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Análise – Lords of the Fallen

8
Tudo se copia
Embora ofereça uma experiência menor que a dos jogos que copia, Lords of the Fallen replica com sucesso uma fórmula já definida e consagrada. Uma ótima opção para os fãs da série Souls.

Lords of the Fallen é um game de ação em terceira pessoa desenvolvido pela CI Games, conhecida por seus jogos da série Sniper, e publicado pela Bandai Namco.

O velho guerreiro Chacrinha foi o autor da famosa frase: “Na televisão, nada se cria, tudo se copia.” Levando esse conceito além da TV, sabemos que hoje em dia é difícil ter um produto exatamente original no mercado de jogos. Praticamente tudo sofre influência ou inspiração de algo que já existe, algo que ocorre com Lords of the Fallen, que como os desenvolvedores definem, tem “inspiração” da série Souls da From Software.

Mas “inspiração” seria diminuir tal influência em Lords of the Fallen; do sistema de jogo ao gameplay, esse é talvez um dos maiores exemplos de um jogo que copia à risca a fórmula alheia, desde os milhares de clones do Diablo original.

História

Talvez a maior diferença entre os jogos seja na história e a forma como ela é contada. Ao contrário dos títulos da From, aqui você assume o papel de um protagonista fixo com um enredo que se desenrola de maneira tradicional, através de cutscenes. Harkyn é um criminoso que foi libertado de sua prisão por um mentor misterioso chamado Kaslo. Com a orientação de Kaslo, Harkyn embarca na jornada para resgatar seu reino, invadido por forças demoníacas de outra dimensão.

lords of the fallen (1)

Não é muito original, mas funciona como pano de fundo para justificar a ação. Ao longo do jogo, detalhes dos personagens serão revelados conquistando mais empatia do jogador. Um pequeno sistema de Role Play ao estilo Mass Effect também ajuda o jogador a definir mais o caráter do personagem nos diálogos. Algumas reviravoltas no enredo também não são muito comuns e vão pegar os jogadores de surpresa ao longo das 20 horas de duração da campanha.

lords of the fallen (2)

“Acho que já vi isso antes”

Com relação ao gameplay, Lords of the Fallen é em sua essência uma cópia de Dark Souls com a diferença em alguns detalhes. Tudo está lá: Ataques fortes e fracos, defesa, parry, backstabs, stamina, MP, e até a corrida com rolamento. Estão presentes os checkpoints e evolução através de “bonfires”, e o sistema de “morra e o que você conquistou até então ficará lá para que você resgate. Morra novamente e perca tudo que conquistou até então.” A essência do sistema de jogo funciona da mesma maneira que na série Souls. Dito isso, dificuldade é o nome do jogo e ainda que não seja tão brutal quanto os jogos da From, Lords of the Fallen é um game acima da média nesse aspecto e entrega ótimo desafio aos jogadores.

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A criação de personagens fica limitada as classes iniciais de Harkyn, que vão distribuir os atributos focando nas habilidades escolhidas. Com relação ao combate, talvez a maior diferença entre os jogos seja a movimentação e o peso, tanto de seus oponentes, quanto dos golpes de Harkyn. Tudo aqui parece mais lento e o ritmo é bem diferente do que espera um jogador de Souls. A melhor forma de definir isso, seria como colocar Dark Souls sendo jogado com um personagem pesado (fat-roll) o tempo todo. Aliás, essa é a vantagem de Lords, que privilegia jogadores que usem armaduras pesadas, garantindo proteção extra ao invés de puni-los por isso.

Outra grande diferença é que as batalhas de chefes ainda que não sejam tão difíceis, são bem mais demoradas. O tempo médio pra derrotar um chefe em Lords é de até 10 minutos, algo que vai exigir repetição de padrões e bastante paciência dos jogadores.

lords of the fallen (6)

As magias são interessantes e variam entre suporte e ataque, com efeitos originais, como criar um clone de Harkyn pra atrair os oponentes, ou usar o mesmo clone copiando todos os seus movimentos e ataques para causar dano em dobro.

O maior problema de Lords of the Fallen é sem dúvida o level design, que apesar de variado e entregar ambientes distintos, não consegue o mesmo encaixe e progressão natural dos jogos que ele tenta copiar, algo essencial pra que o jogador tenha o ímpeto de explorar ao mesmo tempo que não se sinta perdido. Aqui, ficamos zanzando em alguns momentos sem saber exatamente para onde ir, porque o jogo falha em colocar o jogador no caminho certo. Nada grave, porém digno de menção.

Outro ponto notável é a falta de um modo cooperativo. Lords of the Fallen é um jogo somente Single Player e não tem nenhuma forma de online e também não tem nenhuma opção de selecionar a dificuldade, o que vai encurtar o fator de replay do jogo.

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Gráficos

Infelizmente o jogo sofre com alguns problemas de acabamento, como bugs nas colisões, e alguns erros de texturas e modelos mais simples que ficam alternando em uma distância bastante notável ao jogador. Felizmente são defeitos que podem ser corrigidos com um patch futuro e não atrapalham tanto a experiência, mas sem dúvida tiram um pouco do brilho do jogo.

Mesmo assim Lords of the Fallen é muito bonito, rodando a 1080p e 30 frames no PS4, versão que jogamos para esse review. O estilo de arte ocidental das armas e armaduras de Harkyn, lembra muito a dos jogos da Blizzard. Ainda que vários chefes repitam muito a fórmula de serem guerreiros humanoides gigantes com armaduras pesadas, existem algumas boas surpresas e os inimigos comuns são originais e apresentam grande variação entre eles.

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Conclusão

Lords of the Fallen é uma tentativa de sucesso em replicar uma fórmula já definida e consagrada. Ainda que não seja perfeito e ofereça uma experiência menor que a dos jogos que ele tenta copiar, é um título muito divertido que replica com sucesso um gênero que não tem uma grande gama de jogos e é sem dúvidas uma ótima opção para os fãs da série Souls.

Átila Graef

Comentários(2)

  1. Avatar

    Gostei muito da análise, parabéns! 😀

  2. Avatar

    Esperando a análise do Sunset Overdrive…

Comentários