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vgBR.com | 23 de Fevereiro de 2018

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Dissidia Final Fantasy NT – Análise

Dissidia Final Fantasy NT – Análise
David Signorelli

Review

Final Fantasy de luta

Um Dissidia diferente. Não espere as customizações do PSP mas para fãs de Final Fantasy e amantes de jogos de luta diferentes é difícil não recomendar.

A série Dissidia foi uma bela surpresa quando lançada originalmente para o primeiro portátil da Sony, o PSP. O sistema de combates funcionava muito bem e o jogo tinha conteúdo pra caramba, com diversos elementos de RPG e ainda apelava para um fan-service de primeira. Logo após tivemos uma versão melhorada com diversos extras com o título de Duodecim. Não gosto de chama-lá de sequência pois era apenas uma expansão, mas uma grande expansão no entanto.

Anos se passaram e mais nada de Dissidia e muitos já achavam que a série tinha morrido, até que a Square-Enix em parceria com o Team Ninja decidiram lançar um jogo da série para os Arcades. Ao mesmo tempo que os fãs ficaram felizes, eles também ficaram confusos afinal indo para os Arcades bastante coisa teria que ser mudada. Foi exatamente isso que aconteceu e NT (New Tale) é um jogo de luta em times de 3 x 3 com foco total nas lutas deixando qualquer elemento de RPG de lado.

O jogo fez um relativo sucesso nos Arcades no Japão e pouco tempo depois foi finalmente anunciado NT com exclusividade para o PlayStation 4. Como um fã de Dissidia e Final Fantasy, a minha expectativa estava bem alta e nessa análise irei apontar os motivos de eu ter achado essa versão uma pequena decepção.

PRELÚDIO

Os heróis retornam para o chamado do dever, a deusa Materia coloca-os de frente ao exército de Spiritus para trazer a paz novamente para o mundo. O modo história é basicamente isso, um grande conflito (para quem não sabe, Dissidia significa Conflito em latim) entre nossos heróis de diversos jogos e os seus respectivos inimigos.

A história é contada através de pequenas cutscenes com ramificações. De um modo geral são bem produzidas e para quem é fã da série Final Fantasy sempre traz alegria ver personagens clássicos como Squall Leonhart com gráficos da atualidade. O problema está na sua essência, os diálogos são previsíveis e não adicionam nada ao contexto do conflito e são basicamente um monte de baboseira.

O maior defeito deste modo história é a forma escolhida para a progressão. Primeiramente temos uma espécie de storyboard onde vamos escolhendo o caminho e para desbloquear uma cutscene precisamos de um item que é liberado em outro modo de jogo. Ou seja, para avançar num modo precisamos ir para outro fazer batalhas aleatórias. Depois de ter travado umas 6 lutas temos a chance de ganhar 1 ou 2 itens para liberar mais cutscenes. Essa decisão de progressão é uma das coisas mais sem sentido que já vi e fica a indagação por não terem criado um modo história independente. Podiam ter feito como no Dissidia original onde andamos num tabuleiro enfrentando batalhas e pegando tesouros. A proposta era bem mais coerente.

O EXÉRCITO REBELDE

Rodando a 60 quadros por segundo constantemente, Dissidia NT traz batalhas frenéticas em cenários lindos com muitos efeitos, partículas e 6 personagens ao mesmo tempo. No aspecto gráfico não tenho do que reclamar, o Team Ninja fez alguns sacrifícios para colocar a performance em primeiro lugar e isso é algo que todo estúdio que produz jogos de luta deveria fazer.

Os sacrifícios são mais relacionados a falhas como serrilhados, defeitos de luz e algumas texturas borradas, mas absolutamente nada que tire o brilho do jogo. O destaque mesmo fica para os cenários, de tempo em tempo acontece algo que muda o visual dele, como por exemplo Alexandria de Final Fantasy IX. Não sei se existe algum jeito de “ativar” isso, mas depois de um certo momento Alexander aparece como forma de castelo e suas asas enormes projetam sombra no campo de batalha, é demais! Em Midgar de Final Fantasy VII os reatores começam entrar em atividade gerando um show de luzes verdes, muito bacana. O meu favorito é o cenário do jardim de Final Fantasy VIII onde inicialmente lutamos em uma arena cinza e morta, porém depois as flores brotam remetendo a cena de final do jogo. O fan service aqui é grande.

As personagens são bem feitas também, com detalhes legais nas roupas fazendo com que valha a pena investir seu suado Gil em vestimentas diferentes. Não menos importante são as Summons. Cada uma delas foi feita com bastante carinho e o estrago que elas fazem no campo de batalha é de babar.

Infelizmente não dá para ficar só nos elogios. NT traz uma interface bem simples. O menu principal é bem tosco e ainda por cima senti um atraso na resposta no comando (input lag) diversas vezes, especialmente na parte onde podemos comprar coisas, algo inadmissível.

CANTATA MORTIS

A clássica trilha sonora da série Final Fantasy retorna com novos arranjos e a possibilidade de jogar usando as músicas originais. São diversas músicas para desbloquear e a grande maioria da seleção é de músicas de batalha, como era de imaginar.

Achei tão legal ver faixas de jogos como Final Fantasy Tactics e o recente Final Fantasy XV. Os arranjos das músicas desses 2 ficaram especialmente incríveis, destacando a música APOCALYPSIS NOCTIS que já era linda no original e ficou bem mais empolgante em Dissidia!

Os atores que dão vida a nossos personagens queridos fizeram um excelente trabalho e pelo que percebi todos os atores originais retornaram de Dissidia e para novos personagens escolheram vozes adequadas. Só achei Ramza com uma voz meio desanimada e imaginava uma voz completamente diferente quando lia suas falas nas empreitadas em Ivalice.

CONFLITO

Em comparação com seus predecessores, o sistema de batalha teve que ser refeito do zero. Agora as lutas são de 3 contra 3 e podemos escolher apenas um de 3 enquanto a máquina controla os outros 2. Ainda existe a tradicional luta de 1 contra 1, mas esse não é mais o foco dessa versão.

Contamos com 4 tipos de categorias de combate para indicar especialidades de cada personagem: Vanguard que foca em desferir a maior quantidade de dano possível, sendo algo como um tanque; Assassins que são focados em velocidade e ataques rápidos; Marksmen que tem como prioridade ataques à distância e por fim os Specialists que têm habilidades únicas.

Pense que este modo trabalha mais ou menos como a regra do Pedra-Papel-Tesoura, sendo um estilo mais eficaz que outro e vice-versa. Não que seja impossível um Marksmen ganhar de um Assassino, mas esse sistema cria quase uma necessidade de balanço na escolha do time.

Demais elementos do Dissidia original retornam e os personagens ainda tem 2 tipos de ataque. Os Brave Attacks e os HP Attacks. Desferindo Brave Attacks aumentamos nosso status de Bravery, enquanto diminui do adversário e isso faz com que as lutas tenham um fator contra-ataque enorme pois somente os ataques HP são definitivos e quando o Bravery está acima da vida do adversário, portanto é uma eterna briga em busca de obter mais Bravery que o oponente. Pode parecer meio confuso uma explicação como essa, mas não se preocupe que o jogo conta com um excelente tutorial prático que vai deixar tudo bem claro.

Infelizmente aqueles modos de RPG não existem mais aqui e não temos mais mapa para explorar tampouco equipamentos que melhoram os atributos. Agora o foco no aspecto competitivo o que pode ser bom para uns e desanimador para outros, principalmente para os fã dos jogos do PSP. Esse é meu caso e NT tem muito menos conteúdo que os anteriores. Além do modo história nós temos pouco o que fazer. É possível jogar Online e Offline para conseguir dinheiro para habilitar algumas coisas, (que são bem caras por sinal) fazendo com que leve um tempo considerável para adquirir tudo e passando a sensação de que esse é um recurso totalmente artificial para aumentar a duração do jogo.

Ainda que desprovido de alguns modos de jogo, na sua essência NT é muito melhor que os antecessores. As batalhas são super divertidas e não dá para ficar 1 segundo parado. Faz tempo que eu não ficava tenso com um jogo de luta. Você precisa olhar para todos os lados para ver se não aparece uma magia vindo na sua direção e ainda ter reflexos de ninja para desviar. Situações como essa que fazem de NT um jogo diferente do que temos no mercado. São muitos personagens diferentes para escolher e mesmo que um não lhe agrade de início, experimente dar uma chance. Eu nunca fui fã do Warrior of Light ou mesmo de Final Fantasy I, mas foi só ver os movimentos dele que fiz ele meu oficial!

QUE COMECEM AS BATALHAS

O Team Ninja fez um Dissidia diferente. Não espere todas aquelas customizações dos jogos do PSP, mas de forma alguma deixe esse game de lado caso tenha se divertido com eles. Para fãs de Final Fantasy é difícil não recomendar e para os amantes de jogos de luta diferentes, vale o mesmo conselho.

A decepção que mencionei no começo da análise fica pela falta dos elementos de RPG e mesmo sabendo desde o inicio que se tratava de um port de Arcade, eu alimentava uma expectativa. Enfim, não dá para ter tudo, mas de qualquer jeito temos um novo Dissidia! Ponto para a Square-Enix.

Pontos Positivos

  • Sistema de times muito bem implementado
  • Músicas arranjadas excelentes
  • 60 quadros por segundo

Pontos Negativos

  • Pouco conteúdo no geral
  • Modo história pobre e com progressão confusa
  • Falta do modo RPG presente nos jogos anteriores
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.