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Góris

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13 Telejogo

Sobre Góris

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    8 bits
  • Data de Nascimento 21-10-1975

Informações de Perfil

  • Sexo Masculino
  • Localidade Estado do Rio de Janeiro
  • Interesses Walls of Text, Walls of text e walls of text.

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  • Xbox Live gorisfaria@hotmail.com

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  1. Desculpe, tem toda razão, não verá mais posts meus publicando qualquer idiotice sem regras e fontes aceitáveis.
  2. Os russosbrutos também amam! Oleg Ingvarevich frente a Batu Khan - "Poupado em nome de sua rara beleza" A história da Russia antes de ser a Rússia é bem longa e, de certa forma, brutal e cruel. O Reino de Kiev (atual Ucrânia) era dividido em pequenos principados que constantemente lutavam entre si e, ainda que o povo russo em si fosse adepto de alguma paz e tolerância, as casas governantes eram gananciosas, invejosas e brutais em seus métodos tando de manter o controle de seu povo quanto de amedrontar e punir os inimigos. Por isso, viviam em guerras feudais e, apesar de haver um rei de Kiev, sem a menor união como povo. Eis que em 1224 os mongóis invadem a Russia, forçando o povo a se unir contra o poderoso invasor. Contra todos os prognósticos, os russos foram capazes de resistir e, embora tenham sido derrotados, terrivelmente derrotados, as perdas mongóis foram tão elevadas que eles decidiram por uma retirada para agrupar e reunir forças. Os russos (ou quievitas/quievizes) então, tiveram a oportunidade de se unir e agregar forças, mas quando um, dois, três, vários anos se passaram, viram que os mongóis não voltariam e passaram a se enfrentar novamente em guerras fraticidas. Eis que os mongóis voltaram, 13 anos depois, no inverno, quando ninguém são esperaria seu retorno e iniciaram uma terrível campanha. Invadir a Russia no inverno é cortejar a morte! Bom, os mongóis parece que não assistiram Os Vingadores. Vale comentar que os mongóis eram um império estranho para nossos tempos. Eles conquistavam, respeitando ao máximo as culturas e organização social dos conquistados, até com relativa tolerância e, muitas vezes, as leis mongóis eram mais benevolentes que as dos próprios conquistados. As taxas dos povos conquistados eram cerca de 10% das riquezas obtidas todos os anos - ligeiramente que os quase 40% de impostos do Brasil atual - mas isso era algo que os russos não sabiam e mesmo que soubessem, provavelmente não se importariam. Afinal, eram russos. Batu Khan, neto do famoso Gengis Khan, era o líder d Horda Dourada, que iniciou o ataque à Russia. E ele oferecia, cidade a cidade, a opção: "Se rendam incondicionalmente e serão poupados. Resistam e..." mas no geral, os russos preferiam o "e..." e, cidade a cidade, foram dizimados. Oleg, Bravo, incansável e... belo! Oleg Ingvarevich Krasnyi era o grande príncipe de Ryazan e, como tal, não poderia se render sem humilhar o nome de sua família e, por isso, apesar de tentar de todas as formas negociar com o próprio Batu Khan, ao fim das negociações, liderou seu exercito contra as forças da horda. Capturado e ferido, Batu Khan em pessoa fez um oferecimento de o poupar e cuidar de suas feridas caso aceitasse servir à horda. Oleg imediatamente amaldiçoou o inimigo do cristianismo e foi ordenado que fosse desmembrado para servir de exemplo aos outros russos, ainda que sua cidade, foi poupada em honra à sua heróica resistência. Mas tudo era uma armação. Oleg Ingvarevich foi poupado "Em nome de sua rara beleza(*)" e levado para a corte de batu Khan, onde foi prisioneiro/servo/conselheiro do grande khan, talvez auxiliando na conquista de seu povo. "Morto" em nome da cristandade e do orgulho russo, Oleg passou 14 terríveis anos como prisioneiro de Batu Khan! Só 14 anos depois, após a morte de seu irmão e novo Grande Príncipe de Ryazan, ele retornou a seu povo, contando de seus longos e terríveis anos de prisão entre os mongóis e assumindo o trono. Ele governou mais seis anos, até seu filho mais velho, Roma Ingvarevich, ter idade para assumir o trono e se tornou um monge, vivendo seus ultimos anos em meio à humildade, caridade e celibato. Morto, Oleg, agora com seu nome de monge Kosma, é considerado até hoje um santo em Ryazan. Ouse insinuar que ele era muito bonito para um russo e... Coisas ruins podem acontecer. Mongóis e russos, grandes guerreiros, mostram que a beleza doma a fera e que o amorrespeito é superior à tudo. Fontes: Deviantart Familipédia Политика Trívia: A cidade de Ryazan foi criada, ainda nos anos 1.000 por meus ancestrais, Gorislavich ou Gorislavovich.
  3. Outra mulher de grelo duro. A Mulher-Pirata que aterrorizou a França Cardoso 03/12/2017 Nossa história começa onde a maioria dos contos de fada termina. É um final feliz, mesmo a noiva tendo apenas 12 anos, mas é o Século 14, os médicos da época não eram exatamente o House e a expectativa de vida era a mesma de um beija-flor. Imagina então como sofriam os beija-flores da Época. A noivinha novinha se chamava Jeanne Louise de Belleville, era o ano de 1312 e ela juntava os trapos com Geoffrey de Châteaubriant VIII, bretão muito rico de família pobre em imaginação. Oito filhos e nenhum Enzo? Dois nobres de boa origem, podres de ricos, alta aristocracia, curtindo o clima na Bretanha, aquela região na pontinha da frança. Em breve seria um dos pontos focais da Guerra dos Cem anos, mas por enquanto era só paz e alegria, até que Geoffrey morreu, em 1326. Jeanne já era uma senhora de meia-idade, com 26 anos e precisava se sustentar e aos filhos. Arrumou um novo marido em 1328, mas o casamento foi anulado em 1330 pelo papa João XXII. Sem problemas, ela cedeu aos avanços de Olivier de Clisson IV, outro nobre podre de rico. Os dois se deram muito bem, segundo todos os relatos era um casamento feliz, que rendeu cinco filhos. Infelizmente a História como sempre apareceu pra atrapalhar. A Bretanha começou uma guerra civil, com apoio dos ingleses de um lado e dos franceses do outro. No meio de tudo, Jeanne e a família. Olivier precisava escolher um lado, e indo contra boa parte dos amigos e parentes, escolheu lutar pelo lado da França, o que não ajudou quando depois de quatro tentativas a cidade de Vannes foi derrotada e Olivier capturado. Como era de praxe, foi cobrado resgate, mas como também havia uma troca de prisioneiros no meio, a cabeça de Olivier saiu muito barato, barato demais e os franceses desconfiaram, até porque ele foi o único nobre bretão que foi devolvido. Em 1343 rolou uma trégua, todos estavam de novo amiguinhos e Olivier foi convidado para um torneio na França. Você sabe, cavalos, lanças, arqueiros, leitões assados nas fogueiras, Jon Snow, Robin Hood… só que o personagem de ficção aqui é outro. É, era uma armadilha do Rei Felipe VI. Olivier foi capturado em 19 de Janeiro de 1343, legado para Paris e julgado traidor. Sua cabeça foi separada do corpo em 2 de Agosto de 1343, e para horror da nobreza como um todo, a cabeça foi exposta ao público, coisa que só se fazia com criminosos de baixo escalão. A notícia chegou até Jeanne. Ela pegou os dois filhos mais novos e foi até Nantes, onde a cabeça de Olivier estava sendo exposta. Ninguém sabe o que ela falou nesse momento, mas o consenso entre os historiadores é que pode ser traduzido por “big mistake”. Jeanne voltou para casa, vendeu tudo que tinha. Castelos, terras, jóias, tapeçarias, pedras preciosas, iphones, a medida do bonfim, disco do Pixinguinha, tudo. Com o Ouro que arrecadou contratou um exército de soldados fiéis a Olivier. Sua primeira incursão foi a um castelo comandado por Galois de la Heuse, um nobre local leal aos franceses que reconheceu Jeanne e abriu os portões. Como eu falei, big mistake. As tropas entraram com tudo, Jeanne queria sangue, e teve. Só sobrou um sujeito, deixado vivo para contar a história. Daí em diante Jeanne e seus homens começaram a aterrorizar castelos e guarnições na região. As tropas do Rei Felipe VI bem que tentavam mas ela estava sempre vários passos adiante. Depois de um tempo ela começou a ser notada, e receber ajuda de bretões simpáticos à causa de tocar terror nos franceses. Entre os simpatizantes, estava o Rei da Inglaterra, que a armou com uma carta de corso, ou seja: Jeanne era uma pirata a serviço da coroa inglesa. Um pirata precisa de um navio, já que um PC com BitTorrent provavelmente demoraria a chegar da China, era o Século 14 afinal. Jeanne ganhou três. Ela pintou os navios de preto e mandou tingir as velas de vermelho. A nau capitânia da chamada Frota Negra foi batizada por Jeanne de “Minha Vingança”. A idéia era aterrorizar suas vítimas. Nada de surpresa, nada de ataques furtivos. As velas vermelho-sangue ao longe significavam morte. Os três navios atacavam em conjunto e pilhavam sem dó embarcações francesas no Canal da Mancha. Jeanne de Clisson comandava os ataques na linha de frente, abordando os navios inimigos brandindo um machado, seu método preferido era cortar cabeças francesas. Em geral só sobraram uns dois ou três miseráveis para, como sempre, contar a história. Exceto se fossem nobres franceses, desses ela não tinha nenhuma misericórdia. Em uma das batalhas seu navio foi afundado. Jeanne conseguiu pular em um bote com os dois filhos mais novos, dos quais não se separava. Sem suprimentos ela enfrentou o mar por cinco dias, remando sem cessar. O menor não aguentou e morreu, mas Jeanne conseguiu chegar até terra firme com o filho sobrevivente. Nessa época ela era figura conhecida e temida, chamada de Leoa da Bretanha. Nem a morte do Rei Felipe em 1350 a acalmou. Ela continuou massacrando navios inteiros, invadindo e incendiando vilas francesas e barbarizando todo mundo pela frente até 1356. Provavelmente ela teve um momento de reflexão enquanto cortava a garganta de algum duque ou conde, e pensou “I`m too old for this shit”, e em 1356, 56 anos de idade era BEM puxado. Tão súbito quanto quando começou, acabou a carreira de pirata de Jeanne de Clisson. Aproveitando que tinha um bom pistolão, é bom ser amiga do Rei da Inglaterra, ela casou com Sir Walter Bentley, lugar-tenente de Eduardo III. Eles se mudaram para Hennebont, na Bretanha, onde Jeanne levou uma vida pacata e sossegada, até morrer em paz, em 1359. Fonte: Contraditorium
  4. Bom, não são mulheres de grelo duro, mas as verdadeiras feminazi originais. Bom, sinal que mulheres podem ser capazes das mesmas (ou maiores) crueldades que os homens, precisando apenas de poder para as executar. Vamos falar sobre Feminazis… Cardoso A Segunda Guerra Mundial foi um evento fundamental para a liberação das mulheres. Os soldados voltaram para casa e descobriram que suas Mulheres de Atenas agora eram operárias, engenheiras, administradoras. Aviadores voavam em aviões construídos por mulheres, as bombas atômicas usaram Urânio e Plutônio purificados em instalações operadas por mulheres, que segundo os cientistas responsáveis eram mais eficientes do que os técnicos cheios de diplomas e PhDs. Na Rússia milhares de mulheres snipers espalhavam o terror entre os nazistas, fora incontáveis outras pilotando caças e tanques. Só que na Alemanha não era assim. A Raça Superior só via a superioridade de suas mulheres na área reprodutiva. https://www.lilianpacce.com.br/imagens/fotos/claudia-schiffer-guess1/guess03.jpg[/img] Claudia Schiffer não é nazi, mas mostra que alemãs não tinham superioridade reprodutiva alguma As mulheres foram ativamente direcionadas para cumprir funções de esposas e mães. Só por extrema necessidades foram aceitas nas forças armadas, e mesmo assim em pequeno número. Eram secretárias e telefonistas. Nas fábricas prisioneiros de guerra eram preferíveis, assim as futuras mamães do Reich não sujavam as mãos. Houve um campo em especial onde as mulheres se destacaram, e não era um campo bonito, era o campo de concentração. Quando a SS começou a ficar com falta de homens resolveu colocar mulheres trabalhando como guardas e ajudantes. A maior parte eram voluntárias. Que alguém se voluntarie a um trabalho que era desconfortável mesmo para nazistas, provocando deserções e suicídios, vai além da minha capacidade de compreensão. Uma delas mulheres era Ilse Koch. Seu apelido mais carinhoso era A Bruxa de Buchenwald. Ela começou em outro campo, onde o então noivo era comandante. Quando Karl Otto Koch foi transferido para comandar Buchenwald, ela foi junto como guarda e secretária, e lá mostrou as garras. Ela fazia obras no Campo com dinheiro confiscado dos prisioneiros, incluindo claro dentes de ouro. Um de seus passatempos era inspecionar prisioneiros atrás de tatuagens interessantes. Estes eram enviados para o médico do campo, que as removia e transformava em abajures de pele humana. Viu? O trenzinho do seu marido não é o pior hobby que ele poderia inventar. Ilse e suas atrocidades inspiraram a protagonista do deliciosamente ruim filme de nazixploitation, Ilsa, She-Wolf of the SS, de 1975, onde Dyanne Thorne faz a promíscua e sanguinária oficial nazista que abusa de prisioneiros das formas mais cruéis que o cinema dos Anos 70 podia mostrar: Com muitos peitinhos e sangue falso. Ao contrário de Dyanne Thorne, cujo último filme é de 2013, a carreira de Ilsa não foi longa. Seu marido foi preso pela Gestapo em 1943, pois há poucas coisas que os nazistas não toleram e improbidade administrativa é uma delas. Karl Koch estava envolvido em um esquema de corrupção, fraude e assassinato de prisioneiros para que não testemunhassem sobre suas falcatruas. Ele foi enforcado em 1944, dias antes do campo onde estava prisioneiro ser libertado pelos Aliados. Ilse ficou em cana até 1944, libertada por falta de provas e presa pelos aliados em 1945. No meio do julgamento para fugir da sentença ela deu um jeito de arrumar uma gravidez, o que não foi um feito fácil, afinal ela só mantinha contato com outras prisioneiras e com os guardas da prisão, todos ingleses e em sua maioria judeus. Provando que a necessidade realmente cria estranhos companheiros de cama, alguém acabou fornecendo a Ilse o DNA e a desculpa que ela precisava. Mas não foi sorte, Ilse tinha fama de pistoleira, passava o rodo nos oficiais nazistas e dizem, até em prisioneiros. Só livrava a cara do marido, que por sua vez era compreensivo. Otto Kock era gay, o casamento era puro disfarce, e convenhamos, dado o apreço dos nazistas pelos rapazes alegres, melhor um corno vivo que um gay morto. Seja lá como for o esquema deu certo e Ilse saiu com a incrível pena de 4 anos de prisão. Um segundo julgamento foi marcado com novas acusações e dessa vez ela pegou prisão perpétua. Ela sobreviveu até 1967, quando se matou aos 60 anos, depois de desenvolver ilusões paranóicas de que seus antigos prisioneiros iriam atacá-la em sua cela. Ilse apesar de tudo era uma santa perto de uma tal de Irma Grese. Irma era conhecida como A Hiena de Auschwitz, muito provavelmente não por causa de seu senso de humor. Filha de um fazendeiro, ela abandonou a escola aos 14 anos, passando a se dedicar a uma organização nazista para jovens moças. Se ofereceu como voluntária e acabou trabalhando de auxiliar de enfermagem em um hospício da SS, mas era tacanha demais para conseguir passar nas provas para Enfermeira. Em 1942 ela se ofereceu e foi aceita como Aufseherin, guarda, no campo de concentração feminino de Ravensbrück, mais tarde sendo transferida para Auschwitz. Irma andava com botas pesadas, uma pistola e um chicote. Costumava atirar em prisioneiras por puro tédio. Testemunhas a viram chicotear outras mulheres até a morte, e atacá-las com cachorros famintos. Irma sabia do terror que causava e adorava entrar nos alojamentos e ver as expressões de pânico. Ela mantinha casos com os outros guardas e oficiais, alguns dizem que com o próprio Josef Mengele, e chegou a forçar um prisioneiro médico a fazer um aborto, quando engravidou sem-querer. Especialmente cruel é a forma com que escolhia quais prisioneiras iriam para a câmara de gás. Além das fracas e doentes, como era habitual, Irma Grese exterminava todas as mulheres que mesmo naquelas condições sub-humanas ainda mantivessem um traço de beleza, algo que indicasse que elas fora dali seriam mais bonitas do que Irma. O que, diga-se de passagem, não era difícil. Em abril de 1945 Irma foi capturada em Auschwitz. Seu julgamento aconteceu entre Setembro e Novembro de 1945, ao final Irma Grese foi condenada a morte por Crimes contra a Humanidade. às 9h34min do dia 13 de Dezembro de 1945 o carrasco puxou a alavanca, abriu o alçapão e a medula de uma das mais terríveis nazistas foi separada de sua cabeça, matando-a com a rapidez e misericórdia que suas vítimas nunca tiveram. Irma Grese, a Hiena de Auschwitz, responsável direta e indiretamente por incontáveis mortes morreu aos 22 anos. VINTE E DOIS ANOS e a criatura é capaz de mais maldade, mais crueldade do que 99,999% de todos os humanos que já viveram. Fonte: Contraditorium
  5. Bom, tenho feito menos textos próprios, acabei redescobrindo vários sites com a temática de história e tenho gasto meu tempo livre lendo artigos e mais artigos. Nem todos sao interessantes pra dividir neste momento - meu foco tava em História da África - mas vez por outra surge uma curiosidade tão legal que não dá pra não dividir, mesmo que poucas pessoas - tá, só uma - participem do tópico. No caso, encontrei no Contraditorium, um blog pessoal do Cardoso, que tem algumas das matérias mais legais do Meio Bit essa história aqui e vale a pena ler pra quem curte o assunto: Norton I, Imperador dos Estados Unidos Cardoso - Contraditorium 150 anos atrás era coroado o primeiro e único Imperador dos Estados Unidos da America, talvez o maior de todos os malucos-beleza. A história é comumente tomada como ficção, por ter sido popularizada em Sandman, de Neil Gaiman, mas é incrivelmente verdadeira. Joshua Abraham Norton era um inglês morador dos EUA que foi muito rico, até perder tudo em um investimento mal-planejado, importando arroz do Peru. A batalha judicial com os credores o desestabilizou mentalmente, a ponto de sumir do mapa, levando anos para voltar a São Francisco. No dia 17 de Setembro de 1859 ele enviou uma proclamação a vários jornais, onde se declarava Norton I, Imperador dos Estados Unidos. Achando que era brincadeira, alguns publicaram. Outros decretos se seguiram, onde ele dissolvia o Congresso, dava ordens ao exército, etc. Claro, ninguém prestava atenção. Era apenas um sujeito arruinado, quase um sem-teto, vivendo em um quarto de pensão cuja diária custava 50 centavos. Só que Norton era uma figura extremamente simpática. Ao invés de expulsá-lo os comerciantes o recebiam bem. Com o tempo o Imperador virou figura folclórica. Ele coletava impostos (geralmente 50 centavos) e era convidado a comer nos melhores restaurantes. Depois disso placas de bronze eram colocadas na porta, dizendo “Indicado por Sua Majestade Norton I, Imperador dos EUA”. Isso aumentava a freguesia, e logo Norton tinha mais convites do que tempo. Peças e Concertos sempre reservavam um camarote para ele. Fora os “impostos” a única fonte de renda de Norton eram seus bônus imperiais e papel-moeda. Não só o dinheiro que ele emitia era considerado item de colecionador, como vários estabelecimentos comerciais aceitavam as notas. Norton inspecionava os bondes, escolas e vias públicas, mantinha correspondência com outros monarcas e dizem até ter se encontrado com Dom Pedro II. Seus decretos iam dos mais loucos a ordens como criar uma Liga das Nações e construir uma ponte na Baía de São Francisco – considerado na época uma idéia doida. Ele usava um fardão imperial, doado por um general do Presídio de São Francisco, quando ficou rasgado demais, ele ganhou outro, da municipalidade. No censo de 1870 ele aparece listado como “Imperador”. Em 1967 Norton foi preso por um policial babaca de nome Armand Barbier, que o tentou levar para um manicômio, para internação involuntária. Uma série de editoriais nos jornais atacou a atitude do filho da puta. Norton foi solto, e Patrick Crowley, Chefe de Policia fez um pedido de desculpas formal para o Imperador, em nome de toda a Força Policial: “Ele não derramou nenhum sangue, não roubou ninguém, não pilhou país nenhum. Isso é mais do que pode ser dito de outros Imperadores” Depois disso todos os policiais de São Francisco passaram a saudar o Imperador, quando passavam por ele nas ruas. Em 8 de Janeiro de 1880 aos 61 anos Norton estava a caminho da Academia de Ciências da Califórnia, onde faria uma palestra, quando teve um ataque e morreu, na rua. Os jornais estamparam manchetes com o falecimento. O San Francisco Chronicle publicou “Le Roi Est Mort”, junto com um lindo e respeitoso obituário. Todos sabiam que ele era um louco que se achava Imperador, mas um maluco inofensivo e querido, que nunca mostrou ganância, crueldade ou má-intenção. Norton era o pequeno agente provocador, a pequena dose de aleatoriedade que torna a vida menos monótona. E também não era nenhum golpista, como alguns chatos alegavam. Suas posses se resumiam a uma coleção de chapéus, cinco ou seis Dólares em moedas, US$2,50, uma bengala, uma espada e alguns papéis. Ele ia ser enterrado como indigente, mas a Câmara de Comércio da cidade intercedeu e pagou por um funeral digno. Norton I Imperador dos Estados Unidos foi enterrado com honras de chefe de estado. Seu cortejo foi formado por 30 mil pessoas e teve mais de 3Km de extensão. Sua lápide traz “Norton I Imperador dos Estados Unidos e Protetor do México” Joshua Norton mostrou que você não precisa nem sequer ser são para fazer do mundo um lugar melhor. Fonte: Contraditorium, SFGate e Wiki de Verdade Caras, descobri há pouco tempo o Contraditorium, mas adoro o estilo despojado de escrever do Cardoso. Se curtirem o texto, dêem uma visita (e view) ao Contraditórium e comentem algo lá, para o autor ver que textos de curiosidades históricas são legais e geram views.
  6. O Dia em que Israel falou Argo Fuck Yourself antes do Ben Affleck Cardoso 17/04/2018 Na Palestina um caça Beaufighter convertido em bombardeiro se alinhou para lançar uma bomba de 250Kg em um forte egípcio na vila árabe de Ishdud. Tanto o avião quanto o forte haviam sido construídos pelos ingleses, mas o piloto era Israelense, e Londres não estava nada feliz com a presença do avião ali. Era a guerra Árabe-Israelense de 1948, reação contra a declaração de independência de Israel, e o momento mais desesperado da história do nascente pais. A situação não estava favorável, um embargo internacional, baseado na realpolitik de que as pessoas gostam mais de petróleo do que de judeus bloqueou todas as vendas de armamentos, e Israel ficou sem ter como se defender. Não que isso não fosse esperado, e assim como Cilônios, Israel tinha um plano. recolhendo peças de caças Spitfire egípcios derrubados, juntando com sobressalentes abandonados pelos ingleses, construíram o primeiro Spitfire israelense. Mais tarde compraram vários caças usados da Checoslováquia, mas embargo de trânsito impediram que fossem transportados de navio. O jeito foi adaptar tanques de combustível extras, remover tudo de desnecessário dos aviões, incluindo tanque de oxigênio e rádios e fazer uma viagem perigosíssima. Foi a Operação VELVETTA Ifonte. O Beaufighter entretanto chegou a Israel por vias bem mais tortuosas e criativas, a mando de Ben Gurion e por execução de Emanuel Tzur, esse sujeito aqui: Ele teve uma idéia, daquelas malucas ousadas e que ninguém em sã consciência levaria a sério, mas valia a tentativa. Já que Israel não podia comprar aviões de combate, o jeito era malocar alguns, e se isso violava o Sétimo Mandamento, bem Jeová inventou o Yom Kippur pra essas situações. Emanuel descobriu que havia um departamento da Força Aérea Real que lidava com solicitações da mídia, então ele montou uma empresa cinematográfica falsa, a Air Pilot Filme Company, com direito a equipe completa, com diretor, câmera, técnicos de produção e 40 figurantes. O projeto foi apresentado como uma produção para destacar os feitos dos pilotos neozelandeses durante a Segunda Guerra, e para isso precisariam arrendar vários caças Beaufighter e De Havilland Mosquitos. Papelada preenchida, dinheiro no banco, pilotos da produção devidamente certificados (eram todos veteranos e voluntários) foi apresentado o plano de vôo: Os aviões decolariam de Oxford em direção a Ekron, na Escócia, que teria as paisagens mais parecidas com a Nova Zelândia. Tudo sob o olho vigilante de Terence Farnfield, o agente israelense que havia sido a cara da operação e negociado tudo com os britânicos. A fachada era completa, havia até atores e um script, seguido à risca quando a mocinha se despediu do herói com um longo beijo, ele correu para seu avião e decolou, junto com 4 outros Beaufighters. Segundo relatosfonte os ingleses presentes chegaram a chorar de emoção com a cena, as memórias da guerra ainda fortes na lembrança. A RAF só desconfiou quando os aviões decolaram e ao invés de seguir para o Norte, foram para o Leste, mas quando alguém se tocou de perguntar a Farnfield que diabos estava acontecendo, ele já havia se mandado. O caso rapidamente foi parar nos jornais, com direito a zoeira dos cartunistas… Os aviões reabasteceram na Itália, pernoitaram na Iugoslávia e de lá foram pra Israel. Emanuel Tzur também conseguiu um fornecedor para vender os armamentos que haviam sido retirados dos aviões, e seguiam no fundo de um avião de carga, para o mesmo destino. A RAF ficou puta, o Governo Inglês como um todo ficou com cara de trouxa, e Terence Farnfield e Emanuel Tzur foram para a lista de procurados da Scotland Yard, motivo pelo qual acharam melhor permanecer na França. Essa não foi nem a única missão de Tzur, que em um período de 4 meses conseguiu 18 aviões para a Força Aérea Israelense, que resistiu ao avanço conjunto das forças árabes, venceu a Guerra Árabe-Israelense de 1948 e com isso garantiu a própria existência do país. Hoje Israel adquire aviões através de meios convencionais, desenvolve a própria tecnologia e não vive mais à beira da aniquilação como nos Anos 50, o que é bom, mas por outro lado significa que não teremos mais histórias românticas e mirabolantes, nem figuras complexas e hansolescas como Emanuel Tzur, corsário, contrabandista, agente secreto, herói e ladrão. Não necessariamente nessa ordem. Fonte: https://contraditorium.com/2018/04/17/dia-em-israel-falou-argo-fuck-antes-ben-affleck/
  7. Quase tão antiga quanto a Etiópia, a Somália é o triste caso de um povo e um governo que implodiram e se desintegraram nas últimas décadas. Quando se pensa em Somália, você pensa em crianças guerreiras, senhores da guerra e piratas modernos. Mas o país nem sempre foi assim. Por muito tempo a Somália foi uma das mais ricas terras do mundo. República Democrática da Somália Somália - O Chifre da África Na antiguidade, mercadores punt comercializavam com o Egito, Fenicia, Micenas (Grécia), Babilônia e demais potências da época. Restos arqueológicos de pirâmides, templos e casas de alvenaria mostram a avançada arte técnica desse povo. Sua posição estratégica, no chamado Chifre da África permitia a seus comerciantes trocarem produtos com as distantes Roma e Índia e trouxeram riqueza e prosperidade a seu povo. Ruínas somalis Enquanto a Etiópia se tornava cristã, a Somália se tornou islâmica de forma gradativa e pacífica, durante séculos de comércio com povos árabes, de forma que Mogadício chegou a ser considerada, por anos, a "Cidade do Islã" e controlou o comércio de ouro de todo o leste africano. E, quando, por volta de 1500 os portugueses se aliaram aos etíopes (abissínios) na luta contra os somalis islâmicos, foram derrotados quando, pela primeira vez na história da África, armas de fogo foram utilizadas por uma nação africana. As táticas dervishes derrotaram 4 vezes os atacantes ingleses Sua fama após derrotar por quatro vezes as forças militares do até então irresistível exército imperial inglês fez com que a Somália fosse cortejada e, logo após, aliada dos Impérios Alemão e Otomano. A rigor, a única nação islâmica independente a lutar na primeira guerra mundial foi a Somália. Mas a decisão de se aliar a alemães e otomanos, ambos derrotados, fez com que os ingleses decidissem tentar uma quinta invasão. Desta vez com uma diferença fundamental: O avião! Após vários bombardeios, e sem recursos anti-aéreos, a capital se rendeu, em 1920 e finalmente, depois de mais de 2 milênios, a Somália se tornou uma colônia de outro povo. Foram 30 anos de colonização, que subitamente terminaram quando a Inglaterra havia saído arrasada da Segunda Guerra Mundial. Sem condições de manter o poder sobre a Somália, mas não querendo que o país caísse na área de influência dos soviéticos, a coroa britânica ofereceu ao país sua liberdade de volta e mais ainda, a chance de participar do mercado comum das ex colônias britâncias. Nesse período, fins dos anos 40 e início dos anos 50 a Inglaterra concede independência à Somália, mas um período de transição faz parte dos acordos entre o status de colônia e a independência total. O objetivo era uma transição pacífica e gradual. Embora boa parte da população aceitasse esse acordo, o grupo político SYL (guarde esse nome) se posicionou abertamente contra uma transição pacífica e lenta, mas ainda nao tinha poder para influenciar os destinos do país, apenas fazendo oposição e prevendo o fim do país e o apocalipse caso se seguisse o plano imperialista inglês. É, conhecemos essa ladainha aqui no Brasil, né? Vale comentar que nem tudo eram flores, no acordo, uma parte relativamente rica do país foi entregue à Etiópia (ingleses e sua sensibilidade colonial), o que gerava ainda mais motivos para o SYL vociferar contra a independência lenta. Ao contrário dos alertas (na verdade, esperanças) do SYL, o período de transição foi cultural, política e economicamente vantajoso aos somalis. O país cresceu economicamente, a administração italiana e inglesa estava formando uma elite regional (a odiada classe média) educada e cosmopolita. A posição do país, próximo ao oriente médio, egito, ìndia e cia o tornava um ponto comercial interessante, os anos 50-60 foram anos de grande melhoria material para o povo somali, que vivia mais e melhor que os seus vizinhos. Após a independência formal, o SYL - grande expoente da luta contra o colonialismo - se tornou o principal partido político do país. E foi nos anos 60 que o governo começou a se aproximar mais da URSS, que fornecia armas, treinamentos e ajuda diplomática e da China, que fornecia empréstimos para aplicações civis. Vale muito lembrar que essa bondade socialista toda era sem segundas intenções. Levar soldados e políticos para serem doutrinadostreinados nestes países, vendo as coisas grandiosas que o socialismo trazia apenas servia a propósitos humanistas. A princípio, o SYL não era um partido socialista, mas a aproximação com a China e URSS acabou levando amplos setores da sociedade a se tornarem simpáticos ao socialismo. Como eu disse, políticos, estudantes e até militares iam fazer visitas a esses países e ficavam maravilhados com as maravilhas do socialismo. Oras, a Somália havia crescido muito, mas ainda era uma nação atrasada. Claramente isso acontecia porque os EUA não queriam uma Somália livre, a solução seria implantar o socialismo na Somália. Imaginem, se com o livre-comércio capitalista opressor a Somália cresceu tanto em meros 10 anos, quanto o país não cresceria se seguisse os passos de nações ricas e poderosas como URSS e China? O socialismo e a liberdade da ditadura do Proletariado poderiam transformar a Somália num paraíso. O que poderia dar errado? Nisso, o SYL ganhou o poder na década de 60 e tentou implantar medidas socializantes na economia (no melhor estilo Venezuela) com resultados ruins. O crescimento dos 15 anos anteriores estacou e até regrediu. Quanto mais os políticos tentavam controlar a economia, menos ela funcionava e mais era necessário que eles controlassem ela mais. Sem resultados. Nas eleições do final da década, o povo em peso votou nos opositores do SYL - agora sim, um partido com ideais que tendiam ao socialismo - e o partido acusou fraude nas eleições. Revolucionários do mundo, uni-vos! Como um partido que estava no poder poderia ser vítima de fraude não sabemos, mas em 1969 o presidente eleito é assassinado e um período de caos rapidamente é parado pelos militares, que implantam um regime de socialismo islâmico (!!!!!) no país e se aliando oficialmente à URSS, China e outros sucessos marxistas. O governo islâmico-socialista inicialmente teve grandes sucessos, por exemplo, criando o idioma somali a ser ensinado nas escolas ao invés dos idiomas dos colonizadores. A economia planificada também permitiu um rápido desenvolvimento do país. Foi a superioridade econômica do socialismo e não os empréstimos soviéticos e chineses que ajudaram nesse crescimento! Fim da Parte I - Ficou maior do que pensei, peço desculpas pelo Wall of Text.
  8. Vamos à uma das mais antigas nações do mundo, isso mesmo, a Etiópia já era rica e poderosa quando Moisés recebia os Mandamentos e os gregos fugiam de ciclopes e deuses raivosos. República Democrática Federal da Etiópia Autor: Góris Etiópia, no centro do Chifre da África Provável lar ancestral de nós, homo sapiens (e mulheres sapiens) modernos, a Etiópia começa sua história em 800 aC, com o surgimento do reino D'mt, reino que daria origem a Etiópia. Na época de gregos e hebreus, a Etiópia já era uma nação poderosa, de onde veio a famosa rainha de Sabá. Lendas? Se formos levar a Biblia em conta, a Rainha de Sabá (ou Shva ou Mkeda) ao saber da sabedoria do Rei Salomão, teria visitado o Reino de Israel levando enorme quantidade de ouro como presente, discutido assuntos de Estado e, depois de algum tempo, retornado a seu país. Porém, todavia, entretanto, ela teria sido seduzida (ou seduzido, há controvérsias) Salomão e, dele, teria surgido a dinastia que séculos depois ainda controlaria o país, de acordo com a versão etíope. História real. Após o século IV aC, o reino se divide em vários reinos menores, até o século I AC, quando um desses reinos menores, Axum, se torna um império e domina os outros reinos, estabelecendo uma longa e duradoura cultura e expandindo seus domínios para o sul do chifre da África (curiosamente, mesma região da vizinha Somália, que eu falarei mais pra frenteno* tópico) nos séculos seguintes. Axum, junto com China, Pérsia e Roma foram listadas pelo sábio persa Maniqueu como as maiores potências do mundo a sua época (o que contrasta bastante com a lenda que aprendemos nas escolas que a Africa era um continente atrasado e pobre desde sempre). No século XV, a Etiópia voltou a encontrar com seus irmãos cristãos da europa, em busca de aliados, contatando os reis de Inglaterra e Portugal e obtendo ajuda contra invasores islâmicos. Se, a princípio, o reencontro com irmãos cristãos foi enxergado como algo bom, com o tempo missionários jesuítas passaram a converter etíopes para o catolicismo e a criar atritos com a Igreja Ortodoxa Etíope, gerando uma época de sérios conflitos, que terminou com a expulsão dos jesuítas do país e da confirmação da Igreja Ortodoxa Etíope como a oficial do país em cerca de 1630. Seguiu-se uma longa idade de isolacioninsmo, com o poder imperial diminuindo e se fragmentando nos 2 seculos seguintes. Teodoros II e a reunificação imperial. * Teodoro II capturando Henry Stern, 1863 O Imperador Tewodros (Teodoro) II surgiu em 1855, usurpando o trono e unindo todo o reino novamente. Ele enfrentou diversas revoltas internas, principalmente por não ter sangue real, e buscou ajuda inglesa. Inicialmente para modernizar e unificar a Etiópia (então com o nome de Abissínia). Mas com o tempo, os ingleses pararam de ajudar ao monarca. Insatisfeito com a recusa inglesa em maior ajuda, Tewodros sequestrou missionários, comerciantes e representantes ingleses com o objetivo de forçar a Inglaterra a negociar. Não foi a melhor idéia que ele teve. Se ele tivesse se feito de vítima, esperado 3 séculos, talvez pudesse ter mais sucesso, mas naquele momento, a Inglaterra enviou uma enorme força-tarefa contra o país e, numa batalha em 1868, venceu as tropas de Tewodros, que se suicidou para evitar ser capturado. Apesar da vitória, a Inglaterra não buscou conquistar a Etiópia, deixando o caminho livre para a Itália. Menelik II e a guerra contra a Itália. * Menelik II - Batalha contra os invasores italianos A história de Menelik II já daria, por si só, um tópico inteiro, mas resumidamente, Teodoro II, quando usurpou o trono, prendeu todos os legítimos herdeiros em uma cidade, onde poderia mantê-los como reféns em caso de necessidade. Teodoro não era um rei muito querido e, após os festejos por sua morte, Menelik foi um dos que buscaram provar seu direito ao trono. Foi um período de ainda mais guerras civis entre ele e seus rivais. Menelik, ao saber dos italianos, faz um acordo com eles em troca de ajuda. O acordo foi manipulado (neste caso, sim, foi manipulado) de forma a haver um documento dando várias regalias e direitos à Itália em troca de auxílio político, militar e econômico da mesma. Mas a versão levada dalí para a Europa era bem outra. Nela, a Etiópia reconhecia que somente poderia se relacionar ao mundo externo por intermédio dos italianos. Que, claro, sempre deturpariam seus pedidos e anseios como melhor lhes conviesse. Quando Menelik percebeu o logro, buscou modernizar seu exército, com armas e treinamento de origem européia. Quando os italianos tomaram parte do reino, a colônia da Eritréia, Menelik e sua esposa lançaram sua força de 110 mil guerreiros, incluindo soldados armados com rifles e cerca de 28 canhões. O resultado foi a primeira grande vitória de uma nação africana contra um colonizador europeu, em 1896. Vale lembrar, a Wikipedia em portuguêsnem sempre é uma boa fonte, já que alguém por lá acha que africanos eram selvagens armados com lanças e flechas. A vitória trouxe, além da retomada do reino e do respeito das nações européias, que consideraram a Etiópia como uma nação poderosa, um longo período de paz e acordos comerciais e diplomáticos vantajosos. Menelik morreu em 1913. Rei Rasta! Esse é do bons! * Haile Selassie - Imperador, humanista, pacifista e messias nas horas vagas! Haile Selassie*então subiu ao trono. Inteligente, conseguiu acabar com as lutas internas da Etiópia, unindo os diversos clãs e levou adiante a modernização da Eitópia. Mais que apenas um rei Etíope, buscou unir as nações africanas e mesmo as européias numa tentativa de impedir massacres e guerras desnecessárias. Selassia era um humanista. Um que não deixava os sonhos o impedirem de ver e reagir à realidade, mas que se adaptava aos fatos mantendo seus objetivos sempre como destino final. Foi um dos grandes incentivadores da Liga das* Nações e das Nações Unidas, sendo considerados por muitos, um dos maiores oradores do Século XX. Honestamente, não sabia muito sobre Selassie (exceto que tinha relação com os rastafari) e quanto mais lia sobre ele, mais interessante ele me parecia, como figura histórica e humana. Foi ele quem aboliu a Escravidão na África - sim, o Brasil tá longe de ter sido o último país do mundo a abolir a escravidão - e buscou seguir os planos de modernização de seu país, tanto trazendo a tecnologia a seu país quanto tentando enquadrar seu país na comunidade internacional. Objetivos que ele conseguiu com certo sucesso, visto que quase toda a comunidade internacional foi contra a invasão italiana da Etiópia, ainda que nenhuma nação tenha se arriscado a entrar numa guerra por conta deles. Em 1935, depois de sete meses e o uso de aviões e até armas químicas, a Itália conquista a Etiópia, forçando Selassia a se exilar na Inglaterra e, de lá, dirigir as tentativas de resistência ao inimigo. Vale comentar que durante seu exílio da Etiópia e luta contra os invasores italianos, surgiu uma religião que considerava Selassie o messias (lembra que eu disse que a Rainha de Sabá teve um filho com o Rei Salomão? Se Jesus não era o Messias, por linha de sangue Selassie seria o Messias esperado!) na Jamaica. A religião tinha o nome pré-coroação de Selassie, Ras Tafari. Isso, essa mesa. Durante uma visita ao país, o imperador destronado recebeu o apoio de pessoas que o consideravam um deus. Enquanto muitos líderes, de Stálin a Lula, adorariam isso, Selassie tentou explicar aos jamaicanos que era apenas um homem e que essa religião com foco nele era errada. Em 1941, seis anos depois, a itália é expulsa do país e Haile Selassie retorna, com planos de modernizar ainda mais o país, levando todos os avanços e melhorias que desfrutou na Inglaterra para seu povo. O exílio o fez querer que o povo da Etiópia tivesse a mesma qualidade de vida que o povo inglês. Ele procurou muitas idéias que poderiam ser aplicadas e seu povo e criou um plano de reformas lentas, que não destruíssem a coesão milenar de seu povo, mas que assim mesmo o levasse a adquirir os hábitos que, ele acreditava, tornariam seu país uma WakandaInglaterra africana. Impostos progressivos, com os mais ricos pagando mais, voto universal, uma constituição igualitária. Selassie era um governante progressista, mas de um tipo de progressismo que não interessava a todos os grupos no país. Certos grupos, indivíduos bons, iluminados, dispostos a levar a igualdade ao povo seguindo os ensinamentos de um profeta maluco chamado Carlos Marques estavam insatisfeitos com as melhorias insucifientes de Selassie, afinal, segundo eles, bastava seguir os ensinamentos de Carlos Marques e a Etiópia se tornaria um paraíso na Terra, não em décadas, mas rapidamente. Agora sim, com Carlos Marques a Etiópia vai avançar! * Raul Castro, Fidel Castro e Mengistu, igualdade para todos! Ou quase todos! Mengistu Haile Mariam foi o líder do golpe militargrupo marxista-leninista que tomou o poder do país em 1974, aprisionando Selassie (e, segundo boatos, o assassinando) lançando o país, que crescera sob o governo Selassie, numa loooooooooooonga sequencia de mortes, falta de liberdade e fome, numa clara deturpação dos ideais de Carlos Marques. O governo Mengistu instituiu o terror vermelho como reação a um suposto terror branco (pessoas que realizavam matanças e massacres contra o pobre povo etíope), levando milhões de pessoas a passarem fome e, pelo menos 1 milhão de mortos. Não podemos colocar toda a culpa no arauto do socialismo, como sempre acontece, uma seca terrível causou a falta de comida, não o socialismo. Ah, os socialistas descobriram que podiam usar a fome como arma de guerra contra regiões insurgentes, causando ainda mais mortes. Em 1977, a também socialista Somália invade a Etiópia e foi só graças à ajuda de URSS, Cuba, China e Alemanha Oriental, o país consegue se manter livre. Soldados cubanos e russos dão apoio logístico ao exército etíope, outrora orgulhoso de resistir aos ataques de potências européias muito superiores, agora perseguiam e caçavam seus próprios concidadãos. Os anos 80 foram um festival de secas, guerras civis*e algo inédito e impensável, numa nação que seguia os ensinamentos de Carlos Marques, com o governo se desintegrando em meio à guerra civil e o país entrando em caos. Nesse meio tempo, no resto do mundo, os países comunistas do Leste Europeu caem um a um, se tornando democracias no rastro da derrubada do Muro de Berlim. A própria União Soviética resiste mais um ano e também se desintegra (anotem essa palavra para o próximo país), deixando de enviar dinheiro para auxiliar os comunistas etíopes. Sem dinheiro para manter o pouco de exército e população fiel, lembrando a famosa frase "o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros", em 1991 o governo cai e Mengistu é condenado por genocídio, mas consegue escapar para Zimbábue (nossa próxima parada em tópicos sobre países que deturparam Carlos Marques). Atualidade. Ou quase. Meles Zenawi era um estudante de medicina que, durante o golpe marxista, acabou deixando a faculdade para participar de guerrilhas contra os golpistas. Vale comentar que Zenawi era, ele mesmo, socialista mas contrário aos métodos e objetivos do governo marxista-leninista de Mengistu. Ele logo se tornou um dos lideres da guerrilha anti-governo e, quando o país se desintegrou após o fim da ajuda soviética, acabou se tornando o líder do governo de transição. Zenawi reestabeleceu o multi-partidarismo e a liberdade religiosa, assim como institui eleiçoes democráticas livres e privatizou diversos setores da economia. Outra ação dele, já como presidente eleito, foi dividir o país em áreas de acordo com a etnia da população, evitando novos conflitos e guerras civis. Também neste período, após uma eleição, a Eritréia ganhou sua independência do país. Apesar dos avanços, mais de 30 anos de fome, guerra civil e socialismomortes trouxe seu preço, com o país precisando reconstruir sua infraestrutura e tudo o que foi destruído em todos esses anos. Hoje, a Etiópia tem IDH de 0,44, o tornando o 174 (de 188 países) IDH do mundo. Nada mal para uma nação com milhares de anos de existência, que resistiu aos ataques de uma nação européia muito mais poderosa. Culpa, claro, do capitalismo opressor. Fonte: Wikipédia
  9. Bom, nisso, uma matéria de O Globo sobre Yuzuke, o famoso Samurai Negro, misturada com o texto de Um Toque de História: Yazuke, o samurai negro O Japão não é um lugar que seria normalmente associado a presença de escravos oriundos da África. No entanto, no final do século 16, Oda Nobunaga, o mais poderoso senhor da guerra do Japão, tinha um escravo africano que não era apenas uma curiosidade cultural, mas também seu guarda-costas e que alcançou bastante prestígio entre os japoneses daquele tempo. Em meados do século XVI, a costa do Japão começou a ser frequentada por navios espanhóis e portugueses, que na época já navegaram pelo Oceano Pacífico. Além das sedas e especiarias, esses comerciantes levavam como parte da tripulação missionários católicos, principalmente jesuítas, ansiosos para reunir almas frescas ao Senhor por aquelas terras pagãs. Havia poucos nobres japoneses que via com curiosidade, até mesmo com bons olhos, esta nova religião e os estrangeiros barbudos. Um desses entusiastas era Oda Nobunaga, o primeiro dos três grandes unificadores do império insular, que em 1580 tinha conseguido colocar metade do país sob o seu controle e mantinha a outra metade em uma rédea curta. Sem exagero ele podia ser considerado o rei do Japão. Exército de Nonunaga Homem de inteligência inquieta e visão avançada, Nobunaga recebeu de forma digna os jesuítas e, embora se converter ao cristianismo não estava nos seus planos, gostava de receber os religiosos em audiência para saber como era o mundo quinhentista além dos limites do arquipélago japonês. Mas as crônicas contam que um dia a paz que Nobunaga tanto se esforçou trazer para a capital japonesa foi subitamente interrompido pela chegada de um pitoresco convidado. Em 23 de março de 1581 desembarcou o italiano Alessando Valignano, padre visitador (inspetor) dos jesuítas. Este trazia em sua comitiva um mauro vassalo, tão negro como os etíopes da Guiné. Alguém cujo nome verdadeiro é até hoje desconhecido, mas a quem os japoneses logo batizaram como Yasuke (弥 助). De acordo com a Histoire ecclésiastique Et Des Isles Du Japon royaumes, escrita pelo jesuíta François Solier em 1627, Yasuke era nativo de Moçambique, mas outros relatos afirmam que ele veio do Congo. Visitantes portugueses no Japão As origens desta jovem impressionante ainda estão não totalmente conhecidas. Historiadores japoneses contemporâneos acreditavam que ele tinha sido vendido a Valignano em algum lugar no Congo, no entanto, estudos recentes mostram que ele pode ter sido um membro da etnia Makua de Moçambique, e que seu nome original era Yasufe. Moçambicano ou Congolês não se sabe, bem como se Yasufe , ou Yasuke, foi a primeira pessoa negra a pisar no Japão, uma vez que não era raro encontrar escravos africanos em galeões e caravelas da época. Mas, ao que parece, ele deve ter sido o primeiro negro visto na capital japonesa, Quioto, a então capital do Japão Imperial, sendo substituída por Tóquio em 1868. O que se sabe, graças a testemunhos dos jesuítas e a documentos japoneses da época, é que Yasuke, ou Iusufe, chegou ao Japão em 1579, ao serviço do missionário napolitano Alessandro Valignano, nomeado Visitante das missões jesuíticas nas Índias, o que, na época, incluía também a costa oriental de África. O Visitante, uma espécie de inspetor, respondia diretamente ao superior geral da Companhia de Jesus. A presença de Yasuke, um homem negro, com 1,88 metro, um gigante para a época, em particular para os padrões japoneses, atraía imensa gente, por onde quer que a comitiva de Valignano passasse, causando tumultos. Oda Nobunaga, rico e poderoso senhor feudal, ouviu falar dele e quis vê-lo. Não acreditando que um homem pudesse ter cor tão escura, ordenou que lhe dessem banho. Naturalmente, Yasuke saiu do banho ainda mais negro e reluzente do que quando entrara. Nobunaga ficou também muito impressionado com a força de Yasuke, com a sua inteligência e refinamento, convidando-o a viver no seu castelo, em Azuchi. Sabendo-se que Valignano sempre defendeu o estudo do japonês e a adaptação dos missionários e dos funcionários ao seu serviço aos usos e costumes locais, supõe-se que Yasuke falaria japonês com fluência. Yasuke ascendeu rapidamente na corte de Nobunaga, tornando-se o primeiro samurai estrangeiro da história do Japão. Combateu ao lado das forças do seu senhor, até estas serem derrotadas pelo exército do general rebelde Akechi Mitsuhide, em 1582. Nobunaga cometeu seppuku, o cruel suicídio por esventramento dos samurais, e Yasuke juntou-se ao filho de Nobunaga, Odu Nobutada. Distinguiu-se em combate, mas foi finalmente capturado. Akechi Mitsuhide, numa decisão que tanto pode ter tido motivações políticas quanto humanitárias, poupou-lhe a vida e entregou-o aos jesuítas. A história de Yasuke talvez nos pareça hoje ainda mais extraordinária do que aos olhos de quem a testemunhou. Naquela época, no Japão, os africanos eram vistos com curiosidade; contudo, não há sinais de que houvesse preconceito racial. Yasuke foi admirado enquanto um ser exótico, é verdade, mas o reconhecimento que se seguiu resultou das qualidades humanas e de grande guerreiro que logo demonstrou. Originais: OGlobo Toque de História Obs: Mesclei as duas fontes num único texto, se tiver ficado ruim de ler, dêem um toque.
  10. Não é frota russa, mas como o Paraná é a Russia brasileira, vale compartilhar este ótimo texto do Cardoso. O dia em que o Brasil quase entrou em guerra com uma potência nuclear por causa de um canguru voador e uma lagosta nadadora Cardoso 24/02/2018 A gente tem a mania de repetir o bordão da Kate Lyra, “Brasileiro é tão bonzinho”, nos vendemos como povo pacífico e cordial, mas quando pisam no nosso calo somos um país igual aos outros, como os cheese-eating surrender monkeys descobriram em 1961, quando Brasil e França estiveram muito, muito próximos de uma guerra aberta. Claro, escolher a França como inimigo é sempre uma boa opção, mas o ideal é não brigar, ainda mais por um motivo besta. Se bem que motivos bestas são a razão da maioria das guerras, Tróia foi invadida por causa de um rabo de saia, EUA e Coréia do Norte já se enfrentaram num arranca-rabo que resultou em várias mortes e o motivo foi uma árvore. El Salvador e Honduras entraram em guerra por causa de um jogo de futebol. EUA e Inglaterra quase guerrearam por causa de um porco. Brasile França chegaram próximos das vias de fato por causa de… lagostas. Por muito tempo ninguém dava bola pra lagostas, nos Estados Unidos elas eram usadas pra comida de cachorro ou de pobres, e se sobrasse, de cachorros pobres, mas a moda mudou, as pessoas começaram a gostar e a pesca se mostrou algo bem lucrativo. O Brasil como sempre demorou a perceber a oportunidade, mas nos Anos 60 já tínhamos uma indústria crescente, e quando começaram a falar que tinha lagosta por aqui isso encheu o olho de muita gente, inclusive os franceses. Logo começaram a aparecer barcos pescando nas nossas costas, e o Governo de Brasília não gostou, botamos os caras pra correr, mas a França logo pediu permissão para mandar barcos “de pesquisa”. Nós topamos, e, claro, os caras enchiam os porões com lagostas. A Marinha passou a patrulhar a costa do Nordeste, e em janeiro de 1962 a corveta Ipiranga apreendeu o pesqueiro Cassiopée, a uns 20Km da costa brasileira. A Ipiranga infelizmente naufragou em Fernando de Noronha, em 1983. Com o Cassiopée apreendido, outros barcos espantados, criou-se uma saia-justa diplomática, com os franceses dizendo que tinham direito de pescar em alto-mar, e os brasileiros dizendo que não era pesca. Apesar do que a gente aprende na escola as águas territoriais de um país, onde ele tem total soberania só vão até 12 milhas da costa, ou 22,2Km. Aquela groselha de 200 milhas é a Zona Econômica Exclusiva, sobre a qual o país tem controle sobre os recursos do leito marinho, mas não sobre as águas em si. Ou seja, você não pode impedir um navio de outro país de pescar por ali. Essa foi a discussão. O Brasil alegou que as lagostas não eram peixes, que elas eram animais que andavam no fundo do mar, e portanto faziam parte dos recursos da plataforma continental, portanto não poderiam ser capturadas pelos franceses. Eles por sua vez alegaram que as lagostas se movimentam saltando e percorrendo pequenos distâncias nadando, e que por isso deveriam ser classificadas como peixes. Não consta que ninguém tenha perguntado às lagostas em qual gênero elas se encaixavam, mas éramos muito transfóbicos nos Anos 60. A melhor resposta veio do oficial e oceanógrafo da Marinha comandante Paulo de Castro Moreira da Silva: “Se a lagosta é peixe porque se desloca dando saltos então o canguru é uma ave.” Ém 1963 os franceses mandaram representantes para negociar licenças de pesca, mas com sua habitual arrogância avisaram que dois barcos já estavam a caminho. O Brasil não gostou, em resposta disseram que mais barcos já foram autorizados por Paris a seguir para o Brasil. Pra piorar depois disso tudo o banana do João Goulart libertou os navios franceses apreendidos, e deu permissão para eles pescarem, mas a opinião pública foi tão negativamente contra que a permissão foi retirada. Em Paris DeGaulle ficou puto, afinal até os alemães mantinham a palavra. Ele mandou um destróier Classe T53, o Tartu para proteger os navios pesqueiros franceses. O Brasil por sua vez mobilizou uma força-tarefa com um cruzador e quatro destróiers, foi o que deu pra conseguir em tão pouco tempo. O porta-aviões, o Minas Gerais ainda estava em fase de incorporação, e não estava pronto pra combate. Uma segunda frota começou a ser preparada, mas a situação do Brasil era periclitante. A Marinha estava caindo aos pedaços, vários dos navios não tinham nem a chamada “dotação de paz” de munição, que é o armamento levado no dia-a-dia, sem ser em tempo de guerra. Não havia dinheiro nem tempo hábil pra comprar mais munição, e nos que conseguiram uma dotação de paz completa, isso significava munição para 30 minutos de combate. Completando a desgraça, o adido naval dos Estados Unidos pediu uma reunião de emergência com o Estado-Maior das Forças Armadas brasileiras. Ele veio solicitar que os navios voltassem, pois o cruzador e os quatro destroyers eram arrendados, os EUA tinham alugado os navios pra gente, e nas cláusulas especificava que eles não poderiam ser usados contra países aliados dos EUA. Em uma raríssima, quase inédita reação de macheza, os militares brasileiros lembraram aos EUA que quando eles pediram, nós declaramos guerra ao Japão, e lutamos lado a lado deles na Segunda Guerra, e de qualquer jeito o Tratado Interamericano de Defesa dizia que em caso de guerra os EUA deveriam nos ajudar. Ficando o dito pelo não-dito, os navios seguiram adiante, mas os franceses tinham um ás na manga. Na costa da África o porta-aviões Clemenceau e uma força-tarefa completa aguardavam para auxilia o Tartu, se fosse necessário, o que seria fatal para a frota brasileira. Alguns navios não tinham munição para os canhões principais, o único submarino enviado, o Riachuelo, passou por reparos de emergência e foi enviado somente com torpedos de treino, quando chegou no nordeste técnicos de Arsenal de Marinha fizeram uma gambiarra instalando explosivo nas ogivas de treino, sem nenhuma garantia de que funcionaria. A FAB fazia menos feio, identificaram a posição do Tartu e desde então ele era constantemente vigiado por aviões de patrulha e ataque, inclusive bombardeiros B-17. Os franceses faziam exercícios de tiro para tentar espantar os aviões, mas não adiantava. Logo eles passaram a ser acompanhados por navios brasileiros, o Tartu e seis barcos de pesca. Os navios brasileiros começavam a quebrar, reparos de emergência eram feitos, mas o blefe foi mantido. Depois do que pareceu uma eternidade, mas no total foi menos de um mês, os barcos franceses deram a volta e foram embora. Aparentemente a França havia se rendido! Soube-se depois que os pescadores desistiram pois barco parado não faz dinheiro, e não podiam pescar com os brasileiros em volta. Negociações após o fim do conflito deram a 26 barcos franceses autorização para pescar na costa brasileira, por até cinco anos e parte do lucro seria dividido com pescadores brasileiros. Entre mortos e feridos salvaram-se todos, o Brasil foi campeão moral e a França ganhou tudo que queria mesmo se rendendo. Há que se admirar as tropas brasileiras, é muito pouca gente no mundo que pode se gabar de mesmo com armamento obsoleto, um mínimo de munição, treinamento deficiente e equipamentos quebrados, ter peitado uma potência nuclear e sobrevivido pra contar a história. Só não foi final feliz pras lagostas. Fonte: Contraditorium - Blog do Cardoso
  11. A História dos verdadeiros Panteras Negras que salvaram a Easy Company Cardoso 10/04/2018 Um estereótipo brilhantemente subvertido no filme do South Park é que negros no exército eram buchas de canhão, mandados na frente pra morrer no lugar dos brancos. Na realidade as forças armadas dos EUA na Segunda Guerra eram segregadas, então na maior parte do conflito você não via unidades brancas e negras lutando juntas. Mais ainda: O pensamento racista oficial definia o negro como inferior, não como diferente. Se o problema fosse a diferença, beleza, é só acionar a operação Fiquem Atrás dos Escurinhos, mas havia uma crença honesta de que negros não eram inteligentes o bastante para lutar, e por isso ficavam relegados a funções administrativas, como oficiais de almoxarifado, logística e cozinheiros. Em algumas forças como a Marinha isso se manteve até o fim da guerra. Já no exército a necessidade fez com que negros fossem colocados em posições de combate. Isso foi até matéria da revista Life em sua edição de 15/6/1942: As unidades negras, mesmo segregadas foram forte influência para as lutas pelos Direitos Civis nos anos 50 e 60, e criaram além dos militantes, que não aceitavam mais serem vistos como inferiores, como criaram aliados, como disse o coronel, branco, comandante do Campo Claiborne em Los Angeles, onde havia várias unidades de negros em treinamento (treinamento para serem soldados, não treinamento para serem negros) : “Eu mesmo sou um sulista plantador de algodão, e eu não chamo esses garotos de crioulos. Eu os chamo de soldados americanos, e soldados danados de bons!” A chance de se descobrir se eram bons mesmos aconteceu em 9 de Novembro de 1944, quando a Companha B do 761o Batalhão de Tanques se aproximou de Morville-lès-Vic, na França. Era parte da campanha da Ardenas, o resgate da Easy Company e do resto da 101a Aerotransportada que estavam segurando os alemães na base do desespero, sem comida, remédios ou munição. Os jovens negros do 761o estavam bem armados, bem motivados mas eram inexperientes. Esperando por eles, duas divisões Panzer da SS repletas de veteranos, e pra piorar eles ainda eram (diziam) da raça superior. Aparentemente eram mesmo, assim que os tanques despontaram foram recebidos com uma chuva de tiros de bazuca e metralhadora. Com seu tanque atingido e em chamas, o Sargento Roy King tentou sair do veículo, mas foi atingido mortalmente. Seus dois tripulantes também foram alvejados mas mesmo feridos conseguiram escapar. Em outro tanque danificado o soldado John McNeil se escondeu debaixo do veículo e afastou com tiros de Thompson os alemães que tentavam se aproximar. Isso deu tempo para que o técnico James T. Whitby pulasse de volta para dentro do tanque, ainda em chamas, municiasse a metralhadora .30 e começasse a atirar nos alemães. Os dois mantiveram a posição por mais de três horas. Outras unidades avançaram, e ao final do dia a vila estava tomada. A um custo altíssimo, um oficial e nove soldados mortos, as primeiras baixas dos Panteras Negras, o nome do 761o batalhão. Um dos prisioneiros alemães foi categórico ao descrever seu contato com o inimigo: “Tanta bravura. Eu só vi isso uma vez, e foi na Frente Russa.” A unidade, que era usada como substitutos quando não havia mais tropas regulares pra enviar, estava exultante. O Capitão John D Long, o segundo negro a se tornar Tenente no Exército dos EUA foi direito ao ponto: “Nós ganhamos alguns roxos mas tomamos a porra da cidade. Depois de Morville-Lès-Vic não havia uma unidade branca que não ficasse danada de alegre de ver a gente. Nós éramos uns filhos da mãe combatentes, e nossa reputação nos precedia.” O Capitão Long era carinhosamente chamado, pelos 6 oficiais brancos da unidade “Black Patton”, por sua capacidade de liderança e inspiração, mas o verdadeiro Patton tinha o principal mérito. Ele teria requisitado, 3 dias após o Dia D o envio de uma unidade de tanques “a melhor disponível”. O Departamento de Guerra disse que só tinham negros disponíveis. Patton teria respondido “Eu perguntei a cor deles? Eu quero tanqueiros!” Eles acabaram se tornando a unidade mais eficiente do exército de Patton, que apesar de suas dúvidas pessoais, confiou nos rapazes, e seu discurso quando os recebeu, alguns dias antes de entrarem em combate foi profético: “Homens, vocês são os primeiros tanqueiros negros a combater no Exército Americano. Eu nunca teria pedido por vocês se vocês não fossem bons, e eu não tenho nada além do melhor no meu Exército. Eu não me importo com que cor vocês tenham desde que estejam lá matando aqueles chucrutes filhos da puta. Todo mundo tem os olhos em vocês e esperam grandes feitos de vocês. A maioria da sua raça espera o seu sucesso. Não os decepcionem e diabos, não me decepcionem! Dizem que é patriótico morrer pelo seu país. OK, vamos ver quando patriotas nós conseguimos criar, daqueles alemães filhos da puta!” Algumas vezes havia uma vantagem estratégia nos soldados do 761. Os alemães estavam usando uma tática onde tomavam postos de controle nas estradas, disfarçavam seus homens com uniformes americanos e emboscavam os inimigos que se aproximavam. A estratégia de Patton foi trocar as sentinelas por soldados negros do 761, com a ordem de atirarem em qualquer soldado americano branco que estivesse agindo de forma suspeita. Deu certo. O 761 teve muitos heróis, o maior deles talvez seja o Sargento Ruben Rivers, esse sujeito aqui que parece o Morpheus antes da fase emo. Uma barreira antitanque havia sido colocada no meio da estrada. O tanque do Sargento Rivers era o primeiro, então ele não pensou duas vezes: Sob fogo inimigo saltou do tanque, amarrou um cabo na barreira e liberou o caminho para os outros. Um gesto de bravura que chamou a atenção dos oficiais, mas não houve tempo para celebrá-lo. Alguns dias depois durante um ataque o tanque do Sargento Rivers atingiu uma mina, a explosão lançou estilhaços que rasgaram sua coxa do joelho ao quadril, até o osso. Sendo atendido pelo médico, foi classificado como um ferimento de um milhão de dólares, sério o bastante pra garantir o retorno pra casa mas algo que ele poderia sobreviver. O Sargento Rivers se recusou a aceitar a morfina e a ser evacuado. Quando o Capitão ordenou que ele obedecesse ao médico, a resposta foi “Esta é a única ordem que irei desobedecer, senhor”. Sem opção os médicos enfaixaram a ferida e deixaram o sargento, que arrumou outro tanque e continuou lutando. Dois dias depois a ferida estava bastante infeccionada, os médicos avisavam que ele havia desenvolvido gangrena e que poderia perder a perna. O Sargento Rivers não ligou, e mesmo claramente sofrendo muitas dores continuou em seu tanque, até que durante um ataque foram surpreendidos por uma imensa quantidade de inimigos. Os dez tanques da unidade receberam ordem de recuar. Rivers se recusou, ficou para trás detendo sozinho o inimigo, disparando sem parar o canhão M3 de 75mm de seu tanque Sherman, enquanto ignorava o barulho ensurdecedor e a dor na perna. A sorte não durou para sempre, um tiro certeiro de um 88mm nazista abriu o tanque “como um ovo” e outro tiro de munição perfurante pôs fim ao Sargento Rivers. Mais tarde ele foi condecorado com a Medalha de Honra do Congresso. Muito mais tarde, na verdade só em 1997, quando não era mais constrangedor dar medalhas a heróis negros que não fossem o Jesse Owens. Ao final da guerra o 761 havia pisado em 6 países diferentes, libertado um campo de concentração e causado 130 mil baixas entre o inimigo. Na Áustria, perto do Rio Enns eles se encontraram com tropas russas, e fizeram parte da guarda de honra que aceitou a rendição das tropas alemães. No total foram uma Medalha de Honra, uma Presidential Unit Citation, 11 Estrelas de Prata e 300 Corações Púrpuras, mas todo o reconhecimento do heróis do 761o Batalhão de Tanques só começou a acontecer bem tarde. A Citação Presidencial foi obra de Jimmy Carter, a Medalha de Honra, de Clinton. Mesmo assim o maior e mais importante efeito dos esforços desses soldados apareceu bem mais cedo. Durante o treinamento, em 1941 o quartel era segregado. Negros tinham que andar quase 2Km até o portão da base, e só podiam viajar de pé no fundo dos ônibus, os motoristas armados prendiam quem não seguisse as regras. Em 1945 já nos EUA o Sargento Johnnie Stevens estava pegando um ônibus em Fort Benning, Georgia, para Nova Jersey onde morava. O motorista se recusou a deixar o sargento negro subir no ônibus e ainda o chamou de “garoto”. Para azar do racista caipira, junto do sargento estava todo um grupo de soldados brancos da 26a Divisão de Infantaria, que conheciam o Sargento e principalmente a reputação dos Panteras Negras. O motorista tomou um esporro fenomenal e o sargento não só viajou no ônibus como ainda ganhou um lugar na frente. Fonte: Contraditorium Acho que o povo não curte muito história, né.
  12. "Furioso, Capitão Pirata aponta seu canhão para o Pica-Pau que, voando, se desvia da bala de canhão. O pirata esbraveja, puxa o cordão de novo e, novamente o Pica-Pau voa para o lado e desvia da bala de canhão. Dessa vez o pássaro canastrão fica a poucos centímetros do pirata, que vira o canhão e dispara contra ele, que pela terceira vez se desvia e sai voando para longe. Nisso, o capitão olha para o fundo do barco e percebe que fez um furo no navio. Ele olha para a câmera, faz aquela cara de "Como sou burro" e afunda imediatamente". Quem nunca viu a mesma cena em outros desenhos antigos? O pirata, o vilão, o marinheiro burro... Todos caem no velho truque de atirar no herói, que está no trombadilho, errar e afundar o navio? Para impedir que, no mundo real, marinheiros fizessem isso, foi criada a retranca, uma peça de metal que impede as armas de um navio (especialmente as anti-avião) de atirarem no contorno do próprio navio. Bom, dito isso: O Destino do Cruzador Bahia! Autor Góris Faria Durante o Império, o Brasil chegou a ter uma das frotas mais poderosas do mundo (a quinta ou sexta, de acordo com a fonte) e a mais poderosa do continente. Isso mesmo, a Marinha do Brasil chegou a ser, por alguns anos, a mais poderosa do continente (tá, vamos ser honestos, foi durante e logo após a guerra civil americana, onde, claro, a marinha deles perdeu umas unidades e ficou relegada a segundo plano no período de reconstrução do país). A razão é bem pouco comentada em nossos livros de história (e um dia procuro escrever sobre isso) mas durante nossa guerra da independência (quê? Seu professor disse que não tivemos guerra de independência?) capturamos vários navios portugueses tanto durante as batalhas navais que participamos, seja por rendição de forças portuguesas. Depois da independência, ainda tivemos guerras contra a Argentina, Uruguai e Paraguai, onde nossas forças navais desempenharam importante papel. Pois bem, logo após a proclamação da República (pelo exército) um impasse meio que surgiu, pois a marinha era, em grande parte, fiel ao Imperador e, por isso, lentamente os militares do exercito foram cortando verbas e apoio à Marinha. Junte a isso que a Marinha se rebelou pela volta do Império (quê? Seu professor tbm não falou isso? O que você aprendia nas aulas de história?) quando o golpe militar - que ia devolver o poder aos civis - não devolveu e você percebe que a Marinha miguou imensamente nos primeiros 10 anos de República. Só que enquanto o Brasil desmantelava sua marinha - aposentando, perseguindo e mesmo prendendo vários oficiais e praças experientes - Argentina, Uruguai e até Chile não pararam no tempo. Isso não contando o risco de nações estrangeiras, que no passado ameaçaram nosso país e que viviam numa corrida colonizadora na África e Ásia, mas que poderia se voltar ao nosso continente a qualquer momento, ainda mais o país tendo um governo deslegítimo, sem apoio popular e corrupto (sim, Temer é um vampiro, ele já fez isso antes, pergunte a seu amigo petista) fez com que o governo resolvesse reativar nossa marinha. Claro, pegar navios que ficaram enferrujando por quase 10 anos e gastar algum dinheiro modernizando eles era uma opção. Outra opção mais rápida e simples (e com grandes possibilidades para um governo corrupto) era simplesmente comprar uma frota nova com todo o dinheiro que o país tinha em caixa. O resultado foi a compra de vários e modernos navios de guerra, que em poucos anos colocaram o Brasil novamente como a segunda marinha do continente, entre eles o poderoso Minas Geraes (com 'e' mesmo) - esse sim, o terceiro mais poderoso navio do mundo e o mais poderoso do continente . A compra desses navios levou a uma Corrida Armamentista entre os três países, que só terminou durante a primeira guerra mundial, quando não só todos os navios em construção passaram a ser tomados pela Inglaterra como os países em guerra pararam de comprar produtos destes três países. Peço desculpas a todos pelo wall of text, agora sei porque quase ninguém lê o tópico. => <= O tabuleiro da tragédia Voltando ao Destino do Bahia, este foi um cruzador encomendado aos britânicos, junto com seu cruzador-irmão Rio Grande do Sul, que, sozinhos, eram mais poderosos que metade da frota naval brasileira até então. O navio tinha 122 metros de comprimento e deslocava 3150 toneladas. Tinha 10 canhões de 120mm, 6 de 47mm e dois tubos lança-torpedos (na época, era coisa a se ter medo) e já chegou botando banca, pois seis meses depois de chegar ao Brasil, participou da Revolta da Chibata. O navio participou de diversas missões no atlântico ao lado dos aliados, tendo um papel de protagonista na famosa Batalha das Toninhas e, depois de modernizado, fez parte do bloqueio a navios nazistas e participou da caça de submarinos nazistas no Atlântico e Mediterrâneo. Quando a guerra acabou, o navio ficou para trás, patrulhando o oceano e servindo de controle e apoio de aviões levando soldados americanos da Europa para o Nordeste (e, de lá para os EUA). Peças no tabuleiro Ao assistir filmes de guerra e verem os tripulantes atirando em aviões, as pessoas devem se perguntar "será que na ânsia de acertar o avião eles não se confundiam e atirariam para dentro do navio?" e sim, isso poderia acontecer. Por isso as metralhadoras tem uma retranca, que impede a metralhadora de atirar para dentro do próprio navio. Mas, por alguma razão inexplicável, brasileiros acham que manutenção é perda de tempo (até hoje) e desmontaram a retranca de uma das metralhadoras achando que todos saberiam que não se deve atirar dentro do navio. Por alguma outra razão inexplicável, brasileiros acham que se algo é óbvio pra eles, vai ser óbvio pra todo mundo e não explicaram os riscos para os novatos. A tragédia Pois bem, as 9:10 da manhã, um dos novatos girou a metralhadora para dentro do trombadilho e acidentalmente acertou uma mina submarina que estava lá. A mina gerou uma reação em cadeia que fez todas as outas minas explodirem jogando pelos ares parte do convés, abrindo um gigantesco rombo no casco e levando 101 vidas imediatamente. O navio começou a afundar antes de ser enviado um pedido de socorro e apenas poucas balsas foram jogadas ao mar (lembram da falta de manutenção dos equipamentos?) fazendo com que os outros 270 tripulantes tivessem que se espremer em 17 balsas projetadas para 130 tripulantes... Alguns brasileiros decidiram saltar para o mar para dar lugar à centena de tripulantes seriamente feridos ou queimados. Como o navio não deu avisou do acidente, demorou dias para que o alto comando brasileiro percebesse que um navio não estava respondendo (sabe como é, se não fazem manutenção, vez ou outra um rádio pára de funcionar por um dia ou dois) e quando as buscas se iniciaram, dos 270 tripulantes, apenas 33 haviam sobrevivido à insolação, frio, sede, delírios e ataques de tubarões. Desses 33 resgatados, 5 morreram no retorno ao Brasil. O triste fim para o que foi, por muitos anos, um dos orgulhos da Marinha do Brasil. Teoria da Conspiração: Cartas Marcadas? Há uma teoria da conspiração muito em voga nos meios alternativos de que o submarino U-530, que chegou secretamente à Argentina alguns dias depois, afundou o navio brasileiro para que sua importante carga (alguns dizem, Adolfo Hitler) não fosse detectada. Claro, nessa teoria, os americanos inventaram a estória do erro humano pois tinham acordos secretos com a Alemanha e Hitler e deixaram o navio ser afundado para evitar testemunhas. Mais sobre essa teoria do afundamento nazista em: Jornal do Commercio
  13. A Batalha das Toninhas A participação do Brasil nas Guerras Mundiais não era apenas motivo de vergonha. Participamos de uma das maiores e menos comentadas batalhas de todas as guerras, uma em que o ser humano deu mostras de seu valor frente aos desafios da natureza de forma inegável. Cruzador Bahia - Um dos orgulhos da Marinha do Brasil, foto de 1920 Em novembro de 1918, poucas semanas antes do fim da guerra, o Cruzador Bahia, uma de nossas naus, estava patrulhando o mar mediterrânea próximo à costa do estreito de Gibraltar. Havia notícias sobre um submarino alemão que poderia estar à espreita para afundar navios aliados, o que deixava os marinheiros, principalmente naquela época anterior ao radar, sobressaltados. Durante uma noite um marinheiro brasileiro viu ao longe o periscópio de um submarino. Isso colocou em polvorosa toda a tripulação. Em minutos outro marinheiro viu outro periscópio e mais outro. Estavam cercados por inimigos. Aquela seria a noite da mais brilhante batalha naval brasileira fora de nosso continente, a Batalha das Toninhas! Cercados por submarinos alemães, o comandante brasileiro decidiu que não deveriam alertar aos inimigos que eles foram descobertos e enquanto todas as luzes acesas permaneciam acesas e as apagas continuavam apagadas, indicando que nada de diferente acontecia, os tripulantes foram acordados e enviados para seus postos. Homens foram postos para seguir a posição dos submarinos - cujos periscópios vez ou outra refletiam a luz da lua e as próprias luzes da embarcação e denunciavam sua localização. Quando todos estavam a seus postos, o comandante ordenou que apagassem as luzes e disparassem com todas as armas contra os vários submarinos alemães de surpresa. Poderia não ser muito cavalheiro fazer isso, mas guerra é guerra e submarinos alemães também não eram conhecidos por avisarem aos inimigos que iam atacar. Bravamente, toda a tripulação participou do ataque ao submarino, além dos 10 canhões de 10mm e 6 poderosos canhões de 47mm toda a tripulação veio ao convés ajudar no combate com armas de mão. De rifles a pistolas. Foram cerca de cinco horas de grande tensão. Se um único submarino alemão tivesse sobrevivido, ele poderia aproveitar a noite para atacar de longe, com torpedos, colocando o navio em perigo. Mas fora os destroços prateados, nenhuma movimentação suspeita surgiu nestas cinco horas até o sol raiar. Foi então que os brasileiros perceberam que o mar estava vermelho. Submarinos não sangram, evidentemente, e sua tripulação era pequena demais para gerar tanto sangue. Que espécie de truque alemão maligno era aquele? Os marinheiros desceram e pegaram os destroços prateados do submarino. Para sua surpresa, os destroços prateados não eram destroços de metal. Eram toninhas, uma espécie dócil de primos dos golfinhos. Toninha, também conhecida como boto-cachimbo ou golfinho-do-prata, corre risco de extinção Por bem a tripulação do cruzador Bahia achou melhor esquecer dessa terrível batalha, mas infelizmente havia um submarino alemão cujos tripulantes acharam desumano ver brasileiros matando por simples prazer as pacíficas toninhas e saíram contando pra todo mundo (carece de fontes, segundo a wikipedia). Bom, agora todos sabem que o Brasil impediu que centenas de toninhas continuassem afundando navios no estreito de Gibraltar. Fomos heróis!
  14. Batalha de Tsushima Prólogo: Como eu comentei antes, a Rússia possuía uma marinha e um exército enormes, o que a tornavam uma potência mesmo que a tática zerg (1) de "Manda 10 milhões, depois mais 10, depois mais 10 que uma hora a gente vence" possa parecer absolutamente maluca para nós, do século XXI, ela funcionava. Então, o exército e a marinha russos eram liderados quase que de forma medieval. O filho de um nobre de uma casa poderosa, ainda que um completo idiota, tinha mais chances de se tornar um general - ou, no caso, almirante - que um soldado que lutou em 10 guerras, obteve 100 vitórias e obteve experiências de uma vida toda. Claro, nos últimos anos do século XIX e primeiros do século XX, a Russia utilizou de empréstimos estrangeiros e começou a modernizar seu exército e marinha. Pra quem conhece história, até os anos 1860, o Japão viveu 200 anos de isolamento do mundo externo, esperando, com isso, se tornar auto-suficiente. Mas nessa decada, um moderno navio americano chegou na baía de Tóquio e ameaçou atacar a cidade se o país não se abrisse ao comercio com a América. Nessa mesma época, a China enfrentava um caos social, político e econômico tremendo devido ao vício em ópio (em fins de 1910, 1 em cada 4 adultos era viciado e incapaz para trabalhar ou lutar) e as potências ocidentais aproveitaram para conquistar enormes territórios do país. O Japão percebeu por esses dois eventos que teria que se modernizar ou teria o mesmo destino que seus primos (outrora tão mais poderosos e ricos, agora caindo frente aos bárbaros ocidentais). Então, o Japão passou a enviar estudantes e emissários para todos os mais ricos e poderosos países do mundo, onde obtiveram conhecimentos de engenharia, indústria, produção e, claro, militares. Ao mesmo tempo que a Rússia fazia sua revolução industrial, também o Japão o fazia. A diferença é que enquanto as armas russas se modernizavam, todo o modo de guerra deles, baseado em laços de nobreza, imobilismo, zerguismo (*) continuava o mesmo da idade média. O Japão não, após as guerras internas (como visto em Samurai X e o Ultimo Samurai) eles buscaram copiar os modelos europeus modernos de guerra. O conceito de meritocracia militar, escolhendo os oficiais que melhor davam resultado e não por laços de nobreza tornaram o Japão uma pequena potência militar. Por isso a Frota Báltica Russa, poderosa, era menos eficiente que a japonesa (tbm poderosa). A Russia era um império burocrático e o Japão, não. Volto a citar que os navios russos já possuíam rádio-comunicação mas o almirante preferia a comunicação tradicional, por bandeiras. Isso fazia com que os navios não pudessem se afastar muito uns dos outros, sob o risco de perderem ordens importantes e fazia com que qualquer ordem demorasse longos minutos para ser dada. O Japão, por outro lado, tinha navios rápidos e usava da velocidade como arma. Algo que seria fatal para os russos. Os combatentes. Encouraçados Classe Borodinho - Grandes, poderosos e... Pesados. A frota russa era formada por 8 encouraçados, 8 cruzadores pesados, 9 destróieres e 9 outros navios diversos, comandando pelo almirante Rojestvensky. Frota Japonesa, navios mais leves, que compensavam seu menor poder de fogo com velocidade e pontaria. A frota japonesa era composta por 4 encouraçados, 8 cruzadores, 16 cruzadores leves e 21 destróieres(2). Togo era o almirante da frota. A batalha de Tsushima. Tsushima é um estreito entre a Coréia e o Japão, local "apertado" onde os navios poderiam facilmente ser encontrados. Mas também era o caminho mais rápido para chegar a Port Arthur. A idéia básica da frota russa era "Os japoneses não esperam que a gente passe justamente por aqui, passaremos rapidamente, encontraremos o resto da frota do pacífico e, juntos, atacaremos em superioridade de forças os japoneses". Talvez pudesse ser um bom plano meros 20 anos antes, mas numa época em que já havia comunicação por rádio, era uma manobra arriscada. E os russos pagaram para ver... E tiveram que pagar o preço. Um barco mercante japonês, durante a noite, viu a frota russa sem ser visto e enviou mensagem para a frota. O almirante Togo rapidamente reuniu sua frota e aguardou pacientemente no estreito. Quando anoitecia, eles viram os navios russos e iniciaram o ataque. Bom, não sei se todo mundo entende de batalhas navais, mas basicamente os navios fazem uma formação mostrando um dos lados para o inimigo e começam a disparar, já que os canhões atacam para o lado. Apenas uma minúscula parte dos canhões dos navios atira para a frente. Dito isso, se você tem tempo de virar o navio, todos os seus canhões laterais podem disparar. Togo aproveitou da velocidade para colocar seus navios perpendiculares aos navios russos. A grosso modo, em forma de T... Sendo a linha horizontal os navios japoneses - que podiam atirar com todos os seus canhões para os navios russos - e a linha vertical os navios russos, que teriam ou que virar para ficarem paralelos aos japoneses tipo = ou atirar com a menor parte dos canhões. Novamente, a comunicação por bandeiras fez os navios russos perderem muito tempo, não viraram a tempo. Pior, os navios russos eram de modelos diferentes, alguns rápidos, outros lentos... De forma que os navios mais rápidos dos russos não podiam aproveitar sua velocidade porque neste caso deixariam os navios mais lentos à mercê do inimigo. O primeiro ataque japonês foi devastador, ainda que os russos tenham acertado diversos tiros nos inimigos (sob tais circunstâncias, um feito digno de nota), a mira dos japoneses era exímia. Um ataque de sorte acertou o paiol do Borodinho, explodindo imediatamente o navio e afetando de forma terrível o moral do restante da tropa russa. Durante a batalha, o almirante russo é atingido por uma bala e assume o segundo em comando. Até o começo da noite, outros vários navios russos são afundados. Sem o almirante Rozhestvensky , o contra-almirante Nebogatov assume o comando da frota. Nisso os japoneses atacam, mesmo de noite, com seus destróieres e cruzadores leves, menos resistentes, mas mais rápidos e capazes de ataques relâmpago. O contra-almirante Nebogatov ordenou ao restante da frota que não combatessem os inimigos, mas partissem rumo ao porto de Port Arthur em pequenos grupos. Por algumas horas, os russos conseguiram fugir sob a cobertura da noite. Até que os russos tiveram a brilhante idéia de ligarem os holofotes para atacar os japoneses. Sério, não é piada. Com os navios entregando sua posição, foram novamente alvejados e atacados pelos japoneses, perdendo dois couraçados e dois cruzadores. Um couraçado russo bateu numa mina e ficou seriamente danificado. Sem condições de seguir adiante, foi encontrado e afundado por torpedos japoneses. De 602 tripulantes, apenas 3 sobreviveram (resgatados pelos japoneses). No dia seguinte, os navios sobreviventes que não conseguiram fugir, se renderam aos japoneses. Representação da Rendição Russa em Tsushima O saldo foi terrível para os russos - dos 29 navios russos, 17 foram afundados, 5 foram capturados ou se renderam e apenas alguns poucos conseguiram chegar a Vladivostok ou fugir para outros portos amigos. A rendição dos russos foi ainda mais humilhante para a marinha imperial. Epílogo A batalha de Tsushima foi um ponto de virada na história mundial, ainda que poucas vezes comentada. O Japão não só demonstrou ao mundo todo sua capacidade militar - algo que ajudaria nas negociações com outras potencias durante as próximas décadas - e a derrota levou o Império Russo a enfrentar anos de revoltas e desprestígio para o Czar. Talvez para nós possa não parecer haver muita lógica, mas enquanto um czar se mostrasse poderoso, trazendo grandeza para a mãe-Russia, mesmo que o povo russo passasse necessidades, havia algo em que o povo acreditar. A incompetência militar russa trouxe vergonha e humilhação, assim como o sentimento que o czar não era o mais adequado para liderar o povo russo em seus objetivos. Não por acaso, meses depois houve a revolta de 1905 (envolvendo o famoso encouraçado Potemkin) e o massacre de civis que se seguiu levou o povo a odiar seu czar e, meros 12 anos depois, levaria à Revolução Russa. Para o Japão, além dos louros da vitória, deixou a China livre para ser tomada pelos japoneses.
  15. Tópico para dividirmos histórias da História. Personagens famosos, grandes batalhas, reinos fabulosos, viagens fantásticas, grandes heróis... Começo contando a primeira parte da Grande Expedição da Frota Báltica Russa rumo ao Japão! A incrível odisséia da Frota Báltica Russa Prólogo: No século XIX, a outrora poderosa China estava em escombros. Com 1 em cada 4 adultos viciado em ópio, o outrora poderoso exército estava em frangalhos. Faltava comida, as redes de transporte estavam em caos e, depois de duas humilhantes guerras contra a Inglaterra, mesmo o poder imperial estava fragmentado, com senhores da guerra locais dominando seus territórios e em guerra uns com os outros. Nesse momento, a Rússia decidiu aproveitar o caos para extender seus territórios para o extremo-oriente. Infelizmente, nessa mesma época, o Império do Japão também estava de olho nas mesmas terras chinesas e um conflito surgiu. Os russos tinham em Vladivostok um porto seguro no oriente, mas durante pelo menos seis meses por ano, o porto ficava congelado, impedindo seu uso e prendendo a Frota Russa do Pacífico. A solução foi os russos "emprestarem" dos chineses o porto de Port Arthur e moverem para lá sua frota e seu contingente militar. O plano teria sido muito bom, se o czar tivesse esperado terminar a ferrovia transiberiana. Apesar do exército russo ser infinitamente superior ao japonês, não adianta você ter 4,5 milhões de soldados se não pode enviá-los para o campo de batalha. Claro, se os japoneses tivessem sido camaradas de esperar a ferrovia ficar pronta, teria sido facílimo a conquista de parte da China pela Russia. Mas os japoneses não eram legais e atacaram Port Arthur bem no meio dessa mudança por navio, afundando alguns navios russos e prendendo os restantes no porto, sem possibilidade de sair. Japoneses acordam o grande urso. Preparativos. Ao saber dessa sacanagem japonesa, o czar ficou furioso. Ingleses, franceses e alemães estavam derrotando com facilidade os chineses, era humilhante para o povo russo um bando de amarelos derrotar sua marinha. Ordenou então que sua frota do báltico fosse para o mar da China expulsar os japoneses. Vale comentar alguns fatos. A marinha russa era capitaneada por nobres, não marinheiros e oficiais de carreira. Ainda que houvesse russos experientes em guerras, o peso da nobreza cobrava um certo preço em velocidade e vontade de seguir ordens. Somado a isso, a frota russa era grande, cerca de 40 navios de guerra, mas heterogênea, com navios maiores, menores, rápidos e lentos. A pressa em enviar uma expedição punitiva ao Japão fez com que a Russia não fizesse uma preparação adequada. Longe disso. E os resultados logo surgiriam. Navio de Guerra Classe Borodino - O orgulho da frota russa seguia o desenho dos battleships franceses, mas com mais de tudo. Entre os navios de guerra, quatro deles eram os poderosos cruzadores da classe Borodino, que já valeriam um tópico por si próprios. Os russos copiaram a poderosa classe de navios Tsesarevich francesa, adaptando os navios para seus usos (basicamente, motores maiores, canhões maiores, proteções maiores) o que tornou os navios em pesadelos dos mares no papel (com armamento e defesas incríveis), mas na prática, eram lentos frente aos modernos navios japoneses. Mais ainda, os russos tinham os modernos rádios, com os quais um navio poderia se comunicar com outro à distância. Uma nova e moderna vantagem. Além de 4 (dos 5) borodino, a frota russa tinha cruzadores, destróieres e diversos navios auxiliares. A Jornada Em outubro de 1904, a frota russa partiu em sua viagem transcontinental de, esperavam, 20 mil quilômetros. Após o que parecia uma eternidade no mar, os russos saíram do Mar Báltico e chegaram próximos à Inglaterra, no Mar do Norte. Percebendo uma série de navios desconhecidos, os russos interpretaram que eram navios-espiões japoneses, bem alí, ao lado do quintal russo. A frota então atacou vários dos navios. Infelizmente, houve uma pequena confusão e os navios espiões japoneses eram barcos pesqueiros ingleses. Bem fácil de confundir, claro. Como resultado, problemas diplomáticos entre o Império Britânico e o Império Russo. Os ingleses não aceitaram muito bem as desculpas russas de que os barcos pesqueiros ingleses eram idênticos aos torpedeiros japoneses e, por isso, bloquearam aos russos o acesso ao canal de Suez. Forçando os russos da darem uma volta gigantesca pela África para chegar no Japão. O que atrapalhou todos os planos russos e tornou mais difícil lidar com os suprimentos. Um simples erro militar, que qualquer um poderia cometer, e a Frota Báltica teve que contornar todo um continente.?? Mais ainda, foi a desculpa perfeita para os ingleses passarem a - realmente - fornecer aos japoneses informações privilegiadas sobre a localização e poderio da frota russa. Então, a frota traçou rumo para a África. Infelizmente, um navio russo ficou preso num cabo submarino. Com seu cronograma atrasado, os russos cortaram o cabo para prosseguir viagem. Infelizmente o cabo era o cabo de comunicações entre a África e a Europa, o que deixou os dois continentes sem comunicações por quase uma semana! A saga, claro, não terminou por aí. Ao circundar a África, os russos encontraram um navio desconhecido, dessa vez vendo que não era um navio inglês, o atacaram até alguém perceber que o navio desconhecido era barco mercante sueco e cessar fogo. Logo, outro espião japonês surgiu e foi novamente atacado. Era um navio pesqueiro alemão. O que trouxe outra nação a ficar contra os pobres russos. Ainda no sul da Ásia, enfim, outro navio. Os russos não poderiam errar outra vez, era impossível que fossem confundir outro navio "aliado" com japoneses e, atacaram uma escuna francesa. Os conflitos com outros europeus não eram a única coisa notável dessa odisseia. Finalmente, após aportarem em Cingapura para reabastecer de víveres (lembrem-se, a viagem precisou de mais 5.000kms por causa da sacanagem inglesa de não deixarem eles usarem aquele canal idiota deles. Nisso, os russos pegaram uma epidemia de doenças tropicais. Muitos russos morreram. Para homenagear os mortos, muita vôdega e uma salva de 21 tiros durante a cerimônia. Por azar, os russos erraram os disparos e acertaram um barco... Russo. Causando mais mortes e desprestígio à Mãe-Rússia. O almirante decidiu, então, treinar seus canhoneiros porque tava foda, se não afundavam navios pesqueiros e mercantes, como eles poderiam enfrentar os japoneses? Para isso, eles compraram um navio sucatado e o usariam como tiro ao alvo. Durante os treinamentos, os russos melhoraram muito sua mira. Todos os disparos acertaram e conseguiram afundar... O navio-reboque russo. É, confundiram os alvos. Finalmente, em maio de 1905, a frota chegou ao extremo oriente. Era uma frota com marujos cansados, doentes e com pouca vôdega, mas formada por alguns dos mais modernos e poderosos navios da Europa. Na pressa de chegar logo a Port Arthur e esmagar a frota japonesa, o almirante russo teve uma brilhante idéia. Ao invés de dar a volta em mar aberto, ele sabia que era idiotice passar no estreito de Tsushima. Ninguém esperaria que ele tivesse a brilhante idéia de passar por lá, seria uma tática digna dos maiores livros de história militar no futuro. A chegada à Port Arthur? Acho que nao Infelizmente, um navio mercante japonês viu a frota russa e avisou ao império japonês. Quando a frota passou pelo estreito, deu de cara com a frota japonesa em peso. Estreito de Tsushima: Ninguém esperaria os russos passarem por um lugar tão perigoso. Bom, o restante todos nós sabemos. A maior batalha naval da era pré-dreadnough, em que os poderosos navios russos, lentos e com péssima mira, foram massacrados pela velocidade e agilidade dos navios japoneses, derrota que jogou na lama a fama russa, gerou o descontentamento que, anos depois, levaria ao fim do Império Russo e a ascenção do Japão no rol das nações mais militarmente poderosas da Terra. Mas isso, é outra história.