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vgBR.com | 20 de junho de 2018

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Kingdom Come: Deliverance – Análise

Kingdom Come: Deliverance – Análise
Danilo Morim

Review

RPG de mundo aberto muito realista

Entre erros e acertos Kingdom Come Deliverance tem problemas técnicos, glitches e até alguns bugs, mas é uma experiência memorável e um dos melhores RPGs que tive o prazer de jogar.

Kingdom Come: Deliverance é o primeiro game da produtora independente Warhorse Studios. Disponível para Xbox One, PS4 e PC, o game foi publicado pela Deep Silver e conta um pouco da história da República Tcheca, que por acaso é o país de origem do estúdio.

UMA ESTÓRIA MARCADA NA HISTÓRIA

KCD é um jogo baseado em um período histórico que aborda acontecimentos reais na história da Boêmia (República Tcheca Medieval). Você é Henry que é filho do ferreiro da cidade de Skalitz e o país foi invadido pelo meio irmão do rei com ajuda de nobres insatisfeitos com seu suserano.

Diferente de outros jogos do gênero você não é um personagem “o escolhido” ou alguém especial nesse universo. Seu papel é apenas o de um vassalo em busca de vingança pelas dores causadas pela invasão da Boêmia. Todos os acontecimentos do jogo são verossímeis, com roteiro muito bem escrito, enredo extremamente coerente e uma narrativa excelente.

A história do jogo é muito boa, mas é apenas uma das peças da produção do game. Você pode esperar bons diálogos, um roteiro muito interessante e excelentes set pieces durante o jogo todo. Essa qualidade se mantém nas side quests. O jogo vai manter o jogador interessado seja qual for a linha da história que ele escolher seguir e isso é um ponto muito positivo.

A ambientação é outro ponto alto. Eles tentaram ser o mais assertivos possíveis nos acontecimentos que se desenrolam no período em que se passa o game e também como eram as pessoas e o mundo no período final da idade média.

ROLE PLAYING

Em Deliverance o seu personagem é fixo e isso inicialmente pode nos dar a impressão que o Role Play na hora de desenrolar as Quests seja limitado. Ledo engano, o jogo oferece várias formas e várias possibilidades na hora de realizar as missões, inclusive dando mais possibilidades de abordagem que gigantes consagrados como The Witcher III e Skyrim.

Aqui além de poder levar as coisas no diálogo, em que temos 3 principais possibilidades (carisma, lábia e ameaça), você pode realizar as missões através de outros tipos de ações que oferecem uma outra gama de possibilidades, inclusive incentivando várias jogadas novas.

Falando um pouco da parte mecânica do Role Play você pode ser mais sorrateiro ou pode seguir de uma forma mais direta. Completar quests quando a noite cai pode ser mais fácil.

Num acampamento de bandidos é possível atacar de frente, usando seu arco para chamar a atenção e depois quebrar o pau combate corpo a corpo, opção que é bem difícil pois geralmente serão vários contra você e nesse jogo isso faz muita diferença no combate. O melhor caminho é ser mais estratégico, você pode usar veneno na bebida e comida usando suas habilidades de Alquimia e Stealth, e atacar de forma sorrateira, eliminando um a um. O jogo é recheado de opções de abordagens no combate então fazer uma jogada híbrida entre todas as possibilidades é sempre a melhor opção.

Diferente de outros RPGs que joguei nos últimos anos esse oferece Quests com tempo máximo para serem completadas. Se um cara diz que ele está morrendo e precisa de um remédio essa é uma Quest urgente e precisa ser completada o quanto antes e se passarem alguns dias e você não fizer nada esse NPC vai morrer e a missão vai falhar. Matar NPCs também tem consequências permanentes, tanto para sua reputação (que muda conforme a região em que vive e classe social do NPC) como para algumas Quests que podem falhar ou mesmo nem acontecerem por conta da casualidade.

SISTEMÁTICO E REALISTA

Esqueça facilitações e levar pela mão, Kingdom Come Deliverance é hardcore até os ossos e não vai perdoar seus erros. O jogo não é um simulador medieval, mas está quase lá. Nada vem de mão beijada, seja o dinheiro, as armas ou as mulheres, você vai ter que trabalhar para conquistar seu espaço no universo. Dormir e comer são necessidades no game e inclusive podem te ajudar ou atrapalhar na jogabilidade.

Beber cachaça pode te tornar um alcoólatra e tem diversos efeitos benéficos e maléficos, como te deixar soltinho e te quebrar na ressaca. Comer demais vai deixar seu personagem estufado e com indigestão. Dormir pouco vai te fazer ficar sonolento e cansado. Dar uma trepada com as meretrizes vai te fazer mais confiante. Kingdom Come é cheio de micro gerenciamentos e eu gostei bastante da forma simples que eles trataram essas mecânicas. Elas são complexas sem ser chatas e se tornam tão comuns como em nossas próprias rotinas.

Para salvar o jogo você tem algumas opções e nenhuma delas é quicksave ou abrindo menus. O jogo salva automaticamente em alguns momentos específicos da história e das side-quests, mas no geral suas opções são dormir ou tomar uma bebida que salva o jogo pra você. Essa bebida é cara e bastante limitada, ela pode ser produzida através da alquimia, o que ajuda, mas de toda forma não a torna fácil de obter, obrigando a você pensar muito bem nas suas ações e como irá abordar inimigos e outras missões.

A progressão do game é lenta e sistemática, diferente de outros RPGs você vai ter que aprender algumas coisas antes de poder aprender outras. Um exemplo é a habilidade de alquimia em que você precisa seguir receitas à risca para o caldo dar certo, só que para entender a receita você primeiro vai ter que aprender a ler direito. Isso mesmo, em Kingdom Come Deliverance teu personagem está no padrão da população medieval e começa o jogo sem entender nada do que está escrito num livro. Você terá que aprender a ler e desenvolver a leitura do seu personagem no game.

Para caçar e obter certos materiais você vai ter que ser bom com o arco, trabalhar seu Stealth e evoluir sua habilidade de caçar. Montar cavalos também exige pratica, assim como todas as habilidades do seu personagem no game.

Só para você ter uma ideia o combate do jogo é tão complexo que você vai ter pelo menos 4 skills diferentes para aperfeiçoar. Além disso cada tipo de arma no game exige um atributo (força ou destreza e até ambos) além da proficiência especifica daquela arma. O ataque oferece 5 direções para você e seus inimigos usarem, enquanto temos 3 formas efetivas de se defender (Parry/Riposte, Esquiva e Bloqueio). O movimento continuo é muito importante em combates onde temos mais de um inimigo e posicionar-se de forma correta fará toda diferença no meio do quebra pau.

O game oferece várias camadas de armadura para seu personagem. São 3 para a cabeça, 6 para o torso e outras 4 para as pernas. Tudo isso torna o sistema de combate uma das melhores coisas do jogo e o coloca acima de tudo que temos em jogos em primeira pessoa sendo ou não RPGs.

O carisma em Deliverance é um atributo bastante importante e que está ligado à sua aparência, roupas e algumas outras coisas que realmente fazem sentido na percepção das pessoas e muda a forma como os NPCs te tratam. Outros atributos ligados a suas vestes e outras coisas não ligadas a “passar de level” são o barulho que você produz e o quanto você se destaca no ambiente, a sua visibilidade.

A TÉCNICA NÃO LEVA A PERFEIÇÃO

Infelizmente se tenho uma grande crítica ao game ela é relacionada a parte técnica. Kingdom Come Deliverance é um game muito bonito, mas nada que justifique a desgraça que é a parte técnica. O game sofre de engasgos e loadings em todos os momentos, seja falar com um NPC ou abrir o mapa, e isso é bastante problemático pois atrapalha demais o andamento do jogo. Mesmo rodando em uma configuração de última geração (Intel Core i7 + GeForce GTX 1070), nem na qualidade gráfica mínima eu obtive resultados satisfatórios.

No game também peguei muitos glitches e alguns bugs (eu não sofri com nenhum que quebrasse o game), e alguns me fizeram perder algumas horinhas de jogo.

A trilha sonora embora não seja ruim, não é marcante, o que pra mim não é um problema mas pode ser para outros tipos de jogadores.

A dublagem oficial em inglês é muito boa e embora os efeitos sonoros sejam satisfatórios, sofrem com alguns glitches que incomodam um pouco. O trabalho de animação não é grande coisa, mas era de se esperar de um game independente que o foco não fosse nesses detalhes mais técnicos.

Não temos nem dublagem e nem legendas em português e a linguagem do game não é a das mais fáceis de entender para aqueles que não tem muita familiaridade com o inglês.

GLORIA À LIBERTAÇÃO

Entre erros e acertos Kingdom Come Deliverance não é um jogo perfeito e nem está perto de ser. O estúdio Warhorse pagou o preço por sua ambição, mas os frutos dessa cria serão saboreados com prazer pelos jogadores mais pacientes. Depois de The Witcher III eu não achei que um estúdio indie criando seu primeiro game fosse me surpreender com sistemas de jogo tão únicos e role play de primeira linha.

O game está cheio de problemas técnicos, glitches e até alguns bugs, mas foi uma experiência tão memorável que eu ignorei praticamente todos os seus defeitos e eu não posso deixar de recomendar com força um dos melhores RPGs que tive o prazer de jogar. Eu já passei das 70 horas e creio que vou jogar pelo menos mais metade disso até me dar por satisfeito.

Se você é fã de RPGs tenha em mente que este game tem que estar na sua lista de desejos, nem que seja para pegar daqui um ano quando ele estiver 100% arrumado nas plataformas em que foi lançado.

GLÓRIAS

  • Sistemas de combate profundos, viscerais e viciantes
  • Sistemas de jogo e a progressão são únicos e muito bem realizados
  • História e ambientação muito boas e Role Play formidável
  • Gráficos lindos

DESGRAÇA

  • Não tem localização para o português
  • Parte técnica está um caos com muitos problemas de performance mesmo jogando no Low em uma configuração de última geração
  • Muitos glitchs, loadigns e alguns bugs que comprometem a experiência como um todo
  • Versão dos consoles está ainda pior
Danilo Morim

Danilo Morim

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