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vgBR.com | 10 de dezembro de 2018

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Darksiders III – Análise

Darksiders III – Análise
Átila Graef

Review

Nota
6.5
6.5

Cavaleira sem cavalo

Boa ambientação mas muitos problemas técnicos e de performance estragam a experiência. Pode valer se você gosta de desafios e quiser encarar o game mais difícil da série, mas prepare-se para passar nervoso com a câmera, loadings, controles e glitches.

Darksiders III é a aguardada sequência da saga dos Cavaleiros do Apocalipse criada pela extinta Vigil Games. Desenvolvido pela Gunfire Games e publicado pela THQ Nordic para Xbox One, PS4 e PC na Steam, o game coloca o jogador no controle de Cólera (Fury), considerada a mais enigmática dos Quatro Cavaleiros.

A história se passa entre os eventos de Darksiders I e Darksiders II. Cólera é designada para caçar e destruir os Sete Pecados Capitais, que escaparam do encarceramento pelo Conselho dos Carrascos e agora estão espalhados pela Terra. Cólera é enviada para Haven, último refúgio dos humanos na Terra, onde inicia sua busca.

A trama é interessante e a caracterização dos Pecados em forma de criaturas asquerosas é ótima e compele o jogador a querer caçar os malditos. O problema é que a jornada traz um inimigo muito mais implacável: os problemas técnicos que a desenvolvedora deixou passar, principalmente nas versões de consoles.

Darksiders Souls?

Apesar da jogabilidade e combates manterem-se similares ao sistema criado para os dois primeiros jogos, a progressão de Darksiders III distancia-se de Legend of Zelda e bebe muito da fonte de Dark Souls, com um level design mais fechado com áreas isoladas, liberação de atalhos, conectado com checkpoints distantes, grandes chefes sendo alguns opcionais,  itens de cura lentos e limitados, recuperação de almas perdidas na morte e uma dificuldade acima da média para muitos dos inimigos comuns.

Cólera é ágil, contando inicialmente com pulo duplo e um movimento de esquiva, os controles respondem bem na maior parte do tempo. O maior problema da jogabilidade é que sua espada/chicote, ao melhor estilo da Snake Sword de Ivy em Soulcalibur, conta com movimentos muito erráticos e o hitbox dos ataques demora a acostumar e as vezes não registra, o que acaba estragando algumas sequências e deixando Cólera a mercê dos inimigos. Mas o combate melhora bastante e amplia as possibilidades de combos com a aquisição de novas armas e habilidades baseadas nos elementos Fogo, Raio, Terra e Gelo. Assim como nos primeiros jogos o elemento Metroidvania de liberar essas habilidades para revisitar áreas já exploradas e ter acesso a novos caminhos e itens continua presente, mas em menor escala.

O level design é bem variado, trazendo cavernas, calabouços, florestas, cidades destruídas, grandes coliseus e até mesmo um cenário submerso no fundo de um lago. O mesmo pode ser dito dos inimigos, alguns deles extremamente bizarros parecem ter sido tirados diretamente de Dark Souls.

Mas geral, apesar de ainda ser um jogo longo de aproximadamente 20 horas, Darksiders III diminui o escopo da série oferecendo menos opções que seus antecessores, principalmente na decisão de excluir completamente a jogabilidade com o cavalo. O trailer Horse With No Name ainda induz o jogador a acreditar que haverá um gameplay com o cavalo, mostrando cenas de Cólera cavalgando num deserto que simplesmente não existe no jogo. Você é uma Cavaleira do Apocalipse que anda a pé o jogo inteiro.

O maior problema de Darksiders III é que ele ainda parece um produto em estágio Beta, com muitas pontas soltas na parte técnica. Desenvolvido na Unreal Engine 4, o game apresenta um estilo gráfico em cel shaded com design e modelagem competentes mas muitos bugs e problemas de performance que parecem de um produto inacabado, sem o devido polimento. Muitos desses glitches inclusive quebram o jogo, com problemas de clipping que prendem Cólera no cenário forçando o jogador a recarregar o save, além de pelo menos quatro crashes aleatórios que fecharam o game. Todos esses problemas técnicos ficam ainda mais evidentes nas versões de consoles que além dos bugs sofrem de problemas de performance com queda de quadros e loadings que chegam na casa do minuto. Jogamos a versão de consoles no Xbox One X e o game roda em resolução dinâmica e 30 quadros, mas ainda oferece quedas em alguns cenários inteiros que chegam na casa dos 20 quadros por segundo com vários problemas de frame pacing que chegam a afetar os controles e passam a impressão de que o videogame está engasgando para rodar um jogo que nem deveria ser tão pesado assim.

Para se ter uma ideia do quanto o problema de carregamento é constante, em alguns momentos o jogo carrega por cerca de 1 minuto, para começar o gameplay e em poucos passos dados dentro do jogo, travar a tela para mais um carregamento extra de uma outra sessão do cenário. Apesar de não ser mais grave do que os problemas de Sonic 2006, esse é o pior caso de loading que já presenciei num game desde que joguei a aberração da SEGA no Xbox 360 e só o fato de eu me recordar dessa pérola ao escrever a análise é um indicativo do quão grave é o problema de Darksiders III nos consoles. A melhor versão do jogo roda no PC onde os carregamentos são menores, principalmente se você instalar o game num SSD. Mesmo assim só consegui rodar nos 60 quadros por segundo com um i7 6600k, 16 giga de RAM HyperX Savage DDR4 e GeForce GTX 1080. A sensação é de que o game se beneficiaria muito de pelo menos mais uns 6 meses de desenvolvimento, para otimizar a engine e cortar as pontas soltas.

A trilha sonora é ok, sem grandes composições, mas a dublagem é um dos melhores aspectos do jogo e tanto Cólera quanto os Pecados são muito bem interpretados. Infelizmente o jogo não conta com localização para dublagem, mas traz legendas para os diálogos e menus em PT-BR.

Apesar de ser bacana ver a continuação da franquia Darksiders pelas mãos de outra desenvolvedora, no geral a experiência de Darksiders III foi um misto de menos surpresas e mais decepções e quanto mais eu avançava no game, mais problemas técnicos apareciam e afetavam negativamente minha experiência.  Em muitos momentos eu não morri apenas pelos inimigos, mas sim porque a câmera e o lag nos controles ajudaram meus oponentes a completar a tarefa, o que é frustrante. Persisti pois apesar de todos os problemas, o que funciona no jogo oferece boas possibilidades. A temática é bacana, o level design e inimigos são variados, os poderes são bem interessantes e o desafio prende o jogador, mesmo sendo bastante injusto as vezes. Esse é um daqueles games que talvez esteja muito melhor daqui um ano, quando já tiver recebido todos os patches de atualização e encerrado o seu ciclo de desenvolvimento.

Darksiders III foi o melhor dos piores jogos que joguei esse ano mas com tantos problemas fica difícil recomendá-lo no momento até mesmo para os fãs da série. Talvez valha a pena se você gostar de desafios e quiser encarar o game mais difícil da franquia até agora, mas prepare-se para passar nervoso com a câmera, loadings, controles e glitches.

Pontos Positivos

  • Ambientação com cenários variados
  • Design dos Pecados Capitais e algumas batalhas
  • Poderes de Cólera

Pontos Negativos

  • Apesar do trailer mentiroso, Cólera é uma Cavaleira sem cavalo
  • Problemas de performance com taxa de quadros inconstante
  • Loadings gigantescos nos consoles
  • Bugs e glitches estragam a experiência
  • Faltou acabamento no geral
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.