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Killer Instinct, o melhor jogo de soquinho

Ao longo da minha vida já experimentei vários jogos de luta. Alguns deles joguei bastante (Marvel vs Capcom, Mortal Kombat, Divekick), enquanto outros não ia muito com a cara (Street Fighter, Tekken). Porém, desde 2013 um em especial chamou minha atenção e até hoje se mantém como meu melhor jogo de luta: Killer Instinct..

A franquia, criada pela Rare, teve seu início em 1994 nos fliperamas, antes de migrar para o SNES em 95. Em 1996 foi lançado Killer Instinct 2 para Nintendo 64 e depois disso a série entrou em dormência. Ao longo dos anos a Rare soltava easter eggs envolvendo KI3, mas nada se materializou. 17 anos depois, a Microsoft ressuscitou a franquia no Xbox One, desta vez desenvolvida pela Double Helix Games (primeira temporada) e pela Iron Galaxy (a partir da segunda temporada).

Retro_Jago_Render_zps8bec2c9dVocê pode estar se perguntando agora: “Segunda temporada? Isso é um jogo de luta ou uma série de TV?” Sim, é um jogo de luta. Porém ao invés de seguir o estilo Capcom de ser, lançando uma versão Super/Ultra/Hyper/Alpha/Whatever, a Microsoft (agora proprietária da franquia) decidiu transformar este lançamento em uma plataforma que todo ano vem recebendo uma nova temporada, adicionando mais personagens, níveis e modos. Para aqueles que desejarem a experiência completa, pode-se comprar as temporadas todas de uma vez só, como também é possível comprar personagens individuais, dando bastante liberdade para o consumidor escolher o quanto quer investir no jogo. Isso por si só já é um fator que diferencia Killer Instinct dos demais.

Sendo alguém que curte jogos de luta mas está longe de ser considerado “bom”, a oportunidade de experimentar a nova versão de Killer Instinct me chamou bastante a atenção. Conforme fui jogando, reparei em aspectos bem específicos que distinguia o jogo dos demais do gênero. Vou falar um pouco deles aqui e quem sabe vocês também não se interessam? Vamos nessa.

C-C-COMBO BREAKER!

KIComboBreaker

Em jogos de luta normalmente o jogador tem golpes individuais e alguns deles conseguem se encaixar para formar um combo. Em Killer Instinct o sistema é um pouco diferente do que se vê por aí.

Naturalmente todos os personagens têm seus golpes básicos e especiais, porém o diferencial está em como a mecânica gira em torno do combo, criando uma situação de risco e recompensa.

(Aviso: Para deixar o jogo mais compreensível para quem não o conhece, não irei explicar de forma muito detalhada os sistemas, assim como simplificarei alguns detalhes.)

Golpes em KI têm três possíveis categorias: Iniciadores, Conexão e Finalizadores. Para conseguir criar um combo, o jogador deve abrir com um golpe iniciador, usar conexões para estender a sequência até o tamanho desejado e então usar um finalizador para concluir seu ataque. Quanto mais conexões forem usadas, mais poderoso será o golpe finalizador. Adicionalmente, conforme iniciadores e conexões vão sendo usadas, além de causar dano permanente no adversário, também vai acumulando dano potencial. Este só será transformado em permanente se for usado um finalizador.

B-OrchidPorém combos não podem se estender infinitamente. O jogo possui uma barra específica que vai enchendo conforme a sequência de golpes vai se estendendo. Ao se completar, o combo é perdido e o dano potencial do oponente começa a se regenerar. Assim, é sempre preferível usar um finalizador antes que a barra encha completamente.

Até aí é um pouco diferente, mas nada muito inovador, né? Afinal, em jogos de luta nunca há uma forma de reagir enquanto se sofre golpes. É aí que entram os Combo Breakers e Counter Breakers. A forma com que funcionam é bem simples: Conforme o oponente vai estendendo sua sequência, deve escolher usar golpes fracos, médios ou fortes. Se o jogador apertar o botão de soco e chute da mesma potência que o golpe do adversário, o combo será instantaneamente quebrado e regenerará todo o dano potencial recebido. Porém, caso a potência seja a errada, não será possível tentar outro Combo Breaker por alguns segundos.

Já o Counter Breaker é uma resposta ao método explicado anteriormente. Se o jogador que está na ofensiva conseguir prever quando seu oponente usará o Combo Breaker, poderá usar o mesmo comando para impedir que a sequência seja quebrada. Se o Counter Breaker for usado com sucesso, o jogador não só poderá continuar atacando, como a barra de combo será zerada, podendo estender ainda mais a sequência antes de usar um finalizador. Quem sofre o Counter Breaker também será impedido de usar um Combo Breaker por alguns segundos. Porém se o Counter Breaker for usado de forma errada, o personagem irá simplesmente parar de atacar, terminando o combo sem finalização.

O resultado disso tudo é um sistema onde existe todo um jogo mental por trás de cada ataque. Não se deve usar a mesma sequência várias vezes se não fica fácil para o oponente quebrá-la. Porém não se deve usar o Combo Breaker sempre na mesma hora, porque isto facilita para o adversário usar um Counter Breaker. Você não está mais somente esperando o seu oponente terminar o combo dele para ter uma chance de revidar. O tempo todo deve estar focado para virar a onda ao seu favor. Tudo que você faz na luta carrega um risco e isso, para mim ao menos, torna todo embate muito mais emocionante do que em outros jogos.

Esse sistema todo pode parecer muito complicado no início, mas o jogo possui uma série de tutoriais que vão apresentando estes conceitos de forma muito fácil de consumir e aprender. Aqueles já iniciados em outros jogos de luta podem estranhar estas mecânicas novas, mas nada será um grande desafio. Já novatos ao gênero não precisam se preocupar muito, uma vez que o jogo oferece ferramentas de ajuda, como o Assistente de Combo, que auxilia o jogador a criar sequências automaticamente (porém veteranos saberão como contornar essa automatização).

Muito bem, agora que terminamos de falar sobre as mecânicas, vamos falar de outro aspecto muito importante do jogo: a música!

Killer Cuts

KIKillerCuts

A verdade nua e crua é: a trilha sonora de Killer Instinct pode não ser para todos. A franquia começou nos anos 90 e a música da versão de 2013 abraça isto com a fúria de mil sóis. Toda música tem alguma guitarra no fundo, puxando muito o estilo geral para o rock da época. Assim, gostar ou não da trilha é algo muito subjetivo. Se você não for com a cara, não tem problema, mas como este texto é sobre o que me chamou mais atenção, não podia deixar de incluir esse tópico. A música tema por si só me dá vontade de parar de escrever e ir jogar:

Porém Mick Gordon (responsável pelas primeiras duas temporadas), CellDweller e Atlas Plug não fizeram somente trilhas genéricas para acompanhar o jogo. Eles trouxeram as temáticas dos personagens e suas fases para as músicas em si, tornando-as facilmente identificáveis e, para mim ao menos, criando uma trilha fantástica para os embates.

Vou trazer um exemplo para reforçar meu ponto: o tema da Hisako. Ela é uma adolescente japonesa que foi assassinada, teve sua vila inteira destruída e agora ressurgiu como um espírito maléfico que busca vingança.

A trilha da Hisako tem claras influências do rock, com riffs que invocam um sentimento de desconforto por ser o espírito de uma adolescente assassinada. O refrão conta com vozes no fundo, falando em japonês que Hisako é o espírito de vingança, dando a entender que são membros mortos de sua vila cantando em coro.

Este é só um exemplo. A música do Jago conta com guturais semelhantes a monges tibetanos, Thunder tem instrumentos de origem indígena, Rash junta a música tema de Battletoads com a do Killer Instinct adicionando elementos remetentes à era 16-bit e por aí vai.

Porém, para mim o mais interessante não são as músicas em si, e sim como elas vão se alterando com o decorrer da luta. O melhor jeito de explicar isto é assistindo uma partida do jogo.

Note como a música começa com uma base, mas ao longo da batalha ela evolui. Seja nas interrupções quando tem um Combo Breaker, na intensificação quando algum dos jogadores começa a reagir ou quando um deles fica com a barra de vida na área de perigo. Até mesmo os Ultra combos de cada personagem têm sua própria assinatura sonora. Este é um jogo onde o design de som faz de tudo para te puxar para dentro da luta, intensificando a experiência no processo.

Ok, então já falamos das mecânicas e das músicas. Agora vamos para o ponto final, porém não menos importante: os personagens!

Welcome

KICharacterSelect

Nos jogos de luta tradicionais como Street Fighter, Mortal Kombat, Tekken, etc. não consigo pensar com tanta facilidade em personagens que não sejam humanos. Para cada Blanka, Goro ou Kuma existem todos os outros personagens que são apenas pessoas que sabem lutar, ocasionalmente com algum poder especial.

Embora Killer Instinct tenha uma quantidade saudável de humanos, ainda há enorme diversidade quando se olha para a tela de seleção de personagens. Por exemplo, Spinal é um esqueleto ambulante, Saberwulf um lobisomem, Glacius um alienígena, Riptor um velociraptor com implantes cibernéticos, Cinder é um Tocha Humana wannabe e por aí vai. Até mesmo os personagens convidados que poderiam facilmente ter sido mais humanos (Master Chief e Marcus Fenix vem à mente) acabaram sendo fora do padrão, com Arbiter e Rash, vindo de Halo e Battletoads respectivamente. É divertido ver esse elenco tão diversificado cruzando seus atributos especiais e diferenciados em batalhas para ver quem sai por cima.

KiRoster

Porém a diversidade não para por aí. De forma a tornar cada personagem ainda mais único, todo lutador em Killer Instinct conta com habilidades exclusivas a ele que devem ser levadas em consideração na hora da batalha. Sabrewulf, por exemplo, tem a habilidade de atravessar o oponente quando usa o dash, enquanto ARIA possui sua barra de vida dividida em três (ao invés de duas, que é o padrão), cada uma representando um de seus corpos.

Esse tipo de variedade torna todo personagem mais interessante e mais divertido de aprender a jogar, já que deve-se não só aprender seus golpes, como também entender como usar habilidades únicas a favor do seu método de jogo preferencial.

Um exemplo pessoal: sempre tive afinidade com Sabrewulf por conta de sua habilidade de atravessar os oponentes. Jogo de forma muito ofensiva e poder cruzar de um lado para o outro ajuda a pegar meu adversário despercebido.

Existem personagens para todos os tipos de jogador. É necessário apenas calma para aprender as vantagens e desvantagens de cada um, achando assim o certo para você.

Supreme Victory!

KISabrewulf

Esses são os principais motivos pelos quais eu gosto de Killer Instinct, mas não os únicos. Além disso, por exemplo, o jogo roda muito bem no Xbox One, com o lançamento no PC agora também suporta cross play, a Iron Galaxy mantém muito contato com sua comunidade e por aí vai.

Depois de tudo isto, espero que eu tenha no mínimo deixado você curioso para saber mais do jogo. Mas quero saber também suas paixões no gênero de luta! Você é um cara mais de Street Fighter? Ou talvez prefira jogos menores como Skullgirls ou BlazBlue? Deixe seu comentário! Estou sempre à procura de pessoas para trocar uns soquinhos!

Esse texto também esta disponível no 10 de 10

Bernardo Dabul

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