Análises

Análise – God Eater 2: Rage Burst

Boa opção p/ fãs de Monster Hunter
Com mais de 100 horas de duração, fãs de Monster Hunter vão se sentir em casa. A Bandai Namco não deixou nada a dever para a série da Capcom.

God Eater 2: Rage Burst é a continuação de God Eater Resurrection, que se passa no mesmo universo mas em uma época diferente.

O jogo foi desenvolvido pela Shift e distribuído pela Bandai Namco.

História

O game se passa numa espécie de futuro pós-apocalíptico em nosso planeta onde monstros chamados Aragami destruíram tudo e os poucos humanos que sobreviveram tentam de todas as formas se reerguer treinando soldados capacitados chamados de God Eaters para defesa do mundo.

A premissa é simples e o enredo não é o foco aqui. Apesar de ter seus momentos a narrativa é fraca e não prende o jogador porém o que existe fica de bom grado para gerar uma ambientação e um contexto.

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Gráficos

Esse é o aspecto mais fraco do jogo, mas mesmo fraco tecnicamente (até pelo fato da versão PSVITA ser a base) ainda apresenta uma belíssima arte. Os personagens são bem animados e tem alguns detalhes interessantes em suas vestimentas. O mesmo vale para o visual dos equipamentos, o fato deles serem em sua maioria enormes (e exagerados) só contribui positivamente para realçar ainda mais.

God Eater 2: Rage Burst roda a 30 quadros por segundo cravados e com uma resolução de 1080p, a qualidade de imagem é excelente. Muitos questionam o motivo da desenvolvedora não ter colocado o jogo a 60 frames mas o motivo foi por causa do cross-play entre a versão PS4 e PSVITA. Para manter a qualidade e consistência, tiveram que nivelar as duas versões.

É muito legal ver na tela 4 personagens e vários Aragamis se degladiando, cheio de efeitos e com desempenho excelente.

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Som

A trilha sonora de God Eater 2: Rage Burst foi composta pelo renomado compositor Go Shiina que teve como primeiro trabalho de sucesso o game Tales of Legendia (Namco, 2005) e recentemente compôs algumas faixas para Tales of Zestiria (Bandai Namco, 2015), dando um ar mais “moderno” ao game. Go Shiina é muito talentoso e as músicas são incríveis. A trilha sonora tem 3 CDs e são cheias de faixas com vocal e orquestra. O investimento nessa parte foi enorme e isso fará com que os jogadores coloquem o volume no máximo.

Uma pena que a parte dos efeitos sonoros sejam tão fraquinhos. Desde o original essa parte peca muito e não houve melhorias. Ao contrário, ainda acho que os SFX de God Eater Resurrection eram melhores.

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A parte realmente lamentável ficou na qualidade da dublagem do jogo. Ela não é apenas ruim, mas sim inaceitável para os dias de hoje. A interpretação dos dubladores é péssima e por algum motivo na versão que joguei, o áudio dos diálogos tem uma qualidade digna de Sega CD ou aqueles jogos de Windows CD dos primórdios dos kit multimídia, algo realmente inexplicável e que até o momento não foi corrigido.

Jogabilidade

God Eater 2: Rage Burst é um jogo de caça, um gênero que começou em 2004 com Monster Hunter (Capcom), onde o jogador basicamente entra em enormes arenas segmentadas enfrentando diversos monstros (nesse game chamados de Aragami) em até 4 jogadores, controlados pelo computador no modo para um jogador ou com mais 3 amigos no modo online.

Enquanto na teoria parece algo muito simples, na prática é bem diferente. O jogo possui um sistema bem robusto de evolução de equipamentos e upgrades que lhe possibilita total customização. A parte mais complexa do gameplay é o editor de balas. Na série God Eater as armas de fogo não são simplesmente um aparato de tiro. Aqui você pode editar completamente todo comportamento e funcionamento das armas.

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Dando um exemplo simples, vamos supôr que o jogador queira uma arma que ao disparar a bala atinja o Aragami, ricocheteie num ângulo de 90 graus pra cima e exploda em 5 partes atingindo tudo que tem em volta. Você pode fazer coisas desse tipo e muito, muito mais. Realmente não existe limites na criação de balas a não ser que você faça algo que não crie uma conexão. Os jogadores que não tiverem muita criatividade poderão usufruir de diversas receitas de balas disponíveis na internet. Algumas são extremamente destruidoras.

Uma novidade dessa versão são os Blood Arts que são extensões dos ataques das armas brancas que adicionam uma variedade de efeitos para os estilos de luta. Algumas Blood Arts convertem movimentos existentes em novos movimentos, outras adicionam funcionalidades já existentes. Elas são adquiridas usando uma arma branca e aumentando sua Change of Awakening. Esse atributo aumenta quando o Aragami é acertado com ataques diretos. Atingindo 100%, uma nova Blood Art é aprendida pelo jogador. Quando você enfrenta Aragamis mais fortes as chances de ativar o Change of Awakening aumenta e o contrário acontece quando você enfrenta Aragamis de nível inferior.

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Veredito

God Eater 2: Rage Burst é um jogo enorme, onde é possível levar mais de 100 horas somente para terminar o conteúdo de um jogador, sem sequer encostar nas atividades opcionais ou mesmo multi-player.

No presente momento o game acompanha God Eater Resurrection, mas não dá para ter certeza se essa oferta continuará por muito tempo.

Fãs de Monster Hunter que estiverem buscando um game duradouro em seu PS4 (disponível para PSVITA e Steam também) vão se divertir. A Bandai-Namco não deixou nada a dever para Capcom com seu hunting game. Outros jogadores devem evitar o game.

Prós:

  • Mais de 100 horas de campanha
  • Multiplayer divertido
  • Trilha Sonora

Contras:

  • Gráficos fracos e 30 FPS para manter o cross-play com o PS Vita
  • Gênero muito específico, não deve agradar todos os jogadores
David Signorelli

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