeres “Saving Possible”, entre no seu status e salve o progresso, pois Automata é um jogo que pode surpreender se você vacilar ou subestimar seus inimigos. Lembro de perder muito tempo ao morrer na primeira área para um inocente javali.

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Existe um detalhe que vale a pena ser citado quanto à morte: após cair em batalha você terá uma opção de carregar seu save, mas você não volta com os equipamentos. Terá que ir atrás do seu corpo (marcado no mapa por um ícone azul) e recuperá-lo. Jogando online você também irá encontrar os corpos de outros jogadores que tiveram um fim triste e sugar um pouco das energias deles, dando boosts como um pouco mais de HP e dinheiro, algo que às vezes pode salvar sua vida.

Gostei bastante dessa escolha de design onde o jogador precisa ficar mais consciente de que morrer lhe trará frustrações, obrigando-o a aprender direitinho as mecânicas de combate meticulosamente criadas pela equipe da Platinum Games. Antes que eu me esqueça: como em quase todos os RPGs japoneses, aqui você pode pescar e trocar seus lindos peixes por dinheiro, numa pescaria que é bem básica.

VALE A PENA? SIM!

NieR Automata vale cada centavo e é um título que merece estar na sua prateleira. Se você gosta de RPG ou mesmo de jogos de ação, como Bayonetta ou Devil May Cry, Automata é imperdível.

Coloque o som no máximo e parta pra ação, pois a Terra precisa de você, For the Glory of Mankind!

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Pontos Positivos

  • Arte impecável e de muito bom gosto
  • A melhor trilha sonora dos últimos anos
  • Combate fluído, variedade de gameplay
  • História insana, fantástica com as maluquices de Yoko Taro

Pontos Negativos

  • Performance no PS4 original deixa a desejar
  • O jogo necessita de um balanço na dificuldade
  • Mix de áudio original faz você perder muito da experiência se não configurar corretamente para o seu setup
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.


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