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Análise – Final Fantasy XIV: Heavensward

9
Expansão obrigatória
Heavensward é um excelente MMORPG e a forma como os desenvolvedores evoluem este Final Fantasy XIV parece devolver em conteúdo cada centavo gasto em mensalidade.

Fantasia final ou história sem fim?

Não haveria título melhor para a expansão de Final Fantasy XIV: A Realm Reborn. O nome Heavensward, além da clara alusão ao domínio de Ishgard no mundo do game, situado nas alturas do continente, palco da nova história em sua eterna guerra contra a horda dos dragões, tem ainda mais sentido quando paramos para entender a direção que os desenvolvedores seguiram durante a produção do novo episódio: Tudo que fez da segunda edição do MMORPG um dos grandes títulos do gênero da geração foi elevado aos céus e, nesta onda, divertidos novos elementos debutam.

A história de A Realm Reborn terminou como uma temporada da série Game of Thrones. Quando todos achavam que Eorzea estava livre e salva do opressor Império de Garlemald, é por dentro que a coisa começa a ruir. Personagens que se diziam grandes aliados mostram suas verdadeiras faces em assassinatos, conspirações e golpes de estado. No final, seu personagem, salvador do reino, se encontra fugindo por um crime que não cometeu após o triste sacrifício de seus maiores companheiros, e o único lugar seguro se torna o recluso reino de Ishgard – o problema é que este vive o ápice de sua própria guerra, a chamada Dragonsong War.

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Decididamente o maior trunfo da Square-Enix nesta expansão e, sim, já jogo isto logo no terceiro parágrafo, a forma como o game sabe introduzir toda uma nova trama sem parecer com qualquer coisa já vista antes nos dois anos do game anterior. A mágica está na combinação dos vários elementos. O novo reino é muito mais sério, estoico e cinzento. Há novas regras para se seguir. Em contraste, os cenários se tornam mais abertos e muito mais detalhados.

Não dá para dizer que o visual deu um salto chocante, mas a atenção aos mínimos detalhes, que já aquecia o coração antes, foi ainda mais longe. Cavernas, rastros de civilizações antigas, traços de batalhas que já foram. Cada mínimo detalhe conta uma história diferente nos novos mapas e a adição da verticalidade ao relevo do game desdobra todo o sentimento de forma genial. Ambas as versões PS4 e PC continuam belíssimas e, ainda que a versão PS3 comece a se mostrar no limite de seu processamento, esta não impede a composição de mostrar toda sua beleza artística.

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Tamanha a vastidão das terras do norte não chegam por acaso. Heavensward estreia as viagens pelo ar no MMORPG. Agora é possível se apropriar de montarias voadoras como chocobos ou mesmo os temidos dragões, assim como construir sua própria e icônica airship – um feito complicado que exige vários personagens mestres nas classes de construções (como blacksmith). Deslizar pelos ares no jogo, claro, não é uma mecânica simplesmente visual. Como já dito, os cenários estão muito maiores e repletos de detalhes, segredos e oportunidades, e é principalmente voando que o prazer pelas explorações atinge seu clímax.

Óbvio que nem tudo é alegria, claro. O que mais retorna no novo game é a pancadaria refinada que pudemos conferir na versão anterior e o que não falta é novidade para se contemplar. O nível máximo das profissões foi aumentado para 60 (10 acima do antigo game) e surgem três novas, o famigerado Dark Knight popularizado por Cecil em Final Fantasy IV, e o Machinist e Astrologian, ambos fortemente inspiradas nas profissões vistas em Final Fantasy Tactics Advance e Final Fantasy XII. As três novas adicionam mais dinamismo e funcionalidade às posições de Tank, DPS e Healer clássicas de qualquer MMORPG. O Dark Knight defende o time, mas pode muito bem apostar tudo em ataques violentíssimos, o Machinist ataca velozmente com suas pistolas no melhor estilo Devil May Cry, mas pode abusar de suas habilidades mecânicas para construir bots e turrets que protegem o time, e o Astrologian domina a magia de forma mais branda que os outros feiticeiros, em uma mistura saudável de habilidades de cura, ataques e buffs.

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Para equilibrar a balança, as antigas profissões do jogo também ganham novas habilidades e oportunidades. Tão legal quanto descobri-las no game, entretanto, é notar as mudanças visuais, outra atenção especial dos desenvolvedores. O Monk, por exemplo, passa a dominar novos estilos de combate, com direito a homenagens aos clássicos hadoukens e shoryukens de Street Fighter, já o Summoner, em seu Limit Break de nível 3, recria o lendário Mega Flare da invocação Bahamut.

A parte não tão legal é que o jogador não tem acesso a tudo isso de primeira. A pessoa que simplesmente busca continuar a história com seu personagem clássico fará isso sem problemas do início ao fim da nova história, agora àqueles que optarem por seguir o caminho das profissões inéditas terão muito que ralar, leia-se, alguns bons dias do bom e velho grind. Não é chato e o jogo oferece novas e divertidas formas de se juntar experiência, seja caçando monstros lendários ou mesmo ajudando iniciantes na aventura, mas ainda assim, a demora não deixa de ser um empecilho para jogadores que possuem menos tempo em suas agendas para se dedicar ao game.

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O novo episódio também traz a raça dos Au-ra ao panteão de etnias do game. Um povo misterioso aparentando ser o cruzamento entre dragões e seres humanos, que, mais do que uma nova opção visual, prova sua verdadeira importância conforme o enredo da aventura progride. Aliás, agora que citamos o enredo novamente, é melhor parar pelo menos um parágrafo para explicar o quão especial este é no decorrer da expansão.

Final Fantasy XIV: A Realm Reborn já era atencioso ao extremo com seu enredo, coisa que quase MMO algum se dispõe a fazer. Fazendo jus, sua sequência Heavensward então vai além, criando a sensação de se estar realmente vivendo uma jornada típica de um Final Fantasy, porém, em um vasto mundo povoado por personagens reais. Sem cair nos spoilers, a história do jogo te guia rumo à exploração de terras perdidas ao lado de três dos melhores NPCs já criados na história de todos os MMORPGs. A harmonia que o jogo invoca entre personagens, visual e a trilha sonora minuciosa, que se altera não apenas com a mudança dos ambientes, mas o estado de seus personagens, da um verdadeiro show e serve de exemplo em como o gênero pode ser imersivo.

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Há quem possa argumentar que a expansão de Final Fantasy XIV: A Realm Reborn não traz tanta coisa nova assim, mas, sinceramente? Falamos de um jogo que não depende disso. Desde o início Final Fantasy XIV se tornou especial não apenas pelo capricho de seus desenvolvedores, mas pelo carinho que eles mantém sua obra. A cada novo patch surgem novidades, e falo de coisas grandes como novas profissões, novas áreas, quests, mini-games e até capítulos da história. Heavensward já seria especial se apenas contássemos com os novos mundos e o exímio enredo que conta, mas a forma como sabemos que este irá evoluir torna tudo ainda mais especial – e já começou: o novo patch da semana adicionou um capítulo aonde Alexander, o eterno eidolon sagrado da série, surge em forma de raid para 24 jogadores. Um belíssimo MMORPG em constante evolução que, ao contrário de seus rivais, parece te devolver em conteúdo cada centavo gasto em mensalidade. Se existe formas de ficar melhor que isto, só a Square-Enix deve saber.

Prós:

Adição de viagens aéreas, level cap aumentado para o nível 60, enredo divertido e cativante, trilha sonora de respeito, visual impressiona artisticamente

Contras:

Necessita um bom tempo de dedicação para se poder aproveitar todo o conteúdo novo
Rodrigo Brasiliense
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