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vgBR | 20 de maio de 2019

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The Caligula Effect: Overdose – Análise

The Caligula Effect: Overdose – Análise
David Signorelli

Review

Nota
8
8

JRPG com trama mais adulta

Sistema de combates genial, uma trama envolvente e trilha sonora excepcional. Poderia melhorar os gráficos e alguns sistemas específicos, mas é recomendado para os fãs de um bom rpg japonês.

The Caligula Effect: Overdose é aquele típico jogo que chama a atenção só pelo nome, depois que damos uma espiadela no que se trata, logo fica evidente que não é algo que se vê todos os dias.

Inspiradíssimo nos últimos jogos da série Persona (3, 4 e 5), a FuRyu desenvolveu um RPG de turnos com ideias interessantes para o PS4. Switch, PS Vita e Steam, algumas muito bem desenvolvidas e outras que com um pouco de esmero poderia ter se transformado em algo especial. Como podes perceber, até essa análise está um tanto “misteriosa” e tudo isso é culpa do jogo insano que irei detalhar a partir de agora.

PROTÓTIPO SUICIDA

Bem vindo à Mobius, um universo paralelo onde você pode ter a vida perfeita que sempre desejou sem ter que abrir mão da sua consciência. Neste lugar fantástico criada por “µ” e Aria, diversas pessoas com diferentes traumas e complexos vivem uma vida paralela e que nada se parece com a do mundo real.

Pessoas que sofriam depressão agora vivem sem sombra da doença, pessoas infelizes por serem mais gordinhas agora podem ter um corpo bonito e continuar comendo sem se preocupar, pessoas com problemas de relacionamento agora possuem o tempo todo alguém para lhe confortar, dentre outros milhares de casos.

Apesar de toda essa gente estar em Mobius por um motivo, alguns poucos conseguiram “perceber” que estão vivendo uma mentira, dentre eles nosso herói do qual nomeamos no começo do jogo. Em pouco tempo ele encontra um personagem chamado Shogo que o convida para fazer parte do Go-Home Club, que nada mais é que um grupo de indivíduos que se tocaram de que não estão no mundo real e que procuram juntos uma resposta para toda essa insanidade.

O comportamento das pessoas que não fazem parte do grupo é de uma total alienação e adoração a “µ”, agindo de forma irracional e eventualmente perdendo o controle depois de um tempo. Mas quem diabos é “µ”? Colocando de forma simplificada, ela é um programa de sintetizador de voz que juntamente de Aria(também um programa do tipo), conseguiu obter vontade própria, consciência e ego.

Elas criaram Mobius com um intuito completamente diferente do que acabou acontecendo de fato(a famosa ideia utópica da felicidade total), Aria não aceitou essa situação e passou a confrontar µ que pouco parece se importar com a calamidade causada por elas. Eventualmente nosso herói e Aria se encontram, passando a partilhar do mesmo objetivo de encontrar µ e botar um fim nessa história, porém lógico que o caminho até lá não será nada fácil.

O bacana disso tudo é que o game consegue trabalhar bem esses temas com diálogos bem estruturados, personagens interessantes e tudo com uma personalidade forte, desafiando padrões do gênero com situações mais adultas, uso de palavras de baixo calão, sem medo de falar sobre sexo, doenças sérias e até suicídio. Definitivamente não é algo que vemos todos os dias em RPGs, mostrando que o gênero pode sim focar em um público mais velho sem precisar apelar para um visual realista.

SÍNDROME DE PETER PAN

Tão louco quanto sua história, é quando estamos sob controle do nosso herói. The Caligula Effect Overdose tem sua jogabilidade baseada em dungeons com temas baseados em diversos locais do Japão. Lógico que temos a escola, que além de ter diversos estudantes perambulando por ela, também conta com o QG do Go-Home Club, a pacata sala onde os membros discutem seu próximo objetivo.

A parte de exploração é bem simples e infelizmente um pouco repetitiva por causa do visual, nada de muito evidente diferente uma parte da dungeon de outra, fazendo com que precisamos ser mais dependentes do mapa, porém para quem está acostumado com dungeon crawlers isso não será um problema. O botão de corrida é bem conveniente para explorar as áreas com mais eficiência, só tome cuidado com os inimigos, chamados aqui de Digiheads, eles possuem indicadores de nível em cima de suas cabeças, portanto evite batalhas quando os níveis estiverem muito acima do seu.

As lutas são demais nesse jogo, cada um dos 4 personagens que podemos usar em combate podem escolher 3 ações distintas, variando de ataques diversos, suporte ou até mesmo tentar fugir da batalha. O lance diferentão aqui é que podemos verificar antes de confirmar a ação, qual a probabilidade dela funcionar, basta verificar a porcentagem no canto superior esquerdo da tela.

Beleza, mas o que isso implica de fato? No começo as lutas ainda são simples, porém conforme vão entrando mais personagens, o preparo se torna essencial para a sobrevivência. Vou dar um exemplo: vamos supor que eu queira dar um ataque com o herói jogue o inimigo para cima(essa é uma das coisas mais legais) e logo depois atinja o inimigo com um ataque aéreo especial de Shogo que só funcione se o inimigo estiver no ar, desferindo um mega dano no adversário! Bacana, certo? Sim, mas e se ataque inicial do herói falhar? Shogo inevitavelmente também irá errar o ataque e ambos ficarão vulneráveis, correndo o risco de morrer.

Pense que isso é só a ponta do iceberg, existe bilhões de tipos de situações que vão deixar os mais estrategistas babando com as possibilidades. Com um sistema de luta divertido desses, é claro que poucos vão passar batido pelas lutas(dá pra desviar fácil dos digiheads se quiser) e com isso terás personagens super overlevel, portanto recomendo fortemente jogar pelo menos no Hard, que é uma dificuldade relativamente desafiadora.

Além das dungeons e batalhas, um dos pontos mais loucos a ser mencionado sobre The Caligula Effect Overdose é o fato de que dentro do Mobius nós podemos recrutar para nossa equipe nada mais, nada menos do que uns 500 personagens… isso mesmo que você leu.

Claro que esses personagens não são 100% autênticos e eles possuem ataques que são semelhantes aos usados pelos personagens da nossa equipe, mas alguns possuem status base que faz valer a pena o uso deles, porém no fim não quis ficar andando com uma tropa de genéricos e optei por usar os principais mesmo.

Como mencionei na parte da história, pessoas que perambulam pelos cenários do jogo não estão cientes de que estão dentro de um mundo alternativo e se você quiser pode ajudá-los, entendendo seus traumas realizando uma série de side-quests.

Essa parte poderia ser um pouco mais explicada, várias vezes deixei de realizar os desejos dos coitados justamente porque não entendia bem os requisitos, alguns são claros como equipá-los com um determinado item, entretanto teve outros que com aquela vaga explicação acabou deixando tudo mais confuso.

Dentro do menu principal do jogo podemos ver um gráfico de relação entre todos os personagens do jogo, quem conhece quem e da onde fazem parte, ajudando um pouco para encontrá-los futuramente caso precise, confesso que também não achei nada intuitivo esse gráfico, infelizmente. Ainda no menu principal, contamos com um recurso tipo WhatsApp que permite trocar uma ideia com todos os personagens, sejam os aleatórios ou mesmo a galera descolada do Go-Home Club, recurso bacana para quem deseja se aprofundar ainda mais na história.

Antes que eu me esqueça, o “Overdose” que está no nome do jogo se refere ao conteúdo extra em relação jogo original, The Caligula Effect. Esse conteúdo nada mais é que uma história adicional que permite nosso herói ver parte da história sob os olhos de µ, dando uma perspectiva diferente para a trama.

A RAINHA SÁDICA

The Caligula Effect Overdose traz uma pegada super minimalista para com seus visuais, usando pouco dos recursos da Unreal Engine 4. Originalmente ele era um jogo de PS VITA e em certos momentos isso fica evidente, principalmente nos personagens que praticamente não possuem feições ou mesmo animações diversificadas. Não que eles sejam feios, mas podiam pelo menos fazer jus a belíssima arte que os acompanha nos diálogos ou até nos menus, é um mais lindo que o outro.

Com os cenários a história já é um pouco mais feliz, eles foram todos retrabalhados e possuem texturas de melhor qualidade, somado a efeitos de luz mais sofisticados. Também não espere nada demais, para um RPG acredito que está muito satisfatório, ainda mais que ele roda com uma performance bacana, tendo alguns slows quando a coisa tá caótica durante as lutas.

Não esperava ter que mencionar isso, mas o jogo possui um atraso nos comandos meio irritante, isso tanto durante as lutas, quanto nos menos e principalmente durante as cenas que precisamos tomar uma decisão, portanto fique bem ligado antes de ir empolgadão mudar sua resposta pois podes cair numa cilada, vá com calma porque eu duvido muito que vão arrumar isso.

OVERDOSE

Beleza que o jogo tem um foco musical grande por culpa de µ e Aria, mas caramba que trilha sonora viciante meu deus! Além das excelentes músicas ambiente que tocam nos mais diversos cenários, as principais dungeons contam com uma música que está totalmente interligada com a história do jogo e todas elas são fantásticas.

Na primeira dungeon, da escola, eu fiquei com Peter Pan Syndrome na cabeça durante dias e o mais legal é que quando você entra em combate a música ganha vocais, sendo praticamente todos de uma qualidade excelente, se não tiver preconceito com músicas em japonês evidentemente.

Enquanto escrevo esta análise estou com a música Tokimeki*Reverie tocando em loop na minha mente, esse é o poder grudento da trilha sonora desse jogo. Tudo bem que iremos escutar bastante essas músicas, mas em momento algum fiquei com vontade de abaixar o volume, cheguei inclusive colocar a OST inteira no meu celular para curtir algumas loucuras enquanto estou na rua.

Falando em loucura, o que mais gostei foi quando chegou no chefe e um remix da música da dungeon começa a tocar, dando uma empolgação adicional, exclamando o final de um ato em alto e bom som. Ah, todos os remixes são excelentes, como esperado.

O jogo só possui dublagem em japonês, mas fique tranquilo que a dublagem é maravilhosa, os atores são ótimos e tem momentos que dá até um nervoso de ouvir algumas discussões de tão “reais” que elas parecem, isso que não entendo bulhufas de japonês.

FELICIDADE DISTORCIDA

A FuRyu acertou em cheio com esse jogo, um RPG que ousou trazer novidades pro gênero e além de tudo é muito divertido. Sistema de combates genial, uma trama envolvente e trilha sonora fortemente concorrente a uma das melhores do ano, só faltava melhorar algumas explicações de sistemas específicos e talvez usar melhor o poder da Unreal Engine 4.

Pros

  • Temas mais adultos fazem The Caligula Effect Overdose ter uma trama que prende o jogador
  • Sistema de combate original e que exige uma certa concentração do jogador
  • Trilha sonora incrível

Cons

  • Gráficos poderiam ser melhores, ainda mais considerando o uso da Unreal Engine 4
  • Alguns sistemas mal explicados
  • Dungeons com visuais repetitivos
David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.