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vgBR.com | 10 de dezembro de 2018

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Spyro Reignited Trilogy – Análise

Spyro Reignited Trilogy – Análise
David Signorelli

Review

Nota
9
9

O retorno do Dragão

Com uma historinha bacana, gráficos incríveis, dublagem caprichada e diversão por horas a fio, Spyro Reignited Trilogy é um jogo para toda a família. Se você ainda não conhece Spyro, não poderia começar em melhor hora!

Spyro está de volta e em grande estilo! Reignited Trilogy é um remake dos 3 primeiros jogos da série, que foram desenvolvidos originalmente pela Insomniac Games na reta final da vida do PlayStation original.

Foram jogos que fizeram muito sucesso e mostraram que o console conseguia criar ambientes vastos em 3D com qualidade, contrariando algumas publicações da época, que diziam que somente o Nintendo 64 tinha capacidade para tal.

Não somente tinham belos gráficos, como os 3 jogos da série Spyro tinham qualidade de sobra em praticamente todos os departamentos. Quase 20 anos se passaram e a Toys for Bob desenvolveu um remake do zero utilizando a Unreal Engine 4 e se esforçando ao máximo para manter toda a essência de uma trilogia que os fãs do PlayStation tanto prezam.

NEM A VOZ CONTINUA A MESMA, MUITO MENOS OS CABELOS….

Assim que o jogo começa nós podemos escolher qual dos 3 jogos da trilogia iremos começar. Não resisti e já iniciei com o único que tinha realmente jogado na época, o Spyro the Dragon original.

É uma sensação muito incrível perceber o que 20 anos fizeram nos mundo dos jogos. Ao ver nosso herói eu não acreditei! Spyro, além de estar falando meu idioma, também estava com um visual que pouco lembrava aquele bloco de polígonos roxos da época dos 32 bits.

Uma explosão de cores naquele pequeno cenário já foi o suficiente para me transportar de vez para o Mundo dos Artesãos. Alguns passos adiante e dou de cara com meu primeiro amigo dragão, que foi transformado em um cristal verde pelo vilão Gnasty Gnorc. Ao resgatá-lo, vejo que ele não tinha mais aquela aparência genérica do original: o dragão agora tem um visual único, representando melhor seu personagem – ele troca uma ideia com Spyro (tudo em português! Muito engraçado) e desaparece.

Eu penso “uau, mudou mesmo, mas acho que os demais dragões não terão o mesmo cuidado”. Ledo engano, logo encontro mais remanescentes da região e, para minha alegre surpresa, cada um deles tem, sim, um visual único! Além disso, suas falas foram adaptadas para nosso idioma, permitindo gírias e, com isso, ficando mais engraçado do que já era.

Nesse vai e vem, continuo de queixo caído com o trabalho nos gráficos. As texturas estão de altíssimo nível, os efeitos de iluminação são inéditos em certas partes e diversos detalhes adicionais foram criados. Tudo sem manter o estilo artístico do original.

Desses detalhes, um que me chamou bastante atenção foi a grama. Antes Spyro andava por um cenário chapado (por motivos óbvios) e, agora, a equipe de arte da Toys for Bob adicionou um efeito de grama que interage com os movimentos do dragão e é afetada quando ele joga fogo nela – é bem cartunesco, mas faz toda a diferença. Outro detalhe bem bacana é uma simulação de sombra quando Spyro novamente dispara fogo, gerando uma sombra expandida em ambientes mais fechados. É complicado explicar sem entrar em um âmbito técnico, mas preste atenção na sombra dentro de corredores fechados: sutileza e bom gosto andando de mãos dadas.

Eu poderia ficar muito tempo escrevendo sobre os gráficos dessa trilogia, até porque foi evidentemente o aspecto que mais sofreu alterações quando comparado ao original. Todos os 3 jogos da trilogia são lindos e, por incrível que pareça, conforme vamos avançando nos títulos, a coisa vai ficando ainda melhor.

Year of the Dragon é o ponto culminante da série e que elevou o hardware original ao seu limite. Com cenários bem maiores que o primeiro jogo, aqui temos o melhor exemplo do remake, na minha opinião. A Toys for Bob conseguiu manter uma consistência gráfica nos 3 jogos. Imagino que esse tenha sido um dos objetivos principais, porém, é nítida uma “esticadinha” na qualidade quando chegamos na parte final das aventuras do nosso herói.

Chegamos perto de um filme de animação? Depende do momento. Durante algumas cutscenes, vemos que não estamos tão longe disso, mas durante o jogo dá para dizer que existem ainda alguns artefatos que afastam Spyro Reignited Trilogy dessa conquista. Mesmo assim, continuo achando um jogo lindo e um dos títulos que mais estava merecendo um remake de qualidade. Sorte nossa!

Ok, já deu para entender que o visual é um espetáculo, mas e a trilha sonora? Originalmente composta por Stewart Copeland ex-baterista da banda The Police, Reignited Trilogy conta com uma remasterização das faixas originais. Eu confesso que já não era muito fã da trilha sonora quando joguei no original, músicas pouco inspiradas e que mais serviam de acompanhamento do que qualquer outra coisa.

Aqui a história não muda muito, 20 anos já se passaram, meus ouvidos não são mais como eram antes e mesmo com alguns arranjos mais modernos, a música de Spyro continua não despertando minha atenção, salvo para a canção da fantástica batalha final de Spyro: Ripto’s Rage, que é, de fato, um som excelente.

Mencionei anteriormente que contamos com uma dublagem em português e gostaria de tirar o chapéu para ela. Os dubladores se esforçaram muito aqui e gostaria de mais trabalhos com essa qualidade em nosso país. O Brasil é reconhecido mundialmente pela qualidade das dublagens, mas em jogos nunca vi aquele brilho todo. Acho que Spyro mostra um sinal de tempos melhores!

ERA UMA VEZ UM DRAGÃO…

Não importa qual dos 3 jogos você esteja jogando, Spyro vai lhe divertir demais com desafios inteligentes, estágios muito bem construídos, desafios variados e pelo menos umas 20 horas de diversão em cada um. Os jogos têm um ritmo que faz o jogador não querer largar o controle. E com uma jogabilidade super precisa dessas? Não tem nem o que falar mais.

Poder controlar a câmera com o analógico direito é uma benção dos deuses. Quem jogou o original sabe como era frustrante ficar dependendo do botão de observar para entender o que tinha à nossa volta e, mesmo assim, continuava difícil planejar uma ação mais arriscada sem ter que apelar para tentativa e erro.

Algo que me irritou um pouco foram os loadings, as telas de carregamento. No original levava praticamente metade do tempo que no remake. Claro que aqui temos uma quantidade de memória muito maior para trabalhar, mas tem momentos que chegam a 30 segundos para entrar em uma fase, nada grave, contudo, os menos pacientes precisam saber disso.

O CLÁSSICO REFEITO!

Que jogo, pessoal… Ou melhor, que jogos! São 3 excelentes games em um só pacote obrigatórios para quem é fã de jogos de plataforma 3D, um gênero que está praticamente esquecido hoje em dia.

Com uma historinha bacana, gráficos incríveis, dublagem caprichada e diversão por horas a fio, Spyro Reignited Trilogy é um jogo para toda a família. Se você ainda não conhece Spyro, não tem hora melhor para começar.

Pontos Positivos

  • Unreal Engine 4 fez um bem danado para a franquia, lindo demais
  • Controles perfeitos
  • Desafio na medida e bastante conteúdo

Pontos Negativos

  • Música continua fraquinha
  • Loadings enormes
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.