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vgBR | 16 de julho de 2019

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10 Comentários

Análise – Dark Souls II

Análise – Dark Souls II
Átila Graef

Review

GRÁFICOS
9
9

Prepare-se para morrer, morrer, morrer...

Dark Souls II é um jogo completo, maior e melhor do que seus antecessores. Se você é um jogador da velha guarda, em busca de desafios, esse jogo vai te proporcionar momentos únicos de amor e ódio com o videogame.

O conceito dos videogames mudou muito desde o surgimento. Concebido como um mercado infantil e de nicho, o videogame atual tenta abranger o maior número de jogadores possível com jogos com desafio mais brando e diversas opções de dificuldades, visando “agradar gregos e troianos”. Isso significa que aquele jogador que não tem paciência para desafios e só quer ver a história está seguro e pode ser feliz jogando na opção Casual.

O problema é que essa amenização da dificuldade virou padrão de desenvolvimento dos novos títulos e acabou atingindo o mercado num geral. Com isso, jogos realmente desafiadores tornaram-se cada vez mais escassos, sendo que as opções de dificuldade mais elevadas ficavam resumidas a decisões simplórias de design, como: “diminua a vida do jogador e aumente os danos e vida dos inimigos”.

A série Souls no entanto, surgiu para quebrar esse paradigma e retomar o desafio para jogadores que cresceram com títulos como Battletoads ou Ninja Gaiden. Em Demon’s Souls, título precursor da série, os jogadores tiveram o alerta na arte da capa onde o protagonista, normalmente tido como herói invencível, estava morto. A sequência Dark Souls, serviu pra consagrar a série com um jogo ainda mais amplo. Os dois títulos são considerados alguns dos jogos mais difíceis de todos os tempos.

E Dark Souls II supera seus antecessores em todos os aspectos, principalmente na característica mãe da série: a dificuldade.

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HISTÓRIA

Contrariando rumores de que seria uma prequel do primeiro jogo, a base do universo de Dark Souls II acontece num cenário pós-apocalíptico em um futuro distante, no reino decadente de Drangleic. O jogo lhe coloca no papel de um morto vivo amaldiçoado, um dos muitos, que está marcado pela morte ao se transformar em Hollow, e perder sua consciência. A abertura cinematográfica assustadora mostra uma figura encapuzada desesperada mergulhando em um abismo escuro, guiado por misteriosas palavras e chegando a mais um reino morto.

O seu objetivo é obviamente salvar esse reino, mas a forma como Dark Souls II faz isso acontecer é totalmente diferente dos outros jogos. Aqui, apesar de ser o protagonista, você não é um herói. Você é apenas mais uma vítima do mal que assola esta terra e muito antes de salvar o reino, você vai ter que salvar a si mesmo.

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JOGABILIDADE

Um dos pontos chave da série, a jogabilidade de Dark Souls II continua muito parecida com a do original. Você continua usando os gatilhos para atacar, D-pad para acesso rápido de itens, armas e magias, para correr você segura o botão de rolar, etc… Poucas mudanças ocorreram nos controles, sendo a principal delas o salto, que mudou do botão de corrida, para apertar o analógico esquerdo, o famoso L3. Infelizmente essa mudança tirou ainda mais a precisão deles, e não é raro você apertar o analógico de maneira errada e perder o pulo no último instante, caindo para a morte. Felizmente, os saltos são pouco utilizados no jogo e essa decisão não afeta os controles que são praticamente perfeitos e respondem de maneira exata, o que joga a responsabilidade das suas inúmeras mortes para você.

Para os novatos, dessa vez o jogo entrega um tutorial opcional. Logo após a definição da classe de personagem, você passa em uma caverna onde existem diversas salas com caminhos bloqueados por portas de névoa. Dentro, totens com mensagens te ensinam o básico de como jogar. Inimigos gigantes guardam várias saídas, como se estivessem provocando você a ir até eles ver o que vai acontecer. E você ficará tentado, mesmo sabendo que não está nem de perto forte o suficiente pra isso. Mesmo aos jogadores experientes é recomendado passar pela área do tutorial para pegar alguns itens básicos e também aprender sobre um dos novos elementos do jogo: as tochas de iluminação, que inicialmente só podem ser acesas nos Bonfires.

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A partir daí, o jogo se abre. O primeiro lugar que você chega é Majula, uma cidade situada num planalto com um visual espetacular. Assim como Firelink Shrine, Majula conecta-se com vários locais diferentes e vai funcionar como hub do jogo, onde você vai passar de nível, fazer upgrade das suas armas no ferreiro e reunir grande parte dos NPCs que encontrar em sua aventura. Um monumento no topo de uma colina, mantém o registro do total de mortes em todo o mundo e acredite que esse número vai passar dos milhões rapidamente.

Após esse breve início, você está apto a prosseguir em sua jornada, e em breve vai perceber que está diante de um jogo difícil. Sem nenhum exagero, talvez o mais difícil criado até hoje. Porém, a dificuldade de Dark Souls II não é barata ou “apelada” como os gamers costumam chamar. A palavra que a melhor descreve é: desafiadora.

Nós jogamos mais de 40 horas de Dark Souls II para este review e morremos mais de 300 vezes, algumas delas perdendo o trabalho de uma ou duas horas de evolução. E a conclusão que chegamos é de que estamos diante de um jogo cruel. Cruel porque ele vai te colocar em situações desesperadoras e quando você falhar, o jogo vai te mostrar que a culpa foi única e exclusivamente sua. Você vai se ver em situações onde não somente o chefe é o seu inimigo, mas tudo ao seu redor é hostil e está querendo te matar. Porém essas são situações contornáveis e você vai perceber isso e se pegar procurando novas estratégias. Perdi as contas de quantas vezes morri e fiquei pensando: “se eu tivesse rolado um pouco depois…” Seu erros vão custar suas preciosas souls e Dark Souls II não vai poupar em esfregar isso na sua cara, fazendo você querer tentar de novo, e de novo e de novo, até conseguir.

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E você vai acabar conseguindo. Esse é o grande barato de Dark Souls II. É um jogo extremamente difícil, mas nunca impossível e que te trás uma recompensa única ao conquistar a vitória. Passou o frio na barriga e você já pode soltar a respiração: Você derrotou aquele chefe que te matou inúmeras vezes e já pode avançar pra próxima etapa do jogo. A vingança aqui, é um prato que se come quente.

Uma das principais mudanças e que causou grande dificuldade inicial, foi a manutenção dos seus itens de cura, essenciais para a sobrevivência. Você começa o jogo com apenas um Estus Flask (a poção de cura da série) e vai adquirindo mais ao longo da jornada. Felizmente a inclusão das Lifegems como uma opção extra de cura é bem vinda, pois consumir o item é feito de maneira mais rápida que os Estus. Mas esses são itens consumíveis e demoram a tornar-se comuns, e em alguns momentos você vai ter que optar por encarar um chefe com menos itens de curas do que você gostaria.

Um fator característico da série e que se manteve, é como o jogo muda conforme o personagem que você cria. Se você utilizar um mago, vai ter dificuldade em chefes diferentes do que se utilizar um guerreiro, por exemplo. E em alguns momentos, o jogo te incentiva a mudar de abordagem, porque o que você está tentando simplesmente não vai funcionar. Lembro que tive que subir alguns níveis de destreza, visando utilizar o arco e flecha em um dos chefes, porque encará-lo na espada simplesmente não estava funcionando. Essa necessidade de estratégia é o que torna o combate do jogo um elemento complexo e ainda mais interessante.

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Sobre os inimigos, o jogo está muito mais agressivo. Ainda que não seja perfeita, a inteligência artificial melhorou e qualquer oponente agora trás um risco de morte. Os inimigos se juntam em bandos e caçam seu personagem e até mesmo aqueles oponentes fáceis que eventualmente você vai matar com um ou dois ataques, podem significar problemas quando em conjunto.

Felizmente para lidar com isso, o combate continua bastante parecido com o do primeiro, assim como a evolução das armas e armaduras do seu personagem. O uso de motion capture na produção proporcionou uma fluidez melhor na movimentação e influenciou de maneira positiva as batalhas, podendo causar estranheza inicialmente, mas logo você verá que as mudanças foram pra melhor. Os backstabs agora conectam de forma mais natural, e você vai saber que está no ponto certo de executar um quando seu personagem tentar “agarrar” o oponente num movimento anterior ao ataque, o que também dará mais chances de defesa ao jogador que está do outro lado, no caso dos PvP.

Infelizmente não conseguimos analisar o aspecto online do jogo, pois os servidores estavam desligados antes do lançamento oficial nesta Terça.

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SOM

O trabalho no departamento sonoro é excepcional e o nível de detalhes ajuda ainda mais na imersão. Proporcionando o clima, o barulho da sua pesada armadura chacoalhando em alguns locais onde há o total silêncio passam uma sensação de solidão total e te fazem pensar como você é uma presa fácil naquele ambiente.

Ao mesmo tempo, as músicas dos chefes entregam canções de batalha desesperadoras, ou melodias tranquilas como se estivessem te acalmando para o pior que está por vir. A variação de sons, barulhos e grunhidos de monstros ou os seus próprios ao atacar e ser atacado mostram um trabalho fenomenal e que só soma a experiência do jogo.

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GRÁFICOS

Dark Souls II é um jogo aberto e o mundo apresentado por ele é imenso. Aproximadamente cinco vezes maior que o primeiro jogo e guardadas as devidas proporções, estamos falando de algo comparável a GTA V. Então podemos dizer que foi uma surpresa ver que a From Software optou por não travar o frame rate das versões de consoles. Eventualmente o jogo passa dos 30 FPS tradicionais para o gênero, atingindo até mesmo 60 FPS em áreas mais fechadas. Infelizmente esse FPS variável resulta em problemas de screen tearing, que ocorrem mais ao longo das cutscenes do que durante o gameplay. Raramente percebemos momentos onde a taxa de quadros por segundo ficou abaixo de 30, mas fique tranquilo pois nada aqui lembra os problemas de locais como Blighttown do Dark Souls original.

Usar a tocha deixa tudo mais bonito e mostra como a engine de iluminação do jogo está eficiente, mas também produz um contra: você vai lutar sem escudo e com uma espada de apenas uma mão. É algo que infelizmente é necessário em alguns locais, mas que você vai evitar sempre que possível, afinal o jogo fica ainda mais difícil sem defesa. No entanto é interessante ver como alguns inimigos reagem ao fogo. Ratos por exemplo, vão fugir de você quando estiver com a tocha acesa.

Por se tratar de um jogo de exploração, onde a primeira jogada faz toda a diferença para a experiência do jogador, a idéia da nossa análise é não conter spoilers e por isso vamos falar de maneira geral sobre os locais ou chefes. Começando pelos mapas, uma das preocupações dos jogadores era referente ao level design da série, visto que o primeiro jogo era um exemplo de design perfeito, conectando cenários totalmente diferentes muitas vezes de maneira genial.

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Dark Souls II trás ainda mais variedade de cenários do que o primeiro, passando por algumas “releituras” de telas. Além das áreas originais, ainda que não esteja mais em Lordran, você vai ver algo parecido com cada um dos locais do antigo jogo e isso trás uma sensação bacana para jogadores que estão voltando do primeiro. Um aspecto interessante é que o jogo apresenta ainda mais verticalidade em seus mapas, algo dificilmente visto em outros títulos. Basta dizer que é possível ir de um cenário que está literalmente num inferno no centro da terra, a um cenário no topo do mundo, onde dragões voam pelos céus.

Outra mudança positiva e um elemento essencial, os bonfires, refúgio seguro da série, estão em maior quantidade e normalmente são divididos em dois ou mais por áreas, geralmente posicionados de maneira estratégica próximo ao início dos mapas e um pouco antes dos chefes. O warp entre bonfires está presente desde o início do jogo, o que vai diminuir o backtracking e reduzir bastante o tempo de sua jornada, mas mesmo assim, em alguns momentos você vai optar por retornar caminhando, para matar mais oponentes e evoluir seu personagem.

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Ainda nos gráficos, a variedade de inimigos é outra coisa que impressiona e é interessante ver a preocupação em mantê-los de acordo com seu habitat. Um exemplo disso é que existem inimigos normais do jogo, modelados com o mesmo esmero de qualquer outro, mas que só aparecem em uma ocasião durante toda a aventura, o que ressalta como a escola japonesa dos jogos é diferente da ocidental.

Infelizmente nem tudo são flores e para conseguir rodar dessa maneira nos consoles, Dark Souls II sofreu um notável downgrade dos demos apresentados na TGS, E3 e outros eventos. No entanto, é bastante provável que a versão PC, a ser lançada em 25 de Abril, não deverá sofrer desse problema e seja a definitiva neste aspecto.

Um dos grandes motivos de sucesso da série, os chefes continuam brutais e estão ainda maiores, em maior quantidade e mais difíceis. São ao todo 34 chefes sendo alguns opcionais e as vezes escondidos pelos mapas. Nem todos são originais, mas felizmente poucos são repetidos e alguns retornam do primeiro jogo, nem sempre da mesma maneira. O visual dos chefes e o desenrolar das batalhas apresenta muita variação e atravessar a cortina de fumaça continua trazendo uma sensação de receio única, que só essa série conseguiu proporcionar.

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FINALIZANDO

Dark Souls II é um jogo completo, maior e melhor do que seus antecessores. Fãs da série vão encontrar tudo que a consagrou, executado de maneira excepcional. Mesmo assim, é importante ressaltar que Dark Souls II, embora seja um jogo fantástico, não é para qualquer um. E é exatamente isso que faz dele tão especial: um jogo que não tenta agradar a todos, mas sim agradar aos fãs de jogos desafiadores. Se o seu negócio é diversão sem stress (e não há o menor problema nisso), Dark Souls II não é pra você. Mas se você é um jogador da velha guarda, em busca de desafios, esse jogo vai te proporcionar momentos únicos de amor e ódio com o videogame.

Com uma aventura imensa, chefes opcionais, e multiplayer infinito, você vai retornar ao New Game+ muitas e muitas vezes. E obviamente, prepare-se para morrer, de novo, e de novo, e de novo…

Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.