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vgBR | 16 de julho de 2019

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Um Comentário

Análise – Assassin’s Creed: Unity

Daniel Galvani

Review

GRÁFICOS
9
9

O Assassin's Creed mais difícil

Unity trás gráficos incríveis, ótimas missões e um bom desafio para os fãs da série, além de um modo cooperativo muito divertido. Existem alguns problemas com bugs, mas não comprometem a diversão.

Gente nas ruas, protestos, quebra-quebra. Soldados tentam conter a multidão. Palavras de ordem são gritadas… não, não é mais uma revolta black bloc. Essa revolta tem outro tom, é regada à Marselhesa, Ça ira e Guilhotinas.

E você, meu caro, é mais um feliz proprietário de um equipamento Helix de entretenimento (uma divisão Abstergo), pode acompanhar essa revolução em primeira mão. Assim começamos mais um capítulo na saga do Credo. Bem vindo a Assassin’s Creed: Unity.

O cerne do novo capítulo de Assassin’s Creed, é a revolução francesa e no meio da confusão, somos apresentados à Arnô, que tem a ingrata missão de substituir o carismático Ezio e o sisudo Altaïr. Notamos que Arnô é um personagem competente, porém seus momentos sérios remetem mais à Connor do que Altaïr (mas bem menos piegas), e lhe falta o humor e canalhisse de Ezio.

Como todo bom jogo da saga, contaremos com personagens históricos reais, muito bem representados aqui. Prepare-se para se encontrar com (entre outros) Robspierre, Marques de Sadê, Joseph Guillotine e um jovem do exército chamado Napoleão.

MUDANÇAS E GAMEPLAY

Muito tem sido falado por ai como Assassin’s Creed: Unity não apresenta tantas evoluções e acaba sendo mais do mesmo. Nada mais longe da verdade, muita coisa foi alterada no novo game. A começar pela ausência de batalhas navais. Elas se foram. PONTO.

Assassins Creed Unity (16)

Outra mudança, é a dificuldade do jogo que está mais acentuada. Entrar no meio de uma luta com vários soldados, agora, não é mais uma tarefa simples, Soldados agora tem níveis de dificuldade e isso reflete na saúde e força de ataque. Você estará mais dependente de equipamentos melhores como em nenhum jogo anterior da série.

O sistema de ataque/defesa praticamente igual nos jogos anteriores, em Unity está levemente mudado. A defesa para contra-ataque depende da sua arma e inimigos agora não esperam mais você concluir um ataque a um soldado para investir. Pode ocorrer de você precisar efetuar três ou mais defesas seguidas. Enfrentar os inimigos em algum lugar fechado pode ser um problema também, já que alguns inimigos com armas pesadas podem tomar metade da sua saúde em um único ataque.

Outra dificuldade imposta são as armas de fogo (seja a lâmina fantasma, seja uma pistola), todas tem alcance bem reduzido e esse alcance SEMPRE é na distância de visão dos inimigos. Sua vida nunca foi tão difícil em um Assassin’s Creed.

Assassins Creed Unity (10)

O Eagle Eye também foi reduzido, tanto em distância quanto em tempo e utilização. É possível melhorar isso através de equipamentos melhores para Arnô, novamente temos aqui uma grande dependência da compra de equipamentos.

Cada parte de equipamento (Casacos, Braçadeiras, Cintos, Calças, Capuz) tem características distintas de saúde, corpo-a-corpo, furtividade e alcance e além dessas características básicas, elas podem te permitir carregar mais bombas de fumaça ou bombas de veneno por exemplo. Será uma escolha difícil de qual peça de armadura comprar!

Outra mudança, são os controles. Antigamente você usava um botão para corrida livre e segurava outro para escalar. A novidade agora é o contro-ponto do escalar. Existe um botão em conjunto com o corrida livre exclusivamente para descer de forma rápida. Os antigos da série podem levar um tempo pra acostumar, mas vencido isso, você se pergunta como jogou os outros jogos sem essa facilidade.

Em Unity, a Ubisoft mostra que está atenta à seus fãs e voltaram as missões de assassinato à rodo. Pouquíssimas missões, sejam sidequests, seja a principal, envolve bancar o carteiro! Adeus Connor, o assassino está de volta.

Assassins Creed Unity (5)

De volta e recuperado estão também os telhados. Nos últimos jogos da série, andar pelos telhados estava chato. Com inimigos em toda parte, era mais rápido ir pelo chão. Em Unity isso acabou, e novamente os telhados da cidade voltam a pertencer ao Assassino. Em contra-ponto, os inimigos agora te identificam mais facilmente quando anda pelo chão. Mudanças muito bem vindas.

Como em todo AC, existe a busca por uma armadura, uma vestimenta especial, liberada após alguns desafios. Com esse não é diferente, porém os desafios são realmente de quebrar a cabeça.

Um ponto que chegou a causar certa polêmica, foi a inclusão de micro-transações com acusações de que a Ubisoft estaria ficando mercenária. Nessas microtransações você pode comprar (com dinheiro real) pontos HACK que podem ser trocados pro equipamentos. Qualquer equipamento (liberado) pode ser comprado com esses pontos HACK ao invés de dinheiro do jogo. Porém essa solução deve ficar mais para os iniciantes sem paciência, pois jogando de forma que a maioria dos fãs da série devem fazer (não focando apenas na missão principal) é possível com algum trabalho, comprar exatamente as mesmas coisas. Então, quem estivesse preocupado com isso, pode desencanar.

A Ubi não deixou as coisas de forma a serem praticamente impossíveis pra fazer você gastar seu suado dinheiro. Duas partidas de alto valor, de coop bem jogadas, já te permitem comprar um dos equipamentos mais poderosos. Jogando somente as solo, demorar um pouco mais, mas nada de descabelar. Amplie seu café e faça suas missões que o dinheiro vai entrar.

Assassins Creed Unity (26)

MULTIPLAYER

E falando em coop, uma grande implementação do jogo é o modo cooperativo. Nos jogos anteriores o modo multiplayer era muito fraco, chato, uma espécie digital de esconde-esconde. Aqui a Ubi deu um salto em direção a grandeza e ruína e as missões cooperativas são incrivelmente divertidas, missões no estilo Assassin’s Creed de ser. Invada um local, roube, mate, assassine e tente fazer isso da maneira mais furtiva possível. Com muitos soldados observando, praticamente nenhum ponto da missão deixa de estar vigiado. Aqui a coordenação dos ataques é imprescindível. Assassinatos simultâneos são premiados onde um Assassino joga uma bomba de fumaça para o outro atacar… tudo é bem planejado.

Porém aqui entra o grande calcanhar-de-aquiles do jogo: bugs. A grande maioria deles está no modo cooperativo. Porém sendo um pouco justo, a maioria dos bugs, se você observar bem, acabam sendo na verdade um grande problema de LAG entre os jogadores.

Exemplo? Um soldado morto por um companheiro pode demorar até 2 segundos para aparecer pra mim, e nesse meio tempo, ele pode me detectar e diminuir minha recompensa. Slow-downs também são mais frequentes no multi-player, mostrando que nossos consoles estão no talo. Caso a Ubisoft consiga resolver esses problemas, o Coop deverá se tornar algo muito mais forte dentro no universo da franquia.

Assassins Creed Unity (12)

GRÁFICOS

Como Assassin’s Creed Unity é exclusivo para a nova geração de consoles, relegando à antiga, com o fechamento da saga dos EUA com Assassin’s Creed: Rogue. Sendo exclusiva dos novos consoles, ele teve por obrigação, mostrar algo superior em, termos técnicos, à seus antecessores, e isso foi obtido de forma muito satisfatória.

A Paris dos anos 1700 é absolutamente linda, extremamente bem feita, bem desenhada, e alguns monumentos que existiam à época e existem hoje, estão praticamente perfeitos (se ignorar um ou outro detalhe histórico).

Destaques vão para a catedral de Notre-Dame e a Champs Elysee (ainda sem os icônicos Arco do triunfo e Torre Eiffel, que não existiam na época).

Comparativo da Notre Dame real com a apresentada no jogo (fonte: Internet)

Comparativo da Notre Dame real com a apresentada no jogo

Outro destaque para as construções, ficam por conta dos prédios e casas em que é possível entrar. As vezes até pra não fazer nada, a não ser ver a beleza de detalhes incluídos pela produtora. Além de casa e palácios, existem diversos negócios em Paris como bordeis, cafés, vidraceiros, ferreiros e etc.. no qual você pode entrar sem nenhum loading de mudança de mapa, algo que é bastante impressionante.

Além dos destaques arquitetônicos, existem os moradores de paris, que são muitos! De fazer inveja à jogos como Dead Rising, Infamous ou Sunset Overdrive. Em frente à prédios públicos, como o Palácio Real, Palácio de Justiça e a Guilhotina, eles se aglomeram em multidões furiosas em busca de justiça.

Isso não significa que o gigantesco mapa do jogo é sempre tomada por multidões enormes… existem regiões de Paris bem mais tranquilas e bucólicas.

[tube]https://www.youtube.com/watch?v=VvTcoHSwJhY[/tube]

Porém, nem tudo são flores. O launch do jogo foi marcado por diversos problemas de slow-downs (principalmente na versão PS4, porém o Xbox One não está livre) e alguns bugs menores de movimentação, nada que afete demais a jogabilidade.

Mas eu particularmente enfrentei 2 problemas mais sérios. Em uma sidequest bem complicada, o final seria falar com um personagem. Ao chegar no ponto indicado no mapa, o personagem não estava lá, me impedindo de concluir a missão! Tentei usar a viagem rápida para recarregar a tela, mas nada. Tive a brilhante idéia de morrer e restaurar o checkpoint e felizmente isso resolveu, mas não deixa de ser um problema que vale mencionar.

Outra situação: por sorte eu não estava em missão, apenas dando uma volta. Descendo de um telhado, ao pisar no chão, o chão sumiu e eu cai no infinito mundo do limbo 3D. Arnô ficou caindo por uns 30 segundos até finalmente morrer.

RESUMO

Assassin’s Creed: Unity trás uma grande retomada na dificuldade, gráficos incríveis e missões divertidas. Para os fãs da série é um prato cheio a se fartar. Existem problemas com bugs, principalmente no coop, mas que não devem estragar totalmente a diversão. Como recomendação, sugiro jogar em áudio em Francês e legendas em português para dar clima. O Inglês é britânico demais, o que quebra a imersão e o português é competente apenas, mas nada demais.

Daniel Galvani

Daniel Galvani

Daniel Galvani é apaixonado por games desde a mais tenra idade. Começou neste hobby em 1983 com um Atari 2600 Polyvox e segue firme até hoje. PC Gamer, amante de jogos de tiro, estratégia e action RPG, retrogamer, estuda a história dos jogos eletrônicos com afinco.