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vgBR.com – Videogames Brasil | 11 de dezembro de 2017

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NioH – Análise

NioH – Análise

Review

Dark Souls encontra Ninja Gaiden

Apesar de utilizar a fórmula da série Souls, NioH oferece mecânicas diferenciadas e um sistema de combate mais completo para quem busca desafios e muitas horas de jogo. Clássico instantâneo!

NioH é um Action RPG inspiradíssimo na aclamada série Souls da From Software  desenvolvido pelo Team Ninja e publicado pela Koei Tecmo exclusivamente para PS4.

Depois dos 3 testes abertos será que o game facilitou ou está mais ainda mais difícil? Arregace bem as mangas e se prepare para suar frio. O mundo de NioH é cruel e não vai perdoar muitos erros.

ENREDO

NioH se passa no Japão Feudal, mais especificamente na era Sengoku no século 17. Você está na pele de William (Geralt para os mais intimos) e vai receber na cara tudo que a mitologia japonesa tem a oferecer, principalmente quando o assunto são Capirotos (ou Yokais). O enredo do game é baseado em um roteiro não acabado de Akira Kurosawa, um dos maiores cineastras da história (não só japonesa) e isso pode empolgar bastante quem é vidrado na trama dos videogames.

A história do game é bem mais direta que os jogos da From Software. NioH faz bastante uso de cutscenes e personagens históricos da Europa e Japão e por isso é tudo bem mais explícito que na série Souls. O game também oferece bastante conteúdo para quem se interessa pelos temas mais “sérios” da mitologia e do folclore japonês, coisa rara de ser encontrada em produtos vindos do Japão. Sinceramente, a história é algo bem secundário dentro do jogo, mesmo tendo boa evidência. Não estou dizendo que é ruim, mas não espere uma puta história que segure o hype em cima de Akira Kurosawa principalmente porque o roteiros é inacabado e foi adaptados para os videogames. Nesse aspecto a série The Witcher continua levando o prêmio de melhor texto dos videogames.

GAMEPLAY

Sugando a fórmula consagrada da série Souls,  NioH usa praticamente os mesmo elementos de gameplay que tornaram os Action RPGs da From Software em um dos videogames mais cobiçados entre vários marmanjos viciados na dificuldade extrema. Com uma mecânica de jogo e sistema de combate altamente viciante, o game do Team Ninja acertou em cheio o coração de quem curte tomar muito tapa na cara de videogames, ou no caso, Dark Souls e seus derivados. A forma que seus criadores trabalham todos os sistema de jogo é admirável, o sistema de progressão sempre prêmia os jogadores de forma relevante, principalmente quando rolam emboscadas sacanas e inimigos pegadinha. Em outras palavras, os fãs de masoquismo podem esperar o mesmo efeito da Síndrome de Estocolmo em NioH também.

Agora a grande vantagem que NioH leva sobre Souls é que ele mescla o que deu certo no sistema de combate da série da From e adiciona a maior especialidade do Team Ninja. Com isso eles deram vida a um dos melhores sistemas de combate já criados em um Action RPG, ponto mais relevante do game já que ele melhorou algo que já era estupendo em séries consagradas como Souls, The Witcher e outros.

Will (Geraldo?) tem três instancias de combate e várias habilidades, que iremos falar mais abaixo. As instâncias servem vários propósitos durante o gameplay e vão precisar ser masterizadas por aqueles que quiserem terminar esse jogo sem tomar o leitinho com pera. A primeira é a guarda baixa, que ataca bem rápido, dá pouco dano, gasta pouco KI (stamina) e oferece a melhor defesa (tanto na velocidade de esquiva como defender ataques). A segunda é a guarda média que oferece tudo de forma balanceada e prioriza contra-ataques. Por último temos a guarda alta que bate lento, gasta KI pra cacete e ainda alopra tua defesa, mas é a mais agressiva das três.

Tenha em mente que cada situação vai exigir de você a melhor alternativa e garanto que você vai ter dificuldades para balancear isso inicialmente. Mas fique tranquilo que NioH vai ensinar da melhor e única forma possível: te surrando.

Na parte dos equipamentos os caras preferiram seguir a escola norte-americana e se inspiraram muito na série Diablo da Blizzard. Todos os drops são randômicos e a qualidade dos equipamentos idem. É possível encontrar até 4 níveis de itens nos drops, que aumentam os benefícios de acordo com sua qualidade. Além disso temos Sets de equipamentos que proporcionam ainda mais benefícios.

Todos os tipos de armas do game tem uma árvore de Skills própria. Além dessas, para cada tipo de arma temos Ninjutsus (adicionam ferramentas ninja) e Magias que também tem suas arvores próprias. Todos os equipamentos exigem que você evolua vários Atributos que aprimoram Defesa, Resistências, HP, KI e dano. Inclusive temos um atributo específico para seu espírito guardião que oferece bônus especiais e também uma habilidade no melhor estilo das barras de especial presente nos jogos de luta.

Os Skills variam de golpes especiais, bônus passivos e até umas técnicas únicas de cada arma e suas poses. Como não gosto de spoilers não vou ficar especificando nada. Sempre espero que você descobra sua forma de jogar preferida sem ficar procurando esqueminha. O objetivo do jogo é te surrar, então apanhe, aprenda, levante e vá para a luta.

O sistema de progressão de NioH é muito diferente de Souls. Para comprar itens por exemplo você tem grana mesmo, mas para passar de level o que se usa é a Amirita (nome diferente para as almas desse jogo). Os equipamentos não tem level +1, +2, mas podem ser moldados pelos jogadores e também transformados, quebrados e outras várias coisas bastante interessantes. Pode ficar tranquilo que você não precisa perder horas com isso se não quiser, mas se quiser aprofundar-se o sistema permite muitos itens interessante para criar no ferreiro.

Os Bosses variam dos excelentes aos medianos. Alguns chegam a ser cheap mas com o tempo é possível pegar o esquema e estragar essa maldade intrínseca do game. Inclusive existem alguns bosses que se tornam inimigos no Modo Crepusculo/Twilight, que é o equivalente ao Hard nos jogos normais. Aqui meus camaradas Hard realmente tem um significado valoroso e também gratificante para quem gosta de desafios e recompensas.

O Level Design é bem menos complexo que Souls, mas ainda sim tem muito brilho. O sistema de missões trás uma dinâmica diferenciada para NioH e explora nível de dificuldade com o modo Crepusculo/Twilight  de uma forma bem interessante e que na minha opinião é superior ao NG+ usado nos jogos da From pois realmente apresenta desafios diferenciados e muitas diferenças para as fases normais. Esse sistema de missões além de permitir que o jogador aumente a dificuldade dos níveis, também os libera para refazê-los completamente só por pura diversão ou dar aquela grindada chata.

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A ambientação, sempre um ponto marcante e muito bem cuidado em todos os jogos da From Software, não atinge o mesmo patamar aqui. O jogo não é open-world e segue o já citado esquema de missões/fases que é parecidos com jogos mais antigos. Isso não é ruim mas trás uma certa linearidade dentro de cada level, que infelizmente mais pra frente se tornam um pouco repetitivos.

A duração do game pode variar de jogador para jogador. Os mais cascudos vão precisar de pelo menos 30-40 horas, isso sem cobrir todos os diversos extras. Os mamões vão precisar de muito grind e acredito que pelo menos o dobro disso. O conteúdo oferecido nesse jogo com certeza vale o preço.

ONLINE

NioH ainda não oferece o PVP (chega logo mais) mas tem um outro sistema de interação online bastante interessante. Toda vez que um jogador morre ele deixa seu túmulo para assombrar jogatinas alheias, então é possível chamar e lutar contra o avatar desses jogadores falecidos e ser recompensado com seus equips ou ser massacrado por eles.

Já o Coop está presente, funciona muito bem e trás uma dinâmica bem parecida do que foi usado nos jogos da From mas de forma um pouco diferente pois é necessário o uso de um item pelo host e também que o ajudante esteja no Overworld e em um menu que concentra toda a interação online, o Portão Torii. Esse portão age como um portal para que você interaja com avulsos ou em uma partida particular com seus amigos. É possível escolher a missão e o nível de dificuldade. Além disso o portão oferece outros modos de jogo que valem a pena serem conferidos.

AUDIOVISUAL

Embora NioH tenha grandes qualidades artísticas ele acaba se tornando repetitivo porque não tem muita variação de cenários e abusa do reuso de assets. Não é um grande defeito mas é um ponto que poderia receber mais polimento, principalmente porque é uma das principais qualidades nos jogos da From Software e comparações entre os títulos são inevitáveis.

Na parte técnica o jogo é impecável e logo de cara te oferece três opções de modos gráficos: Action que roda a 60 Frames com resolução menor, Cinematic que roda a 30 Frames com resolução maior e Unlocked com resolução maior e framerate variável. No PS4 Pro essas opções são aprimoradas.

Esse é um game de ação feito para ser jogado com framerate no talo e o mais estável possível e por isso o ACTION MODE/MODO AÇÃO é minha recomendação. Taxas de quadros melhores aumentam a precisão dos inputs nos controles e melhoram muito a jogabilidade. Esse é um padrão que deveria ser exigido para TODOS os jogos da indústria e faz uma grande diferença para o gameplay mais preciso que esse tipo de jogo exige.

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A parte sonora é muito boa, completamente sem falhas, traz alguns do melhores sons ambientes que já vi em games e as músicas combinam e harmonizam perfeitamente com os set-pieces colocados no gameplay e também com a atmosfera e ambientação do game. O jogo é dublado em japonês e inglês (dependendo do personagem) e legendado em português.

SAMURAI LOIRÃO

NioH é com certeza um dos melhores Action RPGs que joguei na vida e com certeza vai marcar e agradar muita gente dessa geração. É um clássico instantâneo no gênero e apesar de utilizar a fórmula do sucesso criada pela From Software, ele oferece bastante mecânicas diferenciadas, com um sistema de combate muito mais completo para gamers que buscam desafios e muitas horas de jogo por conta do fator replay altíssimo.

Em um ano repleto de candidatos a GOTY pode ter certeza que NioH vai tirar uma fatia desse bolo. Recomendo esse game para todos aqueles que uma vez se apaixonaram por Souls, mesmo se a temática lhe for desinteressante.

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Pontos Positivos

  • Sistema de combate e progressão estupendos
  • Design de bosses e personagens
  • Level Design de qualidade
  • Sistema de missões aumenta o fator replay

Pontos Negativos

  • Cenários ficam repetitivos com o tempo
  • Não é muito justo e tem seus momentos de dificuldade “cheap“.
  • Vai ter choro

Danilo Morim

É Rhazo como um Pires ou A Voz da Rhazão? Trabalha como gamer e dorme com o controle na mão.