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vgBR.com – Videogames Brasil | 20 de outubro de 2017

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Battle Chasers: Nightwar – Análise

Battle Chasers: Nightwar – Análise
David Signorelli

Review

RPG clássico com arte única

Baseado nas antigas HQs, Battle Chasers Nightwar foi uma surpresa. Com estilo clássico de turnos e arte única, o jogo diverte bastante e traz 50 horas de aventuras.

Battle Chasers foi uma série de quadrinhos bem popular que teve sua tiragem entre 1998 e 2001, ela foi publicada no Brasil somente em 2004 pela Mythos Editora.

Criado pelo desenhista Joe Madureira, Battle Chasers apresenta uma rica mistura de fantasia e ciência em um universo bem colorido. Curiosamente ele nunca foi concluído pois Madureira saiu da indústria dos quadrinhos e foi fazer jogos. Uma de suas obras mais conhecidas é a série Darksiders que teve início na geração passada.

E quanto a Nightwar?  O jogo foi um projeto de 30 dias no Kickstarter e se trata de um RPG estilo os japoneses clássicos de turno, que serve de continuação para a obra em quadrinhos que foi supostamente abandonada. O jogo foi lançado para PC, Mac, Xbox One e Playstation 4, e há uma versão para Nintendo Switch nos planos.

História

Antes de mais nada é importante dizer que Nightwar pode ser jogado independentemente de conhecimento dos quadrinhos visto que tudo é revelado com cenas no estilo HQ e ele começa logo depois do fim da série original. Eu nunca tinha ouvido falar de Battle Chasers e ainda sim consegui entender perfeitamente a história. Tudo é muito bem contado e confesso que me despertou um interesse em ir atrás dos quadrinhos pois é realmente um universo bem construído.

Na história nosso herói Aramus é dado como desaparecido. Ele fez uma jornada até a Grande Muralha de Névoa que se estende através das Águas do Oeste conhecidas como a Linha Cinza. Nunca mais se soube sobre paradeiro dele, forçando Gully, sua filha, a finalizar sua missão. Acompanhando Gully nessa jornada contamos com um grupo de heróis bem distintos.

Callibretto, um Golem, Red Monika uma foragida da lei e o velho mago Knolan. A aventura de fato começa logo após um ataque aéreo contra os heróis pelas forças inimigas, fazendo com que eles colidam no Continente Perdido. O grupo é dividido e eles precisam se juntar novamente e achar um jeito de ir mais a fundo na Linha Cinza. O jogo está localizado com legendas em português e isso é uma ótima notícia para os jogadores brasileiros.

Gráficos

Logo no começo somos presenteados com uma abertura produzida pelo estúdio Powerhouse (o mesmo que produziu a série Castlevania para Netflix) e ele já dá o tom do que podemos esperar da arte de Nightwar, com uma animação muito empolgante.

Os gráficos do jogo em si são bem feitos e só achei que os ambientes num geral são muito escuros e isso esconde um pouco certos artefatos. O jogo tem uma visão de cima, permitindo que os jogadores consigam prever os desafios que os espreitam, isso na parte de exploração.

Nas batalhas a coisa muda de figura. Aqui contamos com uma visão estilo Final Fantasy VI, de “lado” com os heróis na esquerda e os inimigos na direita. Os personagens são todos 3D e contam com uma variedade de animação bem grande para seus ataques especiais. Realmente a equipe teve um cuidado bem especial neste departamento.

A interface é razoável e ainda tem um pouco de delay, principalmente nos menus de status, algo que simplesmente não consigo compreender. Outro problema grave são os loadings antes dos combates. A grande maioria é bem rápido, mas já ocorreu de levar um bom tempo para carregar, isso normalmente após algum evento ou mesmo dormir no hotel. Não sei ao certo se tem alguma relação porém é cansativo.

Som

A trilha sonora de Nightwar foi composta por Jesper Kyd (conhecido pelo seu trabalho na série Assassin’s Creed) e o novato no ramo das músicas de videogame, Clark Powell. O que ouvimos aqui é uma trilha que serve simplesmente para ter um fundo musical e são poucas as faixas que se destacam. Não digo que fiquei decepcionado pois não esperava muito mesmo, mas se tratando de um RPG é esquisito não ter uma melodia sequer que fique ecoando na minha cabeça mesmo depois de desligar o jogo.

Dublagem e efeitos sonoros modestos completam o pacote sonoro de Nightwar. Num geral dá para dizer que é um trabalho competente, mas não excelente.

Jogabilidade

Nightwar é um jogo bem completo, para nenhum fã de RPG colocar defeito. Contamos com lindas dungeons criadas aleatoriamente, cheias de armadilhas, quebra-cabeças, segredos e loot. Fora das dungeons nós temos um mapa segmentado lotado de dungeons secretas, chefes raros e inclusive inimigos que aparecem do nada.

O combate é o já clássico sistema de turnos inspirados pelos mais famosos jogos do gênero como Final Fantasy, porém com uma forte identidade nas suas mecânicas. Existe muita estratégia neste jogo, fiquei impressionado que logo nas primeiras horas já temos uma quantidade bem grande de habilidades que fazem toda a diferença, ao contrário de vários RPGs onde os personagens aprendem um monte de inutilidades que nunca são usadas.

Você pode montar sua equipe escolhendo 3 dos 6 heróis disponíveis vindo diretamente das histórias em quadrinhos, cada um com suas habilidades únicas, vantagens, itens e artimanhas de dungeon. Dá para perder um tempão só brincando de customizar sua equipe, é realmente muito divertido.

O jogo também conta com um profundo sistema de craft e pescaria. Sim, todo RPG que se preza (ainda mais inspirado nos JRPGs) tem que ter um mini-game de pescaria. Só que nele você pode conseguir itens únicos, compensando bastante gastar seu tempo pescando aquele peixão!

Veredito

Battle Chasers Nightwar foi uma surpresa. O jogo diverte bastante e tem um bom valor para o preço que é praticado. Para fazer tudo no jogo diria que umas 50 horas é o suficiente, o que tá de muito bom tamanho! Para quem é fã de RPG e quadrinhos, é obrigatório, ainda mais que jogos com esse estilo de arte estão cada vez mais raros.

Pontos Positivos

  • Arte muito bonita e a apresentação como um todo bem competente
  • Combate extremamente divertido
  • Customização fácil e recompensadora

Pontos Negativos

  • Som sem destaque algum
  • Loadings antes dos combates incomodam um pouco
  • Podia ser um pouco mais difícil
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.