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vgBR.com – Videogames Brasil | 15 de dezembro de 2017

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Um Comentário

Marvel vs Capcom Infinite – Análise

Marvel vs Capcom Infinite – Análise
  • Em 18 de setembro de 2017
  • http://www.vgbr.com/

Review

Marvel vs Capcom está de volta!

A apresentação peca com o estilo gráfico de alguns personagens, mas se você é fã da série pode comprar sem medo pois é um jogo de luta sólido com gameplay de qualidade e muito conteúdo

A série Marvel vs Capcom surgiu de uma “brincadeira” que começou em 1994 no primeiro jogo de luta da Capcom licenciado com personagens da MarvelX-Men: Children of the Atom colocou Akuma/Gouki como um lutador secreto entre os mutantes e implantou a semente que 2 anos depois daria fruto em X-Men vs Street Fighter, primeiro crossover oficial e o encontro dos dois mundos.

Se na época a ideia de reunir 2 universos de mídias diferentes parecia meio maluca, a execução da série sempre com jogabilidade impecável pela gloriosa Capcom apagou qualquer estranheza e nos acostumamos a ver Street Fighters lutando lado a lado com heróis e vilões da Casa das Ideias.

A série consagrou-se tomando os quadrinhos como material fonte no estilo gráfico e mantendo alguma fidelidade em relação as sagas que estavam em alta na época. Detalhes como Massacre sendo o chefão no primeiro game da série ou a opção de escolher Wolverine com garras de ossos em Marvel vs Capcom 2 refletindo a situação do mutante quando teve o adamantium de seus esqueleto arrancado por Magneto, ganharam os fãs da Marvel e garantiram à franquia uma fanbase das mais apaixonadas.

Seguindo essa tendência parece uma escolha óbvia que Marvel vs Capcom: Infinite adote um estilo diferente ao utilizado na série até hoje, atualizando o lado da Marvel com uma pegada do universo cinematográfico. E isso reflete no jogo em três aspectos importantes.

Pela primeira vez na série não temos nenhum mutante, graças as decisões estratégicas da Marvel em não dar mais destaque para as franquias que a empresa não possui direitos de explorar no cinema. O segundo é o cenário e ambientação dessa versão que resgata as Jóias do Infinito (já usadas em Marvel Super Heroes) para uma roupagem mais moderna visando aumentar o hype para o próximo filme dos Vingadores nos cinemas.

O terceiro e maior impacto: O visual. Esqueça os gráficos cartoon estilo HQ pois Marvel vs Capcom: Infinite adota um estilo artístico mais realista, com um 3D que mais parece tirado de animações estreitando a ponte entre os quadrinhos e universo cinematográfico de uma vez por todas.

Como é? Não tem o Wolverine?

A ausência dos X-Men foi duramente criticada pelos fãs de longa data. A maneira como os executivos da Marvel tentaram diminuir a importância dos mutantes pareceu ignorar que a maioria dos fãs ainda se lembrava de que a série havia nascido com X-Men vs Street Fighter.

Felizmente passada a estranheza inicial de estar jogando um Marvel vs Capcom sem Magneto ou Wolverine, os veteranos vão gostar de saber que a jogabilidade buscou voltar as origens do primeiro game, diminuindo a velocidade das lutas e reduzindo os trios para duplas.

Essa mudança foi mais do que bem vinda e quebrou o ritmo de personagens pulando ou saindo freneticamente da batalha. As lutas duram mais e tudo é mais cadenciado, ainda num ritmo alucinado, mas menos do que era em Ultimate Marvel vs Capcom 3.

O panteão de lutadores é diversificado e temos muitos combatentes retornando da última versão como Motoqueiro Fantasma, Nemesis, Dr. Estranho e alguns estreantes como Ultron, Mega Man X, Jedah, Gamora, Thanos (com golpes diferentes de sua versão de Marvel Super Heroes) e outros seis novos prometidos para o primeiro DLC que sai ainda esse ano sendo eles: Sigma, Pantera Negra, Monster Hunter, Soldado Invernal, Viúva Negra e Venom.

Jóias do Infinito

A jogabilidade mantém o padrão de Soco e Chute com variáveis de fraco e forte, além do poder da gema e um botão de troca. A diferença em Infinite começa pela escolha de qual das gemas do infinito você irá utilizar antes da batalha. Você ficará com sua gema até o fim da luta (sem possibilidade de perder a joia) e tem duas habilidades com cada uma das 6 pedras. Com L1 você utiliza de forma ilimitada um poder específico de cada gema e ao preencher a barra da joia acima de 50% você pode ativar a Tempestade do Infinito com L1+R1, que utiliza o poder máximo da joia escolhida.

A troca de personagens também mudou e o seu personagem entra na luta com uma pequena janela de invencibilidade, abrindo possibilidades de ampliar seus combos e facilitando a fuga em situações de aperto. O Advancing Guard, técnica de apertar 2 botões de soco na defesa para manter sua posição e empurrar o oponente, ainda existe e recebeu uma nova variante. Fazendo o comando no exato momento da defesa é possível devolver os projéteis disparados contra você.

Visando facilitar o acesso de novos fãs ao jogo, a Capcom introduziu um sistema de combos rápidos denominado Auto Combo, similar ao Rush Combo de The King of Fighters XIV. Basta uma sequência de hits no botão de soco fraco que você aplica um combo até o momento do launcher e a partir daí pode finalizá-lo como quiser. É uma boa adição que permite que novatos consigam usar o sistema principal de combos do jogo e prejudica menos a mecânica do que em KOF XIV, já que o dano causado pelo Auto Combo não é elevado, sendo mais uma forma de você iniciar as sequências maiores. Nas facilidades implementadas também temos um sistema de Easy Hyper Combo, onde você consegue soltar os super golpes mais apertando somente Soco Forte e Chute Forte.

Até agora tudo ótimo. O gameplay continua muito sólido e divertido e as ferramentas implementadas realmente ajudam os novatos a criarem mais combos e deixam as partidas mais bonitas de assistir. A Capcom é uma veterana dos jogos de luta e isso fica bem evidente desde os primeiros momentos com o jogo. Tudo funciona como deveria e a jogabilidade é uma evolução de tudo que a série apresentou até hoje.

Modo Estória (sim com E)

A novidade no conteúdo fica por conta do novo modo Estória (sempre acho essa forma de escrever muito esquisita) que apresenta uma pequena campanha com duração aproximada de 3 horas e desenvolve o enredo e justifica a fusão dos dois universos apresentando um novo antagonista: Ultron Sigma.

O enredo não é exatamente brilhante, mas diverte e passa a impressão de estarmos assistindo a um dos desenhos animados da Marvel, com muitos personagens e pouco tempo de tela para conseguir desenvolver tudo de maneira mais completa, dando uma visão superficial de quem são e o que representam, sem nunca se aprofundar muito na individualidade deles. Mesmo assim o material fonte é bem utilizado e espere ver muitas referências inteligentes dos quadrinhos e dos jogos antigos da Capcom. O mais chato mesmo é aguentar Tony Stark fazendo piadinhas sem graça frente ao perigo o tempo todo.

Mas o maior problema do jogo se agrava justamente nesse modo, graças a mudança no estilo visual adotado citada mais acima no texto. Pela primeira vez na série, os personagens clássicos que conhecemos por décadas e tanto amamos estão esquisitos, descaracterizados ou muitas vezes simplesmente… feios. O estilo visual mais realista de Marvel vs Capcom Infinite não parece encaixar muito bem com o jogo e alguns dos modelos utilizados não estão exatamente no nível de qualidade que esperamos da Capcom. Muitos personagens apresentam modelos sem expressão durante as cutscenes do modo Estória. A novata Gamora é um desses exemplos ficando com seus olhos estranhamente estáticos durante as cenas, o que prejudica bastante a imersão, mas a verdade é que Chris Redfield, Capitão América e outros personagens também ficaram meio esquisitos e já tiveram modelos melhores em jogos mais antigos.

Não me entenda errado. Marvel vs Capcom Infinite não é um jogo feio de maneira alguma. Na realidade é tecnicamente impecável com efeitos de luz, sombras, explosões, flashes e tudo que remete ao que já vimos na série Versus no passado rodando em 1080p e 60 quadros travados em todas as plataformas, como você esperaria da Capcom num jogo do gênero que a consagrou. A versão de PC é ainda mais impressionante, pois além da opção de jogar em resoluções de até 4k, é um jogo relativamente leve, rodando com todos efeitos no máximo sem quedas de quadros em nosso PC de testes equipado com uma GeForce GTX 1050 e processador Intel Core i7 6700k.

O problema é pontual e refere-se a alguns dos modelos durante as cenas da história cinematográfica, que destoam dos demais e não fazem jus ao que a empresa já apresentou em outras produções. É algo bem específico, pois no geral roupas e armaduras possuem ótimas texturas e qualquer personagem que não seja humano ficou bem representado. Temos aqui o melhor modelo do Motoqueiro Fantasma já visto num jogo por exemplo. Mas os humanos no geral ficaram esquisitos e o estilo gráfico se perdeu em meio ao realismo e ao cartoon não ficando agradável aos olhos para fãs de nenhum dos traços.

Ao adotar o realismo em seu jogo, a Capcom força inevitavelmente a comparação com Injustice 2 e pela primeira vez ouso dizer que perde a disputa em relação ao jogo mais bonito, justamente por fugir do material fonte das HQs e abraçar o universo cinematográfico da Marvel.

Felizmente isso é um problema que pode ser corrigido, visto que o modelo da Chun-Li apresentado na versão demo era bem problemático, mas foi melhorado para a versão final. Dessa forma, resta torcer para que outros personagens também recebam atualizações para melhorar a apresentação geral do game.

Modelo da Chun-Li na demo a esquerda e na versão final a direita

Os modos online estão funcionando bem mas a versão PS4 tem mais facilidades de encontrar partidas do que a versão PC, que conta com poucos jogadores e consequentemente menos partidas disponíveis para o Versus.

Marvel vs Capcom Infinite entrega um jogo de luta sólido com gameplay de qualidade e uma das melhores apresentações gerais da série que infelizmente sai um pouco prejudicada pelo estilo gráfico adotado ser muito instável e não funcionar tão bem para todos personagens. Mesmo assim, se você é fã da série pode comprar sem medo pois é um pacote recheado de conteúdo de qualidade para os fãs dos dois universos.

Os códigos de review foram cedidos pela Capcom na versão PS4 e em parceria com a NVIDIA para a versão PC.

Pontos Positivos

  • Jogabilidade excepcional
  • Modo Estória divertido
  • Novo sistema das Joias traz infinitas possibilidades para as lutas

Pontos Negativos

  • Alguns modelos de personagens estão bem esquisitos
  • Trilha sonora meio genérica deixa a desejar

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.