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vgBR.com – Videogames Brasil | 19 de agosto de 2017

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Sniper Ghost Warrior 3 – Análise

Review

FPS tático e realista

Sniper Ghost Warrior 3 é um game de tiro diferente, mais tático e analítico com gráficos deslumbrantes e um ótimo enredo. Compra recomendada para os amantes de FPS e principalmente de desafio.

Sniper Ghost Warrior 3 é a continuação da franquia de jogos de tiro tático em primeira pessoa desenvolvido pela CI Games e distribuído aqui no Brasil pela Sony Music Games. O game está disponível para PC, Xbox One e PS4.

Tenho alguma experiência em campanhas de jogos de tiro, seja com Battlefield, Call of Duty e até o último Sniper Elite 4. Tirando os games que exploram uma vertente mais online e competitiva a fórmula não é difícil de entender, temos protagonistas calados, alguma guerra emblemática, um arsenal imenso e milhares de inimigos para matar, as vezes um stealth, as vezes um veículo e uma cinematic digna de Hollywood, mas basicamente é isso.

Sniper Ghost Warrior 3 aponta em uma outra direção. Aqui temos um foco maior nos personagens e na narrativa. Na história, controlamos Jonathan North um combatente que desbrava território inimigo no leste europeu enquanto tudo desmorona em uma guerra civil interminável e sangrenta. O game é contado todo em capítulos divididos por CGIs que exploram relações fraternas fortes e imersivas, traições e viradas no plot sensacionais. É algo que vai além de apenas explorar os conflitos ou a guerra. Exploramos toda a forma que Jonathan reage e age em situações adversas, algo que sinto falta em muitos games.

Além de Jonathan temos seu irmão mais novo Robert North, um aficionado pela guerra desde a infância e mais impulsivo. A relação dos dois é bastante explorada em linhas de diálogos que ocorrem o tempo todo em plano de fundo. Outra personagem muito importante pra trama é Lydia Jorjadze que junto de Jon tenta descobrir o que aconteceu com Rob. Os personagens tem suas próprias motivações e são guiados por emoções marcantes que determinam sua persona no game fazendo um paralelo com o conflito na Georgia. Enquanto impedem os líderes separatistas de desestabilizarem o país também tentam resolver problemas pessoais tão ou até mais importantes para o desenvolvimento da trama.

Outra diferença enorme é que por mais que outros jogos cobrem cautela nos movimentos em determinados pontos, isso sempre acaba se tornando uma opção apenas para quem curte fazer dessa maneira pois o mais fácil e menos trabalhoso é sair matando todo mundo e correndo. Aqui é diferente pois mesmo na dificuldade normal poucos tiros são o suficiente pra acabar com você. Somando isso a checkpoints com uma distância determinada e a necessidade de se criar táticas, temos um título de tiro com dificuldade elevada onde a cautela é e sempre será a primeira opção.

Vida de Sniper não é fácil

Acho que o fator principal a ser levado em conta para adquirir ou não o título é: O quão preparado você está para ser um sniper de verdade? O foco do game é o modo campanha e o foco do modo campanha é simular o mais real possível (e a intensidade disso é da escolha do jogador) a experiência de ser um sniper contemporâneo.

No modo Normal temos todos os recursos do mundo e o modo mais “arcade”, direcionado para quem nunca jogou nenhum título anterior ou quer desfrutar mais do enredo do que do gameplay. Não há muito o que acrescentar nesse modo. Utilizamos radar, os tiros que tomamos dão menos dano, os inimigos agem de forma mais comum, a vida regenera e toda a HUD está lá com as informações necessárias para nunca errar um tiro perfeito.

No modo Difícil o acréscimo mais significativo é a vida não regenerar. Tomar um tiro pode ser sua ruína por toda uma missão e isso é extremamente frustrante e incrível ao mesmo tempo. Finalmente no modo Desafio é onde as coisas ficam realmente interessantes e o game pode ser encaixado em um simulador de sniper. Aqui não temos assistência nenhuma para dar um tiro perfeito e isso faz toda diferença. Devemos levar em consideração a altura e distância que o inimigo está para ajustar a mira e focar a lente, o vento, intensidade e direção também são fatores importantes e dar um tiro pode se tornar uma tarefa complicada tendo em vista que errar irá mostrar sua localização para os inimigos.

Outra coisa interessante do gameplay é o drone que nos acompanha durante o game. Com ele basicamente podemos marcar a posição atual dos inimigos e isso também varia de cada dificuldade, chegando a ser temporária a marcação que fazemos no modo Desafio. Porém todo cuidado é pouco e a má utilização desse recurso é outra coisa que pode revelar sua posição.

O mapa da Georgia no leste europeu é imenso e belíssimo e como mundo aberto podemos sempre decidir a intensidade da exploração aqui. Missões secundárias como salvar alguém entre uma missão e outra podem ser aderidas ou evitadas. Outra coisa interessante do mapa aberto é que podemos decidir em que horário e clima fazer determinada missão. Infiltrar-se em uma base inimiga a noite pode ser melhor para não ser visto, porém o número de guardas noturnos é sempre maior e uma coisa compensa a outra.

O clima também afeta aqui e dar um tiro enquanto chove ou venta demais pode ser mais complicado e dificultar tudo. Os inimigos vão deixando recursos durante o caminho para que no seu esconderijo você possa realizar upgrades nas armas e munições. Juntar uma munição na outra e criar uma nova que atravessa paredes por exemplo.

O mapa de mundo aberto da Georgia tem vistas deslumbrantes como essa

O jogo também te dá diversos caminhos e formas de seguir esses caminhos, eu decidi optar pelo stealth melhorar minha sniper e ir sempre na cautela. O mapa é gigante e muito variado, montanhas, florestas, planícies e riachos, tudo com fauna e flora própria e usar o cenário como aliado para se aproximar é uma tática válida ou ainda usar as árvores como pontes e distrações, o jogo te da liberdade para usar as diferenças de terreno a seu favor.

Além disso podemos utilizar veículos para locomoção no cenário, também conseguimos rastrear as pegadas dos nosso inimigos e diversas outras novidades que não vou falar para não estragar a surpresa e a experiência de cada um.

Os gráficos estão impecáveis, vegetação variada e efeitos de luz incríveis. A modelagem da grande maioria dos personagens é crível, com detalhes nos olhos e semblantes que beiram o realismo, foram poucos os momentos que me incomodou uma expressão facial ou alguma textura na floresta, está tudo lindo, variado e muito bem feito. O vento e o balançar das árvores parece um detalhe bobo quando comentado aqui, mas é algo que libera uma imersão fantástica, a maneira como vento espalha as folhas e balança bandeiras e árvores, a maneira como sol se põe num céu muito bem modelado, a maneira como a chuva altera tudo isso, é incrível. Isso vale para o som do game também, as dublagens dos personagens em momentos de dramas e conflitos, foi escolhido um cast muito competente para passar diversas emoções de Jonathan e seu irmão Robb. Outra coisa fantástica são os efeitos sonoros, diversas vezes só utilizando o som e bons headphones podemos saber a localização de um inimigos, os passos numa plataforma ou a respiração, fantástico.

O jogo está totalmente legendado em português para que os jogadores brasileiros possam aproveitar ao máximo todas as linhas de diálogos que aprofundam cada personagem na trama.

BOOM! Headshot

Um ponto pouco comentado por mim em análises é a movimentação do game, a maioria dos fps controlamos soldados que se movem de maneira ágil e precisa, em Sniper Ghost Warrior novamente temos um ponto fora da curva. Jonathan se move de maneira lenta e pesada, simulando um realismo no andar e no correr. Um soldado que carrega mais de 15kg em equipamentos com certeza não se move da maneira que estamos acostumados em games de tiro e isso foi levado em conta nesse título que preserva o realismo.

Correr e fugir são empecilhos devido a movimentação travada do atirador mas compensado pela precisão dos tiros de sniper. Essa foi uma opção dos desenvolvedores, enquanto os tiros de metralhadora são espalhafatosos e menos úteis e os tiros com o rifle são perfeitos, mostrando que nosso soldado é um atirador que preza pela cautela de um tiro impecável.

O modo multiplayer será oficialmente habilitado no game final do ano e nós da equipe vgBR faremos uma análise separada para o modo.

Sniper Ghost Warrior 3 é um game de tiro diferente, aposta no gameplay mais tático e analítico com gráficos deslumbrantes e um enredo de emocionar, um título completo que diverte e te desafia por horas a fio. Compra recomendada para os amantes de FPS e principalmente de desafio.

Pontos Positivos

  • Ótimos gráficos da Cry Engine
  • Enredo sério e personagens interessantes
  • Gameplay imersivo, cheio de detalhes e diferenciado
  • Totalmente legendado em português

Pontos Negativos

  • Pode ser difícil demais para os desavisados
  • O modo multiplayer ainda não está disponível
Pedro Kakaz

Pedro Kakaz

Pedro Kakaz é apaixonado por Dark Souls, eterno hero of time, jogador de Dota que ama o trabalho que faz.