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vgBR.com – Videogames Brasil | 11 de dezembro de 2017

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Final Fantasy XII: The Zodiac Age – Análise

David Signorelli

Review

Remasterização de qualidade

Um dos melhores relançamentos do ano e um exemplo a ser seguido em matéria de remaster/remake. Um RPG divertido que, apesar de ter uma história fraca, tem todo o resto impecável.

Final Fantasy XII: The Zodiac Age é um jRPG produzido pela Square-Enix e lançado exclusivamente para o PlayStation 4. O título é uma versão refeita do Final Fantasy XII: International Zodiac Job System, que foi lançado em 2007, apenas no Japão. Agora, os ocidentais poderão curtir-lo pela primeira vez, depois de 10 anos, com uma roupagem nova.

VENTOS DA MUDANÇA

Na maioria das vezes, a principal atração da série Final Fantasy é a sua história. Como um todo, a história é empolgante e estimula o jogador a continuar a sua aventura até o fim. Apesar de ela ser boa, ainda dá para dizer que é uma das mais fracas da série. Final Fantasy XII: The Zodiac Age se passa no mundo de Ivalice, o mesmo de Final Fantasy Tactics e Vagrant Story, porém, os laços entre eles não são estreitos – só os mais atentos irão perceber semelhanças.

Nas primeiras horas do jogo nós somos forçados a realizar uma série de atividades mundanas com o intuito de colocar Vaan, nosso protagonista, dentro do enredo. É, de certo modo, compreensível, mas feito de uma forma que parece demorar uma eternidade para engatar. Muitos não terão paciência para continuar.

De qualquer maneira, se ainda estiver interessado, você será contemplado com um enredo decente. A história, em sua maioria, se desenvolve em volta de Ashe, a princesa que, devido a uma série de problemas, foi chutada para fora do seu reino. Ela buscará ajuda do órfão Vaan e sua amiga Penelo, junto de Basch e os piratas do céu Balthier e Fran. Essa turma irá contar com a própria sorte para tentar encontrar os cristais que ajudarão Ashe a recuperar seu poder e prevenir que uma guerra de grande escala aconteça. Lógico que ao longo da jornada eles encontrarão pessoas corruptas que irão atrás desses cristais para benefício próprio.

Ainda assim a história se desenrola de forma lenta e demora até que algo de relevante realmente aconteça. Os ditos protagonistas, Vaan e Penelo, ficam parecendo coadjuvantes, visto que os demais tomam controle de todas as situações, em especial Balthier e Fran. Me questiono desde a versão original o motivo de terem colocado esses personagens, já que pouco adicionam ao enredo.

Não existe diferença alguma no departamento de história nesta versão. É exatamente a mesma que vimos em 2006, quando foi lançado o Final Fantasy XII original. Muitos esperavam algumas alterações ou mesmo adições ao enredo, mas não foi o que aconteceu.

EU SOU O CAPITÃO BASCH!

Final Fantasy XII já era um dos mais belos jogos do PlayStation 2, e a Square-Enix fez um excelente trabalho em The Zodiac Age: o jogo agora roda em 1080p e teve praticamente todas as texturas retrabalhadas – elas não foram simplesmente escalonadas. Se você prestar atenção em pequenos detalhes, como azulejos ou mesmo o abdômen de Vaan (estou falando sério), irá perceber que aquelas texturas em baixa resolução da versão original são artefatos de um distante 2006.

O original já tinha a opção de jogar em Widescreen (16:9), então, quem tinha televisões nesse formato, na época, já podia usufruir de um campo de visão maior, o que não é apenas perfumaria: um jogo como esse ganha muito com mais visibilidade, principalmente em momentos de combate intensos, com uma quantidade numerosa de inimigos na tela.

A luz também foi algo que recebeu um cuidado bacana. Grande parte dos efeitos de magia agora possuem partículas melhores e isso afetou a parte artística também. Você irá perceber logo de cara, quando entrar em Dalmasca Estersand (ou a Westersand), que os raios de sol atingem as areias do deserto, dando um visual menos sóbrio para cena, coisa que provavelmente era muito complicado de fazer no modesto hardware do PlayStation 2, mas que a geração atual tira de letra. Demais efeitos, como névoa, agora são usados de forma mais inteligente, e estágios como Phon Coast e Ridorana Cataract continuam maravilhosos, de encher os olhos.

Os menus também foram retrabalhados para se adequarem à resolução utilizada e estão mais bonitos do que nunca. Por sorte a Square-Enix resolveu abolir o uso de caixa alta nos diálogos – um pequeno detalhe, mas que às vezes dificultava a leitura.

Final Fantasy XII: The Zodiac Age poderia se passar fácil por um jogo B da geração atual. O que foi feito aqui é muito superior ao excelente Final Fantasy X/X-2 Remaster e define um novo padrão de qualidade para produtos dessa categoria.

EU LHE DOU MINHA PALAVRA

Composta por Hitoshi Sakimoto, a trilha sonora nos brinda com uma seleção de músicas que puxam para o lado mais ambiente, com muito uso de instrumento de sopro e piano, mantendo a tradição do compositor líder. Particularmente, não sou muito fã dessa trilha sonora. Existem faixas excelentes, como Battle with an Esper, Eruyt Village e a música de encerramento, Kiss me Goodbye, interpretada por Angela Aki, mas pouca coisa fica na cabeça, ainda mais para quem está acostumado com as músicas melodiosas do mago Nobuo Uematsu.

Qualidade existe de sobra, e se você não ficar maluco de ouvir a música de Rabanastre (ficamos muito tempo andando nessa cidade) é capaz até de aumentar o volume em alguns momentos. Isso, somado ao fato de praticamente toda trilha do jogo ter sido re-orquestrada nessa versão, o ganho é assustador – e não acredito que alguém vai querer voltar a escutar aquele som MIDI abafado do original, apesar de existir a opção no menu. Dica: deixe como está.

Falando em abafado, a dublagem continua com a qualidade do original, ou seja, boas interpretações, porém, com uma qualidade que parece de jogos da geração 16-bits. Se você não se importar com vozes em japonês, recomendo fortemente ir no menu e trocar. Por alguma razão, as vozes originais têm uma qualidade superior, mas também não é um problema grave. Os efeitos sonoros são competentes e, principalmente durante as animações, eles se destacam. Gosto muito dos efeitos das espadas cortando as armaduras ou mesmo aquela “barulheira” de quando invocamos os Espers, coisa fina.

Existem algumas músicas novas também e elas são bem bacanas, só não tenho certeza se são de autoria de Sakimoto, pois essa informação não foi divulgada ainda.

VOCÊ DEIXOU SEUS OLHOS TRAÍREM SEU CORAÇÃO

Jogou Final Fantasy XII? Esqueça tudo. Final Fantasy XII: The Zodiac Age traz uma reformulação gigantesca no sistema de jogo, fazendo que realmente pareça um título completamente novo. Eu joguei mais de 120 horas do original e achei que fosse sentir fadiga ao voltar a Ivalice, mas felizmente estava enganado.

Algumas comparações serão inevitáveis para explicar as diferenças entre o original e The Zodiac Age, portanto, os novos jogadores poderão não entender algumas coisas, mas a palavra que digo para eles é somente essa: jogue.

Não existe mais aquele lance de ter um único License Board para todos os personagens. Agora nós podemos escolher duas classes para cada um, sendo um total de 12, que, por sinal, representam os signos do Zodíaco. Cada uma dessas classes possui um License Board diferente, dando mais personalidade para cada personagem e não um monte de clone, como parecia nos momentos finais do original.

Isso acarreta uma maior responsabilidade também, pois depois de escolhido não há como alterar, portanto, pense bem! No meu jogo eu escolhi classes diferentes para cada personagem para poder explorar todas as possibilidades de equipamentos e golpes, mas se quiser, você pode ter todos os personagens usando as mesmas classes. Posso estar enganado, porém, acho que isso não faz muito sentido. Mas vai que você queira uma tropa de ninjas, não é?

Só isso já seria uma mudança enorme, mas com certeza ela não para por aqui. A melhor adição depois do sistema de classes, na minha opinião, é a escolha de velocidade do jogo. Você pode optar por jogar em 2x ou 4x de velocidade, deixando aqueles momentos de grind muito mais prazerosos. E o melhor é que isso não muda o ritmo da música, realmente só acelera o movimento de jogo num geral. Só tome cuidado para não morrer rapidinho!

Final Fantasy XII já tinha uma dificuldade bacana e aqueles que não se preparassem poderiam tomar um Game Over com facilidade, ainda mais considerando que existiam muitos momentos em que ficamos cercados de inimigos. A boa notícia é que agora o jogo conta com um sistema de auto-save, ou seja, toda vez que atravessamos uma área, o jogo salva – ótimo para jogadores que têm preguiça de salvar o progresso.

Algo muito frustrante no original era relacionado aos Espers (as Summons). Agora, nessa nova versão, podemos ter controle deles diretamente, podendo até alterar os Gambits e mesmo usar os seus limit breaks à vontade, sem depender daquelas condições ridículas de outrora, que faziam eles serem super inúteis. Falando em controle de personagem, podemos controlar os convidados também. Só não dá para tirar seus equipamentos, mas se quisermos jogar com Larsa, Redas e a turma, podemos aproveitar!

Existem ainda alguns Gambits novos. Para quem não sabe, os Gambits são automações que o jogador pode programar no menu, fazendo com que os combatentes usem as melhores táticas nas mais diversas situações. No começo pode parecer confuso, mas depois que pegar o jeito, você vai desejar que tivesse isso em todos os RPGs. É um sistema fantástico com o qual, com um pouco de paciência, conseguirá fazer um time que jogue praticamente sozinho – e isso é extremamente gratificante.

Os Quickenings (Limit Breaks) agora possuem uma barra própria e não dependem mais do MP para soltar. Falando em limites, em The Zodiac Age não existe mais um limite arbitrário de dano, podendo exceder facilmente os 9999 que eram impostos no original, algo que fará os jogadores usarem mais magias, pois no original era muito mais conveniente simplesmente ficar atacando. Batalhas contra monstros, como Yiazmat (que tem 50 milhões de HP!!!), serão bem mais tranquilas, mas lembre-se que esse limite é válido para ambos os lados, então não dê bobeira.

The Zodiac Age também conta com 3 modos novos de jogo: o New Game + Strong Mode, em que começamos um novo jogo com level 90; o New Game + Weak Mode, no qual começamos no level 1 e não há como subir de nível; e, por fim, o Trial Mode, que é uma espécie de arena com 100 batalhas consecutivas e no final enfrentamos os 4 juízes ao mesmo tempo – nem preciso dizer que esse modo é só para aqueles que estão preparados, certo?

Existem diversas outras pequenas mudanças, como tipos de magia, novos itens, equipamentos e por aí vai… Tudo feito para deixar a experiência ainda mais completa e sem besteiradas, como as condições absurdas para obter a Zodiac Spear. Depois de jogar essa versão, simplesmente não tem mais como voltar para o original. The Zodiac Age pega todos os problemas que existiam e corrige da melhor forma possível.

O ATO FINAL

Mais balanceado, com load times mais rápidos e tantas novidades. Tudo isso faz com que este seja um dos melhores lançamentos do ano e um exemplo a ser seguido em matéria de remaster/remake. Final Fantasy XII: The Zodiac Age é perfeito para quem nunca jogou e para veteranos, pois as novidades compensam o preço do pacote. Um RPG divertido que, apesar de ter uma história fraca, tem todo o resto impecável.

Pontos Positivos

  • Gráficos e interface com qualidade exemplar
  • Ajustes essenciais no gameplay
  • Som excelente

Pontos Negativos

  • História continua aquele sonífero
  • Vaan e Penelo
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.