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vgBR.com | 23 de Fevereiro de 2018

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Lost Sphear – Análise

David Signorelli

Review

RPG old-school de turnos

Com sistema clássico de turnos e uma história divertida, o jogo é uma homenagem aos antigos RPGs e é recomendado para aqueles que tem mais de 20 anos de estrada no gênero.

Lost Sphear é o segundo título do novo estúdio focado em produções menores de RPG da Square-Enix, a Tokyo RPG Factory.

Lançado para Nintendo Switch, PlayStation 4 e Steam, antes de Lost Sphear eles lançaram I Am Setsuna que fez um pequeno estouro no nicho apreciador do gênero; com gráficos simples e uma trilha sonora inteiramente em piano, Setsuna deixou sua marca.

Muitos se perguntavam quando sairia o próximo jogo desse novo estúdio e resposta veio em Lost Sphear, um RPG de turnos com uma pegada old-school que remete bastante aos títulos do gênero nos 32 bits.

Eu me diverti bastante com o jogo, só fico com receio que ele definitivamente não irá agradar os novos adeptos ao RPG, ainda mais com títulos focados em ação ao invés de turnos como é o caso aqui.

NOSTALGIA

Neste jogo controlamos um personagem órfão chamado Kanata e seus amigos em uma aventura em um planeta que está sendo “apagado” por um motivo desconhecido e nosso protagonista foi escolhido para resolver esse problema com um poder misterioso. Parece a descrição mais vaga (e genérica) do mundo para um enredo em RPG e não foge muito disso mesmo. Tudo que vai se apagando nesse mundo foi memória de alguém ou de algo e o poder de Kanata é justamente obter de alguma forma essa memória para que possa restaurar o que foi perdido.

O desenrolar da trama é mais legal que a premissa. Existem muitos RPGs com ideias super milaborantes, mas que acabam sendo uma sopa de nada. Lost Sphear parte pro lado mais simples da coisa e faz tudo super bem feito com uma história que pode ser finalizada em 30 horas com um gostinho de quero mais, o que é sinal de que os escritores fizeram um bom trabalho.

A BELA NATUREZA

Qual foi a última vez que você jogou um RPG com visão de cima? Faço essa pergunta já imaginando a resposta, quem é fã do gênero está careca de saber que o escopo das produções mudaram demais e está praticamente tudo voltado para jogos de mundo aberto, de orçamentos milionários. Quando aparecia um título como Lost Sphear era natural já pensar que se trata de um jogo exclusivo de portáteis. Graças ao time da Tokyo RPG Factory podemos novamente experimentar um belo jogo, com visão clássica e nos consoles de mesa. Lost Sphear não vai ganhar nenhum prêmio de melhor gráfico ou algo do gênero, no entanto não é exagero falar que ele é bonito demais.

Diferente de Setsuna onde praticamente todos os cenários eram na neve, aqui vemos uma variedade muito maior, com praias, montanhas, cidades modernas, castelos e tudo que um RPG tem direito. O jogo tem um visual super limpo, passando dos menus até o próprio jogo em si, difícil traçar uma comparação com algum outro RPG, mas o que chegaria mais próximo em visão artística é outro jogo da Square-Enix, o Bravely Default: Flying Fairy.

As personagens são bem simpáticas, com poucos polígonos e o visual dos efeitos de magia são bacanas. A equipe de arte foi bem competente, só fico na torcida para que nos próximos jogos eles invistam mais na parte da interface, minha única crítica nesse departamento mesmo. Como mencionei anteriormente é super limpo, porém simples demais e desinteressante, ficamos bastante tempo em menus num RPG e por isso se faz necessário um capricho melhor.

UM BREVE DESCANSO

Eu sou um grande apreciador de piano e sempre que posso gosto de conferir trilhas sonoras de games tocadas usando esse instrumento. Setsuna tinha uma proposta mais triste, aí os produtores resolveram fazer a trilha sonora inteiramente tocada em piano, confesso que até fiquei empolgado, mas logo senti que as limitações para caracterização das situações só ficavam mais complicadas por conta do uso de um único instrumento.

Momentos tristes ficaram bacanas e até temas de algumas cidades, o problema aparecia quando se via necessário mostrar tensão, mesmo sabendo que só ouviria piano algo me fazia acreditar que ouviria notas de um violão ou alguma percussão para salvar a cena. Nada disso e essa foi a realidade que precisei conviver durante a aventura em Setsuna.

Quando Lost Sphear foi anunciado já pensei que o mesmo cenário pudesse acontecer, pesquisei bastante inclusive e só quando ouvi as primeiras músicas pude respirar aliviado e meus ouvidos agradeceram. A trilha sonora não é das mais vastas, porém a qualidade das faixas é muito boa, com uma variedade legal. O tema do mapa mundi é um dos melhores que ouvi nos últimos anos. De qualquer forma é uma grande evolução. Belo trabalho de Tomoki Miyoshi que é novo no mundo das músicas de videogame, mas já é uma promessa. Eu gostaria bastante que ele produzisse para o próximo jogo da Tokyo RPG Factory.

O MUNDO DE FRAGMENTOS

Ah, que saudade dos combates de turno. Lost Sphear traz para nós um sistema de luta que é quase uma mistura de Grandia com Chrono Trigger. Os turnos são regidos pelo clássico sistema ATB (Active-Time Battle) onde cada membro da luta (inimigos e aliados) tem sua própria barra de ação e quando ela é preenchida você poderá atacar imediatamente. O mesmo vale para os inimigos portanto o fator estratégia é essencial. Adicione uma pitada de urgência na mistura também e você tem um sistema bem clássico de volta.

Algo bem bacana é a possibilidade de se mexer quando for atacar um adversário, podendo nos colocar em situações super vantajosas como ficar atrás de 2 alvos enquanto ataca ambos ao mesmo tempo. As batalhas são bem emocionantes e os chefes são bem complicadinhos. Eu sempre estava com nível alto e ainda sim frequentemente apanhava dos chefes, exatamente como nos RPGs antigos, portanto não esqueçam de salvar sempre que puder!

Fora das batalhas temos exploração das cidades, compra de equipamentos, mini-game de pesca (como todo RPG japonês), dungeons com puzzles simples (e alguns de visual incrível), exploração do mapa mundi com pontos brilhantes indicando itens e side-quests diversas, sendo que tem algumas que precisam justamente desses itens obtidos no mapa mundi.

Divertido pra caramba, a aventura tem um tamanho excelente e faz você se sentir que fez uma boa compra. Só não vai quebrar o controle quando for fazer os desafios opcionais, hein? Tá avisado! 

ESFERA PERDIDA

Não é um jogo perfeito mas nenhum é e Lost Sphear nunca teve essa ambição. O jogo é uma homenagem aos antigos RPGs e é extremamente recomendado para aqueles que, como eu, tem mais de 20 anos de estrada no gênero.

Pontos Positivos

  • Reviveram os RPGs antigos com uma pincelada de modernidade com perfeição
  • Sistema de batalhas viciante
  • História bem escrita

Pontos Negativos

  • Trilha sonora poderia ser mais extensa
  • Interface simples demais
  • Alguns sistemas pobremente explicados
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.