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Análise – Darksiders II Deathinitive Edition

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Remaster sem novidades
Se você jogou Darksiders II na geração passada não há razão para jogar essa Deathinitive Edition. Se não jogou, é uma bela aventura, com momentos bem legais e desafios dignos, que ignoram a moleza dos games atuais.

Darksiders, para este humilde redator e gamer, é um dos TOP 10 games da geração passada. A sequência segue no mesmo estilo, estica um pouco demais – e ainda mais com todas as expansões bem rasas –, mas tem ótimas horas de um gênero que está difícil de ser mantido na nova geração.

APRESENTAÇÃO

Darksiders II foi o último respiro da finada produtora THQ, e agora está nas maõs da Nordic Games – que já adiantou este ser um ‘teste’ para a chegada do aguardado terceiro capítulo. Depois de controlar Guerra no primeiro game, a sequência mostra o cavaleiro Morte tentando provar a inocência de seu irmão.

Trazendo o melhor dos games de plataforma de aventura principalmente da era PS1 e N64, a remasterização Deathinitive Edition aumenta em algumas horas a já longa viagem do game original, com todos os DLCs lançados. Vale o esforço? Ah, vale! Mas uma hora cansou…

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HISTÓRIA

Enquanto Guerra aguardava o julgamento do Conselho em Darksiders – caso não se lembre, foi logo no começo do jogo, enquanto ele ficou algemado e apagou – seu irmão Morte tentava provar sua inocência em ter iniciado o Apocalipse sem ser solicitado.

Diferente do primeiro jogo, Morte vaga quase exclusivamente pelos mundos ‘espirituais’ e só dá uma passada pela devastada Terra, mas o âmago do jogo segue a linha do primeiro: diálogos bem construídos, lugares PRA CACETE para explorar, mais uma porção de ‘autoridades sobrenaturais’ para você derrubar e coisa até demais para se fazer.

SOM

Esse aqui talvez seja o meu maior ponto de crítica ao game. Por se tratar de uma remasterização, esperamos que todos os problemas estejam resolvidos e tal, só que parece que a Nordic Games foi na via contrária e PIOROU as coisas, mesmo com a equipe formada quase que integralmente por quem fez a versão original.

O som em diversas vezes sai completamente de sincronia e fica atrasado, ou até mesmo some: cheguei a encarar cenas de diálogo sem qualquer som, nem mesmo legendas, o que, para um game altamente focado na história, nunca vai cair bem. Pelo que pesquisei, o problema parece se concentrar na versão para Xbox One, que foi a que testamos. Havia uma correção programada para o dia 9 de novembro, mas até o momento deste review, nada apareceu.

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JOGABILIDADE

Morte é mais ágil do que Guerra, de papo mais ‘malandro’ e tem um estilo mais Dante, de Devil May Cry, de emendar combos entre usar suas foices, um martelão/garras, e a pistola para deixar os demônios em pedaços. É basicamente a mesma coisa do primeiro jogo, só que um pouco mais rápido, mas ainda assim, preciso.

Mas aí acontece uma coisa bem curiosa durante todo o game: por algum motivo, o framerate despenca justamente quando não tem NADA, absolutamente NADA acontecendo na tela. E NUNCA quando a porrada tá comendo solta e você mal se identifica no meio de tantos personagens na pancadaria. Um erro de engenharia de programação, provavelmente, já que é possível dedicar mais memória para a realização de certas ações/momentos. Mas realmente funciona de maneira contrária ao esperado. Não atrapalha em nada já que acontece justamente quando não importa, mas acontece.  

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GRÁFICOS

Darksiders II: Deathinitive Edition definitivamente não é um game de nova geração. É bonito exatamente como o game anterior, com o design de personagens troncudos e pesados de Joe Madureira, mas a diferença gráfica só é perceptível se você colocar uma tela ao lado da outra (versão antiga e versão remaster). A Deathinitive Edition roda em 1080p, sem qualquer tipo de serrilhado mesmo com a câmera em movimento, mas apresenta um estranhíssimo efeito de sombreamento, que parece uma espécie de tecido com pixels escuros, visível sempre nas cenas animadas e nos pescoços dos personagens.

Fora isso, o visual atende perfeitamente ao que o jogo se propõe mas, confesso, pela seriedade da história, que se fizessem uma versão com o mesmo estilo das animações pré-lançamento, seria O Darksiders da vida!

OS “A MAIS”

A edição DEFINITIVA do game vem com todos os DLCs, bônus de pré-compra e extras lançados para a versão original, o que consiste em 3 quests a mais com cerca de uma hora de duração cada, mas que nada acrescentam ao roteiro, ainda que divertam aqueles que querem mais do mesmo.

Algumas side-quests bobinhas e os pacotes de armas também acompanham a versão, mas foram inseridos como parte da aventura, o que é bem legal. Dessa forma, você não consegue acessar essas armas novas logo de cara e deve encontrá-las em baús espalhados pelo jogo, da mesma forma que essas novas side-quests, tornando tudo mais orgânico.

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Já as aventuras extras são acessadas em um menu específico que te obriga a sair da aventura principal e simplesmente te joga em um cenário inédito. E o ponto que mais aborrece aqui é que o seu primeiro gameplay te deixa chegar até o nível 22 (o New Game Plus expande até o 30), e esse é o nível mínimo para você conseguir encarar os extras numa boa. Só que você ganha XP nesses extras, e essa XP vai para o lixo se você já não tiver iniciado o New Game Plus. Pensando como desenvolvedor, é uma ótima maneira de forçar o jogador ao New Game Plus, mas não deixa de ser uma sacanagem com quem poderia recomeçar o jogo já mais forte.

Ah, e se você curte caçar troféus e conquistas, nenhuma das aventuras extras te recompensa com algo assim, o que também parece uma grandE sacanagem visto que a lista do game tem alguns feitos bem chatos de se concluir.

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Crucible

Isso daqui é um sadomasoquismo só. O Crucible é a típica arena, onde você encara onda após onda de inimigos. A cada cinco ondas, o jogador pode parar e pegar uma recompensa, mas se parar e quiser recomeçar, é do zero. Só que isso aqui vai até a wave 100 (!), e terminando o jogo na primeira vez e no nível máximo (22), você ‘male male’ vai alcançar a onda 50 inteiro. Então, mais uma forçada braba pra fazer o Game Plus.

Argul’s Tomb

Esta quest de pouco mais de uma hora tem um palácio cheio de enigmas para se resolver usando os portais e um desfiladeiro lotado de inimigos. A premissa é de revelar a história do primeiro Rei dos Mortos, mas acaba não revelando nada e tem um péssimo balanceamento de dificuldade e recompensas, já que, mesmo no nível máximo do primeiro game through (22), você vai passar por vários apuros onde somente suas poções de energia vão te manter de pé, porque há tantos inimigos de gelo na tela ao mesmo tempo que você só entende se está vivo ou morto quando a luta termina – para sua alegria ou tristeza. E no final de tudo, você ganha alguns itens, que acabam sendo completamente inúteis pois, como falei, você precisa do nível máximo que é alcançado próximo ao final do game, só que quando estiver por aqui, provavelmente já terá equipamentos muito superiores aos que vai ganhar nesta dungeon.

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The Abyssal Forge

Esta aventura é bem interessante e provavelmente foi criada e dirigida por alguém diferente do game principal. Seu objetivo, pra variar, é acabar com um construct autoconsciente que está gerando seus próprios constructs e dominando o lugar.

Aqui os puzzles se concentram na utilização do divisor de alma, poder que permite controlar duas Mortes simultaneamente. O destaque fica para a batalha final que segue uma mecânica completamente diferente das demais do game e dos outros DLCs, com o cenário se modificando e o inimigo ‘fixo’ e com uma rotina de golpes. Uma variedade bem vinda depois de tantas horas da aventura principal.

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The Demon Lord Belial

Este DLC teria sido uma bela de uma side quest se estivesse inserido no game principal. Mas como extra, é uma dungeon sem muita inventividade e com uma batalha de chefe desafiadora. Mas ao menos o final desta é o único das três aventuras que realmente vale a pena jogar para ver.

FINALMENTE

Pra fechar, Darksiders II: Deathinitive Edition é a mesma coisa que você já jogou no seu PS3 ou Xbox 360. Se já jogou, não há uma única razão para jogar novamente – já que nenhum dos extras tem estímulo o suficiente para encarar novamente quase 40 horas de jogo. Agora, se não jogou, vai na fé. É uma bela aventura, com momentos bem legais e desafios dignos, que ignoram a moleza dos games atuais. Só é um pouquinho grande demais e poderia ter umas 10 ou 20 horas a menos, mas vale mesmo assim caminhar pelos vales da Morte. 😉

Fabricio Caleffi
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