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vgBR.com – Videogames Brasil | 19 de novembro de 2017

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Um Comentário

Assassin’s Creed Origins – Análise

Assassin’s Creed Origins – Análise
Lucas Pitchinin

Review

Assassin's Creed retorna ao auge

Conseguindo trazer de volta o interesse na série, Assassin’s Creed Origins inova e acerta em diversos pontos, removendo frustrações e mantendo o espírito da franquia.

Após dois merecidos anos de descanso, a Ubisoft traz de volta a sua maior série de jogos, com o novo Assassin’s Creed Origins, em uma sequência ambiciosa para a franquia.

Dessa vez o jogo inova muito e dá grandes passos em comparação ao seus antecessores, passando pela maior mudança que a série já teve desde seu lançamento em 2007. Origins traz o conceito de mundo aberto à série e também introduz uma progressão de RPG, mudando completamente o seu antigo e famoso sistema de combate. Na parte da história grande parte do jogo se passa no Egito, antes dos outros jogos títulos, contando a origem da Ordem dos Assassinos.

História

A história é guiada com o personagem principal, Bayek, em busca de vingança. Durante a campanha, ele se vê envolvido em tramas políticas que marcaram a transição de poder do Egito para as mãos de Cleópatra. Bayek também conhece e interage com outras grandes figuras históricas, que têm grandes influências em suas ações e no desenrolar da narrativa. Ele enfrenta as forças da Ordem dos Anciões, que antecedem a criação da Ordem dos Templários e que controlam e governam o Egito. Os vilões e personagens são muito bem representados e a maioria deles tem suas ações muito bem explicadas na história. Com isso tudo, você facilmente se questionará sobre quem está no lado certo ou errado da trama. Já os fãs que gostam da história dos dias atuais, podem ficar tranquilos pois ela continua de uma maneira interessante e consegue trazer de volta o interesse perdido nos últimos jogos.

Gráficos

O jogo está muito lindo e os gráficos estão demais. Com HDR ligado, a luz do sol batendo nas estruturas e areias do Egito vão te deixar impressionado. O mapa é gigantesco e possui uma grande variedade de arquiteturas, cenários e cidades históricas. Dessa vez não é necessário passar por telas de carregamento para ir de um local ao outro e praticamente todo o mapa está acessível logo de cara, sendo possível explorá-lo à vontade. Apesar de ser um único grande mapa, o jogo não peca na variedade de cenários. Em nenhum momento senti que explorar estava repetitivo ou que um cenário era parecido com outro.

Passatempos

Outro ponto interessante é que a série se livrou do minimapa tradicional e adotou uma bússola em formato de régua, semelhante aos jogos Skyrim e Horizon: Zero Dawn. Em Assassin’s Creed Origins, não existem baús genéricos espalhados pelo mapa inteiro. Ao invés disso, o jogo apresenta diversas maneiras interessantes de fazer com o que o jogador explore o mapa. Existem muitas missões e atividades secundárias que nunca são repetitivas, graças as variedades de objetivos e a remoção de diversos fatores de frustração que existiam nos jogos passados. Por exemplo, missões onde existiam condições para game over instantâneo foram removidas e quase todas dão a chance do jogador escolher a forma que quer chegar no objetivo. Vale mencionar também que foi dado uma grande atenção nas missões secundárias. A grande maioria delas apresentam uma história interessante, semelhante ao que vimos em The Witcher 3.

Levei cerca de 30 horas para finalizar o jogo, porém não apenas jogando a campanha principal, mas por ser necessário realizar diversas missões secundárias para atingir o nível recomendado. Isso aconteceu com uma grande frequência, a ponto de ter que realizar missões secundárias de níveis muito abaixo do meu atual. Acredito que quem queira jogar apenas pela história principal pode acabar se frustrando um pouco nessas horas. Em compensação existem diversas atividades que também concedem experiência e dificilmente você vai sentir como se tivesse fazendo mais do mesmo. Quem gosta de se divertir um pouco entre partes da história com toda certeza não passará por esse problema.

Passando de Nível?

A progressão, dificuldade dos inimigos e as armas estão interligadas à parte RPG do jogo. Realizar ações como, matar inimigos, descobrir novos lugares e completar missões concede experiência, que acumulada o suficiente, concede um nível e um ponto de habilidade que podem ser trocados por habilidades que ajudam no combate e na coleta de recursos. Todas as missões possuem níveis recomendados e a maioria das principais têm o nível muito acima do seu atual quando são liberadas. Isso faz com que obrigatoriamente você tenha que fazer atividades secundárias para conseguir o nível recomendado.

Um dos maiores pontos negativos do lado RPG do jogo, é nas partes de furtividade. Nem sempre utilizar a Lâmina Oculta garante matar um alvo. Isso pode parecer meio estranho para os veteranos da série e pode ser frustrante tentar assassinar furtivamente um alvo com nível maior.

Já o sistema de itens de Origins é semelhante a jogos como Diablo e Destiny, onde as armas possuem o nível para uso, dano, efeitos diferenciados e raridade. Mas ao contrário dos jogos mencionados, conseguir itens no jogo não tem o mesmo apelo emocional. As armas lendárias aparecem com grande frequência e elas podem ser melhoradas para manter o seu nível atual. Isso faz com que você não tenha motivos para trocar de armas, a não ser pela variedade de jogo que a arma traz. Já no caso das armaduras e roupas, elas são pouquíssimas e não afetam no personagem, apenas na parte visual.

Assim como em outros Assassin’s Creed, o jogo também apresenta uma loja onde é possível comprar aceleradores de jogo, recursos, mapas e roupas. Porém, como dito antes, as armas aparecem em grande abundância e as roupas não afetam os atributos do jogo. Então essa parte da loja é completamente ignorável, senão pelo fato de aparecer em momentos importunos.

Mundo Aberto

Explorar o cenário está muito mais dinâmico graças a todas as mudanças feitas no jogo. Escalar, andar e pular sobre obstáculos está mais divertido do que nunca, já que o jogo também melhorou muito nessa questão. O único problema que vale mencionar é que senti falta de um botão para correr. A pé ou mesmo no cavalo, na maior parte do tempo senti a necessidade de correr mais rápido e não foi possível. Bayek e o cavalo sempre correm ao segurar o cursor em uma direção, mas a velocidade da corrida parece muito mais lenta do que deveria ser.

Diferente também dos outros jogos, a exploração parece mais dinâmica, em consequência do mundo mais aberto. Descobrir locais e explorar regiões parece algo mais orgânico, ao contrário de ter que subir em pontos chaves para revelá-los. Você pode explorar as regiões a pé com maior mobilidade ou segurar um botão para chamar o seu cavalo e assim ter assim maior velocidade.

Combate

O combate foi totalmente redesenhado. A série que foi uma das precursoras do combate do estilo de Batman: Arkham Asylum, abandona uma das suas maiores características para arriscar em um combate mais difícil e dinâmico. Diferente dos outros jogos, agora, se sua arma encostar em diversos inimigos, todos recebem dano. Não existe mais o botão para contra-ataque e mais de um inimigo pode atacar ao mesmo tempo. É possível utilizar um escudo para defender os ataques inimigos e a esquiva funciona apenas para se reposicionar, não o deixando vulnerável durante a execução. Também é possível travar a mira em um inimigo e trocar de alvo travado. Todas essas mudanças deixaram o combate mais difícil, porém, mais recompensador. O único momento que o combate parece não funcionar direito é quando o jogo apresenta muitos inimigos ao mesmo tempo. Nessas horas a melhor opção é correr ou lutar sem a câmera travada em um alvo.

Bugs

De modo geral, Origins parece apresentar mais bugs do que a série normalmente apresenta no lançamento. Vale comentar que a análise foi feita já com a atualização do primeiro dia. Mesmo assim ocorreram diversos bugs, alguns deles engraçados, porém, em duas cenas o jogo não apresentou o áudio dos diálogos e em seguida o crashou. Nenhum desses problemas fez com que a experiência final do jogo fosse afetada e acredito que a Ubisoft deve resolve-los em breve. Pela grandeza do título e a grande mudança que a série passou parece até normal que aconteçam esses tipo de problemas no lançamento.

Veretido

Conseguindo trazer de volta o interesse na série, Assassin’s Creed Origins inova e acerta em diversos pontos, removendo frustrações e mantendo o espírito da franquia. A mudança do combate trouxe um ar fresco ao jogo, trocando o que antes era um pouco repetitivo para algo mais desafiador. A introdução de elementos de RPG e a ida para mundo aberto sem telas de carregamento deixam um futuro muito promissor à série. A espera de dois anos para um novo jogo valeu muito a pena.

Pontos Positivos

  • Combate Desafiante
  • Boas Missões Secundárias
  • Mundo Aberto sem Carregamentos
  • Protagonista e Vilões Interessantes

Pontos Negativos

  • Diversos bugs
  • Alguns elementos de RPGs não casam com a série
  • Requerimento de nível para as missões principais
Lucas Pitchinin

Lucas Pitchinin

Mais conhecido como Pitcher, trabalha como game designer e está sempre ajudando amigos a pegar level nos jogos.

  • Ótimo review, fiquei até interessado em jogar, apesar de não curtir muito a série. Talvez por não ter jogado os primeiros tenha perdido a nata da série, vou ver se jogo esse.