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vgBR.com – Videogames Brasil | 27 de junho de 2017

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Styx: Shards of Darkness – Análise

Review

Stealth com goblins

Styx: Shard of Darkness traz um sistema de stealth ótimo, é divertido e imersivo, com um protagonista carismático com frases icônicas e que vão roubar horas e horas de gameplay de muita furtividade.

Styx: Shards of Darkness é o sucessor de é sucessor Styx: Master of Shadows, um game de ação stealth em terceira pessoa, desenvolvido pela Cyanide Studio e distribuído pela Focus Home Interactive e pela Sony Music Games no Brasil. O título está disponível para Xbox One, PS4 e PC no Steam.

Seja nas aventuras de RPG de mesa como Dungeons and Dragons ou no clássico O Senhor dos Anéis de J.R.R Tolkien os goblins são criaturas sempre inexpressivas. Vilões clássicos porém retratados de maneira fraca e pouco mortais, são ignorantes e clichês. É contrariando essa proposta que a genialidade da série Styx se consagrou pra mim. O jogador está na pele do goblin mais esperto, furtivo e boca suja de todos.

Quando fui jogar o título meu primeiro questionamento foi: Como o game vai me colocar na pele de um goblin e fazer com que eu me identifique, ou até com que eu torça pelo protagonista, tendo em visto as características desprezíveis dessas criaturas que descrevi acima? Pois bem, ele não só me fez calar a boca como vou dizer nas próximas linhas a experiência magnífica que foi viver na pele de Styx por algumas horas.

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O enredo começa simples e se desenrola de maneira a prender o jogador. Uma força tarefa dos humanos foi criada para se lidar com a “praga verde”, preocupados com a propagação dos goblins, que destroem, roubam e anarquizam as cidades. Styx se esconde após a queda da torre Akenash quando uma proposta é feita pela líder dessa força tarefa, e um elfo negro se mostra o vilão da trama, com muitas faces e tão bom ou melhor que Styx na arte de roubar. Cidades humanas decadentes, cavaleiros heróicos, cidades élficas, dirigíveis magníficos, tudo esta lá para uma história intrigante e misteriosa, que honestamente não teria obrigação de existir tamanho a importância que é dada as mecânicas de gameplay, porém esta ali cumprindo um ótimo papel.

Além do enredo temos paralelamente uma construção da personalidade de Styx, que é tão importante quanto a trama e construído de igual pra igual com a mesma. Styx é o personagem Deadpool em uma trama medieval. Sarcástico, boca suja e cheio de referências, e assim como o anti-herói da Marvel, ele realiza a quebra da quarta parede que consiste em conversar com o jogador. Styx sabe que ele é um personagem de videogame e faz piadas com isso o tempo todo. Por exemplo quando morre, sempre na tela de loading ele faz algum tipo de reclamação ou zuação com o jogador. Eu mesmo recebi a seguinte em uma delas: “Se quiser abaixar o nível de dificuldade do jogo não vou contar para ninguém“. Além da personalidade ácida e das referências pop (“Ao infinito e além“) Styx é muito bem modelado e animado. Os trejeitos, a forma de andar, rolar e pular, a forma como ele mata seus inimigos, é tudo muito característico, cria uma imersão e uma identidade únicas para o personagem.

Styx pula, rola, entra em cobertura, mata (na maioria das vezes furtivamente), se esconde e tem uma gama de habilidades, todas baseadas em RPG onde goblins são ótimos bandidos, com furtividade, percepção, roubando itens do bolso, destrancando portas. Styx também conta com magias que adquire com o consumo de uma espécie de item mágico que é comparado a uma droga no game. Com isso você tem acesso a poderes mágicos especiais como ficar invisível ou criar um clone seu e controlá-lo.

Styx conta com uma mesa para craftar itens, algo que é explicado e utilizado de forma simples e direta. Você coleta diversos itens durante o gameplay que na mesa irão virar se transformar. Cinco peças de ferro, por exemplo se tornam um dardo que você pode usar para atacar a distância. O interessante aqui além da simplicidade é a escassez de todos os itens. Usá-los com sabedoria, no tempo e momento correto é algo crucial.

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O ponto alto do game e pelo que ele é conhecido é a mecânica de stealth. Apesar de bem difícil e pouco convidativa para quem não está acostumado é uma mecânica exemplar no gênero. Tudo é extremamente aproveitado quando o assunto é furtividade e podemos nos esconder literalmente de todas as maneiras que consigo imaginar, no teto, no sub-solo, dentro de caixas, armários, no escuro e etc. Os itens distribuídos no cenário também são de importância extrema, uma cadeira que parece inocente pode cair e chamar a atenção dos seus algozes, uma lampada acesa e o barulho da rolagem e queda podem ser fatais. E acredite, se você for visto será morto! O game segue isso a risca e posso contar o número de vezes em que fui visto e sai ileso (isso no modo normal).

Outra coisa interessante no game é a inteligência artificial. Em jogos assim é muito normal ouvir a clássica reclamação dos npcs “cegos” onde o jogador está em uma sombra a 5 metros de distância do NPC que não enxerga milagrosamente o ladrão escondido. Isso não acontece aqui e quando você estiver sendo procurado por seus inimigos não adianta entrar em um armário, barril ou ficar embaixo da mesa já que eles vão chutar, puxar e fazer de tudo pra te achar.

Preciso abrir um parágrafo para reclamar de uma coisa que foi constante no meu gameplay: o controle de pulos do jogo é extremamente bugado e mal feito. Algo que é usado constantemente no game, como pular em cordas, escalar muros e outros é mal feito e impreciso. Mirar para um lado com a corda e pular para outro é algo que aconteceu comigo todas as vezes. A escalada também é horrível e o simples ato de pular de um telhado para o outro pode causar frustração em um jogo que te pune severamente por ser visto.

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Outro ponto fraco do game são os gráficos. Não que sejam horríveis. Styx é muito bem modelado e detalhado com rugas e expressões perfeitas, mas isso é exclusivo do protagonista. O restante é feio, mal modelado, alguns NPCs tem expressões faciais horríveis, parecendo até (comicamente) estarem fazendo caretas quando obviamente pela situação essa não era a intenção dos desenvolvedores. Os cenários oscilam de maravilhosos para mal detalhados e vazios, e o fogo, sempre presente no game é feio e ultrapassado.

O game tem uma trilha sonora “ok” com nada grandioso nem memorável e não é localizado em português, então quem não está familiarizado com inglês vai perder ótimas linhas de diálogos e piadas ótimas do Styx. A dublagem está perfeita e as vozes dos personagens vão de boas a ótimas, e de novo a do protagonista é notavelmente melhor e mais explorada.

O jogo conta com um modo cooperativo interessante, e é muito mais difícil se manter furtivo a dois, faz um game que requer atenção e cautela virar loucura e baderna pura. Recomendo jogar mas não recomendo só explorar esse modo.

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Styx: Shard of Darkness traz um sistema de stealth ótimo e é divertido e imersivo, com um protagonista bem carismático, que te alegra e te deixa puto com frases icônicas e que vão roubar horas e horas de gameplay sem ver o tempo passar.

Pontos Positivos

  • Personagem extremamente carismático
  • Campanha e cenários interessantes
  • Gameplay preciso

Pontos Negativos

  • Controles de pulo bem confuso
  • Gráficos ruins
Pedro Kakaz

Pedro Kakaz

Pedro Kakaz é apaixonado por Dark Souls, eterno hero of time, jogador de Dota que ama o trabalho que faz.