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vgBR | 19 de abril de 2019

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Um Comentário

Análise – Drakengard 3

Análise – Drakengard 3
David Signorelli

Review

Uma sequência inesperada

Apesar dos gráficos fracos, e de ser um título específico para amantes de jogos japoneses, não é todo dia que é lançado um jogo tão diferente e intrigante como Drakengard 3.
“O silêncio é meu e pode ser o seu também”

Produzido pela Access Games (a mesma do hit cult Deadly Premonition) em conjunto com a Square-Enix, Drakengard 3 aparece no fim de uma geração para mostrar que a era do PlayStation 3 ainda tem bastante lenha para queimar; de fato um anúncio inesperado mas o hype foi relativamente alto por terem mantido grande parte da equipe original da CAVIA, estúdio que produziu os jogos anteriores.

História

Com toda a certeza o ponto mais forte do jogo. As aventuras da protagonista Zero e seu dragão Mikhail prendem o jogador de uma maneira da qual não dá para largar até chegar ao fim. A narrativa é fantástica, os diálogos durante as cenas de corte e mesmo durante a jogatina são de primeira e você percebe fácil que grande parte do empenho para com esse título foi relacionado ao universo do mesmo.

.Zero tem por objetivo matar sua cinco irmãs; Five, Four, Three, Two e One, sendo cada uma delas acompanhada de um discípulo do qual rola uma troca de favores. Os temas são bem fortes, muitas conotações sexuais e não existe freio no que diz a respeito a violência. Apesar disso o jogo conta com um humor leve, principalmente quando envolve o dragão Mikhail que tem a cabeça de uma criança de oito anos de idade.

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Gráficos

Não há como falar isso de maneira fácil: Drakengard 3 é um jogo feio. Com gráficos que remetem a era PS2 em HD, eles até cumprem sua parte nos cenários diversificados e trazem um belo trabalho de arte, mas no geral o jogo fica devendo e muito nesse aspecto. O visual das personagens no entanto, chama atenção pela criatividade, destacando Zero e suas irmãs.

Alguns problemas técnicos como o frame-rate surgem esporadicamente ao longo da jornada mas definitivamente não é nada que atrapalhe o jogador, surgindo em momentos onde o cenário está sendo carregado ou quando muitos efeitos cobrem a tela, tais como explosões ou inimigos gigantes. É perfeitamente jogável e para aqueles que gostam de violência, Drakengard 3 não decepciona com litros e mais litros de sangue sendo jorrados deixando até a Zero pintada de vermelho.

As cutscenes e em especial abertura feita com uma CGI digna de jogos da Square-Enix são divertidas de assistir, não cansando em momento algum visto que a grande maioria não passa dos 3 minutos de duração.

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Som

O estúdio MONACA, mesmo que produziu as músicas para outro jogo da CAVIA, Nier Gestalt/Replicant ficou encarregado de Drakengard 3. Quem teve o prazer de ouvir a trilha sonora de Nier já pode imaginar o nível das músicas desse jogo. São faixas belíssimas e a grande maioria tem vocais, com destaque para os temas de chefe e a música de encerramento This Silence is Mine já conhecida através dos diversos trailers.

O ponto culminante da trilha sonora é a música do último chefe, The Final Song, que é sem sombra de dúvidas um dos mais incríveis trabalhos musicais originais da história dos videogames. É ouvir para crer. Ainda que não seja do nível de Nier, a trilha sonora de Drakengard 3 num geral vale a pena ser conferida até para aqueles que não pretendem jogar o jogo.

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O que falar da dublagem do jogo? Fenomenal. É uma diversão por si só ouvir Zero e seus companheiros conversando durante a jogatina onde até soldados genéricos tem uma boa dublagem. Portanto é recomendado jogar prestando atenção até no som. O jogo conta também com um DLC de U$4,99 com as vozes originais para os puristas de plantão, algo que fica de curiosidade mas não é extremamente necessário pois o trabalho ocidental é competente.

Jogabilidade

drakengard 3 (13)Drakengard 3 é essencialmente um beat’em up com elementos de RPG. Não espere liberdade, você percorrerá trajetos lineares fragmentados em Verses (ou fases, como preferir) com Quests opcionais cá e lá.

Apesar de no papel parecer chato, o título é extremamente divertido e conta com uma variedade enorme de armas com golpes e combos diferentes, podendo inclusive melhorá-las com dinheiro e materiais que você ganha após as missões, com uma sensação de progresso legal e recompensadora. Não se trata de um título muito difícil, os inimigos não são dos mais inteligentes (a IA é péssima) mas costumam ser bastante agressivos e você bobear pode acabar morrendo rapidamente. Nesses momentos de aperto é bom usar a habilidade especial da Zero que a deixa muito forte, rápida e invencível, porém precisa encher uma barra específica ou seja, nada de torrar.

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Característico da série é a possibilidade de em alguns momentos jogar com o dragão Mikhail, causando o terror em terra e no ar. Vários chefes do jogo você também enfrenta montado nele; com uma jogabilidade diferente essas partes dão um ar de variedade, aqueles com saudade dos shooters on-rails vão adorar esses segmentos. A batalha final por si só é um desses momentos diferentes e é uma coisa nunca vista antes e só aqueles com uma paciência divina conseguirão ver o fim dessa jornada. Drakengard 3 não é um jogo qualquer e nessa luta ele se esforça pra transparecer isso.

Não é todo dia que é lançado um jogo tão diferente, intrigante, misterioso e inteligente como Drakengard 3 e ainda mais de um gênero praticamente esquecido pela indústria. Ainda que seja um título bastante específico para amantes de jogos japoneses é sem dúvida um ponto para Square-Enix que viabilizou esse projeto e para o diretor Yoko Taro que nos poupou da mesmice que se tornou o mundo dos videogames hoje em dia.

David Signorelli

David Signorelli

Amante de jogos japoneses, foi responsável por derrotar os Weapons de Final Fantasy VII que iriam afundar a Ilha da Rainha da Morte, conhecida como Florianópolis. Se arrepende disso até hoje.