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vgBR.com | 21 de outubro de 2018

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Dragon Ball FighterZ – Análise

Dragon Ball FighterZ – Análise
Átila Graef

Review

Mais bonito que o desenho

Dragon Ball FighterZ é um presente para os fãs do anime e oferece um pacote completo quem busca um game de luta 2D lindo, divertido e diferente das outras séries do mercado

Um dos games mais antecipados do ano, Dragon Ball FighterZ realiza um sonho antigo de todo fã do anime e de jogos de luta: como seria um jogo 2D de Dragon Ball ao melhor estilo da série Versus da Capcom?

Para tornar isso possível, a Bandai Namco, detentora dos direitos da série nos videogames, contratou a Arc System Works de Guilty Gear Xrd e Blaz Blue para criar um jogo de luta 2D de Dragon Ball com a dinâmica, jogabilidade e principalmente visual que a premiada série de Akira Toriyama merece.

Não é exagero afirmar que Dragon Ball é o anime mais importante de todos os tempos. É difícil imaginar outra obra da cultura pop japonesa tão conhecida no mundo inteiro quanto a história de Goku e seus amigos. E como toda série de sucesso, Dragon Ball teve inúmeros games ao longo dos seus quase 30 anos de história.

Desde o Nintendinho a série recebe jogos de qualidade variável, mas entre títulos bons e alguns muito ruins (sim Final Bout, estou falando de você verme maldito), nunca havíamos recebido um game de luta 2D ágil e preciso que passasse para as mãos do jogador a sensação de representar fielmente a ação do anime. É verdade que alguns games chegaram perto desse objetivo, mas acabavam ficando presos a mecânicas experimentais como visto nos jogos da série Densetsu (Idainaru Son Goku Densetsu para o PC Engine e Idainaru Dragon Ball Densetsu para PlayStation 1 e Sega Saturn) que tinham ótimos gráficos, mas jogabilidade no mínimo “diferenciada” (para não definir como esquisita mesmo).

O fato é que no aspecto visual da coisa, sempre houve uma desconexão entre o anime e os jogos. Não que os jogos antigos não tivessem sua beleza; alguns como Hyper Dimension no Super Nintendo eram muito bonitos. Mas nunca representavam com tanta fidelidade assim aquilo que assistíamos na animação.

Dragon Ball FighterZ não só apresenta cenas chave do anime com grande fidelidade; ele consegue ser ainda mais bonito que o material original em diversos momentos. Diferente da animação onde os traços dos personagens podem variar entre os episódios (graças aos diferentes estúdios responsáveis pela produção), aqui todo e qualquer personagem sempre está representado no melhor visual possível. Adicione um dos melhores trabalhos de contraste e cores já vistos num game e você tem não só um lindo jogo de Dragon Ball, mas um dos jogos mais bonitos de todos os tempos.

As escolhas da Unreal Engine 4 e do estilo cell shaded foram muito acertadas. O game roda em 1080p e 60 quadros tanto no PS4 como no Xbox One, com suporte para maiores resoluções no PS4 Pro, Xbox One X e PC. A grande sacada é que nas cenas de animação como cutscenes de golpes especiais ou introduções, Dragon Ball FighterZ adota uma quantidade de quadros similar ao anime. Por isso o jogo passa a sensação única de estar de fato no controle de um episódio da série. A única crítica a ser feita com relação aos gráficos fica pelas animações das cutscenes do modo História que são inexplicavelmente lentas e destoam do que é visto no resto do jogo mas no geral a experiência visual do game passa a sensação de estar jogando um anime em tempo real. Acha exagero? Olha esse Vegeta aí embaixo:

Ok, o jogo é lindo, mas e o gameplay?

Pense num mix de Marvel vs Capcom com Guilty Gear , mais simplificado porém longe de ser relativamente simples. Com times de 3×3 e um sistema de troca de personagens em tempo real as lutas são em ritmo acelerado e não ficam devendo nada para os melhores jogos da série Versus.

A simplificação fica por conta dos comandos. Todos os personagens partilham da mesma gama de comandos para os golpes especiais e supers, com poucas exceções. São apenas quatro botões de ataques sendo um fraco, médio, um forte e outro para magias. Combinações de dois botões resultam em teleportes, agarrões e a “Investida do Dragão”, uma habilidade que lança seu guerreiro num dash voando em direção ao oponente. Há também a inclusão de dois tipos de auto-combos, um apertando o ataque fraco repetidas vezes, que resulta num combo que lança o oponente para o ar e finaliza mandando para o chão ao melhor estilo do anime, ou um de ataque médio que emenda um combo menor mas finaliza com um especial. Essas combinações permitem que jogadores novatos consigam engrenar na jogabilidade sem muitas barreiras inicialmente. A grande sacada é que ainda que a jogabilidade no geral seja simples de aprender ela não é exatamente fácil de dominar. Tente encarar alguns dos desafios de combos finais de cada um dos 24 personagens selecionáveis e você entenderá que o jogo oferece muitas possibilidades além do que aparenta inicialmente.

Nova história e modos de jogo

O novo modo História diverte com uma trama original com três arcos e três finais diferentes e uma nova personagem inédita na série e exclusiva para o game: a Android 21. Basicamente a Bandai Namco criou o novo enredo e Akira Toriyama se envolveu diretamente no projeto criando o design da personagem.

Além disso o modo traz possibilidade de evolução da sua equipe de lutadores com um sistema de níveis e itens de customização, lembrando um pouco as cápsulas dos jogos da série Budokai Tenkaichi, mas sem a mesma profundidade de adicionar novos golpes, infelizmente.

Além disso temos o modo Arcade, para os que buscam uma pancadaria mais direta e objetiva, o modo Batalha com possibilidades de embates locais ou online, Treino onde você pode praticar livremente, aprender com os tutoriais ou fazer os desafios de combos de cada um dos personagens, e a Loja para comprar títulos de batalha, cores para os personagens, itens e acessórios e até outros avatares para desfilar no lobby do jogo. Infelizmente os servidores do modo online e do Lobby estavam desligados até o fechamento desta matéria, mas atualizaremos o texto após testes com o modo online na versão final do game.

Cadê as músicas do anime?

Talvez a maior falha de Dragon Ball FighterZ seja a escolha da trilha sonora. Não que o metalzão acelerado cheio de guitarras pesadas ao melhor estilo Guilty Gear seja ruim, mas as faixas não tem lá muito a ver com Dragon Ball e com um jogo tão fiel ao anime em todos os aspectos, a trilha sonora original seria uma escolha mais acertada para embalar as batalhas.

Mas no que as músicas deixam a desejar, a dublagem japonesa não deve nada e os efeitos sonoros são espetaculares, com direito a sons de magias, explosões de ki e porradas retirados diretamente da fonte. Mesmo assim, fica difícil deixar de criticar a Bandai Namco pela decisão de não bancar a localização com os dubladores originais do anime, como foi feito com qualidade nos Cavaleiros do Zodíaco: Almas dos Soldados. Talvez o prazo estivesse realmente apertado ou talvez a dublagem não seria a garantia da empresa vender mais jogos no caso de um game de luta 2D, mas com certeza o produto perde um pouco o charme para o público brasileiro acostumado a assistir os episódios na TV.

Pancadaria para todos os gostos

A Arc System Works conseguiu replicar o visual, velocidade e estilo frenético das batalhas do anime num jogo de luta extremamente convidativo, permitindo que qualquer jogador consiga sentir-se poderoso como um guerreiro Z, sem precisar fazer uma faculdade dos jogos de luta para isso. Dragon Ball FighterZ não decepciona em trazer um meio descomplicado para os fãs de todos os níveis entrarem rapidamente no ritmo e em pouco tempo espancarem seus oponentes com combos gigantescos e magias que explodem com a tela.

Apesar da mancada da falta da dublagem, o jogo é um presente para os fãs do anime e oferece um pacote completo para os que buscam um game de luta 2D lindo, divertido e diferente das séries que temos no mercado. Obrigatório se você ama Dragon Ball e altamente recomendado se gosta de jogos de luta 2D.

Pontos Positivos

  • Visuais impressionantes, mais bonito que o próprio desenho em diversos momentos
  • Jogabilidade fácil de pegar, difícil de dominar
  • Efeitos sonoros retirados direto do anime

Pontos Negativos

  • Trilha sonora original poderia dar lugar as músicas do anime
  • Faltou a dublagem para entregar o produto perfeito para os fãs brasileiros
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.