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vgBR.com – Videogames Brasil | 19 de novembro de 2017

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Um Comentário

.hack//G.U. Last Recode – Análise

.hack//G.U. Last Recode – Análise
David Signorelli

Review

MMORPG Virtual

Ótimo enredo e jogabilidade além de melhorias em gráficos, taxa de quadros e até mesmo nas cenas em CG. Se você gosta de JRPGs, dê uma chance, pois o remaster é de qualidade e o game vale a pena.

.hack//G.U. Last Recode é uma remasterização para PS4 e PC na Steam da série .hack//G.U. desenvolvida pela CyberConnect2 que foi lançada para PlayStation 2 originalmente entre 2006 e 2007.

Curiosamente o jogo se passa em 2017 que é o ano que nós estamos, cenário que parecia tão distante para aqueles que, como eu, puderam curtir o G.U. original na época.

É praticamente impossível falar de .hack sem mencionar o projeto como um todo. Antes de existir G.U. foram lançados diversos produtos de diversas mídias diferentes; jogos, anime, mangás e todos esses, de uma forma ou outra, fazem parte do mesmo universo e contribuem para os acontecimentos de G.U.

Eu tive contato com .hack primeiramente em .hack//SIGN, a primeira série animada do projeto. Era bem interessante e todo o conceito dos jogadores/personagens viverem intensamente um MMORPG chamado The World(grave esse nome) foi apresentado aqui. O anime era meio paradão, diria que até um pouco sonolento, mas a trilha sonora assinada por Yuji Kajiura detonava e perto do fim a série mostra a que veio, um desfecho marcante que fez muitos ansiarem por mais. Um pouco de curiosidade pra vocês: um dos personagens de SIGN(do grupo de vilões por sinal) é controlado pela mesma pessoa que controla o nosso “herói” de G.U, Haseo.

Logo depois é lançado o primeiro jogo de 4 volumes, .hack//INFECTION para PlayStation 2 não era nenhum primor, era um pouco repetitivo, mas me diverti demais, pelo menos os 3 primeiros volumes. Quando chegou no 4 eu já estava um pouco saturado dos sistemas como combate e exploração de dungeons. Vale lembrar que cada um dos volumes vinham com um DVD extra(.hack//LIMINALITY) que mostrava um pouco dos acontecimentos no mundo real, explicando o que estava acontecendo com os jogadores. Essas coisas que me fascinavam em .hack, existir todo um universo paralelo que, no caso, o universo paralelo é justamente o nosso e que por trás daqueles personagens existem pessoas de verdade, normais, com seus problemas, necessidades e defeitos.

Como fiquei desligado da série por alguns anos, fiquei curioso para saber o que tinha saído de .hack nesse meio tempo. Descubro que tivemos um anime meio paródia com personagens chibi(crianças) chamado Legend of the Twilight, bem chato, não-canônico e um outro chamado .hack//ROOTS.

ROOTS conta a história antes dos acontecimentos de G.U. Nele é apresentado a versão R:2 do “The World”, a primeira versão do famoso MMORPG fictício foi encerrada depois de processos contra a empresa que o desenvolveu sob alegação de induzir jogadores ao vício, ao coma e consequentemente a morte de alguns. R:2 é completamente diferente e muita gente volta a joga-lo, nele conhecemos melhor como foi o primeiro contato de Haseo com seus amigos e o motivo dele ter se tornado conhecido como “Terror of Death”, o PPK(Player-Killer Killer).

Chegamos em 2017, praticamente uma década depois e somos presenteados com uma versão remasterizada de G.U. chamada de Last Recode contendo todos os 3 volumes e um 4º chamado RECONNECTION. Mal pude acreditar no que estava acontecendo, depois de G.U. a série foi praticamente esquecida e como um bom fã sonhei com uma versão para o PlayStation 3 que nunca existiu.

Fiquei feliz demais com esse anúncio e finalmente nos últimos dias pude jogar com Haseo novamente, só que agora com muitas melhorias que tornaram o que já era excelente ainda melhor.

BEM-VINDO AO “THE WORLD”

Na sua primeira aventura em “The World” R:2 Haseo foi atacado por assassinos de jogadores, conhecidos em MMORPGs como PK(Player Killer) e salvo por um jogador misterioso chamado Ovan. Passa 6 meses e Haseo surge como um poderoso assassino de PK conhecido como “Terror of Death”, na sua busca por um PK estranho apenas conhecido como Tri-Edge(que se parece muito com o herói de .hack//INFECTION). Esse PK colocou sua amiga Shino em um coma a 6 meses, fatos que ocorreram em ROOTS.

Depois de finalmente encontrar Tri-Edge, Haseo é derrotado por um ataque muito estranho chamado Data Drain(que por sinal o herói de INFECTION também possuia…) fazendo com que Haseo volte ao level 1, antes ele estava no level 133. No entanto esse ataque acabou despertando um poder oculto que estava adormecido dentro dele, o poder de invocar uma entidade chamada Skeith e esse fato atraiu atenção de uma organização chamada G.U. fazendo com que Haseo passe a trabalhar para eles e descobrir o que está acontecendo de errado no mundo do jogo que afeta o mundo real.

Esses acontecimentos fazem parte das primeiras horas de jogo e não chegam a encostar na ponta do iceberg do que é o enredo dessa série. Sem sombra de dúvidas a trama é o ponto mais forte de .hack//G.U. e com certeza vai te prender até o fim com personagens incríveis e acontecimentos marcantes e apesar de ser uma obra longa, não cansa em momento algum.

Vale mencionar que fora do “The World” podemos explorar o computador de Haseo, ler e-mails, trocar mensagens em foruns e até ver notícias da “atualidade” com direito a várias cenas animadas, realmente um produto caprichado. O jogador que quiser se envolver mesmo vai ter muito material bacana que explora ainda mais esse rico universo.

Muitos me perguntaram, “é realmente necessário assistir ROOTS?” A resposta é sim e não. Digo sim para quem realmente quer investir no passado dos personagens e poder ligar alguns eventos; digo não para quem não gosta de animes ou mesmo não tem tempo, G.U. é perfeitamente jogável se sem assistir ROOTS, e é possível entender praticamente tudo, porém alguns laços ficam estreitos demais. O que importa é que se você é fã de RPGs, jogue G.U. e de preferência essa versão maravilhosa chamada de Last Recode.

PENSAMENTOS HESITANTES

.hack//G.U. Last Recode traz melhorias significantes como uma resolução de 1080p e rodando a 60 quadros por segundo. Adicione aí uma pincelada básica nos modelos poligonais e temos uma rematerização de qualidade.

Os cenários ficaram bem mais belos, algumas texturas foram re-trabalhadas e os efeitos de luz mais naturais. Aquele borrão natural do PS2 é história para 2006 e G.U. ganhou um tratamento excelente. Deixando o melhor para o final, a maior das melhorias foram as magníficas cenas de animação. Elas já eram incríveis no original e aqui ficaram ainda mais belas. A CyberConnect2 já tem a manha para fazer animações loucas, como visto nos últimos jogos de Naruto ou mesmo Asura’s Wrath, mas foi aqui que tudo começou. Essas animações são em CG usando uma versão com mais polígonos dos personagens in-game, isso ajuda muito a não destoar de qualidade quando elas acabam e voltamos a ter controle, uma excelente decisão do departamento de direção de arte.

.hack//SOUND

A voz icônica de Haseo é uma das que eu nunca vou esquecer. Yuri Lowenthal pode ter marcado bastante como dublador de Luke Von Fabre de Tales of The Abyss, mas foi com Haseo que ele se destacou. Muito raro eu começar uma análise de som falando da dublagem, aqui eu abro uma exceção pois ela é uma das melhores que já tive o prazer de ouvir, se tratando de dublagem em inglês.

Não é porque a dublagem se destaca que a trilha sonora fica em segundo plano e as músicas de G.U. são realmente belas. A obra contém muitas faixas com vocais e bastante melodias ambiente que compõe as dungeons do jogo. O tema do jogo “Gentle Hands” ficará na sua cabeça por bastante tempo, tenho certeza absoluta disso.

CORRENTES DO DESTINO

G.U. é essencialmente um RPG de ação onde controlamos apenas Haseo durante todos os 4 volumes. Você pode convidar mais dois amigos para fazer parte da equipe e eles ajudam bastante nos combates, não são apenas bonecos que andam aleatoriamente enquanto o jogador faz a limpa.

Os combates são travados em uma arena com uma barreira. Haseo vai adquirindo um arsenal enorme durante suas aventuras, começando com adagas duplas passando por uma espada de duas mãos e até uma enorme foice. Dificilmente combate vai enjoar e isso é graças a toda variedade de armas. Nem vou falar muito para não estragar a surpresa.

Fora dos combates andamos por uma cidade em um dos servidores. Em REBIRTH por exemplo exploramos apenas duas áreas do servidor Delta, a cidade de Mac Anu e uma Arena. O mais interessante em .hack//G.U. é a parte de entrar nas dungeons. Você tem a sua disposição uma lista de palavras-chave que pode escolher para formar as mais diversas combinações de estágios, portanto existe todo o fator aleatório que isso traz, mas ainda podes memorizar algumas para voltar posteriormente caso tenha algo de interessante lá.

Existe muito o que fazer nesses jogos e para terminar espere dedicar pelo menos umas 100 horas. Eu joguei perto das 130 e fiz praticamente tudo. É diversão garantida e um dos RPGs mais variados que existem.

A CHAVE DO CREPÚSCULO

É com imenso prazer que encerro essa análise com um voto de confiança que vocês, amantes de JRPGs, joguem .hack//G.U. pois agora é a chance definitiva. Nunca imaginei que teria uma oportunidade de escrever sobre essa série e graças a Bandai Namco esse dia chegou e torço para que esse remaster não fique apenas como uma lembrança, mas sim uma luz de esperança para essa maravilhosa série.

Pontos Positivos

  • Um enredo muito bem escrito, personagens fantásticos
  • Pacote completíssimo, conteúdo de sobra
  • Cenas remasterizadas ficaram com qualidade soberba

Pontos Negativos

  • Pode precisar de um pouco de conhecimento de .hack//ROOTS
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.

  • Belíssimo review, deu até vontade de jogar… quem sabe num futuro próximo.