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vgBR.com | 22 de setembro de 2018

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Legrand Legacy – Análise

Legrand Legacy – Análise
Pedro Kakaz

Review

Homenagem aos JRPGs clássicos

Legrand Legacy tem alguns problemas e pode não agradar os fãs de RPGs atuais, mas quem procura nostalgia, com ambientação e enredo fantástico tem aqui um prato cheio.

Legrand Legacy é um JRPG baseado em turno com visão isométrica, produzido pela Semisoft e foi financiado em uma campanha no Kickstarter. Está disponível para PC com ports previstos para os consoles Xbox OnePS4 e Nintendo Switch.

Quem nasceu nos anos 90 ou antes disso passou por uma época muito marcante principalmente com a quarta (SNES e Mega Drive) e quinta geração dos consoles (PS1 e N64) que foi a época do auge dos JRPG turn based. Memórias inesquecíveis de Chrono Trigger, Final Fantasy, Suikoden entre outros marcaram minha vida gamer e de muitos outros e é nessa nostalgia, mecânica e histórias fascinantes que Legrand Legacy aposta. O game foi financiado no Kickstarter com a proposta de dar um suspiro nesse gênero, mostrando que ainda queremos sim jogar esse tipo de jogo.

A história começa cativante de uma forma clássica. Finn é um escravo sem memórias que vence de maneira épica o maior guerreiro no coliseu, porém poupa a vida de seu inimigo chamando assim a atenção de Geddo. Geddo e Finn começam sua jornada na travessia de um deserto escaldante onde encontrarão desafios e aliados. Sem muitos spoilers do enredo mas falando da ambientação que foi algo que chamou muito minha atenção de cara foi a caracterização das cidades, Finn começa sendo escravo em uma cidade do reino Legrand que é comandada por leões humanoides. Toda a cultura e forma de falar própria desse povo leão é encantador. Eu que sou fissurado em RPG (principalmente de mesa) dou muito valor a esse tipo de ambientação e cuidado e toda cidade tem sua estrutura e arquitetura própria, representando o povo com uma linguagem própria e vestimentas específicas. Legrand Legacy começa e termina como um clássico RPG, e os clichês estão ali. Temos o herói sem memória e um poder escondido, o velho mago misterioso e a menina bondosa da magia de cura. Mas todos estão bem representados com suas particularidades e interesses próprios.

Da mesma forma são as mecânicas do game. Você reconhece elementos de diversos RPGs mas usadas de maneira respeitosa e polida. O combate é em turno mas o cenário funciona como um “tabuleiro” de seis posições, três frontais e três traseiras, onde quem está na posição frontal ataca corpo a corpo apenas quem está na posição frontal dos inimigos, e quem está na posição traseira apenas recebe e desfere golpes a distância. Essa mecânica torna o combate interessante pois decidir quem vai se estabelecer em qual posição é crucial para a batalha fluir bem. Outra mecânica interessante é a dos tipos dos golpes. Existem três tipos de golpes com armas, cortantes, perfurantes e de concussão, e alguns tipos de magia: Fogo, Terra, Água, Raio, Luz e Escuridão. No melhor estilo Pokémon e Persona esses elementos e tipos de golpes são fraquezas, imunidades e resistências das criaturas e trabalhar com esses elementos e armas diferentes também torna o combate mais fácil ou mais complicado.

Uma coisa simplificada aqui é o sistema de mana que é inexistente. As magias podem ser usadas livremente mas demoram para ser conjuradas, o que faz tudo isso funcionar (inclusive a falta de mana) é o tempo dos turnos. Os turnos não funcionam um de cada vez, ao invés disso todos os atacantes determinam o que querem fazer no início de um turno e ele acontece de maneira aleatória, então se eu coloquei meu mago para conjurar uma magia eu posso ser interrompido por um ataque do inimigo que direcionou esse ataque para meu mago sem meu conhecimento, Dessa forma a magia deve ser usada de maneira estratégica usando as linhas de combate e defesa para que o conjurador não tenha chance de ser interrompido. Por último a mecânica de Shadow Hearts de colocar um quick-time-event durante os combates também foi implementada aqui, quando meu personagem realizar um ataque ou defesa eu preciso acertar o botão no tempo certo para obter sucesso ou obter sucesso perfeito na ação (mais ou menos o que os dados fazem num RPG de mesa). Tudo isso é muito simples e fácil de dominar mas o que me deixou meio frustrado é a quantidade absurda de tutorial que o jogo insiste em jogar na sua cara explicando essas mecânicas. Eu sou fã de um game design inteligente que me ensine a usar as mecânicas por mim mesmo e acho extremamente preguiçoso apenas jogar isso como texto e fotos na minha cara.

O game ainda traz em determinado momento uma mecânica de combate de guerra que eu achei extremamente chata e massivamente didática e eu simplesmente deixaria de lado. Eu diria que Legrand Legacy é para quem quer reviver a nostalgia de jogar um JRPG, quem já é fã do gênero e jogou os principais títulos no passado. Quem está acostumado a títulos como Skyrim, Dark Souls e Witcher 3 e só tem isso de referência de grandes RPGs talvez ache a mecânica da visão isométrica com cenário estático e combate em turno algo massante e travado.

Os gráficos estão bons. Não são fantásticos, as texturas são extremamente simples, os fundos são estáticos como nos JRPG de antigamente e os personagens tem modelagens competentes. Efeitos de fogo, raio e etc são o que mais me incomodaram. Achei que mereciam um polimento maior. O que chama atenção de forma positiva são as cores, alguns efeitos de luz e sombra e a arte do game num geral que está muito boa. Manter as modelagens nos diálogos e nas cutscenes achei um acerto e tanto, dando uma dinâmica e ficando mais fácil de se identificar com os personagens.

A trilha sonora é simplesmente fantástica, eu amei todas as músicas escolhidas e diferentes de alguns RPGs, nesse eu não abaixei o volume para colocar uma música aleatória, jogava ele de fone e aproveitava a ambientação com essa mescla de visual e música que me colocava no clima certo.

É triste que esse tipo de jogo não venha em português e seria muito massa se todo mundo pudesse usufruir do enredo e não só quem domina o inglês. Quem sabe futuramente eles não apostem mais nisso.

Legrand Legacy é ótimo no que se propõe, um jogo nostálgico que com certeza vai fazer os fãs do gênero felizes. Tem alguns problemas e talvez não agrade quem está acostumado com os RPGs de hoje, mas pra quem procura algo que respeita o passado, com enredo e ambientação fantástica, é um game imperdível.

Pontos Positivos

  • Personagens interessantes
  • Sistema de batalha faz homenagem aos RPGs clássicos
  • Enredo e ambientação bem desenvolvidos

Pontos Negativos

  • Muitos tutoriais quebram o clima e levam o jogador pela mão
  • Efeitos das magias poderiam ser mais caprichados
  • Não tem localização para o português
Pedro Kakaz

Pedro Kakaz

Pedro Kakaz é apaixonado por Dark Souls, eterno hero of time, jogador de Dota que ama o trabalho que faz.