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vgBR.com – Videogames Brasil | 16 de dezembro de 2017

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Valkyria Revolution – Análise

David Signorelli

Review

RPG de estratégia e ação

Com problemas de produção, Valkyria Revolution é um jogo divertido mas longe de ser perfeito e peca em aspectos importantes como AI inexistente e excesso de cutscenes. Mas se você gostou do primeiro vale sim um espaço na sua prateleira.

Valkyria Revolution é um RPG de ação desenvolvido pela Media.Vision (série Wild ARMs, Shining Resonance, Digimon Story: Cyber Sleuth) e publicado pela SEGA para Xbox One, PS4 e PSVita.

Valkyria Revolution faz parte da série Valkyria Chronicles mas dessa vez se trata de um spin-off, possuindo elementos característicos da série principal como a própria Valkyria e o combustível Ragnite, mas sem cruzar as histórias.

O universo é semelhante e até tem o mesmo nome, o continente Europa (sim, escrito dessa forma) porém descrito de uma maneira muito mais fantasiosa, lembrando mais os RPGs tradicionais.

A REVOLUÇÃO AZUL

No reino de Jutland houve uma guerra que aconteceu há 100 anos chamada de Guerra da Liberação e os protagonistas delas, chamados de “Círculo dos Cinco“, foram taxados posteriormente de Traidores. Dentre eles está o capitão do exército Ant-Valkyria, Amleth Grønkjær que apesar de servir ao reino causa uma certa desconfiança entre os membros do exército por parecer esconder um passado obscuro.

Uma das poucas pessoas que não parece temer Amleth é a princesa Ophelia que apesar de fazer parte a realeza, está destinada a lutar nas linhas de frente contra o império Ruzs. Ophelia foi colega de Amleth no passado e confia bastante nele, por isso costuma ficar contra pessoas que buscam de forma árdua duvidar de seu amigo.

A trama no geral é muito bem desenvolvida e o jogo já começa com uma conversa entre duas pessoas em volta de um túmulo, contando uma história que ocorreu muito tempo atrás, deixando claro que se trata de um jogo contado em flashbacks. As cutscenes são numerosas e podem cansar aqueles que não estão habituados a ficar muito tempo apenas lendo. Isso não seria um problema caso as mesmas não fossem tão monótonas, mas as conversas são um pouco lentas e apesar de mostrarem cenas excelentes bem coreografadas em alguns momentos, a grande maioria delas apresentam personagens conversando entre si de maneira estática.

Apesar disso um dos pontos mais fortes do título é a história e seus personagens e se você não se importar muito com cenas longas de conversas carregadas, irá rapidamente ficar preso ao universo de Valkyria Revolution. Um conselho que dou é dar uma olhada no Glossário de vez em quando pois ele é constantemente atualizado com informações sobre o universo e suas terminologias. Existe também (bem escondido), um bloco de anotações que permite visualizar informações das personagens do nosso querido exército em forma de pequenas histórias do dia-a-dia.

ANTI-VALKYRIA

Valkyria Revolution é um jogo que infelizmente sofreu cortes de orçamento durante sua produção e isso é facilmente notável em alguns aspectos. Como mencionei anteriormente, as cenas de corte podem parecer chatas pelo fato de que em diversos momentos não existe muita movimentação, raramente os personagens gesticulam e nem sempre dá para perceber movimento labial, coisa que é relativamente simples de fazer (e nem dá para culpar o PSVITA por causa disso).

De resto o jogo é competente, o visual da cidade principal Elsinore é bem interessante, com bastante detalhes e personagens andando para lá e para cá.

Em Valkyria Chronicles a SEGA optou por um estilo gráfico que eles mesmo chamaram de CANVAS onde dava um visual único que parecia uma pintura de óleo em tela. Isso fez com que o jogo exalasse personalidade pois não se tratava somente de um filtro e sim todo um trabalho nas texturas. Em Valkyria Revolution vimos uma aproximação do estilo do jogo original mas com acabamento de uma aquarela opaca mais conhecida como guache. Não sou nenhum conhecedor de arte mas gostei bastante do que foi feito aqui. Deixou com a impressão de que já sabiam que não iriam conseguir adotar técnicas avançadas de modelagem e partiram por uma escolha visual adequada.

Um outro problema gráfico é a impressão de que o jogo roda numa resolução meio baixa pois tem bastante serrilhado e uma nitidez forçada. As sombras sofrem muito com isso e foi justamente elas que me fizeram perceber esse defeito. Dá para notar que Valkyria Revolution não vai mudar o mundo com seu visual mas está bem dentro do que esperamos de jogos do gênero. A modelagem das personagens é inconsistente e varia entre bom até algo que se assemelha a bonecos. Ophelia por exemplo fica com uma aparência esquisita dependendo da cena e ela não é a única a sofrer desse problema.

Existe um reaproveitamento gigantesco de recursos com muitos chefes iguais com cores diferentes, cenários com elementos repetitivos como casas idênticas e efeitos de luz de qualidade duvidosa. Realmente não temos como saber se a Media.Vision estava com a grana apertada ou ficaram presos na geração passada.

A VALKYRIA IMORTAL

Logo que iniciamos Valkyria Revolution somos contemplados com uma bela abertura ao som da música Azure Revolution, composta pelo gênio Yasunori Mitsuda e interpretada por Sarah Àlainn. Essa faixa dá o tom do que podemos esperar da trilha sonora, com enfoque na guerra e músicas puxando para os sentimentos mais terríveis que só um acontecimento como esse pode trazer.

Apesar de ser fã de Mitsuda, eu pessoalmente acho que o compositor dos demais jogos da série, Hitoshi Sakimoto tem uma trajetória musical muito mais alinhada com os temas abordados nesse título. Existem algumas faixas meio genéricas mas as cantadas tem seu destaque aqui e são músicas lindas que você realmente terá vontade de ouvir fora de contexto, em especial a minha favorita de toda a trilha chamada simplesmente de VALKYRIA ~The Power of Destruction~.

Na dublagem infelizmente não há como elogiar pois o trabalho é metódico, chato e parece que os dubladores estão apenas lendo os textos ao invés de interpretá-los, problema que fica ainda mais evidente durante as cenas de cortes problemáticas onde não sabemos quem está falando o que, dificultando a escolha pelas vozes japonesas. Os efeitos sonoros não tem charme algum e é até triste ver alguns meteoros caindo e ouvirmos apenas um barulho que mais parece alguém chutando uma lata (sério mesmo).

O RÉQUIEM DA NOITE SOMBRIA

A estrutura de jogo de Valkyria Revolution durante a campanha principal é basicamente 30% combate/preparação e 70% cenas de corte. Sim, se você não pular as cenas a divisão fica aproximadamente nessa proporção, portanto senta que lá vem história (pelo menos é uma história bem bacana).

Mas e o jogo? Bem, durante a jogatina nós controlamos diretamente e indiretamente (dando ordens) 4 personagens, sendo que dentro do leque de opções do exército temos 4 classes distintas. O ideal é usar pelo menos 1 de cada para manter um equilíbrio mas isso é arbitrário.

Sendo um RPG de ação e não mais um RPG de estratégia, nós podemos ir de encontro ao inimigo e descer porrada neles. Algumas classes servem mais de suporte e outras totalmente ofensivas como a classe de Amleth (Shocktrooper). Ophelia por exemplo é da classe Scout onde tem ampla vantagem de movimentação em campo comparado aos demais, sendo ideal para missões de reconhecimento ou quando o tempo estiver apertado.

Durante os combates nós podemos atacar diretamente. Apertando X o personagem controlado desfere um combo automático e para atacar novamente é necessário aguardar uma espécie de cooldown ou seja, nada de apertar botões como um louco pois essa estratégia batida não vai funcionar aqui. Fora os ataques normais existem as magias que funcionam como uma versão simplificada das Materias de Final Fantasy VII, onde você coloca umas pedras na arma, permitindo que os heróis usem diversas magias sendo algumas de ataque direto ou passivas, mas nada muito complexo.

O jogo é relativamente fácil e recomendo jamais colocar no Easy pois nessa dificuldade você nem vai precisar entender os sistemas e vai perder muito da diversão. Existem alguns picos de dificuldade em chefes, fazendo com que os jogadores fiquem mais espertos mas nada que obrigue ficar pegando level que nem um maluco apenas com intuito de transpôr um objetivo. A inteligência artificial é lamentável e há momentos em que parece que estamos jogando um Musou pois os inimigos tendem a ficar parados sem atacar. Para piorar a inteligência dos nossos amigos também é triste e por nada nesse mundo coloque-os em modo Free (sempre Offense ou Defense) pois eles tratam esse Free como férias e não fazem nada.

Em matéria de conteúdo Valkyria Revolution traz bastante missões opcionais e a promessa de bastante DLC gratuito nos próximos meses. A SEGA está de parabéns por não cobrar a mais por isso visto que na versão original japonesa os DLCs eram pagos. A experiência no geral é de um jogo bem divertido, longe de ser perfeito ou mesmo com aquele cuidado que o original tinha, mas se você gostou do primeiro vale sim um espaço na sua prateleira.

Pontos Positivos

  • Sistema de jogo divertido e estimulante
  • Trilha sonora bacana
  • História bem elaborada e bastante conteúdo

Pontos Negativos

  • Valores de produção que deixam a desejar
  • Inteligência artificial quase inexistente
  • Fácil demais
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.