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vgBR | 17 de agosto de 2019

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Análise – Homefront: The Revolution

Análise – Homefront: The Revolution
Cleber Avelar

Review

Boas ideias, execução sofrível

Homefront é o claro exemplo de um jogo que foi prejudicado por problemas no desenvolvimento. O excesso de repetição aliados a IA fraca e falta de desafio o tornam enfadonho.

Realidades alternativas são um tema interessante, ainda mais num futuro distópico, onde a Coréia do Norte se torna uma das maiores potências mundiais e acaba por fim invadindo os Estados Unidos.

É nessa realidade que se passa Homefront Revolution, a sequência direta de Homefront (lançado pela extinta THQ em 2011) e que traz uma boa temática. Mas será que o jogo atinge as expectativas?

Antes de mais nada é importante lembrar que o jogo sofreu um grande atraso devido a falência da THQ em 2012. O título chegou a ser dado como cancelado, mas eventualmente a empresa Deep Silver comprou os direitos da licença e finalizou o projeto.

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Realidade alternativa e distopia

O jogo se passa no ano de 2029, onde a Coréia do Norte invade os Estados Unidos. Os cidadãos da cidade americana da Filadélfia lutam contra as forças de ocupação tentando a todo custo se libertar do domínio da KPA (Korea People Army). Você é Ethan Brady um soldado que recentemente entrou nas linhas da C.E.L.L.S (a resistência) e tem como missão inicial encontrar o líder seu líder que foi sequestrado pela KPA.

Embora histórias como essa já tenham sido contadas em outros jogos, essa realidade alternativa é que tornaria o jogo interessante. A premissa do jogo é bacana mas a execução deixa a desejar. Homefront acaba sendo uma mistura de FarCry 3, com Thief com Half-Life 2. O problema é que esses são títulos bem distintos e essa mistura não dá tanta liga aqui.

A parte de tiro (que é um elemento importante num FPS) é apenas mediana. Há um sistema de armas interessantes. Já que a resistência não tem tantos recursos, as armas são intercambiáveis: uma pistola vira uma metralhadora, um carrinho de controle remoto vira uma bomba remota, e até mesmo uma pistola pneumática vira uma arma mortal. Embora o arsenal seja interessante a sensação é de que falta algo e todas as armas se comportam de maneira parecida.

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Outro ponto falho é a inteligência artificial. Tanto a IA dos inimigos quanto dos aliados deixa a desejar. No caso dos aliados, além de não te ajudarem efetivamente em boa parte do tempo, é comum você morrer por ficar preso em uma porta onde um NPC impede que você avance. Corredores estreitos fazem você esperar a boa vontade do NPC em seguir em frente pra que você possa passar. Um defeito bastante básico, chato e que não se espera num título atual.

Já os inimigos perdem você de vista ao subir e descer alguns lances de escada ou virar uma esquina. Mas isso é inconstante. Em outras ocasiões eles possuem a visão além do alcance e vão te encontrar não importa o quão bem você esteja escondido. Aliás, isso prejudica as partes de stealth, que acabam sendo mal executadas por causa da inconsistente IA dos inimigos.

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Corra Ethan Corra

Outro problema é que você vai passar 70% do tempo correndo dos inimigos, já que eles são muito superiores a você, tanto em números quanto em tecnologia. São diversos drones, naves de patrulha, câmeras, blindados patrulhando todas as partes, e uma vez que você for descoberto a melhor opção é correr até conseguir despista-los, seja a pé ou usando uma moto.

Na prática é mais fácil morrer e tentar novamente, uma vez que não há punição e ao morrer você dará respawn na safe house mais próxima, o que fará com que o alerta seja removido e as tropas inimigas voltem a suas rondas habituais. E isso influi diretamente na imersão.

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Repetição

Outro ponto contra o jogo é a repetição exagerada de situações e tarefas. O mundo do jogo é divido em duas partes: Red Zones, que são as partes do mapa onde a resistência e a KPA lutam pelo controle do local, e as Yellow Zones, as áreas residências onde os moradores da cidade tomada vivem.

Cada uma dessas 2 áreas da cidade possuem os mesmos objetivos: recupere o controle de pontos para aumentar sua influência numa região e fazer com que as forças rebeldes tenham mais recursos (nas red zones) e ajude civis, liberte prisioneiros, destrua equipamentos da KPA. Sintonize rádios na estação da revolução para que a população se revolte contra o regime opressor (nas Yellow Zones) tudo isso se repete ad infinitum, muda-se um pouco a paisagem, mas objetivos são sempre os mesmos, após algumas horas de jogatina isso fica maçante, e com a inconsistência da IA de ambos os lados o jogo se torna uma sucessão de tentativa e erro.

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CryEngine

Tudo isso é feito usando a poderosa CryEngine que produziu jogos belíssimos no passado. Infelizmente esse legado positivo foi deixado de lado em Homefront Revolution. O jogo é visualmente normal e inconstante com alguns momentos, locais e texturas muito bonitas, mas algumas modelagens primárias. A ambientação é interessante mas o visual dos cenários e dos NPCs é mediano.

Finalizando, Homefront é o claro exemplo de um jogo que foi prejudicado por problemas no desenvolvimento. O título tinha tudo para ser muito bom, mas ao tentar ser um pouco de cada jogo, perdeu identidade e se perdeu no caminho. O excesso de repetição aliados a IA fraca e falta de desafio o tornam enfadonho. Um jogo com boas ideias, mas execução sofrível.

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Cleber Avelar

Oldgamer, jogou pong com jesus, famoso também pelo seu selo de qualidade OMFG e pelo bordãos e for old é velho.