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vgBR | 22 de março de 2019

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Dead or Alive 6 – Análise

Dead or Alive 6 – Análise
David Signorelli

Review

Nota
8
8

Jogão de luta

Reúne tudo que a série teve de bom e até peca em alguns pontos, mas nada tira o brilho de um jogo competente, com bastante conteúdo e uma historinha boba para quem gosta de fan service. Recomendado!

Uma das séries mais famosas de jogos de luta em 3D está de volta com Dead or Alive 6, disponível para PlayStation 4, Xbox One e PC. A versão dessa análise é a de PlayStation 4.

Eu me tornei fã dessa série logo no primeiro jogo lá em 1998 no Sega Saturn. Ele foi desenvolvido usando a placa Model 2 da SEGA e trazia gráficos impressionantes para a época, tão bons ou até melhores que o lendário Virtua Fighter 2. Não somente os visuais que chamavam a atenção, mas o cuidado que a Tecmo (bem antes da fusão com a Koei) teve com o elenco feminino do game.

Diferente da maioria dos jogos de luta daquele tempo, DoA deu muita ênfase aos personagens femininos que literalmente ofuscavam os trogloditas. As meninas tinham bastante personalidade e estavam até na capa do jogo, mostrando que elas que mandam nessa história. Para não dizer que o lado masculino estava fadado a obscuridade, resolveram meter lá o Ryu Hayabusa, o mesmo Ryu da série Ninja Gaiden.

O sistema de luta de Dead or Alive no começo era bem simples, porém divertido e bem mais acessível que Tekken e Virtua Fighter por exemplo, qualquer um podia em pouco tempo de treino já conseguir desferir golpes alucinantes. Algo que achava bem legal e original era as arenas com explosivos no chão, bastava jogar o adversário nelas que eles saíam voando, meio exagerado, mas extremamente satisfatório!

Logo depois veio a versão de PlayStation com algumas melhorias e a adição de Ayane, a ninja que é a rival de Kasumi, a protagonista de Dead or Alive. Dentre as melhorias também tinha a parte gráfica que recebeu modo de alta resolução, deixando tudo mais bonito. Sem sombra de dúvidas foi um dos jogos de luta que mais joguei naquela geração.

Mais alguns anos se passam e vejo em uma revista o anúncio de Dead or Alive 2 com gráficos de cair o queixo, lembro nitidamente de ficar babando para aquelas imagens minúsculas só imaginando como deveria ser aquilo rodando na minha frente. A compra do meu Dreamcast já estava engatilhada só no aguardo desse título (e muitos outros, claro). Além de rodar a 60 quadros como o original, os personagens estavam muito bem feitos e os cenários… nossa, era um mais impressionante que o outro.

Cenários multi-níveis que se tornaram padrão na série começaram aqui e para quem nunca viu, os cenários(ou estágios, fases, como preferir) podiam ter diversas “etapas”, por exemplo, um dos cenários era em cima de um templo e se você derrubasse o adversário para baixo, a luta continuava onde o oponente caiu, dando um super dinamismo para as partidas. Até hoje eu amo esse jogo e artisticamente ainda considero o mais belo da série, fora que também tem as melhores músicas na minha opinião.

Dead or Alive 3 foi posteriormente anunciado para o Xbox, novamente mostrando uma evolução imensa na parte gráfica e lá estava eu babando para imagens pequenas em uma revista. O sistema de jogo em si não teve grandes mudanças, mantendo os cenários multi-níveis e todo aquele carisma das personagens.

Na geração HD, a Tecmo apresenta ao mundo Dead or Alive 4 para o Xbox 360. Apesar de poucas mudanças, eu amei o modo história e em especial as cenas em CG do final, com direito ao som de Amazing da banda Aerosmith, mostrando o desfecho das aventuras da personagem Helena. Nem preciso dizer que esse jogo era lindo de morrer, ainda mais com toda a definição gloriosa em HD, não é exagero falar que ele continua um dos jogos de luta mais belos daquela geração.

Alguns bons anos depois, já sob nome de Koei-Tecmo, é lançado Dead or Alive 5. O jogo procurou dessa vez trazer um pouco mais de “sobriedade” a série, com o uso de cores mais realistas e tentando quase que totalmente abandonar o estilo “pseudo-anime” que vinha sendo usado até então. Algo sempre polêmico na série, as mulheres do jogo foram menos sexualizadas e inclusive a própria história teve uma pegada mais pé no chão. Confesso que nunca me importei com a história de Dead or Alive, mas definitivamente achei chata a dessa versão.

Como vocês podem ter percebido, foi uma grande jornada desse que vos escreve no mundo de Dead or Alive. Agora irei dar minha opinião sobre a sexta versão que a Koei-Tecmo, ou melhor, o Team Ninja trouxe para nós jogadores fãs de uma boa pancadaria.

HISTÓRIA

Eu recomendo fortemente que você comece pelo modo STORY pois irá acabar a decepção o mais cedo possível. Sim, o modo história é bem fraco, fácil e confuso. Esse modo funciona da seguinte forma: você primeiramente escolhe um episódio, por exemplo, Episódio 1 – Kasumi, aí termina esse episódio e abre Episódio 2 – Lei-Fang, não seguindo uma ordem específica.

Sei que pode parecer implicância, mas isso faz com quem vai jogar um pouco de cada vez, acabar ficando perdido. Eu mesmo quando voltava pra ele tentava lembrar o que aconteceu no episódio anterior de Brad ou sei lá, qualquer outra situação. Era muito melhor se tivessem feito algo linear.

Porém nada disso adianta se o modo em si é sem graça, as cenas de corte variam entre vergonhosas ou sem sentido, tudo com uma animação terrível e com uma dublagem que cruz credo, por favor coloque em japonês caso tenha alguma consideração com sua sanidade. Nem vou me prolongar muito e falar que o desfecho é previsível e que obviamente dá margem para uma nova versão… ainda bem!

JOGABILIDADE

O Triangle System ou “sistema triangular” está de volta e em sua melhor forma. São 2 botões para o Strike, 1 para o Hold e outro para o Throw; sendo que o Strike (soco e chute) ganha do Throw (arremessos), Throw ganha do Hold (defesa) e Hold ganha do Strike. Não se preocupe se estiver achando complicado, o jogo conta com um Tutorial detalhadíssimo de cada personagem.

Dead or Alive nunca teve controles tão bons quanto nessa versão. Todos os personagens são uma delícia de jogar, com comandos precisos e diversos golpes novos. Falando em novidade temos 2 novos integrantes, Diego e NiCO, que trouxeram algumas propostas interessantes e não sendo mais personagens para encher linguiça.

Algo que não poderia deixar de mencionar é o Fatal Rush que é influenciado por uma barra chamada Break Gauge que é preenchida conforme desferimos e sofremos ataques, algo semelhante ao que acontece na maioria dos jogos de luta em 2D. O Fatal Rush é um combo rápido e simples de executar, permitindo que funcione como um “comeback” para casos de vida ou morte(hehe), o mais legal é que depois de aplicar o ataque o azarado que apanhou fica com parte da roupa danificada e até chega a soltar o cabelo das personagens que prendem como cabo de cavalo.

Cenários multi-níveis estão firmes e fortes, mas não sendo tão óbvios quanto sua “ativação”, precisa realmente ir experimentando para conhecer onde fica o perigo. Tem um cenário super doido onde conseguimos ver alguns ovos de dinossauro gigantes espalhados, se você joga o inimigo em direção a esses ovos eles se quebram e um pterodáctilo enfurecido aparece para dar uma lição, obviamente dando mais dano.

Outros cenários seguem a premissa clássica com quedas, deslizamentos e outros efeitos malucos, sempre com aquela garantia de que algo vai acontecer.

Se tratando dos modos de jogo aqui temos o básico como Arcade e aquele Versus clássico, somado ao DOA QUEST que tem um nome mais promissor do que realmente é, eu imaginava uma espécie de modo “RPG” estilão Street Fighter Zero 3, mas é nada mais do que um modo missão onde conseguimos dinheiro para comprar roupinhas e acessórios (não custava sonhar…), afinal o que seria de Dead or Alive se não pudéssemos brincar de Barbie com as meninas, certo?

Fiz algumas partidas no modo Online e confesso que fiquei surpreso com a qualidade do Netcode, foram partidas bem suaves com pouco lag, nada que não dê pra melhorar, mas se baseando no que já temos é garantia de sucesso, é torcer para que a comunidade realmente se empolgue como aconteceu na versão F2P de Dead or Alive 5.

GRÁFICOS

Eis que infelizmente chego num dos pontos mais decepcionantes do jogo para mim, a parte visual. O jogo está longe de estar feio, mas dava para ter feito coisa bem melhor nesses 7 anos que separaram Dead or Alive 6 da última versão. De longe dá para ver texturas de baixa resolução e geometrias simples, a escolha artística para o visual como um todo também deixa a desejar, nada lembrando aquelas cores vibrantes do segundo jogo, entretanto pode ter pessoas que prefiram dessa forma, vai de cada um.

Os modelos poligonais estão com detalhes mais elaborados e dinâmicos, visto que eles podem ficar sujos, ter a roupa rasgada (nada explícito) e até mesmo suor, bem semelhante ao que vimos em jogos de luta mais verossímil como UFC e Boxe. A animação continua aquele exagero todo, com todos os estilos de combate sendo expostos de forma cômica, passando do kung-fu bêbado, ninjutsu até luta-livre, o que não falta no game é variedade.

A performance do jogo é bem estável, com 60 frames por segundo em boa parte, nada a reclamar aqui e vale mencionar que nas opções gerais existe uma configuração gráfica que pode ser alternada entre priorizar gráficos ou priorizar a ação, testei exaustivamente ambos e não percebi diferença alguma, talvez ainda saia algum patch que “ative” de fato essa função porque até agora nada.

SOM

Com uma trilha sonora agradável, Dead or Alive 6 não chama atenção e também não vai ganhar prêmios. Algumas faixas se destacam como o tema do estágio DOA COLOSSEUM e o tema de Ayane, uma pena que o resto se resume a música de elevador, no fim só me fez ficar com saudades da época inspirada de Dead or Alive 2.

O trabalho de dublagem é tão ruim que se não tivesse opção de áudio em japonês eu iria preferir jogar sem vozes, sei que jogo de luta não tem tanta importância quanto em jogos onde exige uma super atuação, mas trabalho preguiçoso assim é inadmissível.

VEREDITO

Dead or Alive 6 é um jogo que realmente vale a pena, ainda mais para os incansáveis jogadores de jogos de luta. Ele engloba tudo que a série teve de bom em matéria de jogabilidade e deixa a peteca cair em alguns aspectos, mas nada tira o brilho de um jogo competente, com bastante conteúdo e uma historinha boba para quem gosta de um bom fan service.

Pros

  • Controle de personagem excelente, movimentos variados e uma boa quantidade de combatentes faz do jogo um pacote completo
  • Modificação no visual dos lutadores deixa as lutas ainda mais emocionantes
  • Modos de jogo de qualidade, garantindo diversão por um bom tempo

Cons

  • Escolha artística que pouco lembra as origens da série
  • Parte sonora decepcionante
  • Modo história confuso
  • Dublagem em inglês bem ruim
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.