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vgBR | 18 de julho de 2019

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Análise – ReCore

Análise – ReCore
Átila Graef

Review

Boas idéias, problemas na execução

ReCore vai agradar jogadores que gostam de tiroteio e ação rápida mas possui defeitos que diminuem a experiência e passam a impressão de ser um jogo incompleto.

Desenvolvido pelo estúdio Armature Games, em conjunto com a Comcept, sob a supervisão de Keiji Inafune, ReCore é um jogo de ação e exploração exclusivo da Microsoft para o Xbox One e Windows 10.

ReCore começa quando a protagonista Joule desperta no Novo Éden para descobrir que ela é a única humana num ambiente rodeado por monstros mecânicos chamados Corebots.

Ao longo de sua jornada Joule tentará descobrir o que aconteceu em Novo Éden e para isso contará com a ajuda de seu próprio Corebot, o “cachorro” Mack e de outros bots amigáveis que surgirão durante a aventura.

ReCore tem uma premissa simples e essa simplicidade acompanha o jogo todo com algo que parece ser um título perdido de um limbo da Rare . Com uma mistura de Kameo nos controles e  Jet Force Gemini na parte de shooter, Joule é ágil e já começa o jogo com pulo duplo, dash e uma carabina de munição infinita que dispara um tiro contínuo e outro carregado.

Os controles respondem com precisão e isso é muito bem vindo, pois Novo Éden é um amplo mundo aberto com alguma verticalidade e em diversos momentos você testará suas habilidades de precisão nos pulos em desafiadoras sequências de plataformas.

O combate de ReCore é baseado num sistema de cores. Cada cor tem uma propriedade diferente: Amarelo afeta o tempo, Vermelho causa dano de fogo, Azul é um disparo elétrico e Branco é o seu tiro padrão. Os inimigos também dividem essas cores e recebem dano extra de ataques que correspondem a sua própria cor.  Além disso, cada bot tem um núcleo em seu centro e quando ele estiver com pouca vida, Joule pode jogar seu gancho para tentar roubar o núcleo. Isso resulta em uma cena especial onde você tem que puxar direcional esquerdo para trás dosando a força, para retirar o núcleo para fora sem romper o cabo do gancho.

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O sistema de combate é o ponto alto do jogo. É realmente estratégico e funciona bem, e o grande desafio acaba sendo alternar as cores rapidamente no meio de grandes batalhas com diversos inimigos de cores diferentes. Joule também pode usar seus bots como aliados na batalha usando habilidades especiais contra os inimigos.

Novo Éden é um vasto mundo para explorar, mas a linearidade do jogo não dá muitos motivos para exploração. Esse é o principal contra de ReCore. O título é linear, mas opta por um mundo aberto pra seguir a tendência dos jogos modernos. Além da história, a única atividade extra em Nova Éden são algumas cavernas secretas espalhadas por todo o mundo. E é isso. A máxima: “tamanho não é documento” se faz necessária aqui e imaginamos que ReCore funcionaria muito melhor num mundo mais fechado e construído com mais detalhes, do que num gigante mundo aberto onde não há nada pra se fazer. Pra piorar o sistema de viagem rápida é limitado. Não há nenhuma opção para marcar seus próprios pontos de interesse ou objetivos ativos no jogo e por vezes nos perdemos no que deveríamos fazer em seguida.

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Os chefes são variados e desafiadores. Não pense que vai passar de primeira, sem morrer uma ou duas vezes.

recore-6E com um mundo gigante tudo é mais distante e o jogo força situações pra te levar de volta para a base e trocar de bot em missões específicas, pois impõe um limite de 2 bots que não faz sentido. Ou seja, pode esperar um montão de “backtracking” (e isso pode ser considerado herança maldita, já que o estúdio Armature é formado por ex-funcionários da Retro, responsáveis pelos jogos da série Metroid Prime, que é um jogo excepcional, mas tem MUITO backtracking).

Não custava colocar a opção de trocar de bots ou mudar núcleos a qualquer momento. Teria ajudado e muito na dinâmica do jogo, retirando as quebras de ritmo constantes de retornar a base inúmeras vezes.

Outro grande problema é a quantidade de bugs. O título parece ter sido apressado para o lançamento e muitas coisas parecem incompletas. No Xbox One enfrentamos alguns problemas de cair dentro do chão, impedindo o progresso e tivemos que resetar o videogame. Além disso os tempos de carregamento são pesadíssimos e tivemos problemas com isso até mesmo na versão PC com o jogo instalado num SSD HyperX, num i7 6700 Skylake com 16 gigas DDR4 e GeForce GTX 970.

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Os gráficos são competentes, com inconsistências. Os modelos de personagens são simples, mas os efeitos são bonitos e algumas texturas saltam aos olhos. Seus bots são carismáticos e seu fiel companheiro Mack passa a sensação de ser um cachorro mesmo.

Os cenários são variados mas as áreas fechadas são as mais belas do jogo e novamente nos perguntamos porque diabos esse jogo precisava de um mundo tão aberto se tudo nele funciona melhor quando em menor escala?

Por fim, ReCore é o primeiro jogo a suportar o serviço Xbox Play Anywhere e com o mesmo código da versão de Xbox One, tivemos acesso a versão de PC no Windows 10. A loja da Microsoft finalmente parece ter engrenado e ficamos felizes em ver que o sistema funciona muito bem. Conseguimos jogar logados ao mesmo tempo tanto no Xbox One, quanto no Windows 10.

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As áreas de plataforma possuem um ótimo design

ReCore é um bom título de entressafra e uma adição bem vinda aos exclusivos da Microsoft. É recomendado para jogadores que gostam de tiroteio e ação rápida. Possui alguns defeitos que penalizam bastante a experiência, mas cumpre mais do que prometeu e o saldo da experiência é positivo. É um daqueles jogos pra quando você quiser testar algo novo e não sabe o que jogar. Mesmo assim jogadores que estiverem procurando uma história épica, devem evitá-lo, já que a narrativa deixa a desejar.

Prós:

  • Sistema de batalha original e divertido
  • Chefes variados e desafiadores
  • Primeiro título do Xbox Play Anywhere

Contras:

  • Bugs de texturas e colisão e loadings pesados prejudicaram a experiência
  • Mundo aberto sem nada pra fazer
  • História fraca 
Átila Graef

Átila Graef

Átila Graef é fanático por conquistas do Xbox 360, General aposentado em Halo Wars, colecionador de placas de Arcades, e apaixonado por F-Zero GX.