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vgBR | 22 de março de 2019

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Jump Force – Análise

Jump Force – Análise
David Signorelli

Review

Nota
4
4

Decepcionante

Jump Force é um título raso, jogo de luta fraco com jogabilidade simples, cheio de loadings demorados e uma total falta de carisma. Os heróis da Jump mereciam algo bem melhor.

Jump Force é um jogo de luta desenvolvido pela Spike Chunsoft, distribuído pela Bandai Namco e foi concebido para ser um produto em homenagem aos 50 anos da famosa revista japonesa Shonen Jump.

50 anos é tempo pra caramba e diante disso, grande parte dos mangás/animes mais famosos de todos os tempos tiveram seu início nas suas páginas; dentre eles clássicos como Dragon Ball, Saint Seiya(Cavaleiros do Zodíaco, como ficou conhecido no Brasil), Naruto, One Piece, Hokuto no Ken e vários outros.

Um jogo comemorativo como esse precisava ser algo pelo menos digno dessa revista, mas será que é isso mesmo que foi entregue pela Spike Chunsoft? Vamos conferir nessa análise!

HISTÓRIA

Jump Force começa de um jeito super esquisito, Nova Iorque (e o mundo, eventualmente) estão sendo atacada por seres malignos e cabe a você, junto de Goku e outros heróis, acabar com essa situação. Logo depois de umas cenas bem mal feitas, o jogo te joga para uma tela de criação de personagem onde podemos dar vida a nosso avatar, será ele que iremos encarnar daqui pra frente.

Depois de uma lenga lenga e algumas lutas, provamos por A + B que nosso avatar tem mais do que capacidade para lutar e com isso somos levados até a base de operações onde tudo se concentra, desde as missões principais até as demais opções do jogo. Chegando nessa base nós precisamos decidir em que “facção” iremos fazer parte, tendo a opção de escolher entre a “facção” de Goku, Naruto ou Luffy, a escolha muda algumas coisas na história, mas ela serve mais para definir que tipo de atributos nosso avatar vai desenvolver, algo meio RPG, apesar de que acho forçar a barra definir como tal.

Os eventos principais do jogo se desenrolam por missões e a grande maioria é bem chata de assistir, é sempre alguma conversa irritante ou mesmo algo sem sentido, com nosso avatar fazendo papel de bobo enquanto os participantes falam alguma baboseira. Desperdício de potencial imenso nessas cenas de história, podiam fazer muita coisa com a quantidade de personagens clássicos que tinham ao seu dispor. Para não dizer que tudo ficou aquém do esperado, eu gostei de uma das cenas onde Zoro enfrenta Kenshin, os 2 espadachins mais habilidosos do universo de Jump Force, ficou realmente demais essa parte.

Por fim o modo história só serve pra fazer o jogador de bobo, é fraca e são pelo menos 13 horas até os finalmentes, dando um gosto amargo de que poderiam ter feito coisa bem melhor, uma total decepção.

GAMEPLAY

O sistema de jogo de Jump Force é super simples, escolhemos um trio de personagens e as lutas são travadas em arenas enormes, com poucas variações de tamanho. Cada personagem pode desferir 4 tipos de ataques especiais que gastam a barra de especial, essa barra pode ser carregada a qualquer momento com o segurar de um botão específico. No comecinho, ainda com nosso avatar, nós temos alguns ataques à nossa disposição e com eles já dá para sacar o nível de profundidade que esse jogo de luta vai ter.

Os ataques especiais possuem alcances e dano únicos, nosso herói pode aprender praticamente qualquer ataque de qualquer personagem, fazendo dele um “coringa” e eventualmente o boneco mais roubado do jogo. Essa customização toda é feita em lojas dentro da base de operações, nessas lojas vende-se de tudo, desde ataques até coisas cosméticas como roupas, acessórios e afins. No fim meu avatar era um genérico com golpes de espada(mesmo não tendo uma), um Kamehameha para ninguém botar defeito, um Leigun de responsa e um ataque de meteoros que esqueci o nome.

Curiosamente, esses são ataques dos meus animes favoritos que fazem parte desse jogo, meu lindo genericão com os golpes mais legais, eita empolgação… Só que infelizmente nem isso conseguiu salvar Jump Force de ser um jogo terrível. As lutas são muito básicas, não tem profundidade alguma e os golpes, mesmo sendo legais pacas, alguns demoram uma eternidade e no final das contas ficamos mais assistindo do que qualquer outra coisa. É um jogo bem legal para quem tá vendo o amigo jogar, visto que pelos trailers realmente parecia que a jogabilidade seria bacana.

Ah, se ainda tiver paciência podes evoluir individualmente qualquer um dos +40 personagens disponíveis em Jump Force, melhorando seus atributos e até customizando alguns dos seus ataques, lembro que alguns deles possuem até transformações como Goku em Super Saiyajin e Luffy em Gear 4.

Não dá para deixar de mencionar os loadings que talvez sejam o pior defeito do game…Credo, não lembro a última vez que vi um jogo de luta com telas de carregamento tão enormes, acho que tá nível os jogos de Neo-Geo CD, sem exagero. Só para o jogo iniciar já é uma demora absurda, ai quando entra nós somos obrigados a escolher todas as opções através da base de operações com um hub enorme. Lá precisamos ANDAR até os guichês de atendimento para conseguir travar uma luta simples, tudo coisa que poderia ter sido facilmente através de menus ou atalhos. É uma situação tão absurda que parece mais aqueles jogos experimentais de luta dos anos 90, por sorte que a seleção de personagens ainda é feita por um menu super básico, o problema é até chegar lá.

Nessa base de operações é tudo longe, entretanto podemos usar vários veículos toscos como meio de transporte, veja só! Desde uma Honda Biz até um barco voador, são opções para todos os gostos, porém melhor se na real essa base nem existisse, torço em nome daqueles que gostaram de Jump Force para que a produtora faça uma versão Lite dessa base só com menus simples e práticos!

GRÁFICOS

Finalmente uma parte que a Spike Chunsoft acertou… uns 80% pelo menos. O jogo usa um estilo de arte mais realista, puxando bem para algo fiel ao nosso mundo, para se adequar aos cenários onde as lutas são travadas. O problema é que todos os personagens tem traços de mangá e por isso não combinaria com visual realista, certo? Eu me surpreendi com o resultado final, claro que torci o nariz inicialmente, porém durante o jogo ficou muito bacana, ainda mais por apresentar efeitos especiais super coloridos que enchem os olhos. Não dá para negar que Jump Force é um jogo bonito, a modelagem dos personagens ficou bacana e até meu avatar ficou legalzinho. Os cenários são ainda mais bonitos, especialmente o cenário de Paris, esse eu achei espetacular, o que me deixa chateado por desperdiçar todos esse trabalho em um jogo medíocre.

Nem tudo são flores, evidentemente. As animações durante as cenas de corte são tristes de tão feias e mesmo algumas durante as lutas parecem tiradas diretamente de jogos de PlayStation 2, empobrecendo ainda mais a obra como um todo. A interface é horrorosa, sem esmero algum e que parece ter sido tirada de algum template de menu de cadastro de produto feito por um estudante de Java, não somente feia é também lenta, cheia de lag, um show de horrores.

SOM

Com uma dublagem competente e músicas mais genéricas que meu personagem, temos mais uma categoria meia boca neste título, poxa, nem para ter algumas músicas licenciadas? No lugar disso contamos com uma orquestra qualquer que parece estarem fazendo música para o próximo filme dos Vingadores.

VEREDITO

Jump Force é um jogo de luta fraco, pobre, sem personalidade alguma e que mancha o nome da Shonen Jump como uma das homenagens de maior mal gosto que já vi na vida. Um título raso, cheio loadings demorados e uma total falta de carisma.

Os heróis da Jump mereciam algo bem melhor e quem sabe na homenagem de 100 anos algum outro estúdio possa fazer jus ao legado carregado por esses personagens incríveis que ainda fazem a cabeça dos fãs no mundo inteiro.

Pros

  • Gráficos muito bonitos
  • É engraçado andar com os veículos na base
  • Bastante personagens

Cons

  • Jogabilidade simples demais, sem profundidade e com ataques especiais que quebram o ritmo
  • Toda parte sonora é ruim
  • História poderia tacar no lixo
  • Loadings maiores que fila de lotérica em dia de pagamento
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.