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vgBR.com | 10 de dezembro de 2018

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Atelier Lydie & Suelle: The Alchemists and the Mysterious Paintings – Análise

Atelier Lydie & Suelle: The Alchemists and the Mysterious Paintings – Análise
David Signorelli

Review

Nota
8.5
8.5

20 anos de Atelier

Fãs de JRPGs que procuram algo diferente vão encontrar aqui um excelente game, com grau de originalidade lá em cima e diversão de sobra.

Em comemoração aos 20 anos da franquia Atelier, a desenvolvedora Gust e a editora Koei Tecmo, trouxeram para nós Atelier Lydie & Suelle: The Alchemists and the Mysterious Pantings(que nome!).

É o décimo nono jogo da série e é o terceiro da sub-saga Mysterious. Mas como assim “sub-saga”? Vou explicar. Desde o começo a Gust tem criado mini-sagas entre os lançamentos, sendo Salburg com 3 jogos, Gramnad com 3, Iris composto de 3 jogos, Mana Khemia de 2, Arland de 3(com um quarto já anunciado para 2019), Dusk com 3 e finalmente Mysterious com também 3, sendo esse jogo da análise o título que vai fechar a saga, totalizando 19 títulos.

Cada uma dessas sagas tem ligações óbvias entre si e ter conhecimento prévio ajuda bastante na imersão. Na maioria dos casos são sequências diretas de forma cronológica, ou seja, personagens que retornam aparecem mais velhos por culpa da passagem de tempo. Aqui na saga Mysterious não é diferente, mas digo para não se preocupar que dá para curtir de qualquer forma, o foco aqui são nas irmãs gêmeas Lydie e Suelle.

AS PINTURAS MISTERIOSAS

Lydie e Suelle são irmãs gêmeas aspirantes a alquimistas, elas são de personalidade forte e vivem em uma cidade chamada Merveille onde tentam de todas formas conseguirem fazer com que seu atelier decole. Elas moram com seu pai, um pintor muito atrapalhado chamado Roger, ele esconde alguns mistérios no porão de sua casa e de jeito algum as irmãs podem entrar lá.

Lydie e Suelle de gêmeas só tem a aparência mesmo, elas são muito engraçadas, mas cada uma tem um jeito de encarar a vida. Lydie é mais estudiosa, presta bastante atenção nas pessoas e não se preocupa muito com exercícios físicos. Já Suelle não consegue ficar 1 minuto ouvindo lições ou mesmo estudando, empurra tudo com a barriga e é desbocada, é literalmente o oposto de sua irmã.

Como falei anteriormente, elas precisam fazer com seu atelier tenha alguma relevância para cumprir a promessa feita para sua mãe. A concorrência na cidade é grande e só conseguindo ter um Rank alto no mundo dos atelieres que elas vão atingir seu objetivo. Eis que, falando com as pessoas certas, elas conseguem uma oportunidade de crescer, desde que realizem alguns trabalhos específicos.

Atividades comuns de alquimistas não vão fazer a diferença para conseguir crescer nesse ranking, porém num certo dia as irmãs invadem o porão de seu pai e lá avistam uma pintura muito diferente, parecendo mágica. Misteriosamente elas entram nessa pintura e vão parar num mundo surreal, cheio de objetos de alquimia que não existem no mundo real. Sem saber como entraram e muito menos como vão sair, Lydie e Suelle visualizam uma mulher de costas que lhes parece familiar.

Depois de andar bastante, as meninas encontram um buraco brilhante e sem muita ideia do que fazer para sair desse mundo, elas arriscam tudo e se jogam nele. Por sorte essa era a saída e acabam voltando para o atelier, onde Roger estava enfurecido estava esperando suas filhas.

Passado alguns dias, elas vão para o palácio real verificar o andamento de seu progresso e Lydie acaba escutando uma voz que vem de uma sala num corredor afastado. A mulher que cuida da burocracia dos atelieres orienta as meninas a verificar o que está acontecendo. Em dois toques elas já se encontram na tal sala e encontram outra pintura misteriosa e mesmo com bastante receio, acabam decidindo entrar nela da mesma forma que fizeram na pintura de seu pai.

A história desse jogo se desenrola dessa forma, com as irmãs se aventurando em mundos fantásticos e conhecendo personagens muito carismáticos. Atelier é uma série que foge bastante dos contos clássicos dos RPGs, aquela onde temos um herói que precisa salvar o mundo das forças do mal, diferente disso aqui a coisa é bem mais pé no chão, fazendo com que pessoas comuns como nós consigam se identificar mais com o universo incrível produzido pela Gust.

As meninas passam por situações bem costumeiras da idade e vão amadurecendo ao longo dessa jornada. Tem passagens bem emocionantes no jogo, ainda mais quando envolve a mãe delas, não pense que só porque o jogo tem um visual fofinho que as coisas serão sempre alegres. Apesar de não achar o melhor enredo escrito para um Atelier, digo que Lydie & Suelle está entre os melhores, faltou um pouco da ousadia de Ayesha ou mesmo a emoção de Totori.

O CAMINHO PARA CASA

A série Atelier é diferentona também em seu gameplay, cada uma das sagas tem suas peculiaridades, entretanto a parte principal é praticamente igual em todos eles. Tudo gira em volta de um enorme caldeirão onde nossos alquimistas fazem suas experiências loucas, seja criando itens usados em combate ou fora dele.

Só que não tem como fazer nada sem ter uma matéria-prima, certo? Nesse momento que precisamos arregaçar as mangas e ir atrás dos famigerados itens de alquimia que ficam espalhados pelas diversas áreas do jogo. Eles estão em abundância pelo cenário, só cabe ao jogador pegar o que realmente compensa para não ficar lotando a cesta com itens inúteis, lembrando que a cestinha de nossas heroínas tem tamanho limitado!

Lydie e Suelle podem pescar, cortar lenha, pegar insetos com uma vara e mais uma infinidade de mini-atividades, tudo isso com o apertar de um botão. Uma das coisas que sempre achei relaxante na série é justamente ficar de boa pegando itens, ainda mais por alimentar a esperança de que pode vir alguma coisa com excelentes propriedades.

Além de fazer itens e explorar os cenários, Atelier Lydie & Suelle traz um sistema de batalha super frenético, no qual contamos com um diversas habilidades físicas e suporte. As meninas também podem usar em batalha alguns itens feitos em seu atelier, que vai desde uma simples bomba até raios que abrem o chão no meio, conforme vamos avançando no jogo o arsenal se torna aterrorizante.

Durante as lutas sempre temos as irmãs, Lydie foca mais no suporte e cura, Suelle já parte mais pro lado ofensivo, portando duas pistolas. Eventualmente outros personagens se juntam à equipe, tendo até 6, sendo 3 na parte da frente e outros 3 de reserva. Existe uma mecânica de troca de personagem que precisa ser dominada para conseguir superar os desafios, esse jogo não é nada fácil.

Explorar as pinturas é um dos momentos mais marcantes do jogo, são como se fossem calabouços surreais que não fariam sentido algum no mundo real. Logo no começo entramos numa pintura que nos leva até um cemitério que mais parece ter sido tirado do filme “O Estranho Mundo de Jack”, isso só para citar um exemplo. As que vêm depois são ainda mais insanas, sempre ficava com uma expectativa para a próxima pintura e o jogo nunca me decepcionava.

Andar por Merville também é legal, lá podemos criar armas no ferreiro Hagel, comprar itens com diversos personagens, visitar a igreja, realizar tarefas com recompensas, dar uma voltinha na praia e por aí vai. Depois de cansar as pernas podemos voltar para nosso atelier e fazer alguns itens malucos, afinal as meninas vão precisar deles!

JORNADA PARA O ALÉM

Atelier Lydie & Suelle é um jogo com um visual focado mais no estilo desenho animado, com cores bem fortes e um design de personagem bem estilizado. Os gráficos em si não se equiparam aos RPGs AAA da atualidade, mas não fazem feio, muito pelo contrário. Eu acompanho a série desde 2004 com Atelier Iris: Eternal Mana no PlayStation 2 e ao longo dos anos percebi que a Gust tem melhorado bastante no departamento técnico, o próprio Eternal Mana tinha um visual bem simples para o que estavam apresentando na época.

Conforme o tempo foi passando, a Gust foi cada vez mais aproximando da expectativa gráfica de cada hardware, mesmo sendo sendo um estúdio bem pequeno e com orçamento baixo. Lydie & Suelle ainda usa a mesma engine dos jogos anteriores, porém conseguiu dar uma impressão bonita para quem está jogando. Alguns cenários como da primeira floresta conta com bastante detalhes, algumas texturas de qualidade e efeitos de luz bacanas, fora que além de tudo aqui temos um ciclo de noite e dia em tempo real, exigindo ainda mais da engine.

Os modelos em 3D do jogo são muito bonitos, principalmente nas batalhas. É daqueles jogos onde você faz questão de ver as animações de combate, são caprichadíssimas. Se você tiver a oportunidade de ver as artes originais dos personagens vai perceber o quão fiel elas foram transplantadas para a engine, Gust está de parabéns.

Algo que ainda precisa melhorar bastante é o bestiário. Os monstros são toscos e parecem ter um terço dos polígonos dos personagens principal, destoa bastante e faz com que nos esforcemos ainda mais para matá-los… brincadeira.

Existe um capricho enorme também na interface, o menu de status é lindo e o mapa com atalhos também não deixa a desejar. Cada personagem importante conta com um emoticon estilizado da sua face e eles aparecem no mapa, é bem fofo.

OUVINDO A VOZ DA VERDADE

Não tenho palavras para descrever a qualidade da trilha sonora de Atelier Lydie & Suelle produzida pelo Gust Sound Team. São tantas músicas incríveis, variadas e emocionantes que poderia ficar falando disso a análise inteira.

Todas as músicas parecem se encaixar perfeitamente com as situações e a quantidade de instrumentos reais só faz a coisa ficar ainda melhor. Além disso também contamos com diversas músicas cantadas, ela é inclusive vendida separadamente da OST, sendo chamada de Vocal Album, algo que tem ocorrido nos últimos jogos da série.

Se por acaso ainda conseguir enjoar das músicas do jogo, você pode ir na PSN Store e baixar de graça mais de 800 músicas de jogos da série Atelier, ou mesmo de outros títulos da Gust. Com essas músicas você pode customizar música de batalha normal, chefe e até mesmo a música que toca no seu atelier, algo que acabamos ouvindo demais.

Eu não cheguei perto de me cansar delas e fico pensando até onde esse time de talentos da Gust vai parar, acredite, é bom mesmo.

A dublagem do jogo é infelizmente toda em japonês, não sei porque decidiram não dublar esse jogo e confesso que estava acostumado com as vozes em inglês no meu Atelier, fiquei decepcionado. Claro que o trabalho de dublagem é excelente, porém teve vezes que a voz da Sue me deixava irritado, dentre outros casos.

Os efeitos sonoros são ridículos e para mim é quase incompreensível isso visto a qualidade da trilha sonora. Não dá para suportar ouvir um barulho de latinha batendo quando desferimos um ataque fulminante ou mesmo tacamos uma super bomba! Vai entender.

A CANÇÃO DOS PINCÉIS

Atelier Lydie & Suelle é um excelente RPG, com um grau de originalidade lá em cima e diversão de sobra. O jogo que veio em comemoração aos 20 anos da série não decepcionou, estou aqui escrevendo essa análise e pensando na bagunça que farei naquele atelier. Fãs de RPG que procuram algo diferente, podem pegar Atelier Lydie & Suelle sem medo de ser feliz, só se certifique a sua tolerância para fofura.

Pros

  • A aventura é emocionante e divertida
  • Visual cartunesco de qualidade
  • Trilha sonora fantástica

Contras

  • Efeitos sonoros continuam toscos, como sempre
  • Dublagem somente em japonês
  • A roupa das irmãs é meio esquisita
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.