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vgBR.com | 23 de junho de 2018

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Detroit: Become Human – Análise

Detroit: Become Human – Análise
Lucas Pitchinin

Review

Nota
8.5
8.5

Eu, Android

Escolhendo sua própria história, espere muita adrenalina e emoção, com gráficos beirando a perfeição. Obrigatório para quem gostou de Heavy Rain ou Farenheit (Indigo Prophecy).

Detroit: Become Human é o mais novo jogo da Quantic Dream, que trouxe grandes títulos como Fahrenheit, Beyond: Two Souls e o aclamado Heavy Rain. Especialista em jogos com um grande foco na narrativa e escolha dos jogadores, o escritor e diretor David Cage nos apresenta uma história de ficção científica, onde, mais do que nunca, as suas ações têm grandes impactos na trama.

O projeto teve sua criação após a apresentação de uma tecnologia desenvolvida pela Quantic Dream em 2012. A demonstração, chamada “Kara”, rodava em um PS3 e foi aclamada pelos fãs de Cage pela sua história emocional e gráficos impressionantes para época.

Após a decepção dos fãs em seu último jogo, Beyond: Two Souls, David Cage mostra que ainda consegue produzir grandes jogos, com escolhas que realmente importam e com sua principal característica, fazer jogos sem “game over”. Durante o jogo todas as ações que você toma ou diálogo que você escolhe têm algum tipo de impacto na história, seja abrindo novos caminhos de narrativa ou até mesmo criando situações delicadas que podem levar um personagem à morte. Esse sentimento de escolha deixa a seu cargo como você quer moldar o caminho da história e da personalidade dos personagens. Melhorando ainda mais esse sentimento de escolha, todas elas são apresentadas de uma maneira coerente e não são divididas entre boas e ruins. Não existem falhas ou acertos, existem apenas ações e consequências.

Bem vindo a Detroit!

A história se passa em um futuro não muito distante, em 2038, onde androides criados para comodidade humana se tornam parte de toda sociedade, ocupando lugares de trabalhadores humanos. As taxas de desemprego são as mais altas da história e mesmo assim e economia cresce cada vez mais graças a alta produtividade dos androides. Com essa história de fundo e com a opinião pública dividida sobre os benefícios dos androides na sociedade que o jogo começa.

Eu, Androide

Você joga no comando de 3 androides em situações bem diferentes: Kara é uma androide doméstica comprada por um pai, dependente químico e com problemas psicológicos, para ajudar com as tarefas de casa, como limpar, cozinhar e cuidar de sua filha; Connor é um androide de última geração e o primeiro a fazer parte da força policial. Ele é um detetive que utiliza todos os seus melhores recursos para completar sua missão; Markus é o androide comprado para cuidar de um artista em seu fim de vida. Assim como Kara, Markus realiza as tarefas domésticas, porém, é tratado como um grande amigo e companheiro pelo seu dono.

A história segue com Connor investigando diversos casos de androides que se rebelaram contra seus donos abusivos. Esses androides são chamados de “divergentes”, que após muitos abusos ou situações de muito estresse “acordaram” e criaram consciência própria para tomar decisões sozinhos. Durante a história de aproximadamente 10 horas, Kara, Connor e Markus passam por muitas situações emocionantes e cenas épicas onde cada um deve lidar com o peso de suas ações, tentando controlar a opinião pública enquanto buscam seus objetivos.

Um dos grandes acertos do jogo foi mostrar no final de cada capítulo a árvore de narrativa, mostrando qual caminho você tomou e quantos outros possíveis você poderia ter feito. Isso, somado ao fato de você pode voltar em cada um dos capítulos podendo fazer ações diferentes tornou muito fácil e incentivou ver todo conteúdo do jogo. Terminar Detroit: Become Human apenas uma vez não é o suficiente para contemplar tudo que esse jogo maravilhoso tem para te mostrar.

Connor tem a narrativa mais interessante do jogo. Você investiga com ele os crimes cometidos por divergentes que se rebelaram contra seus donos. Além do conflito dele ser também um androide caçando outros androides, é muito interessante a relação dele com o parceiro humano, Hank, junto com todo preconceito que a sociedade tem contra os robôs.

Kara foca mais em uma relação emocional com Alice, a filha de seu dono. A história delas segue mais focada em sobreviver do que com resolver os problemas maiores apresentados no jogo. Isso não tira o protagonismo de Kara e qualidade de sua história, graças a muitos momentos emocionantes e de escolhas importantes.

Infelizmente, o personagem Markus foi o que mais deixou a desejar. Mesmo tendo um papel muito importante na história e com escolhas muito importantes para o futuro dos androides, a história de Markus não consegue atingir o seu potencial máximo no fim. Acredito que boa parte da história não ter um desfecho final forte seja pelo fato de Markus ser o único personagem que não tem um apego emocional forte com outro personagem, como a Kara tem com a menina Alice e o Connor com o seu parceiro Hank.

Chloe, seu android pessoal

O menu principal do jogo é apresentado pela android Chloe, a primeira android a passar pelo Teste de Turing (que testa a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano). Ela conversa com você, explica todas as opções do menu jogo, avisa quando você jogou até tarde, puxa sua orelha caso você deixe um android morrer e muitas outras coisas.

Jogo do futuro

A ambientação de Detroit: Become Human é impecável. Os gráficos perfeitos, a iluminação, os cenários futurísticos, a trilha sonora e atuação dos atores deixam o jogo numa apresentação digna de um título da próxima geração. As animações também são excelentes e não deixam a desejar. Todas elas, desde as mais simples, até as mais complexas, foram gravadas com a tecnologia de captura de movimentos. É inquestionável o nível de qualidade dedicado a todas as partes do jogo e certamente vai te fazer babar a cada novo cenário apresentado, especialmente com o belíssimo HDR ligado e em 4K.

Aperte X para ganhar?

Para aqueles que não gostaram dos jogos antigos da Quantic Dream já fica o aviso: as interações e jogabilidade não evoluíram muito em relação aos outros jogos da empresa. Por outro lado, se você é fã desse tipo de jogo que usa muitos QTE (apertar no tempo certo botões exibidos na tela), como jogos da Telltale, você vai adorar Detroit: Become Human. O jogo apresenta também umas mecânicas novas, como explorar ambientes com modo detetive, reconstruir cenas de crimes e planejar uma sequência de ação antes de executá-las.

O jogo é muito mais sobre você tomar decisões rápidas e escolher caminho da história do que executar perfeitamente as cenas de ações. É muito difícil falhar por errar os QTE. É preciso errar muitos botões para que algum evento importante aconteça por causa da falha.

Conclusão

Detroit: Become Human mostra que com muito trabalho e dedicação aos detalhes é possível fazer uma história envolvente e imersiva, dando o controle da narrativa ao jogador. Se você gostou de outros jogos como Heavy Rain, Beyond: Two Souls e outros jogos de aventura da Telltale esse jogo foi feito pra você!

Pontos Positivos

  • Gráficos e apresentação perfeita
  • Momentos épicos e dramáticos
  • Muitas variações de caminho na história
  • Trilha sonora envolvente

Pontos Negativos

  • Gameplay muito limitado por QTE
  • História de Markus
Lucas Pitchinin

Lucas Pitchinin

Mais conhecido como Pitcher, trabalha como game designer e está sempre ajudando amigos a pegar level nos jogos.