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vgBR.com | 23 de setembro de 2018

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Secret of Mana Remake – Análise

Secret of Mana Remake – Análise
David Signorelli

Review

Nostálgico e divertido

Secret of Mana é um remake divertido de uma época onde os RPGs eram mais simples. A dublagem em inglês deixa a desejar e a interface não é das melhores, mas os fãs de RPGs do SNES vão curtir a atualização dessa aventura.

Lançado originalmente para o Super Nintendo em 1993, Secret of Mana teve um grande impacto na época com seus belos gráficos, trilha sonora e uma jogabilidade inovadora. Ele é considerado até hoje um dos melhores RPGs de ação lançado para o console e agora a Square-Enix nos presenteia com um remake desse título para o PS4, PlayStation Vita e Steam.

25 anos já se passaram e o mundo dos jogos mudou completamente. Será que a Espada de Mana ainda tem energia suficiente para fazer a luz adentrar novamente nos lares dos fãs de RPG?

CONTE-NOS UMA HISTÓRIA CURIOSA

Não sei se é apenas impressão minha, mas antigamente os RPGs apostaram em premissas mais simples, desde o começo até o desfecho e Secret of Mana prova um pouco disso. No passado, durante um período não especificado aconteceu uma guerra entre a civilização e os deuses por culpa do uso de mana para abastecer a Fortaleza de Mana, uma nave voadora. Usando o poder da Espada de Mana, o herói destruiu a tal fortaleza e retornou a paz para o mundo.

Como tudo faz parte de um grande ciclo, os eventos estão acontecendo novamente e nosso herói num belo dia de aventura com seus amigos acaba encontrando a Espada de Mana, já enfraquecida. Coincidentemente ou não, o fato do nosso herói ter removido a espada fez com que diversos monstros surgissem nos arredores das cidades, fazendo com que os moradores colocassem a culpa no novo usuário da famigerada espada.

Sem chão, nós precisamos descobrir o real motivo destes acontecimentos e acabar com o mal de uma vez por todas. Ao longo dessa jornada conhecemos 2 meninas que irão nos ajudar e elas tem um papel importante na história.

Uma história básica, mas uma aventura daquelas que remetem uma época mais simples onde a diversão de sair por aí descobrindo coisas novas era o que nos mantinha alugando a mesma fita todos os finais de semana. Uma boa notícia é que ela não mudou, está exatamente como o original salvo por algumas caixas de diálogo, por sorte dos puristas como eu.

AS CORES DE UM CÉU DE VERÃO

Quando pensamos num remake, ainda mais se tratando de videogame, a primeira coisa que vêm a cabeça são os gráficos, certo? Com certeza essa foi a mudança mais evidente desse Secret of Mana, os gráficos em 2D foram substituídos por um mundo 3D que de certa forma recriou bem o universo do jogo. Num geral o jogo ficou bem bonitinho, não é nada que um PS3 não faria ou mesmo um PS2 (com ressalvas), mas tem seu apelo.Os modelos das personagens foram a parte do visual que mais gostei, ficarem super fiéis ao artwork original, porém é uma pena que esqueceram de animar a boca deles quando falam. Chega a ser vergonhoso pois em algumas animações não dá para saber quem tá falando, algo super fácil de fazer e que deixaram de lado. Espero mesmo que seja corrigido num futuro update.

Cenários como cidades e masmorras também tem seu charme, mas muita gente vai falar que parece um jogo de celular mais elaborado e não tiro a razão já o jogo infelizmente teve um orçamento baixíssimo. No entanto eu acho que a equipe de arte conseguiu manter um bom nível em matéria de fidelidade com o material-fonte e isso faz toda a diferença.

Agora que interface horripilante hein, no original já era horrível e não tinham porque manter daquele jeito. É tudo desorganizado e ainda por cima meio travado, dá preguiça só de pensar em entrar no menu. A parte boa é que pelo menos colocaram um mini-mapa com gráfico igual ao do original, um detalhe super bacana e nostálgico.

O QUE A FLORESTA ME ENSINOU

“Em time que está ganhando não se mexe” esse ditado não saiu da minha cabeça desde que comecei a jogar esse jogo. Foram feitas remixes das músicas originais, composições lindas que em sua maioria foram detonadas pelos novos arranjos.

A música da primeira cidade é tenebrosa, colocaram umas batidas completamente nada a ver, quando ouvir a da cidade dos anões então… Vale por curiosidade mas eu realmente só me contive para não trocar para as músicas originais (sim, existe essa opção) por conta da análise mesmo.

Porém o desastre mesmo está na dublagem em inglês do jogo. Parece que voltei para a época dos jogos do PC-ENGINE CD. Queria saber que critério usaram para escolher esses atores horríveis já que não existe um personagem sequer que se salve e o fato de todos os NPCs falarem só torna a coisa ainda mais deplorável.

As falas variam entre o tom irritante até engraçados. Não sei se foi de propósito ou não, mas a Square-Enix nos últimos anos tem tido no seu elenco excelentes dubladores e não é possível que um trabalho incompetente desses foi feito. Vá até o Options e desabilite as vozes, ou melhor ainda, coloque em japonês caso não se importe.

VÔO PARA O DESCONHECIDO

A série Mana é tecnicamente um spin-off de Final Fantasy, no entanto existe muito pouco de comum entre as duas séries tirando o fato de que foram desenvolvidas pela mesma empresa.

Secret of Mana é uma sequência de um jogo de Game Boy chamado Final Fantasy Adventure (conhecido como Seiken Densetsu: Final Fantasy Gaiden no Japão, sendo Secret of Mana chamado de Seiken Densetsu 2 na terra do sol nascente). Como é um RPG de ação, existe muito foco no combate e ele envolve uso de magia ou armas normais, sendo que boa parte do combate feito no mano-a-mano. Existe 8 tipos de armas e todos os personagens podem usar todas as armas. São 4 armas a longa distância e 4 de corpo-a-corpo.

Curiosamente o jogo usa uma espécie de barra de ação para desferir os ataques que vai enchendo automaticamente conforme você anda ou fica parado. Quando está em 100% podemos dar o ataque mais forte, isso faz com que não possamos apertar botões que nem loucos esperando que o inimigo morra, o esquema aqui é mais estratégico.

São 3 personagens jogáveis e podemos controlar qualquer um deles, cada um com suas peculiaridades. Nesse aspecto o jogo é bem variado, dá para fazer bastante experimentação e mesmo com alguns bugs é super divertido evoluir as habilidades, se fazendo necessário em alguns momentos por culpa de picos de dificuldade elevada em alguns chefes.

Existe bastante exploração também. Vira e mexe aparece um obstáculo que só se torna transponível com o uso de algum item em específico, como o machado no começo do jogo para ir até o castelo da bruxa do norte! Outros equipamentos podemos comprar com dinheiro em diversas lojinhas espalhadas pelo mundo. O vendedor de turbante dá um show à parte com sua dancinha carismática.

Uma pena que a inteligência artifical que controla 2 dos nossos personagens seja tão ruim e várias vezes morri porque ficaram parados apanhando de ratos atiradores de flechas o que é um absurdo.

O SEGREDO DA MANA

O único jogo da série Mana que eu realmente fui longe foi Legend of Mana. Em Secret of Mana cheguei a jogar na época e em emuladores no começo dos anos 2000, mas por alguma razão ou outra acabava largando. Esse remake surgiu como uma oportunidade para investir nesse universo, as melhorias compensaram os grandes defeitos e me diverti demais com esse jogo da Square-Enix.

Agora um remake da sequência dele não seria nada mal e ainda por cima inédito para nós aqui desse lado do mundo! Não custa torcer.

Pontos Positivos

  • Gráficos bem bonitinhos
  • Combate divertido e viciante
  • Exploração na medida

Pontos Negativos

  • Músicas remixadas muito fracas
  • Dublagem em inglês está horrível
  • Interface problemática
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.