Análises

Análise – Assassin’s Creed: Syndicate

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Digno da next gen
Otima história e variação de missões fazem de Syndicate um Assassin's Creed digno da próxima geração, obliterando completamente Unity.

Ano vai, ano vem, e o período de Outubro/Novembro é acompanhado de uma ansiedade por colocar a mão em mais um capítulo da guerra milenar entre Assassinos e Templários. Só que desta vez, eu garanto: valeu cada segundo dessa ansiedade neste que, verdadeiramente, é um novo e digno Assassin’s Creed.

De cara abro o review falando: Assassin’s Creed Syndicate sim é um Assassin’s Creed de nova geração e oblitera completamente Unity.

Mas para quem acompanha a série desde o início, os criadores (e agora ex-funcionários) Patrice Désilets e Corey May, principais roteiristas da franquia, fazem cada vez mais falta.

O jogo é animal, mas ainda dá uma saudaaaaade de quando era mais que politicagem.

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HISTÓRIA

Trazendo novamente um casal no centro da trama – mas agora irmãos e com uma história muito melhor do que filme de Sessão da Tarde -, os gêmeos Evie e Jacob Frye continuam o legado de seu pai (não, você nunca jogou com o pai deles, Ethan Frye) em busca de direitos, igualdade e libertação da talvez última fase treta de abuso trabalhista na história, a era Vitoriana, quando o vapor consumia os céus europeus e os motores à combustão começavam a dar às caras.

Jacob é o típico fanfarrão enérgico, cheio de atitude e boas piadas, que não dispensa uma porradaria e quer criar sua própria gang londrina, os Rooks, para por ordem onde reina a desordem.

Evie é o arquétipo de assassino sorrateiro que aprendemos a gostar nos primórdios da série, preferindo atuar na surdina e com o menor número de pessoas envolvidas enquanto resolve seus assuntos, mas que não dispensa o charme de suas sardinhas quando se fazem necessários também. S2 S2

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Durante a aventura, o game puxa diversas referências de Assassin’s Creed IV: Black Flag, contando a chegada de Edward Kenway – protagonista do tal capítulo – à Europa e fechando vários ‘pós-game’ do mesmo.

Ah, e adiantando quem está ansioso para voltar a jogar nos temos modernos…segura a onda aí! Infelizmente, não há qualquer gameplay nos tempos modernos e somente algumas animações com Shaun e Rebeca – que mais parecem um ‘os jogadores tão querendo, então vamos colocar,vai!’ do que coisas realmente significativas para o enredo geral da série. Mas que até servem bem para te situar ao final do game.

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SOM

Cara, a trilha sonora deste capítulo, ao contrário da de Unity da qual não me lembro de absolutamente NENHUMA música, tem pontos realmente altos com as cordas dos violinos sendo arranhadas. Não é chata, não enjoa, e empolga bastante na hora que precisa, também.

A dublagem dos atores que, talvez por sua própria região de origem no game, não peça um sotaque muito carregado, poderia ter ficado mais interesssante com um arrastado irlandês ou inglês de ‘Hoy, mate!’ .

Já na versão dublada, o ‘dublador oficial de Deus’ Sergio Moreno dá seu show com a equipe mas, também mantendo a tradição, algumas emoções ficam confusas ou se perdem por entonações mal dirigidas.

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JOGABILIDADE

Sem grandes novidades, os fãs da série vão sair jogando sem precisar prestar muita atenção aos tutoriais.

Entre as novidades, o jogo todo está muito mais ágil, com golpes rápidos (e um tanto repetitivos, mas com finalizações animais), e movimentação mais ágil pelos cenários graças ao gancho acoplado à manopla assassina. Esse gancho – que me deixou bem preocpado – acaba se tornando um baita aliado, não serve como arma, e dá uma vasta gama de novas possibilidades de abordagem dos inimigos, já que para cair sobre um grupinho, basta conseguir mandar o gancho por sobre eles, o que quase sempre é possível.

Mas a grande novidade aqui mesmo é a possibilidade de controlar os irmãos Evie e Jacob, que tem missões específicas na história, mas podem ser alternados a qualquer momento durante a exploração de Londres. Na mão de verdadeiros assassinos que gostam de explorar as diferentes possibilidades que o game oferece, a variação entre cair de punho fechado com Jacob ou se esgueirar sem nem precisar sacar a lâmina com Evie, é perfeita.

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GRÁFICOS

Se você jogou Assassin’s Creed Unity já sabe o que esperar, mas carregado com muito mais efeitos de luz e molhado. Lembra da primeira vez em que jogou Splinter Cell no Xbox original e perdeu uns bons minutos naquele ar condicionado só admirando a iluminação que vazava pelas frestas da grade? Aqui será a mesma coisa.

Mas também é estranho notar como às vezes o gráfico parece dar uma ‘caída proposital’ e notei muito isso em algumas animações passadas dentro do trem – uma queda brusca, de ficar coisa de início de PS3. Vai saber!

E, sim, há bugs…muitos e alguns bem escrotos, com personagens sumindo ou varando superfícies durante as animações, e até tendo que reiniciar algumas missões porque alguma merda travou um personagem chave ou coisa assim. Pois é, não veio 100%, mas quase!

ENCERRAMENTO

Assassin’s Creed: Syndicate tem um tempo de duração próximo ao de Rogue, com uma variação muito boa de missões e ainda umas gratas ‘novidades’ após você terminar a história principal, que vão te querer fazer explorar ainda mais a gigantesca Londres. Então, é aquela viagem perfeita, sem encheção de saco com paradas desnecessárias.

A versão para PlayStation 4 ainda conta com 10 missões de investigação exclusivas baseadas nos contos Penny Dreadful, onde você deve investigar e solucionar crimes misteriosos acompanhado do escritor dos contos e seu ‘fã número um’. A mecânica é a mesma das investigações de Unity, mas com várias melhorias e uma fluídez bem mais consistente que o levará até a conclusão deste arco separado.

Pegue um final de semana para curtir Londres, tranque as portas – porque vai durar o final de semana de ponta a ponta se quiser ver tudo –  e seja feliz. E torça para que no ano que vem o próximo capítulo seja na Índia ou ainda melhor, porque o traje de Henry Green é estiloso demais! Deixo para vocês descobrirem quem é ele jogando. 😉

Fabricio Caleffi
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