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vgBR.com | 21 de outubro de 2018

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Um Comentário

Monster Hunter: World – Análise

Monster Hunter: World – Análise
David Signorelli

Review

A evolução da série

Uma total evolução na série, com gráficos fantásticos, mundo gigantesco, controles perfeitos e diversão infinita caçando e sendo caçado por monstros com os seus amigos

Monster Hunter: World é o mais recente título da famosa franquia de caça da Capcom que finalmente volta em grande estilo para os consoles de mesa depois de muitos anos em portáteis, com algumas exceções. Ele foi lançado para PlayStation 4 e Xbox One, uma versão de Windows foi confirmada, entretanto até o presente momento está sem data definida. A versão dessa análise é a do PS4.

NOVO MUNDO

Se eu tivesse que escolher uma palavra para definir esse jogo, ela com certeza seria “evolução”. World mostra nitidamente o cuidado que a Capcom teve com uma de suas franquias de maior sucesso. Muitos não sabem, mas a série teve seu início em 2004 no PlayStation 2, há 14 anos. Eu joguei ele na época, comprei com um certo receio e confesso que minha experiência não foi das mais “eletrizantes” visto que o jogo era muito complicado e os sistemas não tinham uma interface amigável.

Insisti bastante pois a premissa sempre foi das melhores, afinal quem não gosta de caçar dinossauros e monstros gigantes? Ainda mais para um fã de RPGs como eu. Tamanha insistência logo veio o desânimo com quests burocráticas e explicações que pouco diziam e não demorou muito para largar de vez quando estava levando um ovo enorme para base enquanto sou abordado por um Rathalos enfurecido.

Alguns anos depois, mais precisamente em 2013, resolvo dar mais uma chance para a série com Monster Hunter 3: Ultimate. Senti que estava em território familiar e isso não era nada bom. Voltaram as quests burocráticas, do maldito ovo inclusive, porém dessa vez eu resolvi tentar entender com todas as minhas forças o motivo de tanto sucesso, afinal a essa altura Monster Hunter já era uma das séries mais bem sucedidas da Capcom.

Eis que eu derroto um dinossauro chamado Great Jaggi, com muito esforço. Esse esforço foi compensado com partes do seu corpo que foram destinados a uma vestimenta e eu me “vesti” de Great Jaggi. “eu estou mais forte, eu consigo derrotar todo mundo”, pensava eu. Foi nesse momento que o jogo mostrou sua verdadeira cor, pareceu um estalo que mudou simplesmente tudo, joguei 400 horas de Monster Hunter 3: Ultimate e eu me tornei um fã para a vida toda.

Monster Hunter é um jogo diferente e você não vai do dia para a noite entender porque essa série é tão aclamada, cada um de nós vai ter o seu próprio estalo e quando esse momento chegar, é muito provável que não conseguirá largar tão cedo. Hoje em dia vemos muitos jogos com progressão artificial, com imensas árvores de evolução só para que a jogatina não fique tão chata com o tempo. Em Monster Hunter as coisas funcionam totalmente diferente. Para ficar bom, você precisa se esforçar e é necessário dedicação e disciplina. Não há um equipamento que fará milagre e aqui não existe Level Up. Pode parecer frustrante, mas a recompensa dessa dedicação é a cereja do bolo, o sentimento de progresso te faz querer mais e mais. A sensação de tanto apanhar para um monstro e depois derrotá-lo sem tomar um dano é simplesmente demais.

Desde o anúncio, passando pelos Beta Test e agora com a versão final, World tem sido uma montanha-russa na vida desse grande fã. Já falei do passado, vamos ver agora com o presente o que esse novo título nos trouxe.

A CAÇADA COMEÇA AGORA

Uma das maiores novidades é que temos um modo história mais robusto, com direito a várias cutscenes em tempo-real. Nos outros jogos tínhamos no máximo alguns vídeos e conversas com caixas de diálogo, mas aqui a coisa muda de figura.

A premissa é simples: uma vez a cada década os Elder Dragons viajam pelo oceano em direção a uma terra chamada de Novo Mundo. Para descobrir o motivo desse acontecimento, a guilda formou uma comissão de busca, mandando-os em enormes embarcações para o Novo Mundo. A quinta embarcação, que é a nossa, foi em direção ao Elder Dragon colossal conhecido como Zorah Magdaros e ficamos encarregados dessa missão.

Até então nunca tinha dado importância para história de Monster Hunter, inclusive mencionava a falta dela como uma qualidade pois hoje em dia é raro sair um jogo AAA sem longas cutscenes ou exposição de qualquer forma e tem horas que queremos apenas ligar um jogo sem ter que ficar parado assistindo um filme. Quando as cenas em World começaram a aparecer já fiquei com pé atrás, entretanto acabei gostando da qualidade delas e a história em si não é nada ruim. São 50 boas horas no mínimo para descobrir a verdade por de trás do Novo Mundo.

UMA CAPA PARA ARRUINAR A LUZ

Se as cutscenes são belas, os gráficos durante a jogatina são melhores ainda. É até difícil comentar a qualidade visual desse jogo, ainda mais lembrando que o último jogo da série lançado no ocidente foi o Generations para Nintendo 3DS. O choque de qualidade é assustador, World foi criado usando a engine Mt. Framework e sem sombra de dúvidas é o produto mais belo que a Capcom já lançou.

Os cenários são vastos, cheios de verticalidade, muitos efeitos climáticos como chuva, névoa, tempestades de areia e a lista só aumenta. Tudo isso para dar aquela imersão realista para o jogador, até então a série mantinha um visual mais voltado pro lado cartunesco com cores mais berrantes que lembravam um desenho mesmo. Em World a Capcom optou por uma escolha artística mais realista e é inegável que a equipe tentou fazer um jogo que agradasse mais o gosto do ocidente, mas isso no fim acabou sendo bom para a série pois trouxe uma identidade única para World. Os cenários e monstros interagem como se realmente vivessem ali, não foram poucos os momentos que parei apenas para ver a vida selvagem acontecendo. O visual como um todo é simplesmente soberbo, e fico só imaginando como deve ser a versão desse jogo rodando num PC robusto ou mesmo no Xbox One X.

E os monstros, gente? Nunca pensei que veria inimigos com uma qualidade dessas, todos eles foram criados com um carinho impressionante e não me refiro somente aos grandes monstros, até os bem pequenininhos como aqueles que podemos ter na nossa casa como bicho de estimação (é sério) são muito bem feitos. Os bichões enormes então são outra surpresa. Quando você ver Anjanath brigando por território com Rathalos lhe garanto que seu queixo vai cair. As vezes até parece que estou vendo uma prévia do que vai ser a próxima geração.

Nunca vi tamanha naturalidade na movimentação de um inimigo em um jogo, o dinamismo das cenas e os acontecimentos fazem sua cabeça girar imaginando como que a CAPCOM conseguiu esse feitio. Não seria exagero falar que World é o jogo mais belo que já vi, não digo somente pela qualidade da imagem, texturas e afins, mas mais pelo que acontece durante a jogatina mesmo.

Claro que nem tudo são flores, World tem um pequeno problema na parte gráfica que na real está mais relacionada a performance. O jogo roda com uma taxa de quadros desbloqueada, ou seja, ela fica oscilando o tempo todo e durante toda a minha jornada eu vi de tudo, indo até perto dos 50 quadros até um abismo de 15 e isso é realmente uma bagunça. A maioria dos jogadores não vai nem se dar conta disso, ainda mais os veteranos que já estão acostumados com essa performance esquisita, porém com o tempo isso fica mais e mais evidente e seria muito melhor se a Capcom deixasse a taxa de quadros fixa nos 30 do que manter essa oscilação desnecessária.

A CANÇÃO TRIUNFANTE

Agora falando um pouco do departamento sonoro, já adianto que desde sempre considero a Capcom uma das melhores empresas quando se trata de produção de efeitos sonoros e World obviamente não deixa a peteca cair, muito pelo contrário inclusive. O barulho de tudo faz você literalmente tremer na base, desde rugido de monstros como Rathian até o maravilhoso som do corte de sua espada. Temos um trabalho primoroso nesse departamento.

Ainda considero as faixas de 3 Ultimate melhores e mais inspiradas, mas a trilha sonora acompanha a qualidade da série e World tem bastante material de qualidade. A música de vitória está demais e o tema de Astera não vai sair da sua cabeça.

Como mencionei na parte da história, agora existe uma dublagem em inglês e ela é padrão. Não tem destaque algum e ainda acho estranho aparecer uma personagem falando algo do tipo “Watch out for falling debris!” no meio do combate. Mas depois de tantos anos de Monster Hunter mudo é natural essa sensação de estranheza.

A PROVA DE UM HERÓI

Acho que se Monster Hunter: World tivesse outro nome ele teria que se chamar Monster Hunter: Evolution pois nem nos meus sonhos mais loucos imaginava que um game da série para a nova geração tão diferente assim. Diferente, ousado, arriscado; essas são palavras que muitos jogadores vão comentar sobre esse novo título, a Capcom realmente trabalhou para produzir um jogo com toda sua expertise no gênero (criado por eles mesmos), adaptando alguns antigos sistemas e ainda sim mantendo o pedigree da série.

No trailer onde World foi mostrado pela primeira vez nós vimos uns vagalumes que são chamado de Scoutflies e esses pequenos seres luminosos fazem parte do sistema mais revolucionário que essa série já viu.

Antes nós costumávamos ir até os monstros às cegas, sem nenhuma ideia da onde eles poderiam estar. Com os Scoutflies tudo muda, eles agem independentemente de comando do jogador e nos informam de pontos de interesse próximos, passando por uma planta ou mesmo pegadas de monstros. Ai que está o lance, os monstros deixam traços por onde passam e nós utilizamos os Scoutflies para identificá-los e conforme vamos pegando mais evidências, melhor os Scoutflies trabalham, podendo até literalmente nos guiar até o monstro que pretendemos caçar.

Isso é apenas a ponta do iceberg das mudanças em World, muita coisa burocrática foi simplificada para melhor e agora não precisamos mais carregar itens como Whetstone, o clássico BBQ-kit (que tem timing bem diferente), vara de pescar, etc… eles já são automaticamente carregados toda vez que começamos uma aventura e não ocupam mais espaço na mochila.

Falando em aventura ela começa na nova cidade chamada de Astera, que está mais pra uma colônia itinerante. Lá encontramos tudo que já tinha nos outros jogos como o Smithy, Provisioner, nosso quarto e diversos NPCs que dão quests de todos os tipos. Existe bastante incentivo para ir atrás de recursos pois somos recompensados com melhorias para nossa base, podendo expandir até o cardápio do chef!

Partindo de Astera podemos ir para as áreas selvagens e elas agora são enormes. Tenho certeza que só Ancient Forest é maior do que todas as áreas do 3 Ultimate juntas e com um detalhe, não existe mais loading de transição entre uma área e outra, é tudo contínuo agora. Os monstros andam pelos cenários como se vivessem lá e não tem mais hábitos de se entocar numa área, portanto lembre-se de usar sempre os Scoutflies.

Controlar o caçador está uma delícia, controles fluídos e uma movimentação impecável te coloca dentro do jogo. A culpa de errar um ataque ou pulo é totalmente do jogador! Algo que merece uma menção é que a Stamina só é gasta quando estamos em situação de perigo, fora isso ela é infinita e podemos correr até dizer chega.

Monster Hunter é um jogo que não tem sistema de classe, é tudo definido pelo tipo de arma que você utiliza. Existem muitos tipos e cada uma é como se fosse um jogo diferente, tamanha a complexidade dos controles. Existem armas mais fáceis de usar, entretanto a curva de aprendizado é de certa forma igual pois não basta saber usá-las, você precisa saber quem é seu adversário de antemão.

Planejamento, essa é a palavra que define quem vai vencer e quem vai perder. Não adianta ir a campo munido da sua arma favorita sem ter ideia do que vai encontrar. Os monstros são o verdadeiro Level Design do game e cada criatura foi desenvolvida para oferecer um desafio único para os jogadores. Nenhuma luta é igual a outra e não espere usar as mesmas tácticas em todas as lutas. Prepare-se para algumas das lutas mais épicas da sua vida sem sombra de dúvidas, o jogo tem uma dificuldade bem elevada e mesmo jogando com mais pessoas. A vida de caçador é para quem tem sangue frio!

O Multiplayer já tradicional na série volta com algumas modificações. Agora podemos estar preparados para qualquer quest a qualquer momento, basta estar com algum amigo conectado. Uma novidade é o SOS Flares que permite que você dispare uma luz que convida outros jogadores aleatórios a te ajudar. Vale lembrar que caso você não queira jogar com outras pessoas pode ficar tranquilo que o jogo é nivelado para o modo de um jogador também.

As Arenas estão de volta e trazem desafios ainda mais intensos. Recomendo deixá-las para o final pois lá não tem muito para onde correr e a dificuldade é bem elevada. A Capcom deixou bem claro que o jogo também não terá DLCs pagos para que ninguém deixe de acessar um conteúdo que o amigo tem porque ele não comprou, permitindo que todo mundo possa experimentar de tudo. Fica a torcida para que isso se concretize. O primeiro DLC será o terrível monstro Deviljho em Abril, mal posso esperar para ser detonado por esse dinossauro!

O VENTO DA PARTIDA

Monster Hunter: World é o melhor jogo que joguei nessa geração. Mesmo numa maré de excelentes jogos de todos os gêneros, World conseguiu um feito em tanto e não consigo parar de pensar nele nem por um segundo. Ainda longe de fazer tudo que ele tem a oferecer e só irei dizer chega quando ver todos os monstros do Novo Mundo derrotados pela minha espada.

Pontos Positivos

  • Diversão infinita, ainda mais com os amigos no online
  • Gráficos que fazem jus a geração que estamos
  • Jogabilidade impecável

Pontos Negativos

  • Taxa de quadros inconsistente com algumas quedas
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.