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vgBR.com – Videogames Brasil | 19 de novembro de 2017

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Need for Speed Payback – Análise

Need for Speed Payback – Análise
David Signorelli

Review

Divertido mas longe de ser perfeito

Apesar das decisões ruins dá para se divertir muito com Payback. Se você gosta bastante customização, rachas e mundo aberto, fique de olho, mas se esperava um retorno às origens, não foi dessa vez.

Need for Speed Payback é o mais recente título da mais famosa franquia de jogos de corrida dos videogames. Desenvolvido pela Ghost Games e publicado pela EA o jogo foi lançado para Xbox One, Playstation 4 e PCs.

Sou fã de Need for Speed desde a época que ele se chamava Road & Track Presents: The Need for Speed, ou seja, desde o primeiro jogo. A premissa era simples, dar uma chance a meros mortais dirigir carros incríveis como Lamborghini Diablo VT, e a Ferrari 512TR em pistas nos mais variados lugares, isso somado a vídeos em tela-cheia (novidade na época) dos carros dando arrancadas e “desfilando” por aí, tudo para deleite dos jogadores.

Fiquei fascinado logo na primeira acelerada. A perspectiva interna dos veículos mostrando o painel com detalhes minuciosos e a sensação de velocidade mostrava que a próxima geração de consoles estava em nossas mãos.

Sempre tentei acompanhar a série na medida do possível e consequentemente vi ela mudar muito, chegando ao ponto de ficar descaracterizada com jogos fracos e muito daquele sentimento do original foi se perdendo. Agora chegamos na vigésima-terceira versão e posso dizer que Payback é um jogo competente.

O VALE DA FORTUNA

Payback conta com um modo história bem robusta com cenas animadas, diversos personagens e muita atitude. Falando assim até parece que é bacana, mas não é. O maior defeito de Payback é justamente esse modo. Podiam ter feito uma história que fosse uma espécie de pano de fundo; já resolvia, mas não, a trama é basicamente o maior destaque aqui e recomendo fortemente pular todas as animações caso venha a querer se divertir em Fortune Valley.

VELOZES E FEIOSOS

Rodando na Frostbite 3, o novo Need apresenta um visual meia-boca que mais parece uma versão melhorada dos Need for Speed da geração passada. Os cenários são bonitinhos e alguns efeitos de luz impressionam, mas de resto é bem decepcionante. Jogadores como eu que gostam de brincar no modo foto vão ter trabalho para conseguir uma composição decente.

O jogo se passa num território fictício chamado Fortune Valley, que é uma espécie de Las Vegas rodeada de deserto (obviamente) e regiões montanhosas. A sensação de dejá vù é enorme e parece que voltamos para Fairhaven (cidade do Most Wanted de 2012) ou mesmo Seacrest County (região de Hot Pursuit de 2010). Não há nada de muito original infelizmente.

Já deu pra perceber que tanto tecnicamente quanto artisticamente esse jogo não tem muito a oferecer, certo? Com isso alguns devem se perguntar, “e a performance?” – infelizmente nada de 60 quadros aqui, é metade disso e ainda tem travadinhas o que é lamentável.

Por incrível que pareça a parte mais bonita de Payback são justamente as animações. Até os modelos poligonais são convincentes e acho que a equipe realmente estava afim de fazer um jogo de ação ao invés de corridas mesmo.

DERRUBE A CASA

O ronco dos motores é o que salva o departamento sonoro de Payback, mas na real todos os efeitos sonoros do jogo são excelentes e o som dos carros colidindo com outros ou mesmo em uma queda faz valer a pena aquele investimento num headphone de qualidade.

Já a lista de músicas não vale nem menção. Ligue seu Spotify e esqueça que um dia existiu música licenciada.

NECESSITO DE VELOCIDADE

Depois de muita lenga lenga podemos ter controle do nosso carro no mapa aberto de Fortune Valley, aqui contamos com diversos eventos como corridas tradicionais, desafios de Rally, entre outros já conhecidos do gênero. A estrutura de Payback lembra bastante Forza Horizon com suas constantes pontuações por fazer qualquer coisa, como combos de drift, radares de velocidade, etc. Você nunca vai ficar sem evoluir de alguma maneira aqui.

Customização tem um papel importante nesse jogo, você pode mexer em diversos aspectos do carro, sendo estéticos ou não. O maior diferencial aqui é o sistema bizarro de evolução, após um evento os jogadores podem escolher uma entre  3 “cartas” aleatórias (pense no sistema loot box, só que ao invés de caixa, são cartinhas) e cada uma oferece um benefício ao carro escolhido, seja ele +1 de velocidade ou +2 de tração. Sim, totalmente aleatório e vale lembrar que essas customizações pouco vão importar no modo offline já que fora do modo história o maior foco é o multiplayer.

O controle do carro é um pouco duro, falta uma câmera interna e parece que às vezes rola um atraso na resposta do controle que chega a irritar. Apesar de tantos defeitos, Need for Speed Payback é um jogo bem divertido e completo, tem muitos eventos, nitro (saudades de Burnout) e fazer policiais saírem voando após bater de frente num guard-rail é sempre um deleite.

Uma pena terem focado tanto nesse modo história, poderiam ter usado o tempo para polir melhor o jogo em si e talvez ter contratado uma equipe de arte com uma visão diferente de cenários. Deserto, floresta e cidade apresentam pouca variedade e acabam fazendo o jogador cansar mais rápido.

RETRIBUIÇÃO

Payback é um jogo que sofreu de péssimas decisões mas dá para se divertir muito com ele, principalmente nos modos online. A torcida é para que não vire literalmente um deserto. Se você gosta de jogos com bastante customização, rachas e mundo aberto, fique de olho em Payback; já se você esperava uma volta triunfal da série as suas raízes, pode esperar sentado pois não foi o caso e eu sinceramente não consigo mais acreditar que isso venha a acontecer um dia.

Prós

  • Jogo bem divertido, longo, com muitos eventos pra fazer
  • Loadings relativamente rápidos
  • Apesar de visualmente repetitivos, os trajetos são bem desenhados

Contras

  • Graficamente datado
  • Trilha sonora de péssima qualidade
  • Microtransações vieram para ficar e isso não é bom
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.