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vgBR.com – Videogames Brasil | 21 de novembro de 2017

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Blood Bowl 2: Legendary Edition – Análise

Pedro Kakaz

Review

RPG tático de futebol americano (!!!)

Blood Bowl 2 não é perfeito, mas ganha no carisma. Um game de estratégia que bebe da fonte dos RPGs táticos com mecânicas interessantes, muita violência e aleatoriedade caótica

Blood Bowl 2 é um game que mistura futebol americano com estratégia em turnos e elementos de RPG, baseado no universo de Warhammer, o game foi desenvolvido pela Cyanide Studios e distribuído pela Focus Home Interactive, está disponível para PS4, Xbox One e PC.

Sou um nerd que nunca tocou em nada relacionado a esporte, seja na TV, pessoalmente ou no video game. Games como FIFA, Gran Turismo, NBA, nunca passaram nem perto da minha estante de jogos. Não tenho ódio ou desgosto, apenas falta interesse em um gênero que não me apetece. Bem, até Blood Bowl 2 aparecer para mim.

Começar falando do game por um aspecto inesperado em um jogo do gênero: enredo. Obviamente não há uma história com reviravoltas e cutscenes épicas mas essa não é a proposta. Porém para minha grata surpresa existe uma campanha offline, com um modo single competente que entrega personagens carismáticos como narradores e um desenvolvimento de um time que estava há muito sumido depois de um extermínio dos campos. Dentro das proporções o game é competente em um modo campanha que nem precisava estar ali. Um ponto negativo desse modo é que ele deveria também ensinar a mecânica do game para os mais desavisados (como eu) mas faz isso porcamente. Não sou a favor de tutoriais cansativos e explicativos, mas um game desse com uma mecânica complexa e interessante não merecia um tutorial tão jogado e superficial. Chegou a me frustar como o jogo é simplório ao explicar a forma que o jogador deve agir e as estratégias básicas e até Dark Souls que é um game propositalmente punitivo te ensina os comandos e os conceitos básicos antes de te jogar na fogueira.

Foi só após insistir um tempo para compreender a mecânica que eu a absorvi. O game é extramente baseado em RPG de mesa, os turnos estão ali, os dados estão ali, os modificadores de dados e poderes de re-rolagem, números de atributos dos jogadores que em um embate resolvem um empate entre outros elementos. Não só isso mas o universo de Warhammer é o que faz o recheio do bolo com uma partida de futebol americano jogada por criaturas como Orcs, Anões, Elfos, criaturas do Caos, entre outros. Não só todo um estofo de RPG se faz presente mas a violência funciona como um extra, dispensável mas que quando vemos a primeira vez não conseguimos imaginar o jogo sem ela. Pense em um coliseu de criaturas fantásticas que se enfrentam até a morte em um jogo de futebol americano. É basicamente isso.

Minha análise agora vai ter um foco no modo multiplayer que é o chamariz principal do game. Você vai criar e administrar seu próprio time, ganhando experiência e fazendo melhorias, desbloqueando novas habilidades para seus jogadores, etc…

O porém disso tudo é a magia do modo online. Estamos acostumados a evoluir em um jogo online, melhorar nossos personagens, no caso nosso time, mas aqui cada perda é fatal. Se um jogador seu morrer em campo ele não volta mais e acredite, isso não é raro de acontecer. Então sabe aquele personagem que você se apegou? Com um visual incrível, habilidades únicas? Ele vai morrer de forma trágica quando você menos esperar, pois aqui o esporte é brutal e não perdoa.

O objetivo é simples, fazer o maior número de Touchdowns possíveis, simplesmente levando a bola até a outra extremidade do campo. Este funciona como um tabuleiro imenso, onde posicionamos nossos jogadores estrategicamente do nosso lado para minar os movimentos do inimigo. Cada jogador tem seu turno onde pode realizar um número limitado de movimentos que podem ser distribuídos da forma que quisermos. Podemos usar tudo em um jogador habilidoso e único ou dividir em três ou quatros personagens para criar uma armadilha. O campo se divide em áreas de ameaça e em volta de um personagem inimigo a área de ameaça é grande e vemos qual a porcentagem de tomarmos um ataque de oportunidade e se vamos ou não escapar, se um movimento arriscado será bem sucedido e até se um passe de bola pode ser fatal. Como o jogo é em turnos isso da uma dinâmica muito própria e se você curte RPGs mais dinâmicos ou jogos de esportes intensos esse aqui não é seu lugar, pois Blood Bowl 2 é um xadrez em sua própria forma.

As probabilidades dos dados aqui devem ser levadas em conta como num jogo de RPG de mesa e saber o momento de arriscar um movimento onde a porcentagem é de 35% de sucesso é crucial, porém abusar da sorte pode ser fatal e até um movimento com grandes chances de sucesso irá falhar vez ou outra. Esse fator aleatório dá uma dinâmica que irá afastar muitos jogadores mais sisudos, afinal ninguém quer ter uma estratégia brilhante destruída pelo acaso. É por isso que a casualidade aqui não é um ponto positivo tampouco negativo. Vai do cliente, curte a emoção de rolar dados? Essa resposta é crucial para saber se a compra do game será realizada ou não.

Os gráficos não são perfeitos, mas a modelagem dos personagens e o carisma do visual do game me ganhou completamente. Temos um visual meio Warcraft 3, personagem bem caricatos, Orcs com ombros bem largos, Anões baixos, bem gordos e barbudos ao extremo, é sensacional. Fora os campos, todos temáticos com narração divertida no modo campanha, tudo cheio de personalidade. Mas graficistas podem reclamar da falta de efeitos, sombra e iluminação, falta de variedade de movimento nos ataques entre outros aspectos um pouco negativos. Mas logo esqueci desses detalhes quando um Goblin invadiu o campo com um maquinário absurdo e o jogo cria reviravoltas de tirar o folego em uma partida acirrada.

O jogo não está em português e somando isso ao fato das regras e mecânicas serem mal explicadas temos um grande ponto negativo que vai dificultar o acesso ao público brasileiro. Porém a dublagem em inglês é ótima, trilha sonora maravilhosa e empolgante e linhas de diálogo do modo single muito divertidas. É realmente uma pena que não serão todos que terão o prazer de aproveita-las.

Blood Bowl 2 não é perfeito, mas ganha no carisma. Um game de estratégia que bebe da fonte certa com mecânicas interessantes e aleatoriedade caótica.

Pontos Positivos

  • Divertido, carismático, mecânica polida
  • O modo campanha é bem interessante
  • RPG tático com futebol americano é uma mistura inusitada mas que acaba dando certo

Pontos Negativos

  • Falta de um tutorial mais elaborado
  • Gráficos poderiam ser melhores
  • Não tem nenhuma localização em português
Pedro Kakaz

Pedro Kakaz

Pedro Kakaz é apaixonado por Dark Souls, eterno hero of time, jogador de Dota que ama o trabalho que faz.