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vgBR.com | 10 de dezembro de 2018

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Red Dead Redemption 2 – Análise

Red Dead Redemption 2 – Análise
Átila Graef

Review

Nota
9
9

Simulador de Velho Oeste

Red Dead Redemption 2 oferece uma experiência de época obrigatória para todo fã da temática. Não é livre de defeitos, mas é fácil desviar a atenção deles quando o conjunto apresenta esse nível de detalhes

Red Dead Redemption 2 é o grande lançamento da Rockstar para PS4 e Xbox One e o jogo mais aguardado do ano. Na história a sequência situa-se como uma prequela, onde os acontecimentos ocorrem antes do primeiro Red Dead Redemption.

O ano é 1899, período final do Velho Oeste, onde o bang-bang está saindo de cena graças ao investimento pesado do governo americano na implantação e manutenção das leis que fundaram a base da sociedade moderna. Aqui você está na pele de Arthur Morgan, um fora da lei membro da gangue Van der Linde e vocês estão sendo procurados por um assalto em Blackwater que não deu muito certo e o dinheiro acabou ficando por lá.

O início do jogo mostra bem como a vida naquela época poderia ser difícil, ainda mais quando várias pessoas dependem do seu bando. Esse começo desenvolve o gameplay com um tutorial básico ilustrando as primeiras missões e possibilidades do mundo aberto de Red Dead Redemption 2. O game traz de volta e refina profundamente a mecânica do título anterior, com o combate, tiroteio, sistema de honra, caça e pesca, interação e muito mais, concentrando-se fortemente na escolha do jogador para a história e missões. Certos momentos na história dão ao jogador a opção de aceitar ou recusar missões adicionais e moldar levemente o enredo em torno de suas escolhas.

A jogabilidade apresenta-se de maneira orgânica sem forçar tutoriais, mas colocando em pauta as necessidades dos membros da gangue no acampamento e ao atendê-las você é apresentado as possibilidades no mundo do jogo. Você aprenderá a caçar e esfolar a pele dos animais, a cozinhar alimentos, aumentar o elo com seu cavalo, trocar de roupas dependendo da temperatura ambiente e também a interagir com os outros personagens, possivelmente a novidade mais importante do game.

O sistema de interação permite com que você aborde qualquer NPC pelas ruas e cumprimente ou hostilize, abrindo diálogos distintos e reações positivas ou negativas nos personagens. O diálogo é limitado a apenas algumas linhas entre ser um cara legal, um cuzão ou um bandido e você poderá escalar ou acalmar uma situação se os ânimos estiverem exaltados. E como Arthur Morgan é um fora da lei, é claro que você também tem a opção de roubar alguns NPCs. Mas cuidado, ser um bandido pode facilitar ganhar uns trocados, mas traz consequências negativas para a sua honra, além de você correr risco de deixar que testemunhas relatem seus crimes para as autoridades locais, trazendo problemas com os xerifes de cada região, que vão aumentar a recompensa por sua cabeça até o ponto em que isso atrairá mercenários para te caçar aleatoriamente pelo mundo do jogo. Eu escolhi ser um elemento de altíssima periculosidade em minha jornada e isso dificultou bastante meu progresso no início, portanto a minha recomendação é que você pense duas vezes antes de sair metendo bala em geral.

Há todo um novo sistema de caça e pesca, que fornece comida, renda e materiais para a criação de itens que podem ser comercializados ou ajudar na sua jornada. Na caçada os jogadores devem mover-se devagar, rastreando a presa e observando a direção do vento para evitar alertá-la. Até mesmo a escolha da arma de abate e a localização do disparo são importantes e afetarão a qualidade da carne e da pele e também o preço que os comerciantes pagarão por eles. Após uma caçada bem-sucedida você pode esfolar o animal no local ou levá-lo inteiro. As peles, carne e carcaças podem ser carregadas no seu cavalo e vendidas aos açougueiros ou você pode levá-las ao acampamento para alimentar a gangue e transformá-las em roupas e itens. As partes dos animais também apodrecerão com o tempo e isso faz com que elas comecem a cheirar, o que tornará você um alvo para animais selvagens quando estiver na mata.

Como notaram,  Red Dead Redemption 2 é o jogo da Rockstar que mais se preocupa em simular um mundo real. O nível de atenção aos detalhes poderia facilmente enquadrar o jogo no gênero de simulador do Velho Oeste. E graças a esse sistema realista, o game acaba exigindo diversos cuidados do jogador. Para manter Arthur Morgan na melhor forma, por exemplo, é preciso alimentar-se, dormir, tomar banho, fazer a barba, limpar as armas, cuidar das roupas e do seu cavalo, e tudo isso com inúmeras possibilidades de customização onde você pode trocar desde a sela do seu cavalo até o coldre da sua arma. Mas nada disso é exatamente forçado ou imposto ao jogador, você acaba fazendo essas coisas de forma muito natural reagindo as situações que o jogo apresenta. Ao caçar e carregar a carcaça de um animal morto, você vai ficar sujo de sangue e para limpar suas roupas o ideal é tomar um banho, seja na cidade ou no rio mais próximo. Arthur também pode ganhar ou perder peso dependendo do quanto você faz ele comer, uma característica ausente nos jogos anteriores da Rockstar desde Grand Theft Auto: San Andreas. Mas não é somente nos aspectos de higiene e sobrevivência que o jogo força no realismo.

Rockstar elevou o nível de produção do gênero de mundo aberto que ela ajudou a desenvolver e popularizar, criando um mundo que realmente parece vivo com muitos detalhes e aleatoriedades interessantes que fazem você querer visitar as localidades só pra ver o que está acontecendo e explorar as possibilidades do Velho Oeste. O mundo abrange cinco estados fictícios dos Estados Unidos. New Austin e West Elizabeth retornam do primeiro game e Lemoyne, New Hanover e Ambarino são novos na série.  São muitas atividades possíveis e você vai passar por situações onde presenciará desde brigas e assaltos até pessoas pedindo carona na beira da estrada e ficará ao seu critério tomar partido ou não, esse sendo o ponto alto do sistema de jogo. Se você resolver dar carona por exemplo, o personagem vai lhe contar um pouco de sua história, talvez fale sobre um possível mapa de um tesouro escondido, ou uma dica de uma casa com bens valiosos para roubar. O mundo de Red Dead Redemption 2 não é somente vivo, ele reage e se desdobra de acordo com as reações do jogador de uma maneira muito orgânica, algo que eu ainda não havia visto nos jogos de mundo aberto.

Apesar de todas as melhorias significativas o game ainda mantém a jogabilidade controversa da Rockstar onde os personagens simulam o peso de uma pessoa real, consequência da utilização da engine de física Euphoria, assinatura dos jogos da empresa desde a geração passada com GTA IV. Ao contrário de jogos com os controles mais ágeis, aqui leva algum tempo para se acostumar ao ritmo da resposta dos controles. A maior crítica fica ao fato de Arthur ter que estar exatamente no ponto correto para conseguir alcançar alguns objetivos simples, como amarrar e carregar seu cavalo ou vasculhar um corpo por exemplo. Longes do ideal, felizmente os controles não chegam a ser um problema e só poderiam ser melhores mesmo. É o típico caso do jogador ter que se adaptar a jogabilidade e não o contrário.

A apresentação é outro ponto forte de Red Dead Redemption 2. Esse é o jogo mais ambicioso do estúdio, com um mundo extremamente vasto e imenso, mas que ao mesmo tempo permite que você entre em diversas casas, lojas, barracas, galpões, locomotivas e tudo mais que cruzar seu caminho, vasculhando gavetas, armários, baús, caixas, etc. Esse é possivelmente o jogo mais bonito de uma geração de tantos jogos maravilhosos no departamento gráfico, principalmente pela quantidade de animações diferentes que todos os personagens possuem no gameplay.  O game roda de maneira muito competente mantendo a taxa de 30 quadros em todas as versões, mas a melhor delas é de longe a do Xbox One X, que além de contar com a taxa de quadros mais estável, ainda tem a melhor resolução geral.  Os gráficos em diversos momentos beiram o foto realismo com cenas e paisagens que parecem um filme rodando, principalmente se você desligar a bússola do mapa, deixando a tela sem nenhuma informação do HUD. O modo de fotos é competente, mas ainda deixa a desejar se comparado ao de outros games como Spider-Man e God of War.

A trilha sonora original traz o toque final dessa viagem através dos dias finais do Velho Oeste. O game apresenta uma produção dinâmica e interativa composta por Woody Jackson que também trabalhou no Red Dead Redemption original, L.A. Noire e Grand Theft Auto V além da produção e arranjos adicionais de mais de 110 outros músicos.

Red Dead Redemption 2 oferece uma experiência de época obrigatória para todo fã da temática western, com um dos melhores desenvolvimentos de trama que a Rockstar já produziu até hoje. Não é livre de defeitos, mas é fácil desviar a atenção deles quando todo o conjunto apresenta um nível de detalhes nunca visto antes nos videogames. Eu poderia escrever muito mais sobre como o jogo conseguiu me surpreender inúmeras vezes em uma simples cavalgada do ponto A ao ponto B, mas é melhor deixar que você viva a experiência do game, sem que eu estrague a surpresa. Esse é um daqueles jogos que definem a geração e elevam o nível dos videogames no geral, portanto faça um favor a si mesmo e jogue.

* A cópia de review foi enviada pela Eco Games, distribuidora oficial do jogo no Brasil

O BOM

  • Ambientação fantástica
  • Melhores gráficos já vistos
  • Mundo aberto gigantesco
  • Realismo fora do comum

O MAU E O FEIO

  • Controles demoram a se acostumar
  • Alguns bugs e glitches
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.