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vgBR.com – Videogames Brasil | 20 de outubro de 2017

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Yooka-Layle – Análise

Yooka-Layle – Análise

Review

Nostálgico e divertido

Se você sente falta do gênero plataforma 3D Yooka-Layle é um jogão! Os defeitos existem mas nada não passe despercebido. Jogue como se fosse 1998 novamente!

Yooka-Layle (originalmente Project Ukelele) é um jogo de plataforma 3D desenvolvido pela Playtronic Games e financiado pelo Kickstarter.

Na equipe de desenvolvimento conta com ex-funcionários da RARE que trabalharam em Banjo-Kazooie. A versão da análise é do PlayStation 4, mas o jogo também está disponível para o Xbox One, Switch e PC.

Um jogo de plataforma 3D nos tempos atuais? Um gênero que infelizmente foi esquecido está de volta com uma forte inspiração em Banjo-Kazooie; desde sua estrutura até na parte artística. Muito foi prometido durante a arrecadação no Kickstarter mas será que a equipe por trás de Yooka-Layle conseguiu entregar um produto de qualidade? É o que vamos descobrir nesse review.

HISTÓRIA PARA BOI DORMIR

Yooka e Layle vivem de boa em seu barco naufragado até que certo dia encontram um livro mágico e suas páginas são roubadas pelo Capital B, um “homem” de negócios que usa os esquemas maquiavélicos de Dr. Quack para absorver todos os livros do mundo e ter monopólio da indústria dos livros. Por sorte algumas páginas (100 exatamente) acabaram sendo espalhadas por 5 mundos e cabe aos nossos heróis recuperá-las.UMA FOTO VALE MAIS QUE MIL PALAVRAS

Desenvolvido usando a Unity Engine, Yooka-Layle é um jogo muito competente no aspecto gráfico, ficando bem dentro do que eu esperava de um jogo plataforma 3D nos tempos atuais. As primeiras impressões não são das melhores e o cenário inicial (que é uma espécie de hub que liga os mundos) é bem sem graça e ainda usa uma das temáticas mais batidas de todos os tempos, um laboratório gigantesco.

Após muita lenga-lenga nós entramos no primeiro mundo que é uma espécie de selva em ilhas voadoras. Nesse instante percebi meu queixo cair por um breve momento. Cores fortes, vibrantes, texturas de boa qualidade, uma distância de desenho competente e diversos elementos que compõem um universo fantasioso de forma convincente. No que os artistas pecaram no inicio já compensaram em pouco tempo. A própria variedade dentro de um mesmo mundo é algo que eu realmente só via em jogos da RARE e isso me fez ficar muito feliz, pensando em vários momentos como esse gênero poderia ganhar com o uso da tecnologia atual.

Cada mundo em Yooka-Layle é completamente distinto. Não são muitos, apenas 5, mas são grandes o suficiente para ver que a equipe se divertiu desenvolvendo as localidades. Dá para viajar bastante ao clicar o botão de mira (no PS4 é o L3) e ficar observando o horizonte, averiguando os desafios que irei encontrar mais para frente.

Não somente os cenários mas os personagens malucos do jogo tem uma modelagem bem bacana, são redondinhos e contam com uma animação de alto nível. Até aqueles inimigos fracotes acaba valendo a pena ficar parado vendo eles correrem atrás de você só para ver as reações.

Falando de performance posso dizer que os 30 quadros por segundo estáveis da versão de PS4 de Yooka-Layle são suficientes mas não conseguia parar de pensar como o jogo ficaria melhor se tivessem conseguido dobrar isso. Parece uma reclamação meio inútil e alegando o óbvio mas é que no caso desse jogo em especial, a taxa de quadros da forma que está deixa a imagem com um aspecto carregado, lembrando bastante os jogos de Nintendo 64 mas dessa vez eu tenho certeza que não foi de propósito. A versão de PC obviamente não sofre desse problema e roda aos 60 quadros por segundo.

Artisticamente Yooka-Layle é algo como uma mistura, enquanto os cenários são em sua maioria muito belos e bem desenvolvidos, os personagens estão entre os mais feios e de mal gosto que vi em toda minha vida como gamer e olha que joguei muito jogo de “bicho” nos anos 90. Citando alguns para exemplificar, aquela cobra que te dá habilidades parece tirada diretamente de um daqueles desenhos animados mais recentes feitos em flash e o próprio vilão do jogo até hoje não sei se era para ser uma abelha ou algum outro bicho mas nada supera aquela criatura espalhafatosa que “vende” para Yooka e Layle uns tônicos. Eu acredito que aquilo seja uma geladeira mas é um negócio tão feio e de extremo mal gosto que nem vale a pena procurar imagem disso no Google.

CACOFONIA DO DESASTRE

Quando soube que Yooka-Layle contaria com David Wise (lendário compositor da trilha de Donkey Kong Country) e Grant Kirkhope (Banjo-Kazooie, Goldeneye 007), minha expectativa subiu como um foguete pois dentro do lado ocidental das músicas de videogame, eles são os melhores.

Não demorou muito para esse foguete voltar colidindo com o chão. A trilha sonora de Yooka-Layle é sem inspiração e não teria como definir de outra forma. O tema é passável, a música de Hivory Towers (realmente não foram felizes com esse lugar) é aquela típica sinfonia cacofônica de laboratório e quando cheguei no primeiro mundo tive a certeza de estar ouvindo uma música diretamente tirada de Banjo-Kazooie. Não tenho nada contra inspirações, quando bem feitas elas evocam sensações únicas mas aquilo é praticamente uma cópia carbono da faixa de Bubblegloop Swamp e isso é decepcionante. Mais para frente a coisa não melhora e é notável a falta de inspiração. David Wise deve ter gasto tudo que restou na trilha de Donkey Kong Country: Tropical Freeze.

As músicas não são ruins, de forma alguma, mas poderiam ser mais elaboradas ainda mais considerando que passaremos muito tempo nas fases e a vontade de apertar o botão Mute ou deixar o Spotify rolando de fundo é cada vez maior.

No mais, os efeitos sonoros estão bons porém nada de destaque e como em Banjo-Kazooie, os diálogos aqui não tem vozes e sim uns “grunhidos” que simulam como seria a voz de cada personagem. É difícil explicar escrevendo mas ficou bem feito, num jogo como esse ter vozes de verdade seria mais um ponto negativo mesmo.

DIVERSÃO GARANTIDA

Antes de mais nada, Yooka e Layle são personagens muito divertidos de controlar. A resposta é precisa e não dá para culpar o jogo caso você falhe em algum desafio. Ainda não está naquele nível de controle do Mario 64 (incrível como foram longe com esse título) mas é competente sim.

A estrutura do jogo é similar a Banjo, vamos coletando páginas do livro (que em B-K eram os quebra-cabeças) e eles vão servindo como “chaves” que liberam acesso a outras áreas. Além das páginas existem outros colecionáveis como as penas (notas musicais em B-K) que permitem liberar habilidades com a cobra mais chata dos videogames (acho que eu estou ranzinza).

Dentro dos mundos é que vemos o jogo brilhar. Existem diversos desafios dos mais variados possíveis e alguns deles vão fazer você pirar de tanto pensar “como que eu abro esse baú?”, “como que eu vou chegar naquela plataforma?”, “se eu pular aqui será que morro?”, dentre outros. Um lance interessante nesse jogo é que não foi imposto muitas limitações nos cenários e é bem normal tentarmos subir uma montanha pelo lado de fora sendo que esse não é o caminho que teríamos que tomar para chegar ao nosso destino. Achei isso muito interessante e mostra uma certa evolução na parte de jogabilidade no gênero. As próprias habilidades liberadas proporcionam algumas escaladas “perigosas” mas se você cair num lugar que não tem como voltar a responsabilidade é sua!

O jogo é extremamente divertido e conta com diversos mini-games. O destaque fica para o Rextron 64 que é um dinossauro 64 bits (como ele mesmo se entitula) onde podemos jogar alguns mini-games variados. Nem todos prestam mas servem como um diferencial. O mais engraçado é estar andando por um cenário cartunesco e encontrar uma máquina de Arcade cheia de Neons no meio do nada, ossos do ofício.

Como falei, o jogo possui 5 mundos e antes que venham falar que é pouco, posso dizer que só na primeira fase podemos ficar umas 5 horas explorando e quando você achar que já tá grande demais, o jogo te possibilita expandir o mundo usando páginas do livro. Essa expansão é uma mecânica que pessoalmente achei genial. Ao invés de liberar tudo de uma vez nós primeiramente exploramos uma versão “beta” do mundo e quando todas as possibilidades tiverem esgotadas nós voltamos para o hub e expandimos para a versão final. Uma grande sacada dos desenvolvedores.

Yooka-Layle é um jogo infantil mas não é nada fácil. Tem um desafio na medida e diria que tem alguns chefes complicadinhos como o monstro parede com problemas nos dentes (é sério), não é de se subestimar. Outra parte da dificuldade fica por conta dos próprios colecionáveis que se você não prestar muita atenção pode acabar saindo dos mundos com 199/200 penas, causando uma frustração enorme que para procurar essa última pena, num cenário enorme como aquele, seria como procurar uma agulha em um palheiro. A dica é: preste atenção!

Uma crítica que tenho para esse jogo é a quantidade de diálogo. Sinceramente não sei porque tanto blá blá blá num jogo como esse e os diálogos em si em sua maioria são sem graça.

1998 NOVAMENTE!

Foi realmente uma experiência nostálgica poder curtir um plataforma 3D dessa qualidade nos tempos de hoje. Se você sente falta do gênero não tenho como recomendar mais. Os defeitos existem sim mas nada que sob visão menos crítica não passe despercebido. Jogue como se fosse 1998 novamente! Yooka-Layle é jogão e já estou esperando o 2.

Pontos Positivos

  • Lindo! Desenho animado interativo
  • Desafio na medida
  • Jogabilidade precisa

Pontos Negativos

  • Trilha sonora decepcionante
  • Muito diálogo (que não diz nada)
  • Parte artística de gosto duvidoso em alguns momentos
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.