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vgBR.com | 22 de outubro de 2018

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State of Decay 2 – Análise

State of Decay 2 – Análise
Danilo Morim

Review

Nota
7.5
7.5

Simulador de sobrevivência

Embora seja mal-acabado, use um tema genérico com rostinho de jogo B, State of Decay 2 é imersivo, muito bem ambientado e com mecânicas de sobrevivência e gerenciamento das mais bem feitas que já tive o prazer de jogar

State of Decay 2 é o segundo game do estúdio independente Undead Labs e é exclusivo para plataformas Microsoft. O primeiro game foi lançado para Xbox 360 e PC em 2013 e foi bem recebido tanto pela crítica como comercialmente. Será que o segundo game acompanha o legado deixado pela primeira versão?

CHEGANDO NO APOCALIPSE

Sendo bem sincero eu não gostei de State of Decay quando joguei o port de Xbox One em 2015. Aquele clima genérico de apocalipse zumbi, carinha de jogo C, gráficos defasados, sistema de combate travado, falta de história/narrativa e as várias outras coisas obtusas do game não faziam sentido e não me permitiram gostar desse game naquela época.

Quando me ofereci para fazer a análise do segundo eu não sabia bem o que esperar, eu nunca gostei desses jogos de sobrevivência, que tem aos montes no Steam, e muito menos de jogos sem objetivos claros e mecânicas repetitivas. Eu tinha tudo para descer a lenha nesse game e jamais pude imaginar que iria passar 30 horas nele.

Eu não vou mentir que State of Decay 2 começou tão ruim ou até pior que o primeiro pra mim, aquele mesmo rostinho de jogo B num corpinho de jogo C e uma proposta completamente genérica e sem sal, não me chamaram atenção. Só que dessa vez eu fui perseverante e aos poucos eu fui aprendendo e criando formas de lidar com um jogo que a todo momento queria, literalmente, me foder.

Os sistemas de jogo tentam simular a realidade miserável de quem teve o azar de sobreviver num apocalipse zumbi. Você começa com um grupo de personagens de merda que mal sabe limpar a própria bunda, mas tem que fazer essa comunidade prosperar no meio das mais variadas formas de filha da putisse que eu já vi num game.

Embora não tenha sido uma jornada perfeita por vários motivos eu gostei MUITO de State of Decay 2 e mesmo com pouquíssimas oportunidades de jogar em coop com amigos (já que recebemos a cópia de review muito antes) eu tive pelo menos umas 8 horas de em partidas online.

QUEIMANDO NO INFERNO

O game começa num tutorial que te apresenta as principais mecânicas de exploração e combate e que serão suas melhores aliadas durante o jogo inteiro. O tutorial também vai ser o único momento fixo no jogo, depois tudo é questão de sorte ou inteligência.

Em pouco tempo o jogo rapidamente vai te mostrar que nem sempre suas escolhas serão felizes, que nada é garantido e que praticamente tudo tem uma consequência. Ajudar ou não ajudar? Ser bom ou mal? Serão várias questões morais que devem ser respondidas pelo próprio jogador.

Logo após o tutorial o game vai te dar opção de escolher entre 3 cenários e te largar num mapa enorme com 4 personagens que conheceu no tutorial, te dar um tapinha nas costas e dizer sem palavra para se virar. No começo ele até indica algumas possibilidades, mas sem pegar na mão. Daqui em diante você vai ter que escolher,  aprender a sobreviver e entender o real sentido dessa palavra.

Contando um pouco da minha experiência, por padrão, se não tenho objetivos eu os crio. Meus primeiros objetivos foram: coletar o maior numero de recursos possíveis e evoluir as habilidades dos meus personagens. Eu apanhei bastante no início e como falei antes State of Decay 2 é um game que valoriza o realismo, então machucados, doenças, cansaço, fome, kits médicos, água, gasolina e vários outros são recursos muito valorosos no universo do game e a falta deles gera consequências.

A minha primeira expedição quase terminou em luto. Eu fui a pé atrás de comida porque a comunidade estava passando fome, no meio da busca a noite caiu e com ela vieram momentos de tensão, quase-morte e literalmente uma corrida pela vida.

O game é bem difícil e muitas vezes até injusto com os iniciantes. Seus recursos são consumidos diariamente, você começa depenado, desarmado, fraco e sem nenhum tipo de auxílio. Minhas primeiras 5 horas foram praticamente todas de aprendizado, sobre o que fazer e o  que não se deve fazer. Qual a melhor forma de se comportar na escuridão, quais as melhores formas de evoluir sua base, que tipo de sobreviventes aceitar na sua comunidade e várias outras experiências e consequências que só tive ao jogar esse game.

Uma das minhas primeiras excursões com veículos me levaram até uma emboscada de outros sobreviventes que pediram ajuda no rádio. Chegando lá eles queriam roubar meus recursos e como se não bastasse essa treta na casa do caralho, a gasolina do carro acabou no meio da volta na escuridão.

Foi assim que eu perdi meu primeiro personagem no game. Essa morte teve grandes consequências na comunidade, eu tinha uns 6 personagens e moral e vontade de viver foi severamente abalada. Eu mesmo fiquei puto e quase ragequitei. Lutei por horas para conquistar recursos, evoluir esse personagem e gerar alguma felicidade para aquela galera, para que em uma oportunidade infeliz meu castelinho de areia ser pisoteado.

Essa experiência e muitas outras histórias serão particulares de cada jogador e foi por essa unicidade e momentos aleatórios como esse que me fizeram gostar bastante de State of Decay 2. O conteúdo do game não é muito variado e os inimigos são inclusive repetitivos, mas foram suficientes para eu crer que aquela cidade existia e me fazer querer vê-la prosperar.

Muitos vão achar esse game trabalhoso e vão se cansar bem rápido. Outros irão imergir completamente nessa experiência de sobrevivência e gerenciamento. Eu não tinha perfil para gostar desse tipo de jogo e acabei me obrigando a ver meus personagens fortes e ajudando os oprimidos e fracos, inclusive online onde mais perto do fim cheguei a doar recursos e armas para os iniciantes.

Eu não posso deixar de recomendar pelo menos um teste. E eu sei que esse game está sendo criticado e não é nem de longe injustamente já que o jogo tem vários problemas que vamos abordar nos próximos tópicos e eu mesmo acredito que faltou polimento e esmero. Talvez seria mais acertado para o estúdio ter mantido esse game na mesma engine do primeiro, ao invés de fazer essa migração total para Unreal Engine. Essa mudança custou tempo de desenvolvimento, muitos recursos e várias melhorias que seriam muito bem-vindas. Apesar dos pesares as mecânicas de jogo e ambientação brilham mesmo sem o esmero que mereciam.

SEGURA ESSA HORDA

Pude jogar no PC e Xbox One padrão e existe uma discrepância de qualidade visual e na performance do game que não está 100% em nenhuma das plataformas. Existem algumas diferenças notáveis comparando os visuais do Xbox Onecom o PC. Para começar o carregamento é muito mais rápido no PC e as taxas de quadros em 60 fazem uma grande diferença. Além disso na versão de Xbox One rolam alguns engasgos sem explicação e visualmente é bem abaixo do que vi na versão de PC. Acredito que a fidelidade visual para quem tem Xbox One X seja mais próxima do que tive no PC.

Outro ponto bem importante é que além desses problemas técnicos o game também está cheio de glitchs e bugs e que podem estragar a experiência de jogo de algumas pessoas. Eu não tive muitos problemas jogando sozinho, um glitchzinho aqui e outro ali principalmente após uma sessão de coop ou alguma buggada de leve nas pedras com algum veículo ou mesmo a pé, mas que são simples de resolver com um restart no game ou até mesmo usando uma função criada pelos devs que tira seu personagem travado de alguma situação como essa.

Infelizmente jogando online eu tive algumas perdas significativas e que inclusive me afastaram um pouco de arriscar jogar o game em coop. Acredito que por conta do lag tenham acontecido comigo duas vezes de perder personagens (morte) graças a algum problema no modo coop. Tirando essas perdas na minha comunidade eu não tive contato com outros problemas grandes, mas ouvi relatos de outros jogadores que o game tem alguns bugs bem chatos.

Falando um pouco da trilha sonora eu a achei boa e embora não seja muito marcante e não tenha muita presença ela combina bem com o clima de desolação e miséria do game. Os efeitos sonoros são muito bons e com um bom headphone irão te causar uma tensão gostosa ou até medo se você for dos mais cagões.

CONDIÇÃO DECADENTE

Embora seja um produto bem mal-acabado, use um tema genérico e ainda mantenha aquele rostinho de jogo B, State of Decay 2 é um jogo imersivo, muito bem ambientado e com as mecânicas de sobrevivência e gerenciamento das mais bem feitas que já tive o prazer de jogar.

Eu mesmo não esperava gostar tanto de um jogo com tantos problemas e tantos poréns. Se você está com dúvidas, eu recomendo assinar o Gamepass onde vai poder aproveitar o game como parte da assinatura.

Agora para quem gosta de tomar tapão na cara e desses jogos de sobrevivência acredito que State of Decay 2 é um dos melhores que essa indústria tem a oferecer. O game tem poucos objetivos claros e não tem enredo, mas tem um mundo e mecânicas realistas. Você vai ter que lutar para prosperar, é quase um jogo-trabalho, num bom sentido. Eu sinceramente recomendo aproveitar o game tanto sozinho quanto em coop, embora seja uma experiência de jogo mais tranquila e muitas vezes melhor, é jogando sozinho que o filho chora e mãe não vê.

SOBREVIVÊNCIA

  • Imersão e ambientação garantidas
  • Sistema de sobrevivência e gerenciamento impecável
  • Sistema de progressão dos personagens
  • Sistema de combate que incentiva a cooperação
  • Planejamento e estratégia são essenciais, o jogo não perdoa erros

DECADÊNCIA

  • Roda com problemas técnicos no Xbox One e no PC
  • Muitos glitchs e bugs que podem acabar com seu jogo
  • Não tem enredo, história e nenhum tipo de narrativa
  • Conteúdo de jogo um pouco repetitivo (inimigos, eventos, objetivos e missões)
Danilo Morim

Danilo Morim

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