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vgBR.com – Videogames Brasil | 21 de setembro de 2017

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Ghost Recon: Wildlands – Análise

Ghost Recon: Wildlands – Análise

Review

Mundo aberto genérico

No enredo, Wildlands não faz just a franquia Ghost Recon, mas apesar de não ser tão sério quanto os outros games da série, tocar o terror em cooperativo na Bolívia virtual é divertido.

Ghost Recon: Wildlands é um shooter tático baseado na famosa série de Tom Clancy, desenvolvido pela Ubisoft Montreal e lançado para PS4, Xbox One e PC no Uplay e Steam.

O jogo renova elementos de suas raízes táticas surgidos no fantástico Ghost Recon Advanced Warfighter da geração passada, misturando com características da série Rainbow Six. No entanto a natureza cooperativa e de mundo aberto do jogo não empolga como a história linear e mais fechada dos antigos GRAW.

MAKE BOLÍVIA GREAT AGAIN

O pano de fundo para o seu sandbox de matanças táticas é um conto de vingança disfarçado como uma operação de desestabilização do narcotráfico do cartel de Santa Blanca na Bolívia. Um dos agentes do seu esquadrão foi preso e torturado até a morte e cabe ao seu grupo ir atrás dos assassinos e vingar a morte do parceiro. O problema é que a narrativa é fraca e não se preocupa em parecer contraditória uma vez seus inimigos não pareciam incomodar ninguém e operavam livremente até que fizessem a besteira de matar o seu colega de equipe. Só então ele passa a ser levado a sério, ignorando os milhares de moradores assassinados durante a escalada do cartel ao poder.

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O chefe da organização, El Sueno, é um super traficante terrorista que comprou sua influência com propinas em todas as camadas políticas e sociais da Bolívia, país que acolheu seu vasto império de drogas. O vilão tatuado é bastante clichê e suas ambições são parecidas com as de Pablo Escobar. O assassinato do seu colega é o estopim para a caçada a El Sueno, mas esse problema aparece logo no início do jogo e sua relação com o agente assassinado nunca chega a ser apresentada o que prejudica o desenrolar da trama com uma motivação bem fraca para capturar o maluco. Entendemos que o o famoso patriotismo americano possa funcionar lá fora, mas no nosso caso aqui no Brasil ele não representa muita coisa.

Outro problema é a falta de desenvolvimento dos protagonistas. Diferente de GRAW, que tinha nosso querido Scott Mitchell, a natureza cooperativa de Wildlands coloca você num grupo de soldados genéricos, sem grandes características particulares. Você é um operativo que funciona como uma máquina, recebendo briefings e executando missões sem muito desenvolvimento dos personagens.

Alguns desses briefings irão revelar locais de armas para adicionar à sua coleção mas esse é outro fator puramente opcional visto que, diferente de outros jogos onde seu equipamento inicial é mais fraco, aqui você representa um soldado realmente preparado para a missão e por isso há pouco incentivo para buscar novas armas quando seu equipamento inicial entrega um rifle sniper silenciado e um drone logo de cara.

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Falando sobre o drone, o equipamento virou marca registrada da série e das operações táticas da atualidade e aqui é uma ferramenta essencial para o gameplay. Em qualquer abordagem ele auxilia no sistema de marcar e executar inimigos em conjunto com seu esquadrão e mesmo o drone inicial já é extremamente competente em conferir o perímetro antes da invasão do seu grupo.

E lidar com o seu grupo é a melhor parte do jogo. Ghost Recon Wildlands é um jogo de cooperação e sozinho você não vai durar contra os exércitos inimigos. A ideia é que seja jogado preferencialmente com outros três amigos, mas funciona relativamente bem ao deixar seu esquadrão ser controlado pela AI.

A melhor parte de Ghost Recon Wildlands é justamente na abordagem tática nas fortalezas inimigas. Cada jogador de sua equipe pode desempenhar uma função diferente, deixando um homem de frente, um sniper cobrindo de longe, um observador controlando o drone e guiando a missão entre outras possibilidades.

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Nos gráficos, o vasto mundo aberto do jogo realmente impressiona. Um país inteiro foi recriado digitalmente e Wildlands traz o belo clima tropical da Bolívia representado em cenários amplos, alguns mais detalhados que os outros. Os modelos de personagens e armas são caprichados quando montados com os equipamentos, mas os inimigos e rostos ainda continuam genéricos como em grande parte dos jogos mundo aberto com opção de criar o personagem.

O game tem boa performance nos consoles, mas novamente a versão de PC sofre de bugs e problemas. Rodamos Wildlands em nossa máquina equipada com um i7 6700 Skylake, GPU NVIDIA Gigabyte GTX 1070 e 16 gigas de memórias HyperX Savage DDR 4, instalado num SSD HyperX Savage de 240 gigas. Nessa configuração o jogo rodou tranquilamente em 1080p e 60 FPS cravados com todos os efeitos no Ultra, mas tivemos grandes dificuldades em acompanhar a história, com travamentos e congelamentos constantes nas cutscenes, forçando a pular as cenas em diversos momentos para continuar jogando.

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Mas novamente, a história é um simples pano de fundo e o grande barato de Wildlands é sua liberdade de sandbox tático. Uma das missões iniciais coloca o jogador pra fugir com um helicóptero e aí você vai ver o grande barato que é viajar pela Bolívia dominada pelo narcotráfico. Se você gosta de jogar num mundo aberto com missões variadas com seus amigos, o jogo proporciona uma experiência sólida ainda que genérica e um pouco repetitiva.

No fim das contas, esse tipo de jogabilidade cooperativa sem muito foco no enredo se perde na vasta extensão da Bolívia virtual. Há um país inteiro recriado digitalmente a ser explorado com uma boa variedade de missões e objetivos, mas ainda que demore cerca de 15 a 20 horas pra isso, Wildlands acaba caindo na repetição exagerada que parece amaldiçoar diversos títulos de mundo aberto.

Recomendado para quem gosta de cooperativo descompromissado. Não recomendado para quem espera uma sequência na série Ghost Recon ou mesmo a seriedade na trama que os títulos de Tom Clancy’s costumam proporcionar.

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Pontos Positivos

  • Cooperativo divertido e bastante ágil
  • Um país INTEIRO recriado digitalmente
  • Variedade nas missões

Pontos Negativos

  • História fraca, uma das piores da série
  • Gameplay acaba caindo em repetição
  • Bugs e problemas de performance na versão PC

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.